8.4.26

COMO APROFUNDAR A CONSCIÊNCIA DO EU - Yogue Ramacháraka

 O mestres yogues ensinam que há dois graus do despertar da consciência do Eu real. O primeiro, que chamam Consciência do Eu, é a plena consciência da existência real, que o aspirante obtém e que o faz saber que ele é uma entidade real possuindo vida independente do corpo, vida que não desaparece quando o corpo cai vítima de destruição; vida real, verdadeira.

O segundo grau, que chamam Consciência do Eu Sou, é a consciência de nossa identidade com a vida universal, nossa afinidade, nosso contato com toda a vida, manifestada ou não.

O que o aspirante deve conhecer em primeiro lugar é seu Eu. Há de ser capaz de distinguir entre o Eu e o não-Eu. Esta é a primeira tarefa que espera o aspirante. Aquilo que é o Eu real do homem é a centelha divina, emitida pela chama sagrada.

O Eu real dorme na mente do selvagem. Depois quando ele se desenvolve, a centelha começa a irradiar sua luz. Em vós, ó aspirante, ela se esforça por penetrar os invólucros materiais.

O Eu verdadeiro é algo superior ao corpo e à mente. Estes são ambos usados como ferramentas e instrumentos pelo Eu. Quando o aspirante chegou ao limiar da consciência do Eu, torna-se mais fácil compreender os meios de desenvolver a consciência a um grau ainda mais alto. É mais capaz de utilizar as forças latentes em si mesmo, controlar seus próprios estados mentais, manifestar um centro de consciência e influência que irradiará ao mundo externo, o qual procura sempre com esforço tais centros, para girar em redor deles.

O homem há de ser senhor de si mesmo antes que possa esperar exercer influência sobre seu ambiente. O caminho que leva ao desenvolvimento e ao poder é estreito e árduo. Deve-se ir passo a passo, e cada aspirante há de dar pessoalmente todos os passos, com seu próprio esforço.

O aspirante há de meditar sobre o Eu e reconhecê-lo, senti-lo, como sendo um centro. Esta é sua primeira tarefa. Ponde-vos em estado de meditação e pensai em vós mesmos - no Eu real - como sendo independente do corpo e usando o corpo como vossas vestes e vosso instrumento.

Pensai no corpo como sendo uma muda de roupa. Reconhecei que podeis deixar o corpo e, contudo, sempre ser o mesmo Eu. Imaginai que estais fazendo-o, colocando-vos acima de vosso corpo e olhando para ele, que está debaixo. Pensai que o corpo é como uma casca de que podeis sair sem mudança da vossa identidade.

O aspirante há de ver-se como um grande centro de consciência, um Sol ao redor do qual gira seu mundo. E quando tiver realizado isso, uma nova força lhe virá. Sentirá uma dignidade calma e um poder, que serão notados por aqueles com quem estiver em contato.


Será capaz de olhar à face do mundo, sem vacilar, sem medo - porque conhecerá e sentirá a natureza e o poder do Eu. Sentir-se-á como um centro de poder, um centro de influência. Saberá, com toda a convicção, que nada pode fazer mal a seu Eu, e que seu Eu real, sua individualidade, permanecerá incólume, ainda que as tempestades da vida se desencadeiem sobre sua personalidade.

Não percais a coragem se vosso progresso for lento. Não vos aflijais se escorregardes um passo para trás, depois de vos terdes adiantado. Na próxima vez dareis dois passos avante.

EXERCÍCIO DE MEDITAÇÃO

Colocai-vos em uma posição cômoda e o mais longe possível de influências externas que vos possam interromper ou distrair. Relaxai todos os músculos, cuidando que todos os nervos fiquem sem tensão, até que obtenhais um perfeito estado de tranquilidade. Não façais esforço violento para dominar a mente, mas antes deixai-a vagar um pouco, até que seus esforços se achem exaustos.

Quando a mente estiver em calma, fixai o pensamento no mantra Eu Sou. Imaginai o Eu como uma entidade independente do corpo, imortal, invulnerável, real. Concentre-se e medite sobre a afirmação "Eu Sou", concentrando a ideia no simples ser ou existência simbolizados pelas palavras Eu Sou. Não "eu sou isto" ou "eu sou aquilo", mas simplesmente Eu Sou.

Este exercício focalizará a atenção no verdadeiro centro do ser que está em vós mesmos e juntará todas as energias mentais que, aliás, se dispersariam pelos objetos exteriores.

Como resultado tereis uma sensação de paz, força e poder. Esta afirmação e a ideia que está atrás dela são a mais poderosa e a mais forte de todas as afirmações que se possa fazer, porque concerne ao Ser Real, e dirige o pensamento a esta verdade.

A princípio deixai a mente se demorar sobre a palavra Eu, e depois fazei-a passar à palavra Sou, que significa a realidade e o ser. Em seguida combinai ambos estes significados e o resultado será uma fortíssima focalização do pensamento no interior e uma potentíssima afirmação do ser.

Repita várias vezes este mantra até sentir que a mente está se interiorizando.