19.7.14

O MANTRA E A INICIAÇÃO – Swami Vishnudevananda


Iniciação significa literalmente “ignição”, consiste em utilizar o mantra como um meio para iluminar ou acender seu coração...

Tudo está em um estado vibratório. Todas as coisas são como ondas de energia. O seu próprio corpo vibra a uma freqüência de onda específica. Você aprende a afinar-se com essas freqüências de onda a fim de obter uma energia, poder ou força específicas. O mantra é um tipo de freqüência carregada de simbolismos místicos e espirituais. A sua mente poderá eventualmente entrar em ressonância com o mantra. E nesse instante você obtém um estado de consciência cósmica ou meditação. Eis a fórmula secreta.
Cada indivíduo deve possuir um mantra que sirva ao seu temperamento em particular.
 
Na Índia nós sabemos qual mantra é mais apropriado para cada tipo de mente, porque nós conhecemos as deidades. Cada nome possui uma forma e cada forma possui um nome. Nós não podemos utilizar qualquer tipo de palavra como mantra; a forma da palavra utilizada será automaticamente refletida no seu estado mental. 
 
Somente palavras espirituais podem elevá-lo. Essas palavras espirituais são chamadas mantras. O Ser Supremo é Um, e se chama OM. O mais elevado mantra é OM: A-U-M. Todos os outros mantras emanam de OM. Todos os mantras em que possamos pensar, de fato todas as línguas, se encontram ocultas nessa única sílaba cósmica: OM.
O significado desse OM é na verdade muito difícil para uma mente ordinária compreender. Por essa razão, nós raramente iniciamos alguém em OM, embora seja o mais alto mantra. Isso porque as pessoas ainda não possuem um intelecto elevado e sutil para meditar em uma forma abstrata como OM... Mesmo assim, você pode experimentar meditar em Om se você quiser... Não há nenhuma contra-indicação, pois ele é abstrato. Todos os outros mantras são mais concretos, por terem um nome e uma forma especificas.
Seria você um tipo mais Krishna, Rama, Shiva ou Devi? Esses são os tipos básicos de personalidade.

É você um chefe de família ou uma dona de casa, interessado em esposa ou marido, filhos, em uma boa família saudável, em união familiar? Você deseja paz no lar e uma verdadeira relação espiritual com seus familiares, você pensa que as crianças devem respeitar os seus pais... Se esse é o estilo de vida com o qual você é mais identificado, então você possui um tipo de personalidade Rama. Rama é o marido e filho ideal, o Deus que destrói os demônios restabelecendo a lei e a ordem.

Ele é ideal em tudo, perfeito. Ele tem apenas uma única esposa para toda a sua vida, não tendo nunca olhado para nenhuma outra mulher durante esse tempo. Essa atitude atrai responsabilidades familiares. Se você tem este temperamento, medite em Rama. Receba iniciação no Rama Mantra.

Outras pessoas são mais introspectas. Elas devem ir ao monte Kailasa, como o Senhor Shiva, que vive perpetuamente nas altas geleiras dos Himalaias, longe de toda confusão. É nos picos nevados que o Senhor Shiva vive e medita. Qualquer devoto interessado deve se deslocar até ele, pois ele próprio não se interessa em correr atrás de nenhum devoto. Se você possui essa atitude, mesmo sendo chefe de familia ou pessoa de negócios, se o seu temperamento é mais reservado e a vida social não faz muito sentido para você, querendo apenas estar só e em paz, deve então ser iniciado no Mantra de Shiva.
Uma grande maioria das pessoas corresponde ao tipo de Krishna. Krishna tem todas as características para cada ser humano, desde a infância até uma idade avançada. Em uma só vida, ele desempenhou praticamente todos os papéis que se possa imaginar...
Ele foi um Rei, estadista, músico e professor. Qualquer coisa em que você pense, ele tinha a habilidade de mostrá-la em si próprio, em uma vida. Muitas pessoas com esse tipo de temperamento se identificam com os vários papéis desempenhados por Krishna. Assim, nós concedemos o mantra de Krishna se você se encaixa nesse perfil.
Outras pessoas são mais identificadas pela Mãe. Elas sentem mais afinidade com o poder criativo da energia divina. Elas tem mais amor e compaixão, como uma mãe universal, estão mais próximos do coração materno. Deus também se manifesta como mãe, não somente como pai. Deus engloba todos aspectos, inclusive o feminino. Dessa forma, podemos meditar nesse aspecto através do mantra de Durga ou Devi.
Uma vez escolhida a deidade, o mantra e o Guru, não os mude mais durante sua vida. Você não troca de professor, e não troca de deidade. Isso é para toda a sua vida. Se você vai receber iniciação, não tente mudar ou tomar um outro mantra. Isso não é bom para você. Se você não acredita em seu Guru (professor ou mestre espiritual), então não tome mantra daquele Guru. Procure encontrar um professor no qual você tenha fé e confiança. Você necessita ter certos sentimentos em relação ao seu Guru para receber os benefícios da iniciação. Somente assim o Guru poderá acendê-lo.
Não é nenhum tipo de mantra comercial que nós estamos dando a você. Não estamos interessados em tomar dinheiro ou o que seja de você. É um antigo costume de oferecer dakshina ao professor. E esse costume ainda prevalece, pois o professor não possui nenhum tipo de ganho ou capital. Aquilo que lhe oferecem com seus corações, o professor o utiliza para o bem da Humanidade.
Os estudantes podem oferecer qualquer coisa: frutas, flores, dinheiro, aquilo que eles possuírem ou puderem para contribuir ao bem estar do professor ou da sua organização. Isso é permitido.

Mas você não pode vender um mantra sob encomenda e pedir “Eu quero tal e tal coisa pelo mantra...”. Essa demanda não pode ser feita pelo professor. É contra todo crescimento espiritual. Nenhum mantra pode ser vendido nem ser fabricado, assim como não existe nenhum novo mantra. Nós não podemos criar nem dar diferentes mantras a cada indivíduo. Isso não é possível. Ninguém pode fazê-lo e se auto-denominar um Guru espiritual.

É freqüentemente perguntado: “Devemos manter os mantras secretos?”. Você deve mantê-lo secreto no sentido de não expô-lo a todo o mundo de uma forma banal. Porém, se alguém quer saber mais e existe um real propósito por trás da curiosidade, você pode dizer, não há nenhum mal... Esse é o único segredo.
Então, o que você faz depois da iniciação ao mantra? A iniciação sozinha não é suficiente. Ela apenas acende o fogo. E nós estamos utilizando apenas um pequeno palito de fósforo para acender o fogo, não é mesmo? Bem, suponhamos que acabamos de acender o fogo com um fósforo, mas não temos os gravetos, papel e outros materiais para mantê-lo. O que acontece? Ele se apaga... O fósforo e a ignição não possuem mais nenhum valor então. Imediatamente após acender o fogo, você deve adicionar mais e mais lenha para torná-lo cada vez maior e maior... Você faz uma bela fogueira que lhe dará força e energia, não apagando tão facilmente.

Quanto mais vezes você repetir, mais o fogo cresce. Chegará, então, um nível muito elevado onde você está quase meditando a um nível transcendental. Naquele nível, a sua mente automaticamente entra em meditação. No momento em que você começa Om Namah Shivaya, a sua mente vai direto a um estado elevado de meditação. Não existe mais som em nenhuma forma, vocal ou telepática. Somente o som transcendental vibra. A vibração de Om Namah Shivaya, Om Namah Shivaya continua intensamente. O poder daquela energia está agora vibrando a um nível muito alto; aquilo é chamado de meditação.

Como principiante, você inicia o mantra verbalmente. Então, parte para a repetição mental. Essa é mais forte que a verbal. Eventualmente, você entra lá onde o som e o nome se fundem num estado telepático. Então você transcende mesmo esse penetrando em estado de energia invisível no qual você se torna um com a forma na qual você medita. Você e Shiva, você e Krishna, se tornam um e o mesmo. Você se torna o objeto da meditação. Você se torna Krishna ao ver Krishna, ou se torna Shiva.
De acordo com a sua relação e temperamento, você escolhe aquele em que é mais fácil meditar.

Repita o mantra após receber a iniciação. Não o deixe cair. Medite regularmente.




Nota: no Brasil a única instituição séria que dá iniciação em mantra é o Ramakrishna Vedanta Ashrama, situado no Largo Senador Raul Cardoso, 146 e 204, São Paulo, SP. Seu diretor espiritual é Swami Nirmalatmananda, um monge indiano que vive em São Paulo.
Fones: (11) 5572-0428 e 5908-1970 - www.vedanta.org.br


4.7.14

CONHECIMENTO ATRAVÉS DO MAGNETISMO – P. Yogananda


O melhor meio de conhecer uma pessoa é residir com ela na mesma casa. Duas pessoas vivendo no mesmo lugar, mesmo que não conversem entre si, atrairão uma à outra com sua consciência, natureza, vitalidade etc. Cada uma sentirá da outra a emanação silenciosa dos pensamentos, força vital e a qualidade e força de seu magnetismo vital.

Cada ser humano carrega consigo uma evidência silenciosa e reveladora de suas próprias vibrações. A alma espiritualmente sensitiva pode conhecer uma pessoa simplesmente olhando em seus olhos, ou meramente estando em íntimo contato com ela e sentindo suas vibrações. Pessoas preocupadas, calmas, tímidas, corajosas, cruéis, sábias ou divinas podem ser sentidas instantaneamente mesmo por quem tem pouca percepção espiritual.

Pessoas de percepções comuns podem sentir outras apenas quando estas estão dentro de seu alcance magnético. As grandes mentes, entretanto, podem sentir outros à distância, embora a percepção seja mais forte se já estiveram intimamente associados por um tempo.


LAHIRI MAHASAYA E A ATADURA


Todo dia o Yogiraj (rei dos yogues) costumava ir ao Ganges para se banhar, e era sempre acompanhado por seu fiel discípulo Krishnaram. Um dia, quando desciam uma estreita ladeira de Varanasi, de repente o Yogiraj chamou Krishnaram, que caminhava um pouco mais atrás, e disse: “Por favor rasgue um pedaço de roupa para servir como atadura.”
Krishnaram ficou muito confuso e não sabia para que serviria a atadura. De repente uma pedra voou – deslocada de uma carroça que passava, e acertou a perna do Yogiraj causando um corte que sangrava.
O Yogiraj então pediu a atadura e amarrou sua perna. Krishnaram perguntou: “Senhor, se tu sabias que a pedra viria, por que não a evitou?” O Yogiraj explicou que algum karma deve-se permitir acontecer para se cumprir a lei de causa e efeito.
Logo chegaram à casa do Yogiraj. Sua esposa Kashimani perguntou o que tinha acontecido e o Yogiraj lhe contou. Kashimani começou a rir muito e apontou para sua perna. Olhando para baixo, o Yogiraj percebeu que tinha estado tão absorvido interiormente em Bem-Aventurança que colocou a atadura na PERNA ERRADA!

LAHIRI MAHASAYA E O BANCO


Certo dia Lahiri Mahasaya foi ao banco para fazer uma transação qualquer. Naquele momento o banco estava cheio e havia uma longa fila de pessoas esperando para serem atendidas. Por causa da longa fila, Mahasaya foi para um canto da agência e sentou-se esperando. Ao ficar sentado esperando, o Yogiraj (rei dos yogues) gradualmente entrou no estado de samadhi (bem-aventurança interior).
Ele ficou totalmente imóvel no estado sem-respiração do samadhi, sentado ali naquele canto. Chegou a hora do banco fechar e os funcionários observaram o Yogiraj ali, e chamaram o gerente para saber o que fazer. O gerente era um homem muito honrado e foi levado até o local onde o Yogiraj estava sentado em samadhi.
Ele imediatamente entendeu o que estava ocorrendo e sabia quem o Yogiraj era. E gentilmente disse aos empregados: “Não vamos perturbar este grande ser de modo nenhum. Vamos esperar aqui até que sua sagrada meditação termine. Na verdade somos abençoados por podermos estar aqui.”
Após algum tempo o Yogiraj começou a voltar à consciência externa. Ele olhou ao redor timidamente e viu que estava escuro do lado de fora e que o banco havia fechado. Lahiri Mahasaya era um mestre muito humilde e modesto. Quando percebeu a situação, ele curvou sua cabeça e se desculpou com os funcionários do banco por mantê-los ali até aquela hora.
Entretanto o gerente do banco e os empregados se sentiram MUITO ABENÇOADOS e não aceitaram as desculpas do Yogiraj, dizendo: “Sagrado senhor, é uma grande honra para nós estarmos aqui convosco. Por favor não pense em se desculpar.”
Então eles realizaram a transação do Yogiraj com grande carinho embora o banco estivesse oficialmente “fechado”. O Yogiraj então, muito calmamente, com a cabeça curvada, saiu pela porta do banco e voltou a sua casa.