16.4.26

SEXO E LOUCURA - do livro No Mundo Maior, de André Luiz

 

No exame das causas da loucura, entre individualidades, sejam encarnadas, sejam ausentes da carne, a ignorância quanto à conduta sexual é dos fatores mais decisivos. A incompreensão humana dessa matéria equivale a silenciosa guerra de extermínio e de perturbação, que ultrapassa, de muito, as devastações da peste referidas na história da Humanidade. Vocês sabem que só a epidemia de bubões, no século 6º de nossa era, chamada peste de Justiniano, eliminou quase cinqüenta milhões de pessoas na Europa e na Ásia... 

Pois esse número expressivo constitui bagatela, comparado com os milhões de almas que as angústias do sexo dilaceram todos os dias. Problema premente este, que já ensandeceu muitos cérebros de escol, não podemos atacá-lo a tiros de verbalismo, de fora para dentro, à moda dos médicos superficiais, que prescrevem longos conselhos aos pacientes, tendo, na maioria das vezes, absoluto desconhecimento da enfermidade. 

Agora, que nos distanciamos das imposições mais rijas da forma, sem nos libertarmos, contudo, dos ascendentes fundamentais de suas leis, que ainda nos subordinam as manifestações, compreendemos que os enigmas do sexo não se reduzem a meros fatores fisiológicos. Não resultam de automatismos nos campos de estrutura celular, quais aqueles que caracterizam os órgãos genitais masculinos e femininos, em verdade substancialmente idênticos, diferençando-se unicamente na expressão de sinalética. 

A este respeito formulamos conceitos mais avançados. Se aí residem forças procriadoras dominantes, atendendo aos estatutos da natureza terrestre, reguladores da vida física, temos, na inquietação sexual, fenômeno peculiar ao nosso psiquismo, em marcha para superiores zonas da evolução. Doloroso é, porém, verificar a desarmonia em que se afundam os homens, com sombrios reflexos nas esferas imediatas à luta carnal. 

Inúmeros movimentos libertadores estalaram através dos séculos, no anseio da vida melhor. Guerras sangrentas de povo contra povo, revoluções civis espalhando padecimentos inomináveis, têm sido alimentadas na Terra, no curso do tempo, em nome de princípios regeneradores, segundo os quais se abrem novas conquistas do direito do mundo; no entanto, o cativeiro da ignorância, no campo sexual, continua escravizando milhões de criaturas. 

Inútil é supor que a morte física ofereça solução pacífica aos espíritos em extremo desequilíbrio, que entregam o corpo aos desregramentos passionais. A loucura em que se debatem não procede de simples modificações do cérebro: dimana da desassociação dos centros perispiríticos, o que exige longos períodos de reparação. 

Indiscutivelmente, para a maioria dos encarnados, a fase juvenil das forças fisiológicas representa delicado estádio de sensações, em virtude das leis criadoras e conservadoras que regem a família humana; isto, porém, é acidente e não define a realidade substancial. A sede do sexo não se acha no corpo grosseiro, mas na alma, em sua sublime organização.

Na Esfera da Crosta, distinguem-se homens e mulheres segundo sinais orgânicos, específicos. Entre nós, prepondera ainda o jogo das recordações da existência terrena, em trânsito, como nos achamos, para as regiões mais altas; nestas sabemos, porém, que feminilidade e masculinidade constituem característicos das almas acentuadamente passivas ou francamente ativas. 

Compreendemos, destarte, que na variação de nossas experiências adquirimos, gradativamente, qualidades divinas, como sejam a energia e a ternura, a fortaleza e a humildade, o poder e a delicadeza, a inteligência e o sentimento, a iniciativa e a intuição, a sabedoria e o amor, até lograrmos o supremo equilíbrio em Deus.

Convictos desta realidade universal, não devemos esquecer que nenhuma exteriorização do instinto sexual na Terra, qualquer que seja a sua forma de expressão, será destruída, senão transmudada no estado de sublimação. As manifestações dos próprios irracionais participam do mesmo impulso ascensional. Nos povos primitivos, a eclosão sexual primava pela posse absoluta. A personalidade integralmente ativa do homem dominava a personalidade totalmente passiva da mulher. 

O trabalho paciente dos milênios transformou, todavia, essas relações. A mulher-mãe e o homem-pai deram acesso a novos sopros de renovação do espírito. Com bases nas experiências sexuais, a tribo converteu-se na família, a taba metamorfoseou-se no lar, a defesa armada cedeu ao direito, a floresta selvagem transformou-se na lavoura pacífica, a heterogeneidade dos impulsos nas imensas extensões de território abriu campo à comunhão dos ideais na pátria progressista, a barbárie ergueu-se em civilização, os processos rudes da atração transubstanciaram-se nos anseios artísticos que dignificam o ser, o grito elevou-se ao cântico e, estimulada pela força criadora do sexo, a coletividade humana avança, vagarosamente embora, para o supremo alvo do divino amor. 

Da espontânea manifestação brutal dos sentidos menos elevados a alma transita para gloriosa iniciação. “Desejo, posse, simpatia, carinho, devotamento, renúncia, sacrifício, constituem aspectos dessa jornada sublimadora. Por vezes, a criatura demora-se anos, séculos, existências diversas de uma estação a outra. Raras individualidades conseguem manter-se no posto da simpatia, com o equilíbrio indispensável. 

Muito poucas atravessam a província da posse sem duelos cruéis com os monstros do egoísmo e do ciúme, aos quais se entregam desvairadamente. Reduzido número percorre os departamentos do carinho sem se algemarem, por largo trecho, aos gnomos do exclusivismo. 

E, às vezes, só após milênios de provas cruciantes e purificadoras, consegue a alma alcançar o zênite luminoso do sacrifício para a suprema libertação, no rumo de novos ciclos de unificação com a Divindade. 

O êxtase do santo foi, um dia, mero impulso, como o diamante lapidado – gota celeste eleita para refletir a claridade divina – viveu na aluvião, ignorado entre seixos brutos. Claro está que, assim como se submete o diamante ao disco do lapidário, para atingir o pedestal da beleza, assim também o instinto sexual, para coroar-se com as glórias do êxtase, há que dobrar-se aos imperativos da responsabilidade, às exigências da disciplina, aos ditames da renúncia. 

Estas conclusões, contudo, não nos devem induzir a programas de santificação compulsória no mundo carnal. Nenhum homem conseguiria negar a fase da evolução em que se encontra. Não podemos exigir que o hotentote inculto envergue a beca de um catedrático e se ponha, de um dia para outro, a ensinar o Direito Romano. Irrisório seria, pois, reclamar do homem de evolução mediana a conduta do santo. 

A Natureza, representação da Inesgotável Bondade, é mãe benigna que oferece trabalho e socorro a todos os filhos da Criação. Sua determinação de amparar-nos é sempre tanto mais forte, quanto mais decidido é o nosso propósito de progredir na direção do Bem Supremo. “Não desejamos, portanto, preconizar no mundo normas rigoristas de virtude artificial, nem favorecer qualquer regime de relações inconscientes. Nossa bandeira é, sobretudo, a do entendimento fraternal. Trabalhemos para que a luz da compreensão se faça entre os nossos amigos encarnados, a fim de que as angústias afetivas não arrojem tantas vítimas à voragem da morte, intoxicadas de criminosas paixões. 

Devidos à incompreensão sexual, incontáveis crimes campeiam na Terra, determinando estranhos e perigosos processos de loucura, em toda parte.


De quando em quando, uma que outra vítima procura os hospitais de alienados, submete-se ao tratamento médico, como o operário que traz à oficina de consertos seu instrumento danificado; nos hospícios encontramos, porém, tão somente aqueles que desgalgaram até ao fundo do abismo, amargurados e vencidos. Milhões de irmãos nossos se conservam semiloucos nos lares ou nas instituições; são os companheiros incapazes do devotamento e da renúncia, a submergirem, pouco a pouco, no caliginoso tijuco das alucinações... 

De mente desvairada, fixa no socavão da subconsciência, perdem-se no campo dos automatismos inferiores, obstinando-se no conservarem deprimentes estados psíquicos. O ciúme, a insatisfação, o desentendimento, a incontinência e a leviandade alastram terríveis fenômenos de desequilíbrio. “Inquietantes quadros mentais se pintam na Terra, compelindo-nos a estafante serviço socorrista, de modo a limitar o círculo de infortúnio e de pavor dos que se lançam, incautos, a temerárias aventuras do sentimento animalizado. 

Não solucionaremos tão complexo problema do mundo simplesmente à força de intervenção médica, embora seja admirável a contribuição da Ciência no terreno dos efeitos, sem atingir, contudo, a intimidade das causas. A personalidade não é obra da usina interna das glândulas, mau produto da química mental. 

A endocrinologia poderá fazer muito com uma injeção de hormônios, à guina de pronto-socorro às coletividades celulares, mas não sanará lesões do pensamento. A genética, mais hoje, mais amanhã, poderá interferir nas câmaras secretas da vida humana, perturbando a harmonia dos cromossomos, no sentido de impor o sexo ao embrião; todavia, não atingirá a zona mais alta da mente feminina ou masculina, que manterá característicos próprios, independentemente da forma exterior ou das convenções estatuídas. 


A medicina inventará mil modos de auxiliar o corpo atingido em seu equilíbrio interno; por essa tarefa edificante, ela nos merecerá sempre sincera admiração e fervente amor; entretanto, compete a nós outros praticar a medicina da alma, que ampare o espírito enleado nas sombras... 

É mister acender, em derredor de nossos irmãos encarnados na Terra, a luz da compaixão fraterna, traçando caminhos definidos à responsabilidade individual. Haja mais amor ante os vales da demência do instinto e as derrocadas cederão lugar a experiências santificantes. “Como fazer valer o abençoado serviço do médico à vítima da angústia sexual, se tem a defrontá-lo, vibrante, a hostilidade da família? 

Como salvar doentes da alma, numa instituição de benemerência, se o organismo social esmaga os enfermos com todo o peso de sua opinião e de sua autoridade? Naturalmente, constituiria pieguice rogar à sociologia a transformação imediata de seus códigos, ou impor à sociedade humana certas normas de tolerância, incompatíveis com as suas necessidades de defesa. 

Mas podemos manter louvável serviço de compreensão mais ampla, melhorar as disposições dos nossos amigos encarnados na Crosta do Mundo e despertá-los lentamente para a solução que nos interessa a todos. 


O amor espiritualizado, filho da renúncia cristã, é a chave capaz de abrir as portas do abismo para onde rolaram e rolam milhares de criaturas, todos os dias. 

Distribuamos a bênção do entendimento entre os homens; estendamos mão forte a todos os espíritos que se encontram prisioneiros do distúrbio das sensações, fazendo-lhes sentir que as oficinas do trabalho renovador permanecem abertas a todos os filhos de Deus, aperfeiçoando-lhes os sentimentos, sublimandolhes os impulsos, dilatando-lhes a capacidade espiritual. 

Lembremos aos corações desalentados que tal é o sexo em face do amor, quais são os olhos para a visão, e o cérebro para o pensamento: não mais do que aparelhamento de exteriorização. 

Erro lamentável é supor que só a perfeita normalidade sexual, consoante as respeitáveis convenções humanas, possa servir de templo às manifestações afetivas. O campo do amor é infinito em sua essência e manifestação. Insta fugir às aberrações e aos excessos; contudo, é imperioso reconhecer que todos os seres nasceram no Universo para amar e serem amados. 

Por vezes, vigoram para muitos deles, temporariamente, os imperativos da prova benéfica, os deveres do estatuto expiatório. as exigências do serviço especializado, em que estudantes, devedores e missionários se obrigam a longas fases de fome e sede do coração. Isso, porém, não representa obstáculo ao amor. Jesus não partilhou o matrimônio normal na Terra e, no entanto, a família de seu coração cresce com os dias; suas forças não geraram formas passageiras nos círculos carnais e, contudo, suas energias fecundantes renovaram a civilização, transformando-lhe o curso, prosseguindo, até hoje, no aprimoramento do mundo.

Simbologia sublime transparece da conduta do Mestre que, desse modo, se inclinou para os vencidos da convenção humana, solitários e humilhados, fazendo-lhes ver que é possível cooperar na extensão do Infinito Bem, amando e abnegando-se, com exclusão do egoísmo e do propósito inferior de serem amados, segundo os caprichos próprios. 

A construção da felicidade real não depende do instinto satisfeito. A permuta de células sexuais entre os seres encarnados, garantindo a continuidade das formas físicas em processo evolucionário, é apenas um aspecto das multiformes permutas de amor. Importa reconhecer que o intercâmbio de forças simpáticas, de fluidos combinados, de vibrações sintonizadas entre almas que se amam, paira acima de qualquer exteriorização tangível de afeto, sustentando obras imperecíveis de vida e de luz, nas ilimitadas esferas do Universo. 

Desenvolvamos, pois, carinhosa assistência aos que desesperam no mundo, sentindo-se na transitória condição de deserdados. 

Ensinemo-los a libertar a mente das malhas do instinto, abrindolhes caminho aos ideais do amor santificante, recordando-lhes que fixar o pensamento no sexo torturado, com desprezo dos demais departamentos da realização espiritual, através do cosmo orgânico, é estacionar, inutilmente, no trilho evolutivo; é entregar-se, inerme, à influência de perigosos monstros da imaginação, quais o despeito e a inveja, o desespero e a amargura, que abrem ruinosas chagas na alma e que cominam ao exclusivismo, pena que pode avultar até à loucura e à inconsciência. 

Convidemo-los a rasgar horizontes mais longes no coração. O amor encontrará sempre mundos novos. E para que tais descobertas se coroem de luz divina, bastará à criatura o abandono da ociosidade, que por si mesma combaterá a nefanda ignorância. Dentro de cada um de nós esplende, sem desmaio, a claridade libertadora, no pensamento de renovação para o bem comum que devemos cultivar e intensificar em cada dia da vida. 

O cativeiro nos tormentos do sexo não é problema que possa ser solucionado por literatos ou médicos a agir no campo exterior: é questão da alma, que demanda processo individual de cura, e sobre esta só o espírito resolverá no tribunal da própria consciência. 

É inegável que todo auxílio externo é valioso e respeitável, mas cumpre-nos reconhecer que os escravos das perturbações do campo sensorial só por si mesmos serão liberados, isto é, pela dilatação do entendimento, pela compreensão dos sofrimentos alheios e das dificuldades próprias, pela aplicação, enfim, do “ama-vos uns aos outros” assim na doutrinação, como no imo da alma, com as melhores energias do cérebro e com os melhores sentimentos do coração. 

8.4.26

COMO APROFUNDAR A CONSCIÊNCIA DO EU - Yogue Ramacháraka

 O mestres yogues ensinam que há dois graus do despertar da consciência do Eu real. O primeiro, que chamam Consciência do Eu, é a plena consciência da existência real, que o aspirante obtém e que o faz saber que ele é uma entidade real possuindo vida independente do corpo, vida que não desaparece quando o corpo cai vítima de destruição; vida real, verdadeira.

O segundo grau, que chamam Consciência do Eu Sou, é a consciência de nossa identidade com a vida universal, nossa afinidade, nosso contato com toda a vida, manifestada ou não.

O que o aspirante deve conhecer em primeiro lugar é seu Eu. Há de ser capaz de distinguir entre o Eu e o não-Eu. Esta é a primeira tarefa que espera o aspirante. Aquilo que é o Eu real do homem é a centelha divina, emitida pela chama sagrada.

O Eu real dorme na mente do selvagem. Depois quando ele se desenvolve, a centelha começa a irradiar sua luz. Em vós, ó aspirante, ela se esforça por penetrar os invólucros materiais.

O Eu verdadeiro é algo superior ao corpo e à mente. Estes são ambos usados como ferramentas e instrumentos pelo Eu. Quando o aspirante chegou ao limiar da consciência do Eu, torna-se mais fácil compreender os meios de desenvolver a consciência a um grau ainda mais alto. É mais capaz de utilizar as forças latentes em si mesmo, controlar seus próprios estados mentais, manifestar um centro de consciência e influência que irradiará ao mundo externo, o qual procura sempre com esforço tais centros, para girar em redor deles.

O homem há de ser senhor de si mesmo antes que possa esperar exercer influência sobre seu ambiente. O caminho que leva ao desenvolvimento e ao poder é estreito e árduo. Deve-se ir passo a passo, e cada aspirante há de dar pessoalmente todos os passos, com seu próprio esforço.

O aspirante há de meditar sobre o Eu e reconhecê-lo, senti-lo, como sendo um centro. Esta é sua primeira tarefa. Ponde-vos em estado de meditação e pensai em vós mesmos - no Eu real - como sendo independente do corpo e usando o corpo como vossas vestes e vosso instrumento.

Pensai no corpo como sendo uma muda de roupa. Reconhecei que podeis deixar o corpo e, contudo, sempre ser o mesmo Eu. Imaginai que estais fazendo-o, colocando-vos acima de vosso corpo e olhando para ele, que está debaixo. Pensai que o corpo é como uma casca de que podeis sair sem mudança da vossa identidade.

O aspirante há de ver-se como um grande centro de consciência, um Sol ao redor do qual gira seu mundo. E quando tiver realizado isso, uma nova força lhe virá. Sentirá uma dignidade calma e um poder, que serão notados por aqueles com quem estiver em contato.


Será capaz de olhar à face do mundo, sem vacilar, sem medo - porque conhecerá e sentirá a natureza e o poder do Eu. Sentir-se-á como um centro de poder, um centro de influência. Saberá, com toda a convicção, que nada pode fazer mal a seu Eu, e que seu Eu real, sua individualidade, permanecerá incólume, ainda que as tempestades da vida se desencadeiem sobre sua personalidade.

Não percais a coragem se vosso progresso for lento. Não vos aflijais se escorregardes um passo para trás, depois de vos terdes adiantado. Na próxima vez dareis dois passos avante.

EXERCÍCIO DE MEDITAÇÃO

Colocai-vos em uma posição cômoda e o mais longe possível de influências externas que vos possam interromper ou distrair. Relaxai todos os músculos, cuidando que todos os nervos fiquem sem tensão, até que obtenhais um perfeito estado de tranquilidade. Não façais esforço violento para dominar a mente, mas antes deixai-a vagar um pouco, até que seus esforços se achem exaustos.

Quando a mente estiver em calma, fixai o pensamento no mantra Eu Sou. Imaginai o Eu como uma entidade independente do corpo, imortal, invulnerável, real. Concentre-se e medite sobre a afirmação "Eu Sou", concentrando a ideia no simples ser ou existência simbolizados pelas palavras Eu Sou. Não "eu sou isto" ou "eu sou aquilo", mas simplesmente Eu Sou.

Este exercício focalizará a atenção no verdadeiro centro do ser que está em vós mesmos e juntará todas as energias mentais que, aliás, se dispersariam pelos objetos exteriores.

Como resultado tereis uma sensação de paz, força e poder. Esta afirmação e a ideia que está atrás dela são a mais poderosa e a mais forte de todas as afirmações que se possa fazer, porque concerne ao Ser Real, e dirige o pensamento a esta verdade.

A princípio deixai a mente se demorar sobre a palavra Eu, e depois fazei-a passar à palavra Sou, que significa a realidade e o ser. Em seguida combinai ambos estes significados e o resultado será uma fortíssima focalização do pensamento no interior e uma potentíssima afirmação do ser.

Repita várias vezes este mantra até sentir que a mente está se interiorizando.


2.1.26

SWAMI RAMA TIRTHA NA AMÉRICA

 

Uma velha senhora americana foi ver Swami Rama Tirtha numa entrevista particular e contou-lhe seus problemas domésticos, chorando por longo tempo ante o Swami, enquanto este se sentava de pernas cruzadas com seus olhos fechados.

A senhora o considerou descortês, uma vez que estava chorando amargamente e nenhuma palavra de consolo saiu dos lábios do swami, nem mesmo um olhar gentil. O swami sentava-se em frente a ela ouvindo, e ao mesmo tempo sem ouvir, como uma estátua de pedra. Ela pensava: “Estes indianos são mesmo descarados e orgulhosos”.

Quando a senhora terminou sua história de aflição, o swami abriu seus olhos, olhou para ela e disse: “Mãe”, e em seguida cantou seu mantra védico favorito: “Om! Om!”


Ela contou depois que dos olhos do swami explodiu sobre ela o estranho alvorecer de uma nova consciência.  

“Eu parecia ter sido elevada da terra”, ela disse, “eu nadava no ar como uma figura de luz, e me senti a mãe do Universo. Todos os países eram meus, todas os povos eram meus filhos. Eu estava tão cheia de alegria, que decidi que iria visitar a Índia, iria ver onde o swami nasceu e cresceu. Deveria ir. E mais tarde fui. Minha alegria está sempre comigo. A palavra OM ecoa em meus ossos. A palavra Mãe me eleva ao Divino. Eu tocaria os pés do swami com prazer. Eu morreria feliz no êxtase que ele me deu. Alguma fonte de felicidade dentro de mim se abriu, a casca se rompeu e me sinto pura”.