1.6.26

REPRESSÃO OU SUBLIMAÇÃO - Elisabeth Haich

 Somente quem tem a válvula dos centros nervosos superiores aberta, permitindo assim a ascensão da energia sexual a eles, está apto para uma vida abstêmia feliz e sem as conseqüências patológicas da repressão, e pode usufruir as recompensas excepcionais e os valores inestimáveis desta maneira de vida.

A repressão é exatamente o que ele evita; e usa preferentemente seu poder de uma forma espiritual mais elevada que rende uma felicidade incomparavelmente maior do que a que teria se gastasse tal poder fisicamente como energia sexual.

Porém, somente as pessoas altamente evoluídas correm o risco de cair em vida dissoluta. O perigo inerente ao conhecimento e capacidade adquiridos é que as habilidades conscientes podem ser usadas de duas maneiras – certa e errada. Em vez de transmutar a energia sexual em sua forma superior, em poder criador espiritual, pode usá-la como magia negra, isto é, transformando os poderes espirituais em energia sexual, dirigindo-os para baixo e identificando-os com o corpo.

Por isso é importante que os chakras superiores sejam estimulados e ativados por etapas, porque somente assim há um desenvolvimento da força moral da pessoa, protegendo-a desse modo de todas as aberrações.

Determinados caminhos do yoga envolvem esse risco. Dentre eles, as chamadas Kundaliní Yoga e Tantra Yoga. Nestes caminhos, os chakras cerebrais superiores são despertados por métodos drásticos, ignorando-se a possibilidade de gradativo desenvolvimento orgânico, espiritual, mental e físico, que é relativamente mais lento, porém, absolutamente seguro para o yogue.

Eis porque o guru autêntico tem sempre cautela com os discípulos. Somente os charlatões se imiscuem inescrupulosamente com estas formas mago-criadoras elevadas, irresistíveis e onipenetrantes.

30.4.26

O QUE É O ESPÍRITO OU O EU REAL - Ramacháraka


O espírito, o sétimo princípio do homem, é a Chispa Divina — a nossa mais preciosa herança do poder divino — um raio do sol central — o Eu real. As palavras não o podem expressar. Nossas mentes falham ao pretender alcançá-lo. É a alma da Alma.

Para compreendê-lo, deveríamos compreender a Deus, porque o espírito é uma gota no oceano do espírito — um grão de areia nas ribeiras do infinito — uma partícula da Sagrada Chama. É aquele algo interno que é a causa de nossa evolução através de penosas idades.

Ele foi o primeiro em ser, e, não obstante, Ele será o último que aparecerá numa plena consciência. Quando o homem chegar a uma completa consciência do espírito, será tal o seu grau de elevação que semelhante ser é inconcebível para o nosso intelecto.

Confinado em muitas envolturas de matéria, ele tem esperado durante longas e fadigosas idades por um débil reconhecimento, e se conforma em esperar outras idades até a sua manifestação completa na consciência. O homem ascenderá muitos graus na escala do seu desenvolvimento — desde o homem até arcanjo — antes que o espírito se manifeste completamente.

O espírito é aquilo interno no homem que mais se aproxima do Centro — é o mais próximo a Deus. É, apenas, em ocasionais e preciosos momentos que conhecemos a existência do espírito em nós e, em tais momentos, somos conscientes de estar perante a imponente presença do desconhecido.

Esses momentos podem chegar quando se está entregue a profundos pensamentos religiosos — durante a leitura de um poema que contenha preciosa mensagem de alma a alma — em alguma hora de aflição, quando toda ajuda humana tem fracassado para nós e as palavras dos homens só parecem galhofa — num momento quando tudo parece perdido e sentimos a necessidade de uma palavra direta de algum ser mais elevado do que nós mesmos.

Quando esses momentos ocorrem, nos deixam uma paz que nunca mais nos abandona inteiramente, ficando nós, depois, como seres transformados. No instante da iluminação ou ao amanhecer da consciência espiritual, também sentimos a presença real do espírito. Nesses momentos chegamos a ser conscientes de nossa relação e conexão com o Centro da Vida.

Por intermédio do espírito, Deus mesmo se revela ao homem.

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8.4.26

COMO APROFUNDAR A CONSCIÊNCIA DO EU - Yogue Ramacháraka

 O mestres yogues ensinam que há dois graus do despertar da consciência do Eu real. O primeiro, que chamam Consciência do Eu, é a plena consciência da existência real, que o aspirante obtém e que o faz saber que ele é uma entidade real possuindo vida independente do corpo, vida que não desaparece quando o corpo cai vítima de destruição; vida real, verdadeira.

O segundo grau, que chamam Consciência do Eu Sou, é a consciência de nossa identidade com a vida universal, nossa afinidade, nosso contato com toda a vida, manifestada ou não.

O que o aspirante deve conhecer em primeiro lugar é seu Eu. Há de ser capaz de distinguir entre o Eu e o não-Eu. Esta é a primeira tarefa que espera o aspirante. Aquilo que é o Eu real do homem é a centelha divina, emitida pela chama sagrada.

O Eu real dorme na mente do selvagem. Depois quando ele se desenvolve, a centelha começa a irradiar sua luz. Em vós, ó aspirante, ela se esforça por penetrar os invólucros materiais.

O Eu verdadeiro é algo superior ao corpo e à mente. Estes são ambos usados como ferramentas e instrumentos pelo Eu. Quando o aspirante chegou ao limiar da consciência do Eu, torna-se mais fácil compreender os meios de desenvolver a consciência a um grau ainda mais alto. É mais capaz de utilizar as forças latentes em si mesmo, controlar seus próprios estados mentais, manifestar um centro de consciência e influência que irradiará ao mundo externo, o qual procura sempre com esforço tais centros, para girar em redor deles.

O homem há de ser senhor de si mesmo antes que possa esperar exercer influência sobre seu ambiente. O caminho que leva ao desenvolvimento e ao poder é estreito e árduo. Deve-se ir passo a passo, e cada aspirante há de dar pessoalmente todos os passos, com seu próprio esforço.

O aspirante há de meditar sobre o Eu e reconhecê-lo, senti-lo, como sendo um centro. Esta é sua primeira tarefa. Ponde-vos em estado de meditação e pensai em vós mesmos - no Eu real - como sendo independente do corpo e usando o corpo como vossas vestes e vosso instrumento.

Pensai no corpo como sendo uma muda de roupa. Reconhecei que podeis deixar o corpo e, contudo, sempre ser o mesmo Eu. Imaginai que estais fazendo-o, colocando-vos acima de vosso corpo e olhando para ele, que está debaixo. Pensai que o corpo é como uma casca de que podeis sair sem mudança da vossa identidade.

O aspirante há de ver-se como um grande centro de consciência, um Sol ao redor do qual gira seu mundo. E quando tiver realizado isso, uma nova força lhe virá. Sentirá uma dignidade calma e um poder, que serão notados por aqueles com quem estiver em contato.


Será capaz de olhar à face do mundo, sem vacilar, sem medo - porque conhecerá e sentirá a natureza e o poder do Eu. Sentir-se-á como um centro de poder, um centro de influência. Saberá, com toda a convicção, que nada pode fazer mal a seu Eu, e que seu Eu real, sua individualidade, permanecerá incólume, ainda que as tempestades da vida se desencadeiem sobre sua personalidade.

Não percais a coragem se vosso progresso for lento. Não vos aflijais se escorregardes um passo para trás, depois de vos terdes adiantado. Na próxima vez dareis dois passos avante.

EXERCÍCIO DE MEDITAÇÃO

Colocai-vos em uma posição cômoda e o mais longe possível de influências externas que vos possam interromper ou distrair. Relaxai todos os músculos, cuidando que todos os nervos fiquem sem tensão, até que obtenhais um perfeito estado de tranquilidade. Não façais esforço violento para dominar a mente, mas antes deixai-a vagar um pouco, até que seus esforços se achem exaustos.

Quando a mente estiver em calma, fixai o pensamento no mantra Eu Sou. Imaginai o Eu como uma entidade independente do corpo, imortal, invulnerável, real. Concentre-se e medite sobre a afirmação "Eu Sou", concentrando a ideia no simples ser ou existência simbolizados pelas palavras Eu Sou. Não "eu sou isto" ou "eu sou aquilo", mas simplesmente Eu Sou.

Este exercício focalizará a atenção no verdadeiro centro do ser que está em vós mesmos e juntará todas as energias mentais que, aliás, se dispersariam pelos objetos exteriores.

Como resultado tereis uma sensação de paz, força e poder. Esta afirmação e a ideia que está atrás dela são a mais poderosa e a mais forte de todas as afirmações que se possa fazer, porque concerne ao Ser Real, e dirige o pensamento a esta verdade.

A princípio deixai a mente se demorar sobre a palavra Eu, e depois fazei-a passar à palavra Sou, que significa a realidade e o ser. Em seguida combinai ambos estes significados e o resultado será uma fortíssima focalização do pensamento no interior e uma potentíssima afirmação do ser.

Repita várias vezes este mantra até sentir que a mente está se interiorizando.


2.1.26

SWAMI RAMA TIRTHA NA AMÉRICA

 

Uma velha senhora americana foi ver Swami Rama Tirtha numa entrevista particular e contou-lhe seus problemas domésticos, chorando por longo tempo ante o Swami, enquanto este se sentava de pernas cruzadas com seus olhos fechados.

A senhora o considerou descortês, uma vez que estava chorando amargamente e nenhuma palavra de consolo saiu dos lábios do swami, nem mesmo um olhar gentil. O swami sentava-se em frente a ela ouvindo, e ao mesmo tempo sem ouvir, como uma estátua de pedra. Ela pensava: “Estes indianos são mesmo descarados e orgulhosos”.

Quando a senhora terminou sua história de aflição, o swami abriu seus olhos, olhou para ela e disse: “Mãe”, e em seguida cantou seu mantra védico favorito: “Om! Om!”


Ela contou depois que dos olhos do swami explodiu sobre ela o estranho alvorecer de uma nova consciência.  

“Eu parecia ter sido elevada da terra”, ela disse, “eu nadava no ar como uma figura de luz, e me senti a mãe do Universo. Todos os países eram meus, todas os povos eram meus filhos. Eu estava tão cheia de alegria, que decidi que iria visitar a Índia, iria ver onde o swami nasceu e cresceu. Deveria ir. E mais tarde fui. Minha alegria está sempre comigo. A palavra OM ecoa em meus ossos. A palavra Mãe me eleva ao Divino. Eu tocaria os pés do swami com prazer. Eu morreria feliz no êxtase que ele me deu. Alguma fonte de felicidade dentro de mim se abriu, a casca se rompeu e me sinto pura”.