31.12.12

UDDHAVA GITA - A história de Katthanga


HISTÓRIA NARRADA POR SRI KRISHNA A UDDHAVA, SEU DEVOTO


Havia em Avanti um brahmin imensamente rico, mas que levava uma vida miserável, fazendo negócios; era cheio de cobiça, avaro e muito irritável. Jamais saudava seus parentes e hóspedes, nem os tratava com palavras agradáveis; e vivendo naquela casa abandonada por Deus, nem sequer dava certos cuidados a seu próprio corpo.

Como levava uma vida tão ímpia e desprezível, seus filhos e parentes não gostavam dele. Sua esposa, filhos e serventes viviam tristes, e não lhe faziam nenhum bem.

Como seu único prazer era acumular dinheiro, e jamais se ocupava em adquirir virtudes ou satisfazer prazeres legítimos, perdeu esta vida e a próxima, e se desgostaram os cinco sócios de sua fortuna (os devas, sábios, antepassados, homens e animais).

Como não atendeu a estes sócios, seu mérito acumulado ficou vazio; e aquela riqueza que havia juntado com tanto sacrifício também desapareceu.

Ó Uddhava, parte da fortuna daquele infeliz brahmin foi levada por seus parentes e ladrões; outra parte ficou destruída por um acidente e corroída pela ação do tempo; e o resto foi levada pelos homens e pelos reis.

Quando, dessa maneira, se foi toda sua fortuna, ele se encheu de ansiedade pelo futuro, porque tinha descuidado de adquirir virtudes ou a satisfação dos desejos legítimos.

Neste momento era um homem sem um centavo , em condição lastimável; e ao refletir profundamente sobre sua condição, sua palavra ficou sufocada pelo arrependimento e foi atacado por um enorme desgosto para com o mundo.

E disse a si mesmo:

“Ai, desgraçado de mim! Inutilmente torturei este corpo, correndo como louco atrás da riqueza, desdenhando de adquirir as virtudes e da satisfação dos legítimos desejos.

A riqueza jamais traz alegria ao infeliz; somente causa a mortificação do corpo enquanto se está vivo, e prepara o caminho para o inferno depois da morte.

Um pouco de avareza já é suficiente para destruir a pura reputação de um homem. Durante a aquisição da riqueza ou depois de ter sido conseguida, em seu aumento, em sua guarda, em seu desfrute, em sua perda, o homem passa através de esforços, medo, ansiedades e decepção.

Estes são os males que se aderem ao homem, como resultado da riqueza: o roubo, o prejuízo, a mentira, a luxúria, a ira, a vaidade, a soberba, a discórdia, a inimizade, a má fé e as três classes de excessos. Por isso, quem deseje seu bem-estar, deve recusar o mal conhecido como riqueza.

Irmãos, esposas, pais e amigos, que são tão queridos e estão muito perto do coração, de repente se distanciam e se convertem em inimigos, ainda que por uma quantia insignificante de dinheiro.

Ainda a menor quantidade de dinheiro transtorna e inflama sua ira, e se separam imediatamente; e de repente, abandonando toda cordialidade, começam a ser rivais; mais ainda, se matam entre si.

O homem, depois de ter conseguido este corpo, que é a porta da liberação, fica apegado ao dinheiro, que é a origem do mal.

Ai, eu estava enganado pela inútil busca da riqueza; e agora, esta também se foi de mim, juntamente com minha idade e meu vigor. E o que pode conseguir um homem decrépito como eu d'Aquele que ajuda os homens de discernimento a lograr a liberação?

Estou seguro de que o senhor Vishnu, que é a personificação de todos os devas, está muito satisfeito comigo, porque Ele me trouxe esta crise, na qual obtive o cansaço do mundo, que é como um bote para a alma que está lutando.

Assim, durante o resto de minha vida, mortificarei o corpo, ficarei satisfeito apenas com minha alma, e buscarei tudo aquilo que conduz ao verdadeiro bem-estar.

Que os devas que governam os três mundos me bendigam nisso!”

E Khattanga (era este seu nome) atingiu a esfera de Brahma em apenas 24 minutos.

E com esta resolução em mente, o bom brahmin conseguiu desatar o nó de seu coração (o egoísmo) e se tornou um monge calmo e silencioso.

Controlando sua mente, os órgãos e os pranas, vagava solitário pelo mundo. Só ia às aldeias e cidades para pedir sua comida, e ninguém sabia quem ele era. Vendo o velho monge, os malvados o insultavam e o tratavam com desprezo.

Alguém lhe tirou a bengala, outro lhe tirou seu pote de mendigar, a comida e outro o pote de água; outro levou seu assento e outro o rosário de sementes de rudraksha; ainda outro lhe levou os trapos com que se cobria.

Enquanto comia às margens do rio, os velhacos sujaram sua comida e cuspiram sobre sua cabeça. Ele observava tudo em silêncio; mas queriam obrigá-lo a falar, e ao não obter resposta, o encheram de xingamentos.

Diziam: “Este homem é um ladrão”. Outro o amarrou com uma corda, e outros disseram: “Mate-o”. Outros disseram: “É um farsante que usa a máscara de religioso. Como perdeu seus bens e foi expulso por seus parentes, tomou esta profissão.”

“Oh, ele é muito forte e firme como o Himalaia! Tem firmeza em seu propósito, e busca conseguir seu propósito se mantendo em silêncio.” Assim uns o ridicularizavam, outros lhe tratavam vergonhosamente, e alguns o amarraram.

Mas, qualquer que fosse a desgraça que lhe ocorria, ele a tomava como sendo mandada pelo destino, e a suportava em silêncio, praticando a mais pura forma de firmeza. E vagou pela terra como um monge, livre de ansiedades.

 

KUNDALINI YOGA - Swami Sivananda


  • Quando Kundalini dorme, o homem está desperto para este mundo. Quando Ela desperta, ele dorme, isto é, perde a consciência do mundo e penetra em seu corpo causal. Para o Yoga, ele transcendeu até a consciência sem formas.

  • Aquele que tenha firme fé nos livros sagrados, que tenha reta conduta, que está constantemente a serviço de seu guru, e se acha livre da inveja, ódio e vaidade, logo cruzará o oceano da existência e obterá o samadhi.

  • Nem todos são competentes para a prática do Kundalini Yoga, apenas muito poucos estão em condições de realizá-la. Devemos, nesta ou em outra vida, ter passado através de Karma, ou serviço aos semelhantes, sem desejar o fruto das ações. A maioria deve buscar seu progresso através do serviço inegoísta ou da devoção.

  • Uma prática solitária e inadequada de Kundalini Yoga pode conduzir, não só à enfermidade, como também à morte.



  • A Sakti estática, na base da coluna, ao ser afetada por pranayama e outros processos yóguicos, se converte em dinâmica. Então Kundalini sobe através da espinha dorsal para unir-se a Shiva, no topo da cabeça (Sahasrara).

  • Goraknath pediu a seus discípulos que subissem numa árvore e se lançassem de cabeça sobre um agudo tridente. Muitos estudantes incrédulos permaneceram quietos. Mas um deles, que tinha fé, subiu na árvore rapidamente e se lançou de imediato, sendo protegido pelas mãos invisíveis de Goraknath. Esse estudante alcançou naquele instante a realização do Eu.

  • Quando a Kundalini é despertada, aparecem no caminho múltiplas tentações, e se o praticante carece de pureza, não possuirá força suficiente para resistir a elas.

  • A Kundalini pode ser despertada da seguinte forma: os Hatha Yoguis o fazem com a prática de pranayama, asanas e mudras; os Raja Yoguis mediante a concentração da mente; os Bhaktas pela devoção e entrega total; os Jnanis mediante o processo analítico da vontade; os tântricos, mediante mantras.

  • Os sinais que mostram o despertar da Kundalini são: liberação da ira, do desejo, da cobiça, do apego, equilíbrio mental, amor cósmico, visão astral, intrepidez.

    VIDAS DE GRANDES YOGUES

  • SADASIVA BRAHMAN: viveu no início do século XIX. Certa vez se achava em samadhi às margens de um rio, e com a cheia deste, ele foi totalmente coberto com o barro das águas. Nesse estado permaneceu durante meses sepultado. Um dia, os agricultores que se achavam lavrando a terra, feriram sua cabeça e brotou sangue do ferimento. Os agricultores ficaram assombrados e decidiram cavar a terra em torno do yogue. Sadasiva se levantou impávido, afastando-se. Numa outra ocasião alguns arruaceiros o atacaram com paus com a intenção de lhe golpear. Mas ao levantar as mãos, perceberam que não podiam movê-las, ficando ali paralisados como estátuas. Em outra ocasião, entrou inconsciente em êxtase na tenda de um chefe tribal, e este enfurecido cortou-lhe a mão com uma espada. Sadasiva se retirou com um sorriso nos lábios. O chefe, percebendo que se tratava de um grande sábio, pegou a mão cortada e partiu à procura de Sadasiva. Encontrando-o disse: 'Oh meu senhor, imploro-te perdão!' Sadasiva tocou simplesmente a parte cortada com sua outra mão e apareceu uma nova. Sadasiva o perdoou.
    TRILINGA SWAMI: sua vida se prolongou por 280 anos. Sri Ramakrishna o viu em Benares, por volta de 1875. Tinha o hábito de viver sob as águas do Ganges durante seis meses sem interrupção e a dormir no templo de Viswanath colocando seus pés sobre o Siva Linga. Numa ocasião tirou a espada do governador e a jogou no Ganges. Como o governador reclamava a devolução de sua espada, Trilinga entrou na água, voltando com duas espadas exatamente iguais, com grande assombro do governador, que não podia reconhecer qual era a sua. Como andava nu, a polícia frequentemente o prendia, mas as grades não podiam contê-lo, e o swami logo depois era visto andando livremente sobre os telhados das casas de Benares (Varanasi).

30.12.12

HISTÓRIAS DE YOGANANDA


  • Discípulo: Senhor, se uma pessoa de cor branca tem preconceito contra os negros, na sua vida seguinte essa pessoa não nascerá negra?
  • Yogananda (rindo): Exatamente! A aversão é uma força magnética tão poderosa quanto a atração. Algumas vezes você vê famílias inteiras que nada mais fazem além de brigar entre si. Os membros dessa família foram inimigos antes, e foram atraídos a esse mesmo lar, onde então devem resolver seu ódio debaixo do mesmo teto! Conta-se uma história de uma igreja num dos estados do sul dos Estados Unidos. Era um lugar onde só aos brancos se consentia frequentar os serviços. Jim, o porteiro negro, queria mais que tudo poder tomar parte no culto religioso em companhia da congregação nas manhãs de domingo. 'Jim', explicou-lhe o ministro, 'eu adoraria tê-lo em nossa companhia. Mas se isso acontecesse, você sabe que eu perderia meu emprego'. Certa noite Jim orou para Jesus com pesar: 'Senhor, por que não posso tomar parte do culto junto com os brancos?' Depois de algum tempo ele adormeceu e teve uma visão: Jesus lhe apareceu envolto em forte luz, e sorriu piedosamente. 'Meu filho', disse Jesus, 'não fique tão triste. Por vinte anos tentei entrar nessa igreja, e ainda não consegui!'

  • Uma mulher veio até mim certa vez e bradou: 'Você tem de ser salvo pelo sangue de Cristo!'
    'Providencie-me então um copo', desafiei-a. Ela ficou estupefata. O que os fanáticos sabem das verdades espirituais? Eles despejam palavras como se fossem slogans, e gritam até ficarem roucos falando sobre o sangue de Cristo, e todo o tempo vivem de modo pecaminoso.




  • Certa jovem em Chicago pegara sífilis do namorado. Para se vingar dele e de todos os homens, ela tentou seduzir e contaminar todos os homens que encontrou pelo caminho. Quando lhe foi concedida uma entrevista com o Mestre, ela sorriu para ele de maneira sedutora e disse:
    'Você é uma pessoa muito interessante'.
    'Pecado e doença!' disse o Mestre, fitando-a ironicamente.
    A mulher irrompeu em lágrimas. Depois disso, ela confessou ao Mestre sua história. Depois de ter prometido ao Mestre nunca mais se comportar daquela forma, ele a curou e a fez seguir seu caminho.

  • Certa vez participei de um serviço divino levado a cabo por uma evangelista famosa. Durante seu sermão, ela gritou de repente: 'Todos vocês são pecadores! Fiquem de joelhos!'
    Olhei firmemente ao meu redor. Em toda aquela ampla congregação, eu era o único que continuava em pé; eu não ia aceitar a afirmação que ela fez de que eu era um pecador!

  • 'Você está salvo?' - um pregador perguntou-me certa vez.
    'Salvo do que?' - indaguei. Achando que eu não estava disposto a me juntar a ele na sua limitada interpretação da verdade, ele gritou comigo nervosamente e disse: 'Você vai para o inferno!'
    Bem, o que é o inferno senão os tormentos causados por emoções nocivas como a raiva? Sorrindo, repliquei:
    'Talvez eu vá para lá aos poucos, mas você, meu amigo, já está lá!'
    Outras pessoas haviam estado ouvindo nossa conversa com interesse, enquanto viajávamos num trem. Quando lhe dei essa resposta, todos começaram a rir ruidosamente.

  • Na verdade, é um erro dizer que Deus criou o universo. Ele não o criou, Deus se tornou o universo. Sem alterar Sua natureza, Ele manifestou uma parte de Sua consciência na forma de maya – a ilusão cósmica. Nada é como parece ser. Tudo que existe é uma manifestação dos pensamentos de Deus.

  • Meu guru, Sri Yukteswar, gostava de uma canção que traduzi, da qual dois versos são os que seguem: 'Pranayama seja a tua religião. Pranayama será a tua salvação.

Nota: o pranayama praticado pelos seguidores de Yogananda é chamado de KRIYA YOGA, e as pessoas interessadas poderão entrar em contato no site   www.yogananda-srf.org   
ou srfsaopaulo.com.br no Brasil.
 





29.12.12

A MENTE UNIVERSAL E O KARMA - Paul Brunton


  • Por que buscamos a felicidade? É porque a alma divina existente em todo ser humano existe continuamente num estado de perene felicidade. Ainda que encontrássemos tudo que desejamos fisica e intelectualmente, continuaríamos descontentes e procurando a felicidade, pela simples razão de não termos ainda encontrado a alma. É por isto que, satisfeito um desejo, surge outro para substituí-lo.
  • A Mente Universal é a origem da vida. O nosso não é um universo morto, mas um universo vivo, porque é um universo mental. Em toda parte, em todos os pontos de seu cosmo, e por trás da vida de cada uma de suas criaturas, a Mente suprema, infinita, onisciente, está trabalhando.
  • Todo homem está aqui na terra para tornar-se consciente de seu eu superterreno. O divino Eu Supremo permanece sereno no coração, esperando para saudar-lhe o regresso, sabendo que seu poder de atração magnética o atrairá, e que a instrução e o sofrimento acabarão por fazê-lo consciente de Sua presença. Assim que o homem descobrir essa presença e sentir essa inspiração, o Eu o conduzirá serenamente através de todas as dificuldades e crises da vida.
  • A cada experiência amarga que a vida lhe trouxer, use a inteligência para descobrir o que no caráter necessita dessa correção, e o que na mentalidade necessita dessa instrução.
  • Cada uma das fases de desenvolvimento espiritual é seguida de sua fase complementar de desintegração e colapso. O progresso é uma longa série de triunfos e revezes. E cada subida na espiral cíclica da evolução é mais alta que a anterior.
  • Todos que buscam o perdão para si, deveriam seguir a regra do perdão no trato com os outros. Esta é uma lei espiritual.
  • O Eu Superior está presente em cada coração; Sua paciência sobreviverá a mil reencarnações de negação, e Seu poder sujeitará afinal todos os impulsos animais, Seu magnetismo arrastará irresistivelmente o eu pessoal através de dores sem conta, pois é o próprio Amor.
  • O eu pessoal sempre procura resultados rápidos; o Eu Superior, resultados duradouros. Daí a paciência eterna com que ele contempla os sofrimentos de seus filhos e aguarda sua reclamação.


  • A Mente Universal é a origem do universo, cuja imensidade é inimaginável. Nossa Terra é menos que um átomo em relação a essa vastidão assombrosa. A Mente Universal pode compreender todas as particularidades do passado e do futuro, e apreende todas as espécies possíveis de existência ao mesmo tempo. Todos os pontos do espaço e todos os momentos do tempo estão contidos na Mente Universal. Essa capacidade infinita de experiência está totalmente fora da compreensão imediata do finito intelecto humano.
  • Deus é mente e está em toda parte. Só mesmo a Mente impessoal poderia estar presente em toda parte num universo ilimitado como este, sustentando todo tipo de vida como sustenta.



24.12.12

BUDDHA E SUAS REENCARNAÇÕES - Teosofia


  • O Boddhisatva do passado, que deu as religiões primitivas da Quinta Raça-Raiz, é agora o Senhor Buddha. Ele chegou à primeira sub-raça como Vyasa, e fundou o hinduísmo, a religião do Sol; ensinou como Toth (ou Hermes) no Egito, fundando a religião da Luz; como Zoroastro chegou à Pérsia há 31.000 anos e proclamou a religião do Fogo; chegou como Orfeu à Grécia, ensinando por meio da Música e do Som, fundando os Mistérios Órficos. Apareceu pela última vez na Índia, para alcançar ali a iluminação do Buddha, e com o Budismo, fechou o antigo ciclo, deixando a seu sucessor a continuação da obra.

  • O sucessor do Senhor Buddha, o atual Boddhisatva, é o Senhor Maitreya, conhecido no Ocidente como o Cristo. Está destinado a aparecer novamente sobre a terra e ministrar ensinamentos religiosos apropriados às necessidades da sexta e sétima sub-raças da Quinta Raça-Raiz. Em seguida desaparecerá para se converter no Buddha da Sexta Raça-Raiz.

  • A profunda reverência e afeto que o Oriente consagra ao senhor Gautama Buddha se devem a dois fatos. O primeiro é ter sido Ele o primeiro de nossa humanidade a atingir a estupenda altura do estado de Buddha. Os Buddhas anteriores pertenciam a outras humanidades, que haviam se desenvolvido em cadeias anteriores. O segundo fato é que, visando a apressar o progresso da humanidade, Ele empreendeu trabalhos adicionais, do mais estupendo caráter, cuja natureza não nos é dado compreender.

  • A obtenção do estado de Buddha não se resume ao alcançamento da iluminação; é também a recepção de uma grande e definida iniciação; o homem que deu esse passo não pode voltar a encarnar na terra: passa seu trabalho a seu sucessor, e em geral se desliga de toda conexão com a terra.

  • Apesar disso, o Senhor Gautama ainda permanece, até certo ponto, em contato com o mundo. Uma vez por ano, nas festas de Wesak, na primeira lua cheia de maio, ele ainda se mostra à irmandade dos Adeptos, sobre os quais derrama sua bênção, para que seja transmitida por eles ao mundo em geral.

  • Um Buddha é um dignatário que não superintende apenas uma humanidade; é o Mestre dos Devas, ou Anjos, assim como dos homens. Ele se encarrega do trabalho especial do Segundo Raio para todo o mundo, devotando-se à parte que está nos mundos mais elevados, enquanto confia a seu assistente, o Boddhisatva, o cargo de Mestre do Mundo para os planos inferiores.


KRIYA YOGA, A CIÊNCIA SUPREMA - Paramahansa Yogananda


  • Kriya Yoga é “união (yoga) com o Infinito por meio de certa ação ou rito (Kriya)”. Um iogue, praticando com toda fidelidade esta técnica, liberta-se gradualmente do carma ou do justo encadeamento em que se equilibram as causas e os efeitos.
  • Kriya Yoga é um método simples, psicofisiológico, pelo qual o sangue humano se descarboniza e volta a oxigenar-se. Os átomos deste extra-oxigênio transmutam-se em corrente vital para rejuvenescer o cérebro e os centros da espinha. Sustando a acumulação de sangue venoso, o iogue pode diminuir ou evitar a degeneração dos tecidos. O iogue adiantado transmuta suas células em energia. Elias, Jesus, Kabir e outros profetas foram, no passado, mestres no uso de Kriya ou de uma técnica similar, pela qual eles materializavam ou desmaterializavam seus corpos à vontade. Kriya é uma ciência antiquíssima. Láhiri Mahásaya recebeu-a de seu grande guru, Bábají, que redescobriu e purificou esta técnica depois da Idade Média, época em que esteve perdida. Bábají batizou-a de novo, simplesmente, de Kriya Yoga.
  • Kriya Yoga é um instrumento que pode acelerar a evolução humana - explica Sri Yuktéswar a seus estudantes. - Os antigos iogues descobriram que o segredo da consciência cósmica se liga intimamente ao domínio da respiração. Esta é a contribuição sem par, e imortal, da Índia, ao tesouro de conhecimento do mundo. A força vital, que comumente se emprega para manter a pulsação cardíaca, deve tornar-se livre para atividades superiores por meio de um método que acalme e detenha as demandas incessantes da respiração.
O Kriya Yogi dirige mentalmente sua energia vital para cima e para baixo, a fim de fazê-la girar em torno dos seis centros espinhais (plexos medular, cervical, dorsal, lombar, sacro e coccígeo), correspondentes aos doze signos astrais do Zodíaco, o Homem Cósmico simbólico. Meio minuto de revolução da energia ao redor do sensitivo cordão da espinha, efetua progressos sutis na evolução do homem; esse meio minuto de Kriya eqüivale a um ano de desenvolvimento comum. O sistema astral de um ser humano, com seis constelações internas (doze, por polaridade) girando em torno do sol do olho espiritual onisciente, relaciona-se com o sol físico e com os doze signos do Zodíaco.

Todos os homens são assim afetados por um universo interno e outro externo.
Os antigos ríshis descobriram que o ambiente terreno e celeste do homem, numa série de ciclos de doze anos, o impele para a frente em sua senda natural. As Escrituras asseveram que o homem requer um milhão de anos de evolução normal, sem doenças, para aperfeiçoar o seu cérebro e atingir consciência cósmica. Mil Kriyas, praticadas em oito horas e meia, dão ao iogue, em um dia, o equivalente a mil anos de evolução natural: 365.000 anos de evolução em um ano. Em três anos, o Kriya Yogi pode assim alcançar, por meio de um esforço inteligente, o mesmo resultado que a Natureza apresenta em um milhão de anos.

Sem dúvida, o caminho mais curto de Kriya só pode ser trilhado por iogues profundamente desenvolvidos. Com a orientação de um guru, tais iogues preparam cuidadosamente seu corpo e cérebro para resistir ao poder gerado pela prática intensiva.

O principiante em Kriya efetua estes exercícios iogues apenas de catorze a vinte e quatro vezes, em duas ocasiões por dia. Alguns iogues obtêm a emancipação em seis, doze, vinte e quatro, ou quarenta e oito anos. Um iogue, que morre antes de atingir a realização completa, leva consigo o bom carma de seu esforço anterior de Kriya; em sua vida seguinte é naturalmente impelido à Meta do Infinito.

O corpo do homem assemelha-se a uma lâmpada de cinqüenta watts, que não pode suportar o bilhão de watts de energia, gerados por uma prática excessiva de Kriya. Através do aumento gradual dos exercícios simples e perfeitamente seguros de Kriya, o corpo humano transforma-se astralmente, dia a dia, e por fim se capacita a expressar aquelas potencialidades infinitas de energia cósmica que constituem a primeira
expressão materialmente ativa do Espírito. 

Kriya Yoga nada tem de comum com exercícios respiratórios anticientíficos ensinados por certos fanáticos extraviados. Tentativas de reter a respiração nos pulmões, até o exagero, são artificiais e decididamente desagradáveis. A prática de Kriya, ao contrário, é acompanhada, desde o início, por sentimentos de paz e sensações suavizantes, de efeito regenerador na espinha. 


Nos homens sujeitos à lei natural ou maya, a força vital flui em direção ao mundo exterior; as correntes são desperdiçadas e usadas de modo abusivo nos sentidos. A prática de Kriya inverte o fluxo; a força vital é mentalmente guiada para o cosmos interior e volta a se unir às energias sutis da espinha. Por meio de tal reforço da energia de vida, o corpo do iogue e suas células cerebrais são renovadas por um elixir espiritual.

Com alimentação apropriada, luz solar e pensamento harmoniosos, homens que se deixam guiar apenas pela Natureza e seu divino plano, alcançarão a experiência de Deus em um milhão de anos. Necessitam-se doze anos de vida normal saudável para que se efetue o mais leve refinamento na estrutura do cérebro; um milhão de anos solares são precisos até purificar o alojamento cerebral o suficiente para que manifeste a consciência cósmica. Um Kriya Yogi, entretanto, pelo exercício desta ciência espiritual, livra-se da necessidade de um longo período de cuidadosa observância das leis naturais.

A introspeção ou “sentar em silêncio” é um processo anticientífico de tentar, à força, separar a mente e os sentidos, estes atados àquela pela energia vital. A mente contemplativa, em sua tentativa de retorno à divindade, é constantemente arrastada de volta, em direção aos sentidos, pelas correntes de vida. Kriya, controlando a mente de modo direto, através da força vital, é a via preferencial mais fácil, mais eficiente e mais científica de acesso ao Infinito.

Em contraste com o lento e incerto carro de bois que é a via teológica para Deus, Kriya Yoga pode, com justiça, intitular-se “a rota do avião”. A ciência iogue fundamenta-se no exame empírico de todos os tipos de exercícios de concentração e de meditação. A Ioga habilita o devoto a desligar, e a voltar a ligar, voluntariamente, a corrente vital aos
cinco telefones sensoriais: visão, audição, olfato, paladar e tato. Alcançando este poder de desligar os sentidos, é simples para o iogue unir sua mente com os reinos divinos ou com o mundo da matéria, à vontade. Não mais é trazido pela força vital, contra sua vontade, à esfera mundana de sensações desordenadas e de inquietos pensamentos.


A vida de um Kriya Yogi adiantado depende, não de efeitos de ações anteriores, mas apenas das diretrizes de sua alma. O devoto evita assim os monitores lentos e evolutivos das ações egoístas, boas ou más, da vida comum - lerdos e enfadonhos como lesmas para os corações de águia.

Pelo método superior de viver em sua alma, o iogue se alforria; emergindo da prisão do ego, ele respira o ar profundo da onipresença. A escravatura da vida natural, ao contrário, move-se a passo de humilhação. Se o homem conforma sua própria vida à mera ordem evolutiva, não pode exigir da Natureza uma pressa privilegiada. Embora vivendo sem cometer atentados contra as leis que lhe governam o corpo e a mente, ainda necessita as máscaras de um milhão de anos de encarnações para atingir a emancipação final.

Os métodos telescópicos do iogue, desembaraçando-o de identificações físicas e mentais, a favor da individualidade da alma, recomendam-se, pois, àqueles que se revoltam ante a perspectiva de um milhão de anos. Esta periferia numérica alarga-se para o homem comum, que não vive em harmonia com a natureza e muito menos com a própria alma - ao contrário, se atém a complicações artificiais e ultraja em seu corpo e em seu pensamento a sensatez da Natureza. Duas vezes um milhão de anos dificilmente
bastarão para libertá-lo.

Kriya Yoga é o verdadeiro “rito do fogo”, muitas vezes enaltecido no Gíta. O iogue arroja seus anseios humanos numa fogueira monoteísta consagrada ao Deus incomparável. Nesta autêntica cerimônia do fogo, todos os desejos passados e presentes são o combustível consumido pelo amor divino. A Flama Última recebe em holocausto a derradeira loucura humana e o homem se vê livre de escórias. Seus ossos metafóricos despojados de toda carne sensual, seu esqueleto cármico branqueado pelos sóis anti-sépticos da sabedoria, sem ofensas ao homem e ao Criador, ele se encontra - finalmente – limpo.




Nota: para aprender a técnica de Kriya Yoga, o aspirante deve dirigir-se à sede central da Self-Realization Fellowship, organização fundada por P. Yogananda. Maiores informações no site: www.yogananda-srf.org


A EVOLUÇÃO NO SISTEMA SOLAR, segundo a Teosofia


  • O sol físico pode ser considerado como uma espécie de chakra ou centro de força que está na Divindade que preside nosso sistema solar, correspondente ao coração do homem, manifestação externa do centro principal de seu corpo.

  • As Divindades planetárias de nosso sistema, grandes entidades que presidem a vida e a evolução de cada planeta, são aspectos da Divindade solar, centros de força ou chakras de Seu corpo. Toda evolução que d'Ele procede se faz através de um ou de outro desses deuses planetários, que são como pétalas que fazem parte da mesma flor, sendo o sol central o coração da flor.

  • A vida total que evolui num determinado planeta (mineral, vegetal, animal, humana e angélica) passa à fase seguinte ao fim de uma cadeia; isto é, o mineral se torna vegetal, o vegetal se torna animal, o animal se torna humano, o humano se torna angélico e este em algo superior. Mas o que vem a ser uma cadeia de evolução? Numericamente as relações são as seguintes:
    . 7 nações formam 1 sub-raça
    . 7 sub-raças formam 1 raça-raiz
    . 7 raças-raízes formam 1 período global
    . 7 períodos globais formam 1 ronda
    . 7 rondas formam 1 cadeia

  • Um período global constitui o tempo em que a vida permanece em determinado planeta, antes de ser transferido a um outro (são 7 planetas que deverão receber aquela onda de vida). Depois que surgir a sétima sub-raça da sétima raça-raiz, toda a vida existente no planeta será transferida, após um período de descanso, a um segundo planeta, onde continuará sua evolução. No final do sétimo planeta, estará completada uma ronda de evolução. No final de sete rondas estará completada uma cadeia evolutiva.



  • Esse é um esquema de evolução. Nosso sistema solar possui dez esquemas como esse, onde a evolução de ondas de vida se processa em diferentes partes do sistema, cada esquema possuindo sete planetas, etc.

  • Os planetas de cada cadeia podem ser físicos, astrais ou mentais. De modo que há setenta planetas no sistema solar, entre físicos e não-físicos (sete planetas para cada um dos dez esquemas de evolução). Cada um dos esquemas evolutivos encontra-se numa fase diferente de evolução.

  • Em relação à nossa onda de vida, esta se encontra na quarta ronda de nossa cadeia, e dentro da quarta ronda, ocupamos o quarto planeta, que é a Terra. Surgiram na Terra até o momento 5 raças-raízes, durante um período que abrange cerca de 6 milhões de anos, sendo que da quinta raça-raiz já foi formada a quinta sub-raça, esperando-se que dentro de aproximadamente 500 ou 600 anos começará a ser formada a sexta sub-raça da quinta raça-raiz.

MEDITAÇÃO E A VIDA OCULTA - Geoffrey Hodson


  • O cérebro é submetido a um grande esforço com a meditação sobre verdades espirituais e abstratas, e o neófito, em seu entusiasmo, deve tomar muito cuidado para não causar-lhe danos. Uma dor leve ou um entorpecimento constituem avisos de que se está chegando a um ponto perigoso de extenuação, no qual podem ocorrer danos permanentes. A esses sinais, a meditação deve ser interrompida ou mudar de forma. A forma que produziu dor deve ser examinada e experimentada com muito cuidado; a ausência de dor constitui um indício de que um exercício é seguro.

  • O cérebro deve ser visto como um instrumento delicado e muito valioso que, devido a seu contato com o trabalho mundano, torna-se embrutecido, como uma faca sem corte, necessitando ser constantemente afiado. Isso é conseguido através da meditação, do controle do pensamento, da fuga deliberada do tipo de pensamento que diminui a consciência espiritual, de uma vida calma e ordenada e de uma alimentação correta. Todos os alimentos feitos com carne sujam a corrente sanguínea e entorpecem o cérebro. Eles também fazem aumentar a tendência para embrutecer pensamentos e sentimentos. Frutas frescas e vegetais purificam o sangue e vitalizam o corpo e o cérebro.

  • A vida e a forma são os dois pilares do portão que leva à morada do Uno Supremo. Entre ambos, ligando-os, está o Caminho, que deve ser visto concretamente como uma estrada ao longo da qual todos os pés devem passar. Até mesmo os deuses mais altos – as Sete Inteligências Superiores nas quais os sete raios estão perfeitamente manifestados – trilharam essa estrada. Mesmo o Uno Supremo (a Divindade Solar de nosso sistema) conheceu suas alegrias e misérias há muito, muito tempo, em universos agora transformados em poeira.

  • Embora atualmente o descontentamento divino seja sentido por muitas almas, seu significado e importância ainda não foram compreendidos. O homem confunde essa ânsia inexprimível de seu interior com prazer sensual, com satisfação física, e procura curar esse sofrimento corrosivo mergulhando mais profundamente no abuso e no desregramento. Ele não a reconhece como o sinal de que está superando os prazeres que antes o escravizaram, os brinquedos da infância de sua alma.

  • A história da evolução humana (através de centenas de encarnações) pode ser descrita em termos de amor. O homem passa do estado animal e selvagem de união material e desejo para o estado relativamente civilizado, no qual a mente ingressa na experiência do amor. Nesse estágio, a necessidade de união física ainda existe. Além desse estado é que a primeira iluminação espiritual começa a se manifestar na consciência pessoal, e um amor mais profundo e elevado é percebido, mas não totalmente expresso. A necessidade de união física diminui, mas a necessidade de companheirismo permanece. Mais além, situa-se o estado de puro amor espiritual, baseado no reconhecimento da unidade, no amor pela Vida em si. Nesse estágio, não há necessidade de contato nem de companheirismo, mas de solidão, para que a existência seja completa.

  • O método que um Mestre de Sabedoria usa para ensinar seus alunos variará de acordo com o temperamento e caráter de cada um. Num a “vontade de vencer” predominará; em outro o amor e a compaixão; outro ainda usará o pensamento e a razão; outro, a veneração e o culto; cada aluno encontrando por si mesmo seu próprio caminho rumo à consciência do Mestre.

  • O amor é, na verdade, um fogo. O amor egoísta desperta no homem a chama da paixão e do desejo. O amor universal desperta a chama do gênio, do heroísmo; ele brota da visão do Eu Uno que há em todos nós, visão essa que, uma vez alcançada, inspira o amor por tudo o que vive.

  • Na evolução, os espíritos da natureza obtêm a individualidade como anjos, e o animal obtém a individualidade como ser humano.




  • No Ocidente o crescimento da alma é perturbado pelo ruído. No Oriente, onde se conhece o valor do silêncio e o poder da paz, a vida silenciosa ainda pode ser vivida. No Ocidente, cada alma deve criar o silêncio para si mesma e aprender a viver no silêncio. O ruído perturba a harmonia, essencial à beleza da alma.

23.12.12

A BUSCA DO EU SUPERIOR - Paul Brunton


  • O eu é algo à parte e diferente do corpo. Dizemos “meu corpo”, demonstrando claramente que o corpo nos pertence, e portanto não somos o corpo. Do mesmo modo dizemos “minha mente” ou “minhas emoções”, o que indica que tampouco somos a mente ou as emoções.

  • O corpo é adquirido ao nascer, e se vai com a morte. Não é portanto permanente. Do mesmo modo mudam as emoções e os pensamentos, indicando que são impermanentes e não são o 'eu'.

  • O corpo é simplesmente uma casa para o eu, ou ego, e o ego é uma gota no oceano do Eu Superior.

  • O método de meditação é perguntar-se constantemente: 'quem sou eu? Não sou o corpo. Quem sou eu?' Focalize a atenção no coração, que é a morada do eu e a fonte do Eu Superior, sendo portanto o lugar de união. Mas esse coração espiritual situa-se à direita e não à esquerda, como o órgão físico do mesmo nome.

  • Qual é a prova de que o eu reside no coração espiritual? Aponte para si mesmo dizendo 'eu' e veja.

  • No 'eu' fica o centro de nossa vida e inteligência; aqui fica a personalidade. Na investigação do 'eu' podemos encontrar a verdade real acerca do homem, bem como alívio para numerosos fardos que nos afligem a alma em decorrência da ignorância de nossa verdadeira natureza íntima.

  • Quando encetamos a busca de nossa própria alma, somos inspirados por um poder mais alto: nossa divindade inerente, nosso Eu Superior.

  • A capacidade de seguir este caminho existe em todos nós. Pode-se inverter a corrente do pensamento humano no sentido de sua fonte sublime, o coração espiritual.

  • Enviar frequentemente ao universo um pedido verbal ou silencioso, um desejo ou anseio de verdade espiritual, de paz ou de orientação, é pôr em ação determinadas forças inteligentes que existem no universo e que em última instância respondem, na exata proporção do grau de intensidade da aspiração. O universo não é um mecanismo que funcione às cegas, mas o traje envergado por uma hierarquia de seres inteligentes e conscientes.

  • Quem sou eu? Esta é uma pergunta que deve penetrar fundo na nossa consciência. Ela deve ser formulada em silêncio e feita com reverência, com seriedade e, mais tarde, até mesmo num espírito de quase-prece.

  • Na autoindagação tentamos descobrir aquilo que realmente somos e localizar o ser vivo que pensa e sente dentro do corpo. Não há resposta a esta pergunta que possa ser dada pela mente; ela virá em estágio avançado como uma iluminação que vem de uma região superior à mente.

  • Se o pensamento do eu reside no cérebro, não está ali totalmente isolado. Existe uma linha de comunicação com o coração, linha através da qual o Eu Superior envia sua vida e sua luz para a alimentação do ego, no cérebro. Este último, por si só, não pode fazer nada, pois depende desse auxílio. Por isso, existe um caminho de volta, um vínculo com seu local de nascimento. A corrente da consciência deve ser canalizada do cérebro para seu lugar primordial, o coração.

  • Mesmo que esse ponto elevado não seja atingido, os esforços jamais serão desperdiçados. Um pouco de paz, um pouco de iluminação com certeza serão conseguidos em troca.




  • O Eu Superior é o raio de Deus no homem. E tanto quanto uma mãe de verdade ama seu filho e procura proporcionar-lhe felicidade, o Eu Superior ama o eu pessoal, e procura sempre seu bem-estar, conduzindo-o através dos caminhos de arrependimento e da volta. O homem que enceta essa busca é como o raio que volta à sua fonte.

PRANAYAMAS FÁCEIS E CONFORTÁVEIS - Swami Sivananda


  • Inale lentamente e sem interrupção, com a mente concentrada; retenha essa inalação por tanto tempo quanto puder sem desconforto. Não retenha a respiração. Então exale lentamente. Não deve haver esforço algum em nenhum dos estágios deste pranayama.

  • Feche os olhos. Feche a narina direita e inale suavemente pela esquerda sem desconforto; então, sem reter o ar, exale vagarosamente pela narina direita. Em seguida, inale pela direita e exale pela esquerda vagarosamente. Isto perfaz um ciclo. Pode-se praticar de 5 a 10 ciclos.

  • Deite-se de costas sobre um cobertor, relaxadamente. Mantenha as mãos no chão, ao lado do corpo, e as pernas estendidas. Os calcanhares juntos. Aspire o ar lentamente, sem fazer nenhum ruído, pelo tempo que for possível sem desconforto. Então exale bem lentamente. Pratique 12 vezes.
  • benefícios do pranayama:
    voz potente, doce e melodiosa
    leveza do corpo e brilho da pele
    esbeltez e ausência de fadiga corporal
    bom apetite e boa digestão
    entusiasmo, coragem, força e vigor
    alta vitalidade e aparência agradável

  • Não se deve praticar pranayama logo após as refeições, nem quando se está com muita fome ou muito cansado. O lugar da prática deve ser solitário, arejado e silencioso, se possível. A coluna deve ser mantida ereta, perfazendo uma linha reta desde o alto da cabeça até a base da coluna. Os melhores horários para a prática são ao amanhecer, meio-dia, ao anoitecer e meia-noite, mas a qualquer momento que se sentir necessidade de acalmar a mente o pranayama deve ser praticado.

  • Alimentos proibidos ao praticante: pratos muito condimentados, carne, peixe, pimentas, excesso de sal, alho, cebola, vinagre, álcool, alimentos velhos, frutas verdes ou muito maduras.




  • Comportamentos proibidos ao praticante: falar mentiras, ser desonesto, roubar, matar animais, dizer palavras ásperas, violência de todo tipo (em pensamento, palavras ou ação), ódio ou inimizade com qualquer pessoa, brigas, discussões, orgulho, simulação, intrigas, bisbilhotices, perversidades, comer demais ou de menos, trabalhar demais ou de menos.
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Aviso de Swami Shivapadananda

Algumas pessoas ficam agitadas quando seu sistema esquenta por fazer muito pranayama. Então elas começam a fazer ainda mais pranayama para remover o calor. Elas pensam que é como homeopatia – toda a doença está saindo do corpo. Então elas fazem mais pranayama e ficam ainda mais quentes. E em pouco tempo se queimam.
Elas podem pensar que isto não é importante ou não é perigoso. É muito perigoso. É como mexer com eletricidade sem compreensão correta, você pode levar um tremendo choque. Se você destruir seus nervos, isso pode arruinar toda sua vida. Você pode destruí-los com pranayama, se não tiver cuidado. Meu guru certa vez avisou as pessoas para que não usassem drogas para se divertirem pela mesma razão. É como colocar uma alta voltagem (1.000 volts) através de fios sem capacidade para carregar esta força (110 volts): eles vão ser queimados.
É por isso que muitos sádhakas (espirantes espirituais) danificam ou queimam seu sistema nervoso e sua saúde. Eles pensam: “Oh espiritualidade e sádhana são coisas maravilhosas!”, e ficam mentalmente doentes. Por que? Porque juntamente com suas práticas, você deve observar como o corpo está reagindo a elas. Quando o corpo reage excessivamente, então vá mais devagar. Depois que o corpo e os nervos se fortalecerem, então continue (isto é, deve-se dar descanso de um ou mais dias aos nervos, e só continuar quando recuperarem seu equilíbrio e frescor).

AUTOCONFIANÇA - Ramacháraka


  • Muitos estudantes do yoga têm sofrido pela falta de coragem moral, a falta de confiança em si próprios – incapacidade de conservar o próprio valor na presença de outras pessoas, incapacidade de dizer 'não', sentimento de inferioridade aos têm contato consigo.

  • Quando estiverdes em companhia de outros, lembrai-vos de que os sentimentos de inferioridade são ilusões, e não têm existência real. Deixai o Princípio de Vida fluir através de vós, e esforçai-vos por ver o mesmo Princípio de Vida detrás da pessoa em cuja presença estais. Deixai irradiar a consciência do Eu e sentireis coragem, e o outro sentirá a mesma coisa. Tendes em vós mesmos a fonte da coragem moral e física, e não tendes nada a temer. Vosso Eu não é limitado à mesquinha personalidade; tende confiança nesse Eu real. Penetrai em vosso interior até sentirdes a presença do Eu, e então tereis uma confiança em vós mesmos que nada pode abalar nem perturbar. Uma vez que tenhais reconhecido que sois um centro de poder, não vos será difícil dizer 'não', quando convier dizê-lo.

  • Sugerimos algumas palavras que cristalizem a idéia principal e que deveis segurar em vossa mente. Essas palavras são: “Eu Sou”, coragem, confiança, equilíbrio, firmeza. Gravai-as na memória e depois esforçai-vos por fixar em vossa mente uma clara concepção do significado de cada uma dessas palavras, de maneira que cada uma represente uma idéia viva, quando as pronunciardes. Repeti estas palavras frequentemente, quando se apresentar a oportunidade, e em breve, começareis a notar que agem sobre vós como um forte tônico mental, produzindo efeito fortificante.

  • O reconhecimento de vosso Eu real vos tornará capaz de manter o equilíbrio em qualquer circunstância, por mais difícil que seja. Esquecei de vós mesmos, do vosso pequeno eu pessoal,por um instante, e fixai a vossa mente no Eu universal, de que sois uma parte.

  • Enchei vossa alma com o forte desejo de cultivar aqueles hábitos mentais que vos tornam fortes. É o plano da natureza produzir fortes expressões individuais de si mesma, e com gosto ela vos ajudará para vos tornardes forte. O homem que deseja fortificar-se encontrará sempre grandes forças a seu lado que o auxiliarão, porque está realizando um plano favorito da natureza, que ela está elaborando já desde séculos. Podeis testemunhá-lo todos os dias: a natureza parece gostar de indivíduos fortes e se deleita em ajudá-los a avançar.

  • Aos que pedem auxílio enquanto estão se desenvolvendo, dizemos: “Refugiai-vos, quanto mais possível, no reconhecimento do Eu e conservai vossos pés com firmeza sobre a rocha do Eu real. Se sentis que algumas pessoas, circunstâncias ou coisas, vos influenciam indevidamente, levantai-vos intrépidos e negai a influência. Dizei: - Eu NEGO o poder e a influência de pessoas, circunstâncias ou coisas adversas contra mim. Eu AFIRMO a minha realidade, meu poder e meu domínio sobre estas coisas. - Estas palavras parecem ser muito simples, mas são muito poderosas se se dizem com a consciência da verdade sobre a qual se baseiam.

  • O Eu é o senhor do seu mundo de pensamentos. Pelo desejo chamamos à existência, pela afirmação conservamos e encorajamos, pela negação destruímos.
  • Para o estudante, o presente grau é um dos mais árduos no caminho da realização e assemelha-se às dores do parto do corpo físico. Mas vós estais nascendo a um plano mais elevado, e a dor, quando tiver chegado ao seu auge, irá diminuindo, e por fim desaparece e sobrevirão paz e calma. Sede corajosos, a libertação está perto. Em breve virá o silêncio que segue a tempestade. A dor que estais sofrendo não é castigo, mas é uma parte necessária de vosso desenvolvimento. Toda a vida segue este plano – as dores de trabalho e parto precedem sempre o livramento.

  • O pensamento se manifesta em ação e atrai as coisas, pessoas e circunstâncias que estão em harmonia com ele.

20.12.12

RAMACHÁRAKA - A mente subconsciente


  • O campo subconsciente pode elaborar um problema e, depois de algum tempo, apresentar ao campo consciente do intelecto a solução.

  • Muitos relatam os exemplos de auxílio da mente subconsciente, sendo que eles souberam aproveitar estas operações inconscientes. Ou antes, eles saturaram sua mente consciente com uma porção de material, assim como quando se enche o estômago de alimento, e depois deixaram a mentalidade subconsciente sortir-se, separar, arranjar e digerir o alimento mental, da mesma maneira como o estômago e o aparelho digestivo digerem o alimento natural – fora do domínio da consciência.

  • Os yogues instruem seus alunos em raja yoga e ensinam-lhes os meios pelos quais podem dirigir sua mente subconsciente para trabalhar por eles, do mesmo modo como podem encarregar outra pessoa de execução de um trabalho. Tendo adquirido esta arte, o estudante descansa, sabendo que o resultado desejado se lhe apresenta no devido tempo. O processo da operação subconsciente está em movimento e a mentalidade subconsciente está trabalhando, colhendo a informação ou elaborando o problema.

  • Todos nós sabemos como a mente subconsciente aceita uma ordem da vontade ou um forte desejo, que a pessoa acorde a uma certa hora para, digamos, alcançar um trem, e aproximando-se a hora combinada a pessoa realmente acorda.

  • O estudante aprende a falar à mentalidade subconsciente como se ela fosse uma entidade separada dele, encarregada de fazer o respectivo trabalho. Ele aprende também que o aguardar com confiança é uma importante parte do processo e que o grau de sucesso depende do grau desta expectativa e confiança.

  • Há um ponto importante: a ação subconsciente depende grandemente da atenção e do interesse que se dá ao material adquirido. Para obter o melhor resultado é preciso saturar bem,com interesse e atenção, essa massa de material mental que deve ser dirigido e batido pela mente subconsciente.

  • Muitas pessoas que, acidentalmente, descobriram esta faculdade da mente subconsciente de elaborar problemas e prestar outros valorosos serviços ao seu proprietário, deixaram-se levar pela superstição de que o auxílio lhes vinha de alguma outra entidade ou inteligência.
  • Cada um de nós tem um 'amigo' em nossa própria mente – e não só um, mas até uma multidão deles, e estes gostam de trabalhar por nós, sempre que os queiramos encarregar de um serviço. Nós temos não só o Eu Superior, a que podemos dirigir-nos, pedindo conforto e auxílio nos momentos de aflição e necessidade; mas temos também estes invisíveis trabalhadores no plano subconsciente, que estão prontos a executar muito do nosso trabalho mental, fazendo-o com gosto se lhes damos o material em devida forma.

  • Não confundais esta função da mente subconsciente com as funções da intuição. A mente subconsciente é um bom criado e não ambiciona ser algo mais. A intuição, pelo contrário, é como um bom amigo que ocupa um posto elevado e nos dá conselho e advertência.

  • Armazenadas na memória, acham-se dispersas partículas de saber e conhecimentos relativos a quase todos os objetos. Mas estas partículas não estão associadas uma com a outra. O trabalho de reunir as porções dispersas do conhecimento é mais ou menos tedioso para a mente consciente, mas a mente subconsciente o fará igualmente bem, e depois entregará o resultado à mente consciente.

  • A mente subconsciente pode trabalhar por vós, como resultado de uma grande necessidade. O resultado, porém, será melhor ainda, se dais à subconsciência uma rápida ordem verbal: Cuida disso!

  • Tudo que um homem herdou ou trouxe consigo de vidas passadas – tudo que leu, ouviu, viu ou experimentou nesta vida e em outras, está guardado em alguma repartição dessa grande mente subconsciente, e a essência de todo esse saber aparece quando ordenamos.