Os
viciados no tabaco deveriam meditar profundamente quanto aos
desesperados esforços e dispendiosas energias que o organismo físico
mobiliza para sobreviver contra o envenenamento do primeiro cigarro!
O fumante neófito, quando tenta sorver o primeiro cigarro, é
acometido de suores gelados e vômitos incoercíveis; baixa-lhe a
temperatura e o sistema endocrínico destrambelha-se na produção de
hormônios defensivos; o esôfago excita-se, enquanto o fígado
atropela-se, o tecido gástrico intoxica-se, afrouxa-se o piloro e
surge até o fluxo disentérico. Há casos mais graves, em que o
candidato ao tabagismo precisa ser socorrido pelo médico, pois
desmaia, atinge o coma nicotínico ou sofre de cegueira acidental.
Porém, não se atemoriza, nem se resguarda, malgrado o primeiro
choque fisiológico aflitivo e atroz. Imitando verdadeiro idiota, ele
tenta novamente a mesma aventura mórbida e, de sofrimento em
sofrimento, termina por adaptar-se ao condicionamento do fumo
intoxicante, até converter-se na excêntrica e ridícula figura de
uma "chaminé ambulante"!
Enquanto
50 miligramas de nicotina podem matar um fumante calouro, o tabagista
viciado suporta até 120 miligramas sem conseqüência mortal, graças
à sua teimosia e obstinação em ajustar-se à incineração da erva
tóxica. Mas o sucesso vicioso não se deve a uma defensiva natural,
porém ao organismo que estabelece novos processos químicos e
mobiliza energias específicas, furtadas de outros setores orgânicos,
para a sua sobrevivência.
Após a
viciação tabagista, o corpo carnal também fica mais vulnerável
aos ataques tóxicos das doenças mais comuns, inclusive quanto à
contaminação da área respiratória. Sem dúvida, ante essa
defensiva incomum, então é possível que o fumante, de vigorosa
estirpe ancestral biológica, possa viver até 100 anos algo sadio;
no entanto, os menos favorecidos apressam a sua viagem para o túmulo!
A
nicotina contrai os vasos sanguíneos e retarda o afluxo de sangue
aos centros e camadas cerebrais superiores situados externamente no
córtex cerebral. Por isso, alguns tabagistas sofrem de certa
"amnésia" parcial e insensibilidade nas extremidades dos
dedos, provocadas pela exigüidade da circulação capilar. As
doenças do coração, mais raras entre as mulheres, são mais
freqüentes entre os homens tabagistas, multiplicando-se os
"enfartes'" à medida que a humanidade fuma. A nicotina
reduz o calibre das veias coronárias e produz a "falsa angina",
cada vez mais comum entre os fumantes inveterados. O fumante
inveterado apressa a constrição das veias coronárias, devido à
incessante presença da nicotina atuando nos vasos sanguíneos de
modo anômalo. Conforme o velho preceito de que "a função faz
o órgão", a delicada rede das coronárias, que irriga e
alimenta o coração, também acaba vítima da estenose crônica
provocada pela nicotina, transformando o homem sadio e ainda moço,
num ótimo cliente dos médicos cardiologistas!
Conseqüentemente,
a mulher que fuma é mais lesada pelo tabagismo, em virtude de ser
constituída por mais extensa rede de vasos sanguíneos do que o
homem, a fim de atender a sublime missão de procriar a vida. Através
dos períodos catamênicos, verifica-se que a mulher precisa
descarregar o residual químico-tóxico sanguíneo, que se acumula
naturalmente por não ser usado na procriação. A nicotina, a
amônia, os ácidos oxálico, tânico, nítrico e o óxido de
carbono, que se produzem na queima do tabaco, são mais nocivos ao
metabolismo feminino, porque agravam a necessária exoneração da
carga menstrual tóxica e irritam o sistema nervoso.
Ademais,
a mulher que fuma envelhece prematuramente, porque a constrição
sanguínea provocada pela nicotina rouba o rosado da pele e reduz a
irrigação circulatória das faces. As rugas surgem mais cedo e
formam-se petrificações subcutâneas devido à retenção de
resíduos nocivos e gordurosos, como cravos, manchas e sardas, o que
obriga a mulher a mobilizar cremes, tinturas, substâncias químicas
ou massagens através dos modernos salões de beleza, na tentativa de
dissimular a velhice prematura.
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