PRÁTICA DA VICHARA
É necessário prática e comprometimento.
Você deve mantê-la e não abandonar. A prática vagarosamente muda os hábitos da
mente. Fazendo esta prática regular e continuamente, você remove seu foco dos
pensamentos superficiais e o coloca no lugar onde o próprio pensamento começa a
se manifestar. Nesse lugar você começa a experimentar a paz e a tranqüilidade
do Eu, e isto lhe dá incentivo para continuar.
Bhagavan tinha uma analogia muito
apropriada para este processo. Imagine que você tem um boi, e o mantém num
estábulo. Se você deixar a porta aberta, o boi vai vagar fora do estábulo,
procurando comida. Ele pode encontrar comida, mas muitas vezes vai se meter em
confusão pastando em campos cultivados. Os proprietários destes campos baterão
nele e jogarão pedras para espantá-lo, mas ele voltará repetidas vezes, e
sofrerá muitas vezes também, porque ele não entende a noção dos limites do campo.
Ele está programado para procurar comida e comê-la onde encontrar. O boi é a
mente, o estábulo é o coração de onde ele sai e para onde ele retorna, e a
pastagem representa o vício doloroso da mente em procurar prazer em objetos
externos.
Bhagavan disse que a maior parte das técnicas de controle mental contêm à força o boi para que não saia, mas nada fazem sobre o desejo fundamental do boi de vagar e se meter em confusão. Você pode amarrar a mente temporariamente com japa ou pranayama, mas quando estes impedimentos se afrouxam, a mente simplesmente perambula novamente, se envolve em mais confusão e sofre novamente. Você pode amarrar um boi, mas ele não gostará disso. Você acabará com um boi irado e irritadiço que provavelmente vai procurar uma chance para cometer um ato de violência contra você.
Bhagavan compara auto-investigação a segurar um punhado de grama fresca sob o nariz do boi. À medida que o boi se aproxima você se dirige na direção da porta do estábulo e o boi o segue. Você o leva de volta ao estábulo e ele voluntariamente o segue, porque quer o prazer de comer a grama que você está segurando em frente dele. Uma vez dentro do estábulo, você permite que ele coma a grama abundante que sempre está armazenada lá. A porta do estábulo é deixada sempre aberta, e o boi é livre para sair e perambular por aí a qualquer momento. Não há punição ou impedimento. O boi sairá repetidas vezes, porque é sua natureza vaguear em busca de comida. E cada vez que ele sai, é punido por entrar em áreas proibidas.
Toda vez que você nota que seu boi saiu, tente-o de volta com a mesma técnica para dentro de seu estábulo. Não tente bater nele para submetê-lo, você pode ser atacado; e não tente resolver o problema colocando-o à força dentro do estábulo fechado. Mais cedo ou mais tarde, até mesmo o menos inteligente dos bois vai entender, uma vez que há um suprimento perpétuo de saborosa comida no estábulo, e não há motivo para perambular lá fora, porque isto sempre leva a sofrimentos e punições. Mesmo que a porta do estábulo esteja sempre aberta, o boi ficará dentro e comerá a comida que está sempre ali. Isto é auto-investigação. Sempre que você notar a mente vagueando pelos objetos externos e pelas percepções sensoriais, leve-a de volta a seu estábulo, que é o Coração, a fonte da qual ela surge e para a qual ela retorna. Neste lugar ela pode gozar a paz e a bem-aventurança do Eu.
Quando ela perambula fora, procurando prazer e felicidade, ela se mete em problemas, mas quando fica em casa no Coração, ela goza de paz e silêncio. Eventualmente, mesmo quando a porta esteja sempre aberta, a mente escolherá ficar em casa e não perambular. Bhagavan disse que o caminho da restrição é o caminho do yogi. Yogis tentam conseguir a repressão, forçando a mente a ficar tranquila. A auto-indagação dá à mente a opção de perambular por onde ela quiser, e consegue sucesso gentilmente persuadindo a mente de que ela sempre será mais feliz ficando em casa.
Bhagavan disse que a maior parte das técnicas de controle mental contêm à força o boi para que não saia, mas nada fazem sobre o desejo fundamental do boi de vagar e se meter em confusão. Você pode amarrar a mente temporariamente com japa ou pranayama, mas quando estes impedimentos se afrouxam, a mente simplesmente perambula novamente, se envolve em mais confusão e sofre novamente. Você pode amarrar um boi, mas ele não gostará disso. Você acabará com um boi irado e irritadiço que provavelmente vai procurar uma chance para cometer um ato de violência contra você.
Bhagavan compara auto-investigação a segurar um punhado de grama fresca sob o nariz do boi. À medida que o boi se aproxima você se dirige na direção da porta do estábulo e o boi o segue. Você o leva de volta ao estábulo e ele voluntariamente o segue, porque quer o prazer de comer a grama que você está segurando em frente dele. Uma vez dentro do estábulo, você permite que ele coma a grama abundante que sempre está armazenada lá. A porta do estábulo é deixada sempre aberta, e o boi é livre para sair e perambular por aí a qualquer momento. Não há punição ou impedimento. O boi sairá repetidas vezes, porque é sua natureza vaguear em busca de comida. E cada vez que ele sai, é punido por entrar em áreas proibidas.
Toda vez que você nota que seu boi saiu, tente-o de volta com a mesma técnica para dentro de seu estábulo. Não tente bater nele para submetê-lo, você pode ser atacado; e não tente resolver o problema colocando-o à força dentro do estábulo fechado. Mais cedo ou mais tarde, até mesmo o menos inteligente dos bois vai entender, uma vez que há um suprimento perpétuo de saborosa comida no estábulo, e não há motivo para perambular lá fora, porque isto sempre leva a sofrimentos e punições. Mesmo que a porta do estábulo esteja sempre aberta, o boi ficará dentro e comerá a comida que está sempre ali. Isto é auto-investigação. Sempre que você notar a mente vagueando pelos objetos externos e pelas percepções sensoriais, leve-a de volta a seu estábulo, que é o Coração, a fonte da qual ela surge e para a qual ela retorna. Neste lugar ela pode gozar a paz e a bem-aventurança do Eu.
Quando ela perambula fora, procurando prazer e felicidade, ela se mete em problemas, mas quando fica em casa no Coração, ela goza de paz e silêncio. Eventualmente, mesmo quando a porta esteja sempre aberta, a mente escolherá ficar em casa e não perambular. Bhagavan disse que o caminho da restrição é o caminho do yogi. Yogis tentam conseguir a repressão, forçando a mente a ficar tranquila. A auto-indagação dá à mente a opção de perambular por onde ela quiser, e consegue sucesso gentilmente persuadindo a mente de que ela sempre será mais feliz ficando em casa.
Não são muitas pessoas que leem sobre
ele (Ramana) atualmente, e ainda menos professam ser seus devotos. Noto que há
bem pouco interesse em seus ensinamentos entre as pessoas que vêm visitar
Ramanasramam. Atualmente, muitas das pessoas que vêm são turistas espirituais,
peregrinos que simplesmente viajam pela India, conferindo todos os vários
ashramas e mestres.
Há uns vinte anos atrás, encontrei um estrangeiro aqui que veio ao ashram aconselhado a aprender a fazer auto-indagação apropriadamente. Durante vários dias ele não pôde encontrar ninguém que a estava praticando, até mesmo em Ramanasramam. As pessoas a quem ele perguntou no escritório do ashram simplesmente lhe disseram para comprar as publicações do ashram e descobrir nelas como fazê-la.
Eventualmente ele teve o que ele julgou que fosse uma boa idéia. Ele ficou do lado de fora da sala de meditação em Ramanasramam, o lugar onde Sri Ramana viveu por 20 anos, e perguntou a cada um que saía como fazer auto-indagação. E foi-lhe dito que nenhuma das pessoas lá de dentro esteve fazendo auto-indagação. Elas saíram uma a uma e disseram, ‘eu estava fazendo japa’, ou ‘eu estava fazendo vipassana,’ ou ‘eu estava fazendo visualizações tibetanas’.
Há uns vinte anos atrás, encontrei um estrangeiro aqui que veio ao ashram aconselhado a aprender a fazer auto-indagação apropriadamente. Durante vários dias ele não pôde encontrar ninguém que a estava praticando, até mesmo em Ramanasramam. As pessoas a quem ele perguntou no escritório do ashram simplesmente lhe disseram para comprar as publicações do ashram e descobrir nelas como fazê-la.
Eventualmente ele teve o que ele julgou que fosse uma boa idéia. Ele ficou do lado de fora da sala de meditação em Ramanasramam, o lugar onde Sri Ramana viveu por 20 anos, e perguntou a cada um que saía como fazer auto-indagação. E foi-lhe dito que nenhuma das pessoas lá de dentro esteve fazendo auto-indagação. Elas saíram uma a uma e disseram, ‘eu estava fazendo japa’, ou ‘eu estava fazendo vipassana,’ ou ‘eu estava fazendo visualizações tibetanas’.
Auto-realização é o que permanece quando
a mente irrevogavelmente mora no Coração. O Coração não é um lugar particular
do corpo. É o Eu sem-forma, a fonte e origem de toda manifestação. Auto-realização
é permanente e irreversível. Também suspeito que é totalmente rara. Muitas
pessoas têm vislumbres ou experiências temporárias de um estado de ser no qual
a mente, o ‘eu’ individual, temporariamente para de funcionar, mas não creio
que existam muitas pessoas no mundo em quem o ‘eu’ tenha morrido.
Um guru poderoso pode ser capaz de dar
um vislumbre do Eu a alguém, mas não está em seu poder fazê-lo durar. Se a
pessoa tem uma mente que está cheia de desejos, aqueles desejos eventualmente
despertarão novamente e cobrirão o vislumbre.
A santidade não segue lado a lado com a
iluminação, embora muitas pessoas gostem de pensar que deveria seguir. Sri
Ramana foi uma rara combinação de santidade e iluminação, mas muitos outros
mestres e seres iluminados não foram. Eles não foram menos iluminados porque
não se conformaram aos costumes éticos e sociais de seu tempo, eles
simplesmente tinham destinos diferentes a cumprir.
Lakshmana Swamy salienta que apenas a
humildade será suficiente para a realização do Eu. Entretanto ele define
humildade como ‘a mente se humilhando ante o Eu’. Ela não tem nada a ver com a
maneira que se comporta com outras pessoas. Humildade é ausência de ego, e
ausência de ego é conseguida fazendo a mente mergulhar em sua fonte, o Eu.
Piers foi um amigo que encontrei em
Tiruvannamalai na década de 1970, onde ele era um visitante regular no inverno.
Ele trabalhava como jardineiro ou pintor de paredes em Londres, trabalhos que
lhe permitiam tirar folga todo inverno e vir para Tiruvannamalai. Ele vivia,
pelos padrões ocidentais, uma vida austera em Londres. Dormia no chão num
quarto com poucos móveis. Os poucos objetos à vista eram quadros de Ramana e de
divindades, e uns poucos livros sobre Ramana. Ele gostava de sentar-se
quietamente em seu quarto, absorvido em seu silêncio interior. Suas
necessidades eram mínimas, uma vez que o quarto estava na casa de sua mãe.
Ele
geralmente caminhava até o trabalho, comia em casa, e não tinha interesse em
gastar dinheiro em itens usualmente consumidos. Ele vivia como um sadhu,
quer estando em Londres ou em Tiruvannamalai. Ele trabalhava apenas as
horas necessárias para arcar com suas obrigações financeiras, e nada mais. Com
esse estilo de vida, podia se arranjar trabalhando metade da semana ou menos,
com ganhos mínimos. E como ele financiava suas viagens à India? Ele me disse
que se Ramana queria que ele viesse a Tiruvannamalai no inverno, ele lhe
mandaria uma boa oferta de trabalho por volta de agosto ou setembro. Quando
tais ofertas vinham, ele as tomava como um sinal de que deveria pegá-las e
guardar dinheiro para uma viagem à India. Isto acontecia quase todo ano.
Havia
um outro aspecto de seu sadhana que me impressionava. Ele costumava
escrever cartas a Ramana sobre as coisas que aconteciam em sua vida. E então
postava as cartas colocando-as na abertura de uma caixa que estava sob sua foto
de Ramana. Deste modo, Piers sentia que Ramana estaria informado dos acontecimentos
de sua vida.
Alguns anos atrás um pensamento entrou em sua cabeça, ‘o que
acontecerá quando eu ficar velho?’ Ele tinha um trabalho que requeria força
física; não tinha pensão, nem economias, e nem casa própria. Este tipo de
pensamento levaria algum pânico à maioria das pessoas, mas Piers decidiu que
ele apenas contaria a Ramana que ele tinha tido este pensamento e deixaria que
ele resolvesse. Ele escreveu sua história e a colocou em sua caixa.
Enquanto isso,
sua mãe, que também é devota de Ramana, estava visitando uma amiga em outra
cidade. Esta mulher estava na casa dos oitenta e não tinha família. Ela
perguntou a Annie, mãe de Piers, se poderia deixar seu apartamento para
ela, uma vez que não tinha mais ninguém a quem passá-lo. Annie consultou seu
advogado (outro devoto de Ramana) que sugeriu que por razões de taxas e
herança, seria melhor colocar o apartamento no nome de seu filho Piers. Annie
concordou. Ela na verdade queria que seu filho tivesse o apartamento como
propriedade pessoal. Nem Annie nem seu advogado sabiam sobre a carta que Piers
tinha escrito a Bhagavan.
Quando a mulher faleceu, a mãe de Piers deu-lhe o
apartamento para viver. Assim, após postar sua carta a Ramana, uma completa
estranha indiretamente deixou-lhe um valioso apartamento numa valorizada área
de Londres. A moral da história é: se você realmente colocar seus fardos nas
mãos de Ramana, ele ficará mais que feliz em se responsabilizar por eles.

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