Castigo
físico é sinônimo de violência, desforra ou impotência
educativa! O problema dos pais não é castigar, mas educar, amparar
e orientar os filhos! Em última instância, comovê-los e obter-lhes
concessões disciplinares em troca de favores agradáveis. Quando os
pais são amigos incondicionais dos filhos, os seus descendentes
acabam compreendendo que toda rebelião e indisciplina é sempre um
prejuízo e uma ofensiva ingrata contra amigos tão generosos. Mas,
em geral, os pais são criaturas revestidas de mil pecadilhos e
paixões incontroláveis, cuja vivência heterogênea e contraditória
não passa desapercebida à criança. Procriar filhos é aceitar o
dever mortificante e oneroso de educá-los. Sem dúvida, é coisa
fatigante e requer indiscutível habilidade dos pais.
Malgrado
a semelhança de configuração carnal e dos impulsos atávicos, os
filhos podem diferir completamente dos pais, porque são de diferente
natureza espiritual. Em verdade, o filho é o hóspede espiritual que
enverga o traje carnal cedido pela família consangüínea, mas
precisa ser orientado assim como qualquer turista numa terra
estranha.
Não
somos pelo sentimentalismo piegas dos pais que favorecem o despotismo
de "reizinhos", "princesitas" ou ditadores de
cueiros, causando nos lares os cometimentos mais desagradáveis,
agressivos e desatinados. É imprudência os pais e avós deixarem-se
hipnotizar pelos aspectos buliçosos e festivos da criança que lhes
herda a fisionomia familiar, a ponto de permiti-las cometerem toda
sorte de danos e agressividades, só porque eles retratam
satisfatoriamente a mesma configuração carnal. Depois que o
instinto animal domina a criança de modo incontrolável, a surra e o
castigo físico só lhes acicatam o "amor próprio" ferido,
gerando maior rebeldia.
Nenhum comentário:
Postar um comentário