Malgrado
a bebida alcoólica ser excelente fonte de renda fiscal,
paradoxalmente, o seu abuso provoca o dobro dos gastos da
administração pública de cada país, ante a série de
enfermidades, degenerações orgânicas, crimes, desastres,
acidentes, infelicidades, embrutecimento e desencaminhamento da
juventude! Há verbas vultosas para atender a manutenção de asilos,
hospitais, cárceres, presídios, institutos de recuperação
psíquica e excepcionais filhos de alcoólatras.
A anarquia física do bêbedo é apenas o reflexo da sua mórbida
desordem psíquica! Assim, quando desencarna, o seu perispírito
desfigurado pela ação corrosiva etéreo-astralina do álcool plasma
um aspecto larval, vampírico e horrendo, que impressiona e assusta
as almas mais tímidas! Aí na Terra, o corpo desfigurado,
bamboleante e repulsivo reflete a desagradável plastia da sua
organização perispiritual, cujo tecido delicadíssimo é
profundamente sensível às ações mentais.
O bêbedo
descuida-se do seu vestuário, torna-se excêntrico e extravagante;
interpreta a vida a seu modo e confunde anomalias censuráveis com a
naturalidade da existência. Irrita-se facilmente, discute numa
fatigante verborragia as coisas mais simples e tolas, contradiz-se,
revolta-se, rebaixa-se moralmente e perde o senso psicológico do
ambiente. Vive existência à parte; os seus delírios são
constantes e mesclados de alucinações visuais e auditivas.
Degeneram-se os seus órgãos físicos, inflamam-se os intestinos e o
estômago sob a ação corrosiva do álcool, atrofia-se o fígado,
dificulta-se a drenação renal e fatiga-se o coração. Então, o
seu aspecto modifica-se numa feição estranha, o rosto de cor
terrosa, olhos empapuçados e injetados de sangue. O ébrio contumaz
se impressiona e se horroriza da sua feição quando, depois de
desencarnado, defronta a sua imagem refletida na condensação
fluídica do meio astralino, pois alguns fogem, espavoridos, de si
mesmos, lembrando as histórias fantásticas de "O Médico e o
Monstro".
Os
alcoólatras, em geral, quando atingem a velhice sofrem de má
circulação sanguínea, devido a opressão da rede vascular e à
estagnação do sangue mais à superfície do corpo do que em sua
intimidade. Isso deixa o bêbedo de faces congestas, olhos
injetados, nariz rubicundo e freqüentemente sujeitos às afecções
bronquiais, resfriados, gripes, pigarros, laringites e asma, que
resultam da perturbação circulatória dos órgãos da respiração.
Não há
dúvida de que o enfermo sentir-se-á melhor sob a excitação
momentânea do álcool e pela súbita elevação do seu metabolismo
orgânico, mas é provável que esse tóxico também reduza a sua
cota de vida física e ainda apresse mais cedo o destrambelho
cardíaco. Enquanto o indivíduo abstêmio é mais fácil de cura,
freqüentemente, os alcoólatras são débeis em sua defensiva
orgânica contra o surto de enfermidades mais comuns!
O desejo
é furioso, esmagador e masoquista; a vítima desencarnada alucina-se
vendo visões pavorosas e aniquilantes. E quando isso acontece os
espíritos inescrupulosos são capazes das maiores infâmias e
torpezas contra os encarnados, desde que possam minorar a sede
ardente da bebida! São almas que deixaram o seu corpo cozido pelo
álcool nas valetas, nos catres de hospitais, ou mesmo em leitos
ricos, mas despertam enlouquecidas pelo desejo desesperado de
satisfazer o vício! Só reduzido número de almas viciadas na Terra
entrega-se, submissa, à terapia do sofrimento purificador e luta, no
Espaço, contra o desejo mórbido, a fim de eliminar do perispírito
o eterismo ou residual etérico do tóxico que lhe acicata
incessantemente. Algumas, corajosas e decididas, depois de se
libertarem do desejo cruciante do álcool alimentado na vida carnal,
entregam-se ao serviço de socorro aos alcoólatras encarnados,
tentando influenciá-los para que deixem o vício, ou atraindo-os
para junto das organizações religiosas e instituições
espiritualistas do mundo, que devem lhes orientar uma conduta sadia.
Mas é coisa dificílima encaminhar alcoólatras para os ambientes
religiosos salvacionistas, tal é o assédio que lhe fazem os
obsessores viciados!
olá, gostaria de saber a fonte deste texto. estou pesquisando sobre o assunto e gostei muito dele. gratidão!
ResponderExcluir"A Vida Humana e o Espírito Imortal", de Ramatis.
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