15.12.12

RAMATIS e o vício do álcool


Malgrado a bebida alcoólica ser excelente fonte de renda fiscal, paradoxalmente, o seu abuso provoca o dobro dos gastos da administração pública de cada país, ante a série de enfermidades, degenerações orgânicas, crimes, desastres, acidentes, infelicidades, embrutecimento e desencaminhamento da juventude! Há verbas vultosas para atender a manutenção de asilos, hospitais, cárceres, presídios, institutos de recuperação psíquica e excepcionais filhos de alcoólatras.

A anarquia física do bêbedo é apenas o reflexo da sua mórbida desordem psíquica! Assim, quando desencarna, o seu perispírito desfigurado pela ação corrosiva etéreo-astralina do álcool plasma um aspecto larval, vampírico e horrendo, que impressiona e assusta as almas mais tímidas! Aí na Terra, o corpo desfigurado, bamboleante e repulsivo reflete a desagradável plastia da sua organização perispiritual, cujo tecido delicadíssimo é profundamente sensível às ações mentais.

O bêbedo descuida-se do seu vestuário, torna-se excêntrico e extravagante; interpreta a vida a seu modo e confunde anomalias censuráveis com a naturalidade da existência. Irrita-se facilmente, discute numa fatigante verborragia as coisas mais simples e tolas, contradiz-se, revolta-se, rebaixa-se moralmente e perde o senso psicológico do ambiente. Vive existência à parte; os seus delírios são constantes e mesclados de alucinações visuais e auditivas. Degeneram-se os seus órgãos físicos, inflamam-se os intestinos e o estômago sob a ação corrosiva do álcool, atrofia-se o fígado, dificulta-se a drenação renal e fatiga-se o coração. Então, o seu aspecto modifica-se numa feição estranha, o rosto de cor terrosa, olhos empapuçados e injetados de sangue. O ébrio contumaz se impressiona e se horroriza da sua feição quando, depois de desencarnado, defronta a sua imagem refletida na condensação fluídica do meio astralino, pois alguns fogem, espavoridos, de si mesmos, lembrando as histórias fantásticas de "O Médico e o Monstro".

Os alcoólatras, em geral, quando atingem a velhice sofrem de má circulação sanguínea, devido a opressão da rede vascular e à estagnação do sangue mais à superfície do corpo do que em sua intimidade. Isso deixa o bêbedo de faces congestas, olhos injetados, nariz rubicundo e freqüentemente sujeitos às afecções bronquiais, resfriados, gripes, pigarros, laringites e asma, que resultam da perturbação circulatória dos órgãos da respiração.

Não há dúvida de que o enfermo sentir-se-á melhor sob a excitação momentânea do álcool e pela súbita elevação do seu metabolismo orgânico, mas é provável que esse tóxico também reduza a sua cota de vida física e ainda apresse mais cedo o destrambelho cardíaco. Enquanto o indivíduo abstêmio é mais fácil de cura, freqüentemente, os alcoólatras são débeis em sua defensiva orgânica contra o surto de enfermidades mais comuns!

O desejo é furioso, esmagador e masoquista; a vítima desencarnada alucina-se vendo visões pavorosas e aniquilantes. E quando isso acontece os espíritos inescrupulosos são capazes das maiores infâmias e torpezas contra os encarnados, desde que possam minorar a sede ardente da bebida! São almas que deixaram o seu corpo cozido pelo álcool nas valetas, nos catres de hospitais, ou mesmo em leitos ricos, mas despertam enlouquecidas pelo desejo desesperado de satisfazer o vício! Só reduzido número de almas viciadas na Terra entrega-se, submissa, à terapia do sofrimento purificador e luta, no Espaço, contra o desejo mórbido, a fim de eliminar do perispírito o eterismo ou residual etérico do tóxico que lhe acicata incessantemente. Algumas, corajosas e decididas, depois de se libertarem do desejo cruciante do álcool alimentado na vida carnal, entregam-se ao serviço de socorro aos alcoólatras encarnados, tentando influenciá-los para que deixem o vício, ou atraindo-os para junto das organizações religiosas e instituições espiritualistas do mundo, que devem lhes orientar uma conduta sadia. Mas é coisa dificílima encaminhar alcoólatras para os ambientes religiosos salvacionistas, tal é o assédio que lhe fazem os obsessores viciados!



2 comentários:

  1. olá, gostaria de saber a fonte deste texto. estou pesquisando sobre o assunto e gostei muito dele. gratidão!

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