Bhagavan
contou a seguinte história: “Tattvaraya compôs uma bharani (um
tipo de composição poética) em homenagem a seu Guru Swarupananda e
organizou uma assembléia de cultos eruditos para ouvir o trabalho e
avaliar seu valor. Os eruditos objetaram que uma bharani apenas
era composta em homenagem a grandes heróis capazes de matar mil
elefantes, e que não era correto compor tal poema em homenagem a um
asceta. Então Tattvaraya disse, 'Vamos a meu Guru e discutiremos o
assunto ali'. Eles foram ao Guru, e após todos se sentarem, o autor
disse a seu guru o propósito da ida deles ali. O Guru sentou-se em
silêncio e todos os outros também ficaram em silêncio. O dia todo
passou, a noite veio, e mais alguns dias e noites se passaram, e
ainda todos estavam ali sentados em silêncio, nenhum pensamento
ocorrendo a qualquer deles, nem mesmo o pensamento de perguntar por
que estavam ali. Após três ou quatro dias assim, o Guru retirou um
pouco sua mente da meditação, e então a assembléia recuperou sua
atividade mental. Eles então declararam, 'Conquistar mil elefantes
não é nada comparado ao poder deste guru para conquistar os
elefantes de todos nossos egos juntos. Certamente ele merece a
bharani em sua honra!”
Ontem
uma cobra foi vista nas adjacências do ashram, perto do salão de
Bhagavan. Ouvimos os gritos, 'que tipo de cobra é?', 'bate nela!
Bate nela!' Então Bhagavan gritou, 'Quem está batendo nela?'
Aparentemente as palavras de Bhagavan não foram ouvidas pelo grupo,
e a cobra foi morta. Bhagavan acrescentou, 'Se estas pessoas forem
espancadas assim, então elas saberão o que significa'.
Bhagavan
relatou-me certa vez o seguinte incidente que aconteceu quando ele
vivia na colina: 'Um carroceiro foi contratado uma noite por uma
senhora recém chegada na cidade para levá-la a certa rua. O
carroceiro propositalmente a levou a um lugar distante perto da
colina e estava para atacá-la para roubar suas jóias e molestá-la.
Então dois policiais apareceram e ameaçaram o carroceiro, levando a
senhora ao destino desejado. A senhora anotou o número dos policiais
e depois fez investigações sobre eles, e foi descoberto que nenhum
policial humano jamais fez tal serviço aquela noite.' Ranga Aiyar
acredita que foi um trabalho de Bhagavan. Eu concordo com ele, embora
Bhagavan atribua o incidente a Arunachala.
Bhagavan
disse, 'Quando o grande yogue Goraknath era vivo, o então rei do
Nepal o visitou. Quando Goraknath foi avisado da chegada do rei, ele
meramente cuspiu no rei. O rei, para evitar que o cuspe caísse sobre
sua coroa, afastou-se um pouco; o cuspe caiu sobre seus pés.
Goraknatha então disse, 'Você não deixou o cuspe cair sobre sua
cabeça. Se tivesse caído, você teria se tornado rei de um grande
império. Como caiu sobre seus pés, você será o dominador de um
pequeno reino'.
Bhagavan
falava sobre macacos e dizia: 'Eles não constroem ninhos nem guardam
coisas. Comem o que podem encontrar, e quando a noite cai vão para
as árvores. São completamente felizes. São uma sociedade com leis
e são muito organizados. Veja quanta inteligência atrás de tudo
isso! Sei que até mesmo as austeridades não são desconhecidas aos
macacos. Um macaco que costumávamos chamar de ‘Mottaipaiyan’
certa vez foi oprimido e maltratado por um grupo. Ele foi embora para
a floresta por uns dias, fez austeridades, adquiriu força e
retornou. Quando ele voltou e se sentou sobre um galho e o balançou,
o resto dos macacos que antes o tinham maltratado, e dos quais antes
ele tinha um medo mortal, estavam agora tremendo em sua frente. Sim.
Tenho certeza de que as austeridades são bem conhecidas dos
macacos.'
A
filha do sr. Narayanaswamy Aiyar cantou algumas canções e então
contou o seguinte milagre:
“Em
Cawnpore, vivemos no terceiro andar de uma casa e somos os únicos
que residem naquele andar. Temos uma torneira ali, mas a água
raramente sobe àquele nível e temos diariamente de descer vários
degraus da escada e subir com a água que necessitamos. Meu marido
costumava fazer este trabalho diário para mim, que o cansava muito.
E eu também estava muito fraca para ajudá-lo nesta tarefa. Um dia, quando eu estava sozinha em casa e ele no escritório, eu ponderava sobre essa situação nossa e como encontrar uma solução. Eu tinha deixado o vaso vazio embaixo da torneira e estava cantando pensativamente. Então comecei a cantar a canção Saranagati. (Esta é uma canção muito conhecida entre os devotos de Bhagavan. Ela é cantada quando os devotos querem que Bhagavan evite o mal ou lhes traga o bem). Em resumo, ela diz, 'Tomamos refúgio sob Ti e Tu sois nosso único refúgio. Quem mais existe a quem podemos rogar? Se Tu demoras a vir em nosso resgate, não mais suportaremos. Então, vem de uma vez, termine meu sofrimento, dê-me felicidade'.
Então a água começou a sair da torneira e continuou a fluir mais enquanto eu cantava. Assim eu cantei até que nossos vasos estivessem cheios de água. Quando meu marido retornou, ficou surpreso com tanta água e não podia imaginar como eu pude levar tanta água. Então eu lhe disse, 'Descobri agora um jeito de trazer água. Se canto Saranagati ela vem.’ Meu marido naturalmente não podia acreditar e então eu cantei em sua presença, e a água fluiu da torneira. Desde então o problema da água terminou. Tentei cantar outras canções, mas não dão o mesmo resultado.' A garota contou tudo isto com grande alegria e havia uma aura de verdade na história toda, de tal modo que considero absurdo duvidar da experiência.
Pergunta:
Há vários mestres
espirituais, ensinando vários caminhos. A quem devo tomar como meu
mestre?
Bhagavan:
Escolha aquele onde você
consegue paz.
Jivrajani:
É bom fazer intenso esforço
para praticar pranayama?
Bhagavan:
Não, esforçar-se demais não é
bom. Apenas um pouco de pranayama deve ser praticado no
começo – o tanto que for possível sem a tensão indevida.
Khanna:
Nossas orações são
concedidas?
Bhagavan:
Sim, elas são concedidas.
Nenhum pensamento irá em vão. Todo pensamento produzirá seu efeito
num ou noutro tempo. A força do pensamento nunca irá em vão.
Pergunta:
Como aumentar a fé?
Bhagavan:
A fé é em coisas desconhecidas; mas o Eu é autoevidente. Mesmo o
maior egoísta não pode negar sua própria existência, quer dizer,
não pode negar o Eu. Você pode chamar a Realidade Última pelo nome
que desejar e dizer que tem fé nela ou a ama, mas quem haverá que
não terá fé em sua própria existência ou amor por si mesmo? Isto
é porque fé e amor são nossa natureza real.
Bhagavan
estava lendo um jornal e nos contou que em Monte Abu, duas serpentes
lutaram entre si, que uma derrotou a outra, a qual ficou
inconsciente, e nesse momento um garoto que viu a cena tratou da
serpente ferida e colocou uma atadura nela, e esta recobrou os
sentidos, que vendo isto a serpente vitoriosa ficou irada e picou o
garoto, que a serpente derrotada correu para o garoto, sugou o veneno
da outra serpente e salvou o garoto. Então Dilip perguntou a
Bhagavan se tudo aquilo era possível. Bhagavan disse, 'Por que não?
Completamente possível'.
Bhagavan:
A menos que uma pessoa tenha terminado (neste ou em nascimentos
anteriores) os outros caminhos, ele não seguirá o caminho de jnana.
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