24.12.12

KRIYA YOGA, a ciência suprema - Paramahansa Yogananda


  • Kriya Yoga é “união (yoga) com o Infinito por meio de certa ação ou rito (Kriya)”. Um iogue, praticando com toda fidelidade esta técnica, liberta-se gradualmente do carma ou do justo encadeamento em que se equilibram as causas e os efeitos.
  • Kriya Yoga é um método simples, psicofisiológico, pelo qual o sangue humano se descarboniza e volta a oxigenar-se. Os átomos deste extra-oxigênio transmutam-se em corrente vital para rejuvenescer o cérebro e os centros da espinha. Sustando a acumulação de sangue venoso, o iogue pode diminuir ou evitar a degeneração dos tecidos. O iogue adiantado transmuta suas células em energia. Elias, Jesus, Kabir e outros profetas foram, no passado, mestres no uso de Kriya ou de uma técnica similar, pela qual eles materializavam ou desmaterializavam seus corpos à vontade. Kriya é uma ciência antiquíssima. Láhiri Mahásaya recebeu-a de seu grande guru, Bábají, que redescobriu e purificou esta técnica depois da Idade Média, época em que esteve perdida. Bábají batizou-a de novo, simplesmente, de Kriya Yoga.
  • Kriya Yoga é um instrumento que pode acelerar a evolução humana - explica Sri Yuktéswar a seus estudantes. - Os antigos iogues descobriram que o segredo da consciência cósmica se liga intimamente ao domínio da respiração. Esta é a contribuição sem par, e imortal, da Índia, ao tesouro de conhecimento do mundo. A força vital, que comumente se emprega para manter a pulsação cardíaca, deve tornar-se livre para atividades superiores por meio de um método que acalme e detenha as demandas incessantes da respiração.
O Kriya Yogi dirige mentalmente sua energia vital para cima e para baixo, a fim de fazê-la girar em torno dos seis centros espinhais (plexos medular, cervical, dorsal, lombar, sacro e coccígeo), correspondentes aos doze signos astrais do Zodíaco, o Homem Cósmico simbólico. Meio minuto de revolução da energia ao redor do sensitivo cordão da espinha, efetua progressos sutis na evolução do homem; esse meio minuto de Kriya eqüivale a um ano de desenvolvimento comum. O sistema astral de um ser humano, com seis constelações internas (doze, por polaridade) girando em torno do sol do olho espiritual onisciente, relaciona-se com o sol físico e com os doze signos do Zodíaco.

Todos os homens são assim afetados por um universo interno e outro externo.
Os antigos ríshis descobriram que o ambiente terreno e celeste do homem, numa série de ciclos de doze anos, o impele para a frente em sua senda natural. As Escrituras asseveram que o homem requer um milhão de anos de evolução normal, sem doenças, para aperfeiçoar o seu cérebro e atingir consciência cósmica. Mil Kriyas, praticadas em oito horas e meia, dão ao iogue, em um dia, o equivalente a mil anos de evolução natural: 365.000 anos de evolução em um ano. Em três anos, o Kriya Yogi pode assim alcançar, por meio de um esforço inteligente, o mesmo resultado que a Natureza apresenta em um milhão de anos.

Sem dúvida, o caminho mais curto de Kriya só pode ser trilhado por iogues profundamente desenvolvidos. Com a orientação de um guru, tais iogues preparam cuidadosamente seu corpo e cérebro para resistir ao poder gerado pela prática intensiva.

O principiante em Kriya efetua estes exercícios iogues apenas de catorze a vinte e quatro vezes, em duas ocasiões por dia. Alguns iogues obtêm a emancipação em seis, doze, vinte e quatro, ou quarenta e oito anos. Um iogue, que morre antes de atingir a realização completa, leva consigo o bom carma de seu esforço anterior de Kriya; em sua vida seguinte é naturalmente impelido à Meta do Infinito.

O corpo do homem assemelha-se a uma lâmpada de cinqüenta watts, que não pode suportar o bilhão de watts de energia, gerados por uma prática excessiva de Kriya. Através do aumento gradual dos exercícios simples e perfeitamente seguros de Kriya, o corpo humano transforma-se astralmente, dia a dia, e por fim se capacita a expressar aquelas potencialidades infinitas de energia cósmica que constituem a primeira
expressão materialmente ativa do Espírito. 

Kriya Yoga nada tem de comum com exercícios respiratórios anticientíficos ensinados por certos fanáticos extraviados. Tentativas de reter a respiração nos pulmões, até o exagero, são artificiais e decididamente desagradáveis. A prática de Kriya, ao contrário, é acompanhada, desde o início, por sentimentos de paz e sensações suavizantes, de efeito regenerador na espinha. 


Nos homens sujeitos à lei natural ou maya, a força vital flui em direção ao mundo exterior; as correntes são desperdiçadas e usadas de modo abusivo nos sentidos. A prática de Kriya inverte o fluxo; a força vital é mentalmente guiada para o cosmos interior e volta a se unir às energias sutis da espinha. Por meio de tal reforço da energia de vida, o corpo do iogue e suas células cerebrais são renovadas por um elixir espiritual.

Com alimentação apropriada, luz solar e pensamento harmoniosos, homens que se deixam guiar apenas pela Natureza e seu divino plano, alcançarão a experiência de Deus em um milhão de anos. Necessitam-se doze anos de vida normal saudável para que se efetue o mais leve refinamento na estrutura do cérebro; um milhão de anos solares são precisos até purificar o alojamento cerebral o suficiente para que manifeste a consciência cósmica. Um Kriya Yogi, entretanto, pelo exercício desta ciência espiritual, livra-se da necessidade de um longo período de cuidadosa observância das leis naturais.

A introspeção ou “sentar em silêncio” é um processo anticientífico de tentar, à força, separar a mente e os sentidos, estes atados àquela pela energia vital. A mente contemplativa, em sua tentativa de retorno à divindade, é constantemente arrastada de volta, em direção aos sentidos, pelas correntes de vida. Kriya, controlando a mente de modo direto, através da força vital, é a via preferencial mais fácil, mais eficiente e mais científica de acesso ao Infinito.

Em contraste com o lento e incerto carro de bois que é a via teológica para Deus, Kriya Yoga pode, com justiça, intitular-se “a rota do avião”. A ciência iogue fundamenta-se no exame empírico de todos os tipos de exercícios de concentração e de meditação. A Ioga habilita o devoto a desligar, e a voltar a ligar, voluntariamente, a corrente vital aos
cinco telefones sensoriais: visão, audição, olfato, paladar e tato. Alcançando este poder de desligar os sentidos, é simples para o iogue unir sua mente com os reinos divinos ou com o mundo da matéria, à vontade. Não mais é trazido pela força vital, contra sua vontade, à esfera mundana de sensações desordenadas e de inquietos pensamentos.


A vida de um Kriya Yogi adiantado depende, não de efeitos de ações anteriores, mas apenas das diretrizes de sua alma. O devoto evita assim os monitores lentos e evolutivos das ações egoístas, boas ou más, da vida comum - lerdos e enfadonhos como lesmas para os corações de águia.

Pelo método superior de viver em sua alma, o iogue se alforria; emergindo da prisão do ego, ele respira o ar profundo da onipresença. A escravatura da vida natural, ao contrário, move-se a passo de humilhação. Se o homem conforma sua própria vida à mera ordem evolutiva, não pode exigir da Natureza uma pressa privilegiada. Embora vivendo sem cometer atentados contra as leis que lhe governam o corpo e a mente, ainda necessita as máscaras de um milhão de anos de encarnações para atingir a emancipação final.

Os métodos telescópicos do iogue, desembaraçando-o de identificações físicas e mentais, a favor da individualidade da alma, recomendam-se, pois, àqueles que se revoltam ante a perspectiva de um milhão de anos. Esta periferia numérica alarga-se para o homem comum, que não vive em harmonia com a natureza e muito menos com a própria alma - ao contrário, se atém a complicações artificiais e ultraja em seu corpo e em seu pensamento a sensatez da Natureza. Duas vezes um milhão de anos dificilmente
bastarão para libertá-lo.

Kriya Yoga é o verdadeiro “rito do fogo”, muitas vezes enaltecido no Gíta. O iogue arroja seus anseios humanos numa fogueira monoteísta consagrada ao Deus incomparável. Nesta autêntica cerimônia do fogo, todos os desejos passados e presentes são o combustível consumido pelo amor divino. A Flama Última recebe em holocausto a derradeira loucura humana e o homem se vê livre de escórias. Seus ossos metafóricos despojados de toda carne sensual, seu esqueleto cármico branqueado pelos sóis anti-sépticos da sabedoria, sem ofensas ao homem e ao Criador, ele se encontra - finalmente – limpo.




Nota: para aprender a técnica de Kriya Yoga, o aspirante deve dirigir-se à sede central da Self-Realization Fellowship, organização fundada por P. Yogananda. Maiores informações no site: www.yogananda-srf.org


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