- Para que vivemos e lutamos? Se somos educados apenas para nos tornarmos pessoas eminentes, para conseguirmos melhores empregos, para sermos mais eficientes, para exercermos domínio mais amplo sobre os outros, em tal caso nossas vidas serão superficiais e vazias.
- Há uma eficiência inspirada pelo amor, que leva muito mais longe, que é bem superior à eficiência da ambição; e sem o amor, que traz a compreensão integral da vida, a eficiência gera a crueldade.
- Se a educação conduz à guerra, se nos ensina a destruir ou ser destruídos, não falhou completamente?
- A função da educação é criar entes humanos integrados, e por conseguinte, inteligentes. Podemos tirar diplomas e ser mecanicamente eficientes, sem ser inteligentes. A inteligência não é mera cultura intelectual. Inteligência é a capacidade de perceber o essencial, o que é.
- A educação moderna redundou em completo malogro, por ter exagerado a importância da técnica. Desenvolvendo a eficiência, sem a compreensão da vida, nos tornaremos cada vez mais cruéis, e isso significa fomentar guerras. O homem que sabe dividir um átomo, mas não tem amor no coração, transforma-se num monstro.
- Porque somos áridos, vazios e sem amor, deixamos os governos e sistemas se encarregarem da educação de nossos filhos e da direção de nossas vidas; mas os governos precisam de técnicos eficientes e não de entes humanos, pois estes se tornam perigosos para os governos.
- Para estudarmos uma criança devemos estar muito atentos, cônscios de nossos próprios pensamentos e sentimentos, e isso requer muito mais inteligência e afeição do que estimulá-la a seguir um ideal de carreira.
- Quando não temos amor à criança, lhe impomos um ideal, porque desejamos ver realizadas nela nossas próprias ambições. Quem ama não o ideal, mas a criança, tem a possibilidade de ajudá-la a compreender-se tal como é.
- O bom mestre não confiará em método algum, estudará cada um dos seus alunos individualmente. Nas relações com crianças e adolescentes, não devemos encará-los como máquinas, passíveis de endireitar num instante, mas como seres vivos, impressionáveis, volúveis, sensíveis, medrosos, afetivos; e no trato com eles necessitamos de muita compreensão, da força da paciência e do amor.
- Os pais e educadores podem, com seu próprio entendimento e conduta, ajudar a criança a ser livre e a florescer em amor e bondade.
- Pela compulsão não se desperta a sensibilidade. Pode-se obrigar uma criança a ficar quieta, exteriormente, mas isso indica que não quisemos examinar a causa que a faz obstinada, insolente etc. A compulsão gera antagonismo e temor.
- Se as classes forem pequenas e o mestre puder dispensar a cada criança toda sua atenção, observando-a e ajudando-a, é desnecessária qualquer espécie de compulsão. Se, dentro de um grupo, um aluno continua turbulento ou travesso, o mestre deve investigar a causa de seu mau comportamento, como alimentação inadequada, falta de repouso, disputas em família, ou algum temor oculto.
- O mestre que exige respeito de seus alunos e quase nenhum respeito demonstra para com eles, provoca-lhes o desrespeito e a indiferença.
- Se queremos estabelecer relações corretas entre os seres humanos, não deve haver compulsão nem mesmo persuasão. Como pode haver afeto e genuína cooperação entre os que detêm o poder e os que a ele estão submetidos?
- Só estimulando a criança a duvidar do livro, não importa qual seja, a examinar a validade dos valores sociais, tradições, formas de governo, crenças religiosas etc, o educador e os pais podem ter esperança de despertar e manter vivos, nela, o senso crítico e o discernimento penetrante.
- O que pensamos, o que fazemos, o que dizemos, tem infinita importância, porque cria o ambiente, e este ou ajuda ou entrava a criança.
- Nossos corpos podem diferir na constituição e na cor, mas da pele para dentro somos bem parecidos – orgulhosos, ambiciosos, invejosos, lascivos, despóticos. Se nos tiram o rótulo, ficamos nus; e como não queremos ver nossa nudez, fazemos questão do rótulo – prova de falta de amadurecimento, de sermos verdadeiramente infantis.
- Por que o sexo é para nós um problema cheio de confusão e de conflito? Uma das razões é que não somos criadores, e não o somos porque nossa cultura se baseia no desenvolvimento do intelecto. Nossos pensamentos, nossas vidas, são estreitos, áridos, vazios, inúteis. Não somos entes felizes, não temos vitalidade nem alegria; no lar, nos negócios, na igreja, na escola, nunca experimentamos um 'estado de ser' criador, nunca há um desafogo profundo em nossos pensamentos e ações de cada dia. E assim o sexo se torna naturalmente a única via de escape.
- Quanto mais atenciosos e afetuosos somos, tanto menos o desejo domina a mente. Só quando não há amor, a sensação se torna um problema obsessivo. Porque não amamos, o sexo, a busca de sensação, transforma-se num problema absorvente.
- Se somos interiormente pobres, deleitamo-nos com toda forma de ostentação exterior, com a riqueza, com o poder, com os bens materiais. Estando vazios nossos corações, colecionamos coisas. Se temos recursos, rodeamo-nos de objetos que consideramos belos, e porque a eles ligamos desmedida importância, somos responsáveis por muitos sofrimentos e destruições.
- Visto que nossos corações estão mirrados e já nos esquecemos de como ser bondosos, como contemplar as estrelas, as árvores, os reflexos na água, necessitamos do estímulo dos quadros e jóias, dos livros e dos divertimentos constantes. Não temos tempo para observar os pássaros, as nuvens em movimento, porque andamos muito ocupados com a perseguição de nossos objetivos e com nossos prazeres.
Ensinamentos dos grandes mestres do Yoga. A essência da vida espiritual. Técnicas de meditação e concentração. Histórias e incidentes da vida dos mestres.
17.12.12
A EDUCAÇÃO E O SIGNIFICADO DA VIDA - Krishnamurti
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