Em
Skandasramam um pavão seguia
Bhagavan em todo lugar. Um dia uma grande cobra negra apareceu no Ashram
e o pavão a atacou ferozmente. A cobra esticou seu capuz e os dois inimigos
naturais estavam prontos para uma batalha até a morte, quando Bhagavan
aproximou-se da cobra e disse: “ Por que você veio aqui? O pavão vai matá-la. É
melhor ir embora agora.” A cobra imediatamente abaixou seu capuz e arrastou-se
para longe.
Meu segundo filho era preguiçoso e
não ia bem na escola. O momento para os exames finais se aproximava e a única
preparação do garoto foi a compra de uma nova caneta! Ele a trouxe a Bhagavan e
pediu-lhe para abençoar a caneta com seu toque para que ela escrevesse bem nos
papéis do exame. Bhagavan conhecia seu jeito preguiçoso e disse que tendo
estudado pouco, ele não poderia esperar passar. Meu filho replicou que as
bênçãos de Bhagavan eram mais efetivas
que os estudos. Bhagavan riu, escreveu algumas palavras com a caneta e a deu de
volta a ele. E o garoto passou, o que foi realmente um milagre!
Foi nas primeiras horas da manhã no
salão de Sri Bhagavan. Ele tinha tomado seu banho
e depois foi para o canto do salão para pegar sua toalha que estava colocada
num bambu disposto na horizontal, e numa ponta deste um pardal tinha construído
seu ninho e posto ali três ou quatro ovos. Ao pegar a toalha, a mão de Sri
Bhagavan esbarrou no ninho e um dos ovos caiu
e quebrou. Sri Bhagavan se surpreendeu, horrorizado. Ele gritou a Madhavan, o
atendente pessoal. “Olhe, olhe o que fiz hoje!” Dizendo isso, ele tomou o ovo
quebrado em sua mão, olhou para ele com seus olhos ternos e exclamou: “Oh, a
pobre mãe ficará tão desolada, talvez irada comigo também, por causar a
destruição de seu esperado filhote! Pode o ovo quebrado ser remendado
novamente? Vamos tentar!”
Esta ansiosa preocupação e ternura de Sri Maharshi continuaram todos os dias por uma semana. Assim o afortunado ovo ficou no ninho com sua tira molhada, apenas para ser acariciado por Sri Maharshi com toque divino e olhar benigno. No sétimo dia, ele tirou o ovo, e com a admiração de um estudante anunciou: “Olhe que maravilha! A rachadura fechou, e agora a mãe ficará feliz e chocará seu ovo apesar de tudo! Meu Deus me livrou do pecado de causar a perda de uma vida. Vamos esperar pacientemente pela saída do abençoado filhote!”
Mais uns dias se passaram, e finalmente numa bela manhã Bhagavan descobre que o ovo foi chocado e o pequeno pássaro saiu. Com uma face sorridente e alegre e com sua luz usual, ele pega o filhote em sua mão, o acaricia com seus lábios, passando nele sua suave mão, e passa aos que se encontram perto para que admirem. Ele o recebe de volta finalmente em suas próprias mãos, e fica tão feliz que um pequeno germe de vida tenha sido capaz de evoluir apesar do infeliz acidente com ele no embrião.
Ah, que preocupação com a mais insignificante criatura! Não é o coração de um verdadeiro Buddha que derrama primeiro lágrimas de ansiedade ao quebrar um ovo e depois lágrimas de alegria no nascimento de um pequenino?
Certa manhã K. estava tirando os
cocos maduros dos coqueiros, enquanto Bhagavan retornava do estábulo. Bhagavan
perguntou a K. que vara ele estava usando para apanhar os cocos, se ela tinha
um pedaço de bambu colocado no fim ou uma ponta de ferro. K. disse que era apenas uma foice de ferro. Bhagavan
perguntou: “As árvores não serão machucadas com esta ponta de ferro? Uma vara
com um pedaço de bambu no fim não serviria?” E Bhagavan não esperou pela
resposta.
Sri Mahadeva Iyer, um devoto de Sri
Bhagavan, estava doente em Madras, sofrendo de um persistente soluço por quase
um mês. Sua filha escreveu a Sri Bhagavan, apelando a Ele para abençoar seu pai
e lhe dar alívio. Ao receber esta carta, Sri Maharshi disse-me para escrever a Sri Mahadeva Iyer que uma pasta de açúcar
mascavo e gengibre em pó curaria imediatamente seu problema.
Então, voltando-se
para Madhavan, Seu atendente pessoal, Sri Bhagavan disse: “Nós tínhamos um
pouco desta pasta; pode encontrá-la?” Madhavan imediatamente a trouxe. Bhagavan
tomou uma dose dela e distribuiu a mesma pasta entre aqueles que estavam a seu
redor. Ele olhou para mim e disse que eu poderia escrever a Sri Mahadeva Iyer e
postar a carta naquela tarde mesmo.
Eu disse brincando: “Bhagavan, Mahadevan já
está curado. Bhagavan tomou o remédio por ele!” E Bhagavan deu uma larga
risada. O sentido de unidade de Sri Bhagavan era tão intenso que Ele nunca
aceitaria o que não fosse partilhado com outros. Provando primeiro o remédio
que Ele ia mandar a seu devoto de Madras, Ele o santificou como Prasad. Eu
escrevi a Sri Mahadeva Iyer, mas o correio do dia seguinte trouxe uma carta de
sua filha para dizer que seu pai estava curado de sua doença à uma hora da
tarde do dia anterior. Foi exatamente a hora em que Sri Maharshi tomou a pasta
de açúcar.
Sri Rangaswamy Iyengar era um homem
de negócios de Madras que frequentava Sri Bhagavan muito antes de 1906. Quando
Sri Bhagavan estava no templo de Pachaiamman durante os dias da grande praga em Tiruvannamalai, Sri Iyengar um dia
chegou de trem à uma da tarde, no sol queimante. Sri Bhagavan o recebeu com seu
usual rosto brilhante e sorrindo. Os devotos pediram a Sri Iyengar que se
banhasse no poço próximo e ele deixou a presença de Sri Bhagavan para se banhar
lá em frente ao templo. O local estava muito solitário. De repente Sri
Bhagavan, que estava sentado dentro do templo, deixou o lugar. As pessoas
próximas pensaram que ele saía para alguma necessidade física.
Quando Ele
chegou lá, viu um leopardo vir ao tanque para saciar sua sede no lado norte.
Bhagavan disse baixo ao animal: “Vai agora, e volte mais tarde; ele se
assustaria,” referindo-se ao homem que se banhava próximo. A estas palavras de Sri
Bhagavan, o animal foi embora. Sri Bhagavan então foi até o banhista, que já
tinha terminado seu banho, e disse a ele: “Não devíamos vir aqui nesta parte do
dia, animais selvagens vêm a esta hora para saciar sua sede.” Ele não acrescentou
que um animal selvagem na verdade tinha vindo ali, para que o homem não se
assustasse.
Devoto: Dizem que o Mahatma considera a todos com a mesma amabilidade. Por que então
eles recebem uns com afeto, respondem a uns e a outros não, quando perguntados,
gritam com uns e mostram indiferença para com outros?
A vichara não significa arguir ou
dizer que não sou isto ou aquilo; significa concentração no sentido puro do
ser, o puro eu-sou em mim. Também não é uma prática mental, pois o Maharshi nos
disse para não nos concentrar na cabeça ao fazê-la, mas no coração. Mas com
isso ele não quis dizer o coração físico do lado esquerdo do peito, mas o
coração espiritual à direita. Este não é um órgão físico e nem um chakra, mas
sim o centro de nosso sentido de ser.
Após um pouco de prática se estabelece
uma corrente de consciência que pode na verdade ser sentida fisicamente. No início
é sentida no coração, às vezes no coração e na cabeça conectando-os. Mais tarde
ela impregna e transcende o corpo. Talvez se pudesse dizer que esta corrente
seja a ‘resposta’ à pergunta ‘Quem sou eu?’, uma vez que é a experiência sem
palavras do sentido do eu.
Como Bhagavan
explicou: “A meditação requer um objeto no qual meditar, enquanto que na
vichara há apenas o sujeito e nenhum objeto”. No começo muito tempo e esforço
podem ser necessários antes que a corrente de consciência seja sentida; mais tarde
ela começa a despertar mais e mais facilmente.

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