8.12.12

MENSAGEM DE ARUNACHALA - Paul Brunton


  • Não há sociedade organizada que possa durar longamente sem uma base espiritual, isto é, sem base moral, sem reconhecimento do valor do nosso próximo. Sem tal base nosso edifício um dia desmoronará.

  • O homem afeta seu ambiente tão certamente quanto é afetado por ele. À proporção que o coração do homem se dilata para abranger seu próximo, suas instituições políticas refletirão tal sentimento.

  • Há muito lugar na política para o homem que queira entrar por motivação destituída de egoísmo, com idéias de puro serviço, com a sensatez e a espiritualidade a guiar-lhe os passos, e a energia divina a agir através de suas mãos. Tais homens brilharão como bocados de ouro amarelo num pedaço de quartzo. Mas onde os encontraremos?

  • Egoísmo cego continuará a existir, enquanto a ignorância espiritual prevalecer. E os frutos da árvore devem ser sempre os mesmos – infelicidade, opressão, tormento, descontentamento e discórdia.

  • Temos uma grande quantidade de reformadores dispostos a reformar toda a gente, menos a si próprios.

  • A Natureza pode varrer, num dia, o que a sociedade construiu num século. E ela não é cega nem destituída de inteligência: é o instrumento dos deuses do destino.

  • A implacável competição do comercialismo induz os fortes a explorar os fracos. A louca e desordenada luta da indústria moderna exclui as almas mais delicadas, que não deixarão voluntariamente em casa seus ideais de honestidade, verdade e justiça.

  • Uma fábrica moderna de sapatos tem um homem fabricando ilhós para os cordões, e nada mais. Nos velhos tempos, tal homem fazia o sapato completo, com suas mãos, e assim podia contemplar sua obra com dignidade e contentamento. Agora perdeu a possibilidade de dar escoamento à criatividade humana, privando-se de um dos principais caminhos para a felicidade.

  • Há homens que negociam sua alma, suas noites tranquilas, por um monte de dinheiro; tomam a estrada sinuosa para a opulência e abandonam o caráter nesse caminho. Mas do outro lado do livro de suas contas está feito um lançamento invisível, que representa o que ele teve de dar em troca daquele tesouro. Deu sua alma. Seu divino protetor o abandonou.
  • Seja o que for que façamos aos outros para nós é feito, em retorno pelo processo misterioso das leis invisíveis.

  • Nossa conversação não traz qualquer sugestão do homem verdadeiro e eterno. Quem ousa falar numa reunião cotidiana tal como o Eu Superior lhe solicita que faça, seria tratado com olhadelas significativas por alguns e franco escárnio por outros.

  • O homem nasceu para a felicidade, mas não para a ronda incessante de prazeres estéreis. Devemos lamentar estes buscadores de prazer que rodam através de suas inúteis engrenagens, e enquanto isso, apodrecem em seu mais íntimo coração.

  • Afanar-se ao longo dos desejos descontrolados, quando é possível respirar o ar límpido da paz espiritual, se parece a uma espécie de loucura.

  • O mundo é dado ao esnobismo. Humilha-se diante dos poderosos, mas desdenha o sábio pobre. O vinco perfeito de uma calça é considerado mais importante que o vinco perfeito dos princípios de alguém. A multidão é fraca, e aceita a egoística fatuidade da riqueza e da moda como coisa altamente valiosa, escravizadamente imitada e ardentemente desejada.

  • Os ricos, os poderosos e os preeminentes merecem respeito apenas até onde seu caráter se fizer digno dele – e não mais.

  • Os tormentos interiores não se aquietam com uma porção de festas e diversões. As pessoas se sentem torturadas e inquietas, não conhecem calma nem contentamento. Os jovens perderam seu ponto de ancoragem, e simplesmente derivam para o mar das emoções extraviadas, enquanto os mais velhos sofrem às mãos do Tempo.

  • A melhor aristocracia é a da alma. Um homem é grande, não por ter nascido em alta classe social, mas porque nasceu com uma alma de alta classe.

  • Passamos nossos dias ocupados com a complicada arte de nos acomodarmos às opiniões alheias. Esquecemos de SER. O julgamento do mundo nos traz encantados, e receamos romper as cadeias para viver nossas próprias vidas.

  • Disse o Maharshi, 'O sofrimento leva o homem a voltar-se para seu Criador.'

  • O saber é bom como um passo no caminho da realização do Eu Superior, mas é mau como túmulo no qual encerramos nossa cabeça e nosso coração.

  • Não devemos imaginar que adquirimos conhecimento cada vez que adquirimos um livro. Há tomos pesados que parecem cheios de sabedoria e que se apresentam tão eruditos com suas citações; às vezes a quantidade de verdadeira inteligência que contêm está na proporção inversa de seu tamanho. Pode ser que auxiliem a conversação, mas não a Verdade.

  • A música, que pode erguer-se à altura de se tornar sussurro bendito da parte de Deus para os homens, mergulha ao nível de lúbrico ruído. A música, que pode ser a voz divina recordando-nos nosso lar espiritual, tenta agora selvagemente levar-nos para o barbarismo. A música, que podia falar do amor ideal entre o homem e a mulher, afoga esse amor em estúpido lodo.

  • A sensualidade é recompensada, enquanto a espiritualidade é repelida. A estrela sensual de cinema, que movimenta as frívolas emoções das adolescentes e dos fracalhões que usam calças, pode esperar tornar-se milionária. O sábio que devota seus dias e sua energia à sublime pesquisa da Verdade, por si mesmo e por amor à humanidade, pode esperar tornar-se um mendigo.

  • Depender da presença da turba é fraqueza. O homem que precisa da multidão para animar-se está muito mais solitário do que imagina.

  • Enquanto trilhamos o caminho para o Eu Superior, espíritos auxiliadores vêm nos apaziguar, amistosos pensamentos chegam para nos fazer companhia, mãos invisíveis estendem-se para nos ajudar, figuras angélicas podem nos guiar, e se descansarmos um pouco poderemos perceber vozes sussurrantes rompendo através do silêncio, murmurando conforto e consolação.

  • Nosso Eu é sagrado; sejamos fiéis a ele.

  • A natureza é o melhor calmante e o melhor tônico.

  • Por que desperdiçar a verdadeira fragrância da vida por amor a pseudo-sensações?

  • O dia que não nos traz o sussurro adorável do Eu Superior, e em que não sentimos seus dedos serenos acariciando nosso coração, é estéril.

  • Penso que o pastor, na vertente da colina, respirando o ar límpido e contemplando o céu azul, dia após dia, e as brilhantes estrelas à noite, ou ouvindo o rumorejar do vento e o sussurrar dos riachos, tem vida principesca, em contraste com a de alguns homens de negócios, aflitos e sobrecarregados de trabalho, que há muito perderam a capacidade de gozar alguma diversão simples e inocente da vida, que se tornaram vítimas das apreensões e ansiedades, que não conseguem ouvir a calma e incentivadora voz do Eu Superior no profundo silêncio de seu coração.

  • O Eu Superior fala ao homem na única linguagem que sua mente ensurdecida pode entender – a do sofrimento. E usa, como seu instrumento, o destino. Ele sabe que as verdades que o homem aprende lentamente, através de dias de sangue e lágrimas, serão aprendidas para todo o sempre.

  • O destino é auto-obtido e automerecido, embora as causas que o criaram se estendam longamente para o passado. Recebemos precisamente o que merecemos.

  • Nossa ignorância da reencarnação e da lei de causa e efeito não nos desculpam aos olhos dos deuses do destino. Os atos que praticamos tão irresponsavelmente não passam por eles com a mesma leviandade. Conhecem o que secretamente nos move, e não ousamos esconder propósito algum de seus olhos impiedosos.

  • O homem é orgulhosamente consciente do fato de que ele parece governar este planeta; não é consciente do fato de que os deuses governam os homens.

  • Como gigantes esculpidos, ali estão quatro seres estupendos que guardam os confins do mundo, nos quatro pontos da bússola. Seus olhos flamejam fogo mais terrível do que jamais foi aceso num altar druídico, porque é o fogo da justiça perfeita.

  • Aqueles quatro seres trazem o mundo sob seu majestoso poder, como sob uma teia finíssima de onde nem um só átomo pode escapar.

  • Aquele que cegamente imagina que pode espalhar sofrimento para os outros e ao mesmo tempo tenta trabalhar apenas para sua vontade egoísta, é digno de piedade. Cada encarnação lhe trará novo purgatório, e cada morte o encontrará dirigido para o inferno temporário dos lamentosos.

  • Se a desgraça nos ameaça, não rezemos para ser salvos; rezemos, antes, pedindo mais força, mais fé, mais coragem. E deixemos que os deuses do destino façam o que quiserem com nosso corpo. Assim atraímos o auxílio de forças invisíveis.

  • O Eu Superior espera com os braços abertos, mas poucos se preocupam em arranjar tempo e lançá-lo às chamas do sacrifício.

  • O desaparecimento do ódio e do egoísmo, da crueldade e da cobiça, não poderá dar-se enquanto o homem persistir em identificar-se inteiramente com o seu corpo material.

  • O homem retirou muito sua fé em Deus, mas não pode retirar sua fé no eu! Nada é mais certo para ele do que a certeza do “Eu sou”. O caminho da autoindagação (Quem sou eu?) é, portanto, o que trata com assuntos certos e não com deidades supostas.

  • Sofremos porque nos extraviamos de nosso centro.

  • O Eu Superior está instalado na alma do homem como uma deusa oriental está instalada em seu trono de madeira laqueada – calmo, imperturbável e intocado pelas formas agitadas de nossa existência. Cada homem é, assim, seu próprio deus, seu próprio mestre, seu próprio profeta.

     

Nenhum comentário:

Postar um comentário