2.12.12

O CAMINHO CURTO E O CAMINHO LONGO - Paul Brunton


Todo tipo de busca espiritual se divide em duas classes. O primeiro é básico, elementar, o segundo para pessoas mais avançadas. O primeiro para iniciantes é o Caminho Longo. Ele requer um longo tempo para ter resultados, e muito trabalho tem de ser feito nele, muito esforço é necessário. O segundo é o Caminho Curto. Os resultados são conseguidos mais rapidamente, é um caminho mais fácil, e requer menos trabalho.
Ao Caminho Longo pertence a yoga metódica. Requer muito trabalho para praticar diariamente: construir o caráter e remover as fraquezas e dominar os erros, desenvolver concentração de atenção para parar a distração da mente e controlar os pensamentos, fortalecer o poder da vontade, e todas as atividades para os principiantes. Estes são os estágios iniciais da meditação.
A meditação tem duas partes. A inferior pertence ao Caminho Longo. As religiões também são para os iniciantes e as massas populares. Elas também pertencem ao Caminho Longo. Ao Caminho Curto pertencem a Ciência Cristã, os ensinamentos de Ramana Maharshi, Vedanta, os ensinamentos de Krishnamurti e o Zen. Todos estes dizem que Você é DEUS. O Caminho Longo diz em vez disso: você é apenas um homem. Um diz que você é um homem e o outro diz que você na verdade tem sua raiz em Deus.
Caminho Longo – aqui se trabalha através do ego. O estudante pensa que ele é o ego e desenvolve concentração, aspira a se melhorar, ficar mais e mais puro. Ele diz: “Estou fazendo este trabalho”. Ele pensa que está se purificando e melhorando a qualidade do ego. Mas é ainda o ego. Ele está subindo da parte inferior para a superior do ego e se tornando um ego espiritualizado. Ele está buscando os gurus.
Caminho Curto – é diferente porque a ideia "ego" não aparece, apenas o Eu Superior, não a ânsia (que pertence ao Caminho Longo), mas a identificação, nem mesmo aspiração.
O Caminho Longo tem a ver com progresso e leva tempo para isso, e portanto significa mover-se no tempo, e é o ego que está trabalhando.
O Caminho Curto não se preocupa com o tempo e portanto nem com o progresso. Pensa apenas no eterno Eu Superior. Nenhuma ideia de progresso, nenhum desejo, isso não importa. O Verdadeiro Eu é sempre imutável. Progresso implica mudança. Todas as perguntas e problemas desaparecem porque ao intelecto curioso (ego) não se permite estar ativo.
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No Caminho Longo, o aspirante quer o guru, procura um guru, depende dele, e o guru o ajuda a progredir. No Caminho Curto o Eu Superior é o guru e o aspirante depende diretamente apenas do Eu Superior. No Caminho Curto a questão do guru não vem em consideração. O guru está fora, mas Deus está dentro, no estágio do Caminho Curto. Os aspirantes do Caminho Curto não precisam depender de um guru. Intelectualmente o guru lhes dá liberdade. Se um guru morre ou desaparece, eles não se preocupam com isso.
 Uma pergunta será feita: Por que todo professor não ensina o Caminho Curto? A resposta é: Porque as pessoas não têm força de caráter suficiente para abandonar o ego e não desejam voltar-se imediatamente para a luz. É um sacrifício. Para tornar isto possível, o Caminho Longo os ensina a tornar o ego mais fraco gradualmente. No Caminho Longo o progresso vem para prepará-los a alcançar um ponto onde fica mais fácil para abandonarem o ego. Esta é uma das mais importantes razões. Ele torna o aspirante pronto para se beneficiar do Caminho Curto; de outro modo ele não conseguiria viajar nele.
A segunda razão é porque eles não têm a força de concentração para manter a mente no Eu Superior. Podem ser capazes de mantê-la por um ou dois minutos, mas depois caem de volta. Portanto é necessário desenvolver o poder de concentração continuada. Mesmo que a pessoa veja a Verdade, ela deve ter o poder de permanecer na Verdade.
A maior parte das pessoas tem fortes apegos e fortes desejos por coisas mundanas. Estas ficam em seu caminho, obstruindo seu caminho para a Realidade. Isto significa que elas desejam manter os apegos e desejos que vêm do ego, que elas não querem perder. Portanto o professor dá primeiro o Caminho Longo, porque a maior parte dos aspirantes não é capaz de seguir o Caminho Curto. O Caminho Longo existe para prepará-los para o Curto. Não adianta para eles seguir o Caminho Curto se não têm a compreensão filosófica para praticá-lo. Mesmo que a Verdade fosse mostrada a eles no Caminho Curto, se não estiverem preparados pelo estudo e pensar filosófico, eles podem falhar em reconhecê-la. Eles não aprenderam o que é a Verdade e podem não valorizá-la. Eles não têm o conhecimento filosófico para ver a diferença entre a Verdade ou Realidade e a ilusão ou erro.
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Outra questão importante referente ao Caminho Longo: quando as pessoas seguem o Caminho Longo e passam anos trabalhando nele, muitas dessas pessoas após muitos anos descobrem que não fizeram o progresso que esperavam. No começo elas têm entusiasmo. Esperam experiências internas que lhes deem poder, conhecimento e autocontrole; mas após muitos anos elas não ganham estas coisas. Ao contrário, vêm testes, provações difíceis da vida, morte na família, mudanças na vida exterior, e assim por diante. Elas ficam desapontadas e dizem: “Por que Deus me escolheu para sofrer se eu sigo o Caminho?" Elas ficam desencorajadas. Neste ponto uma de três coisas pode acontecer:
1) Elas podem abandonar a Busca totalmente, por um ano ou muitos anos, ou toda a vida, e voltar-se à vida materialista.
(2) Elas podem pensar que tomaram o caminho errado, ou que estão usando métodos errados, ou têm o professor errado, e procuram outro professor e outro caminho. Mas com o novo professor os resultados são os mesmos porque elas estão ainda dentro do círculo do ego. O ego as impede de aprofundar suficientemente seu estado de luz e sabedoria.
(3) Uma terceira possibilidade pode lhes acontecer. Quando elas já tentaram com grande esforço e não tiveram sucesso e se sentem muito cansadas mentalmente e exaustas emocionalmente, elas deixam de tentar mas não abandonam a Busca. Elas apenas se sentam passivamente e esperam. As pessoas que estão nesta última categoria estão completamente prontas para entrar no Caminho Curto.
Contradições entre os dois Caminhos: um é o ego e o outro o Eu Superior sem o ego. O Caminho Curto é sem planejamento, intuitivo. No Caminho Longo as pessoas buscam passo a passo sair da escuridão de sua ignorância. No Caminho Longo muitos estudantes querem experiências – místicas, ocultas, psíquicas. É o ego que as quer, com a satisfação do progresso. O ego se sente importante. No Caminho Curto não há desejo por experiências interiores de qualquer tipo. Quando você já está no Real, não há mais desejo. Pois as experiências vêm e vão, mas o Real não.
A respeito da Iluminação, ela não vem do autoesforço, mas é questão de Graça. É como o vento que vem e você não sabe de onde; e vai e você não sabe para onde. No fim temos de ser como criancinhas e deixar nossa Iluminação ao Pai e entregar nossas vidas a ele. No Caminho Longo o aspirante tenta se melhorar. Ele experimenta sucessos e fracassos, altos e baixos. Quando está desapontado, fica melancólico. No Caminho Curto esta situação não aparece, porque ele tem fé como uma criancinha. Ele deixou seu futuro aos cuidados do Eu Superior e tem fé suficiente para confiá-lo a Ele. Ele sabe que tomou a decisão certa e portanto está sempre feliz. O que vier, será o melhor. Ele sempre confia no Eu Superior e tem sua alegria nEle.
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O Caminho Curto é um Caminho alegre, um Caminho de felicidade. Antes que ele comece, o aspirante pode experimentar a Noite Escura da Alma. Ele se sente totalmente desamparado, sem nenhum sentimento de Realidade espiritual. É um tempo melancólico – sem sentir espiritualidade ou desejá-la. Ele não é mundano nem espiritual. Ele se sente só e abandonado e separado por um muro de seu guru. Ele sente que Deus o esqueceu. Esta noite escura pode durar pouco tempo ou longos anos. Ele é incapaz de ler coisas espirituais ou pensar nelas. Não há desejos por coisas comuns também. Ele se sente triste e desapontado e pode até mesmo tentar o suicídio. Nesta infelicidade até mesmo aqueles que o amam não podem lhe dar conforto. Há um ditado: a noite é mais escura logo antes do amanhecer. Ele está no ponto mais baixo. Após isso, o Caminho Curto traz de volta a Alegria – assim como nuvens se distanciando do Sol.
 No Caminho Curto existem geralmente muito menos exercícios para praticar. Não é necessário se sentar especialmente para meditar, mas tentar estar sempre em meditação. Quando você está ocupado exteriormente, a meditação naturalmente toma uma forma diferente do que a que se tem sentado. Durante a parte ativa do dia, a meditação toma a forma da lembrança, sempre tentando lembrar o Eu Superior: ELE É (isto é suficiente).
  Paul Brunton


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