14.12.12

HISTÓRIAS DE ARUNÁCHALA - Ramana Maharshi


Arunachala é um dos mais antigos e sagrados de todos os lugares sagrados da Índia. Sri Bhagavan declarou que a colina é o coração da Terra, o centro espiritual do mundo. O Skanda Purana declara: “Este é o lugar sagrado. De todos, Arunachala é o mais sagrado. É o coração do mundo. Saiba que ele é o oculto e sagrado centro do coração de Siva.” Muitos santos viveram ali, fundindo sua santidade com a da colina. Diz-se, e Bhagavan confirma, que ainda hoje Siddhas (sábios com poderes sobrenaturais) moram em suas cavernas, com ou sem corpo físico, e se diz que alguns são vistos como luz movendo-se pela colina à noite.

Echammal tinha sido uma esposa e mãe feliz em Mandakolathur, mas aos vinte e cinco ela perdeu primeiro seu marido, depois seu único filho, e depois sua única filha. Chocada com essas perdas, torturada pela memória, ela não tinha paz. Procurando esquecer, ela viajou para Gokarnam para servir os renunciantes ali, mas retornou tão desesperada como foi. Alguns amigos lhe disseram sobre um jovem swami em Tiruvannamalai que trazia paz aos que procuravam. Imediatamente ela partiu para lá. Com uma amiga, subiu a colina até Bhagavan. Ela permaneceu em silêncio em sua frente, sem lhe dizer de seu sofrimento. Não havia necessidade. A compaixão brilhando nos olhos de Bhagavan era curadora. Passou-se uma hora, nenhuma palavra foi dita, e então ela voltou-se e desceu a colina em direção à cidade, seus passos estavam leves, o peso de seu sofrimento aliviado.

Um certo swami chamado Balananda, certamente um malandro, mas simpático e culto, se impunha às pessoas sob o disfarce de um sadhu. Esta pessoa decidiu lucrar e ganhar prestígio às custas de Bhagavan. Julgando acertadamente que o jovem swami seria santo demais para resistir ao mal, ele começou a posar como seu Guru. Ele dizia aos visitantes: “Este jovem swami é meu discípulo”, ou “Sim, deem a ele alguns doces”; e para Sri Bhagavan, “Aqui, meu filho, pegue estes doces”. Ao estar sozinho com Bhagavan, ele dizia, “ Vou dizer que sou seu Guru e obter dinheiro dos visitantes. Você nada tem a perder, portanto não me contradiga.” 

Sua arrogância não tinha limites, e uma noite ele chegou ao cúmulo de se aliviar na varanda da caverna onde Bhagavan vivia. Na manhã seguinte, ele saiu deixando suas roupas na caverna. Sri Bhagavan nada disse. Ele deu uma longa caminhada até um dos tanques sagrados naquela manhã com Palaniswami, e antes de irem Palaniswami lavou a varanda, jogou fora as roupas de Balananda e fechou a entrada da caverna. Balananda ficou furioso quando retornou. Ele ordenou a Sri Bhagavan que o mandasse embora imediatamente. Nenhum dos dois respondeu nem lhe deram atenção. Em sua fúria, Balananda cuspiu em Sri Bhagavan. 

Mesmo assim Sri Bhagavan continuou sentado, impassível. Os discípulos que estavam com ele também ficaram sentados sem reagir. Entretanto, um devoto de uma caverna mais em baixo ouviu contarem do ocorrido, e chegou gritando: “Você! Você ousa cuspir em nosso Swami!” e mal podia ser contido de se atracar com Balananda. Este então decidiu que tinha ido longe demais e que era melhor sair de Tiruvannamalai. Ele declarou que a colina não era um lugar apropriado e partiu com sua arrogância habitual. Indo para a estação ferroviária, entrou num vagão de segunda classe sem o bilhete. Um casal jovem estava no mesmo vagão. Ele começou a repreender o rapaz e dar-lhe ordens, e quando este não lhe deu atenção ele ficou agressivo e disse: “O que! Você não me ouve? É por causa de sua paixão por esta garota que não me mostra o devido respeito.”

 O jovem então pegou sua sandália e com ela deu-lhe a surra que ele há muito precisava. Alguns meses depois, Balananda retornou e certo dia insistiu em se sentar, olhando fixamente nos olhos de Sri Bhagavan a fim de dar-lhe nirvikalpa samadhi (êxtase espiritual), mas o que aconteceu foi que ele mesmo adormeceu e Sri Bhagavan e seus discípulos se levantaram e foram embora. Depois disso a atitude geral em relação a ele tornou-se tal, que ele considerou mais seguro partir.






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