Bhagavan
costumava caminhar pela colina de Arunachala algumas vezes por dia, e
se ele tinha algum apego a algo na terra, era seguramente pela
colina. Ele a amava e dizia que era o próprio Deus.
Ele
costumava dizer que ela era o eixo espiritual da terra; deve haver,
ele dizia, uma outra montanha correspondente a Arunachala exatamente
no lado oposto do globo, o polo correspondente do eixo. Tão certo
ele estava disto, que uma tarde fez-me abrir um atlas e ver se
isto não era correto. Encontrei no atlas que o ponto oposto vinha a
ser no mar, cerca de cem milhas da costa do Peru. Ele parecia duvidar
disso. Eu apontei que poderia haver alguma ilha neste ponto ou uma
montanha sob o mar. Alguns anos depois da morte de Bhagavan um inglês
que visitava o ashram contou de um lugar nos Andes, onde se supõe
que seja um grande centro de poder secreto, mais ou menos nesta
latitude. (…) A terra não é uma esfera exata e os mapas não são
absolutamente precisos. É bem possível que algo se passa naquela parte
do mundo que não sabemos, e isto se encaixaria no que Bhagavan
disse.
Bhagavan
sempre irradiou tremenda paz, mas nas ocasiões em que as multidões
eram atraídas ao Ashram, como Jayanthi, Mahapooja e Deepam, esta
aumentava num grau extraordinário. A multidão parecia chamar certa
reserva de força oculta, e era uma grande experiência sentar com
ele nestes momentos. Seus olhos tinham um olhar distante e ele se
sentava absolutamente quieto, como se estivesse inconsciente do
ambiente, exceto para um sorriso ocasional quando algum velho devoto
se prostrava.
Bhagavan
era invariavelmente gentil a todos os animais, embora ele não
gostasse de gatos, e isto principalmente porque os gatos caçavam
seus amados esquilos. Estes esquilos costumavam entrar e sair pela
janela do salão, passar pelo sofá e até mesmo o corpo de Bhagavan.
Ele os alimentava com nozes e os afagava, alguns até tinham nomes.
Sua maior ambição, parecia ser fazer ninhos atrás dos travesseiros
de Bhagavan, para que pudessem trazer a família sob sua proteção.
Nunca se permitia matar cobras e escorpiões. (…)
Para os cães Bhagavan sempre tinha um lugar macio. Se um cão do ashram latia tentando afastar algum intruso e as pessoas ficavam iradas com ele, Bhagavan o defendia, dizendo que ele estava apenas fazendo seu dever para com o ashram. Havia certa vez um cãozinho que sempre se aliviava num local perto do escritório. Chinna Swamy ficava furioso e tentava afastá-lo do ashram, mas Bhagavan vinha em sua defesa, dizendo que se alguma criança fizesse o mesmo ninguém ficaria irado, e o cãozinho era apenas uma criança e de nada sabia. Ele parecia especialmente amar os macacos e sempre dizia que de muitos modos eles eram melhores que os seres humanos. Eles viviam cada dia sem planejar para o futuro e que não havia premeditação nas travessuras que realizavam. Ele se divertia muito quando algum macaco entrava no salão e roubava alguma comida do lado de um devoto descuidado que a havia ganhado como sagrado prasadam (comida oferecida à divindade e depois distribuída entre os devotos).
Para os cães Bhagavan sempre tinha um lugar macio. Se um cão do ashram latia tentando afastar algum intruso e as pessoas ficavam iradas com ele, Bhagavan o defendia, dizendo que ele estava apenas fazendo seu dever para com o ashram. Havia certa vez um cãozinho que sempre se aliviava num local perto do escritório. Chinna Swamy ficava furioso e tentava afastá-lo do ashram, mas Bhagavan vinha em sua defesa, dizendo que se alguma criança fizesse o mesmo ninguém ficaria irado, e o cãozinho era apenas uma criança e de nada sabia. Ele parecia especialmente amar os macacos e sempre dizia que de muitos modos eles eram melhores que os seres humanos. Eles viviam cada dia sem planejar para o futuro e que não havia premeditação nas travessuras que realizavam. Ele se divertia muito quando algum macaco entrava no salão e roubava alguma comida do lado de um devoto descuidado que a havia ganhado como sagrado prasadam (comida oferecida à divindade e depois distribuída entre os devotos).
Muitos
pavões vinham para o ashram mas parecia que não eram capazes de
permanecer no ambiente. Bhagavan observava que eles ainda não
estavam preparados. Isto mostra que nem todos estavam preparados para
ficar em sua presença, e que até mesmo os animais vinham aqui com
um propósito. Ele também nos contava, às vezes, que as pessoas
reencarnam no corpo de algum animal apenas para ter a chance de estar
perto dele.
Bhagavan
contou a história de um yogue que praticava austeridades às margens
do Ganges. Este yogue disse a seu discípulo para ir e trazer-lhe um
pouco de água, e neste ínterim, entrou em meditação (manolaya:
meditação que não aniquila a mente). Após mil anos ele despertou,
e a primeira coisa que fez foi pedir sua água, mas o discípulo
tinha se tornado um esqueleto a seu lado, o Ganges tinha mudado seu
curso e todo o país estava diferente.
Os
exemplos clássicos dos quatro yogas nos tempos modernos são: Jnana,
Sri Ramana Maharshi; Bhakti, Sri Ramakrishna Paramahamsa;
Raja, Sri Aurobindo; e Karma, Sri Shankaracharya de Kanchi Peetam.
Bhagavan
sempre saía para um passeio na Colina e às vezes nos contava que
tinha visto dentro dela uma grande cidade com largos edifícios e
ruas. Ali também ele tinha visto um grupo de Sadhus recitando os
Vedas, e a maior parte dos devotos do ashram estavam no grupo.
Bhagavan dizia: "A
verdade final é tão simples, não é senão estar no estado natural
e original de cada um. Entretanto, é curioso que para ensinar esta
simples verdade tantas religiões sejam necessárias e haja tantas
disputas sobre isso. Que pena! Apenas seja o Eu, isto é tudo".
Um
dia um monge renunciante, pertencente a uma ordem bem conhecida, que
pensa que só seu Guru atingiu a auto-realização, desafiou Bhagavan
de um modo muito agressivo.
Sadhu:
“As pessoas dizem que você é um avatar de Subramanian. O que
você diz sobre isto?”Bhagavan nada disse.
Sadhu: “Se isto é verdade, por que você mantém silêncio a respeito? Por que não fala e nos diz a verdade?”
Bhagavan não respondeu.
Sadhu: “Diga-nos, queremos saber.”
Bhagavan (calmamente): “Um Avatar é apenas uma manifestação parcial de Deus, enquanto que um jnani é o próprio Deus.”
Uma
noite, um cão que estava em cima de uma pedra atrás do ashram latia
sem parar. Finalmente Bhagavan disse a alguém que lhe levasse alguma
comida; isto foi feito, o cão a comeu e rapidamente foi embora. E
não foi visto novamente. Bhagavan
explicou que era algum Siddha (yogue com poderes extraordinários)
que tinha tomado aquela forma para vir aqui e comer, uma vez que
estava faminto. Havia muitos destes por ali, ele disse, mas não
desejavam ser conhecidos, e por isso vinham desse modo.
Perguntaram
a Bhagavan se era verdade que sempre havia sete jnanis vivendo pela
colina. “Pode haver até mais que isto,” ele nos disse, “quem
poderá dizer? Como reconhecê-los? Eles podem aparecer como mendigos
deitados numa vala ou disfarçados de algum outro modo. É impossível
dizer.”
Há
uma história sobre um grande Siddha Purusha, conhecido como
Arunagiri Yogi,
que vive sob um enorme baniano (árvore) na encosta norte da colina.
As folhas desta árvores foram uma vez encontradas por Bhagavan sobre
o chão, quando ele circulava a colina. Elas tinham mais de 35
centímetros de diâmetro. Um dia Bhagavan partiu em busca desse
lugar. Finalmente o encontrou e viu a árvore à distância, a qual
ele descreveu como enorme. Mas o local esta rodeado por uma grossa e
impenetrável cerca viva feita de espinheiros, e isto impediu que se
aproximasse. Quando tentou abrir caminho, sua perna bateu num ninho
de vespas, que violentamente atacaram sua perna e coxa. Ele não foi
adiante, pois percebeu que não deveria.

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