16.12.21

O YOGA E A GLÂNDULA PINEAL – Sadhguru

 

À medida que os cientistas exploram a natureza da mente humana e encontramos melhores instrumentos para observar a natureza do cérebro humano, uma coisa se torna muito clara para os modernos psicólogos e neurocientistas: há muito mais para se conhecer sobre a mente humana do que já é conhecido.  

 

Assim como existe uma fisiologia médica, existe também toda uma fisiologia yóguica. Um aspecto da fisiologia yóguica que se alinha de algum modo com as neurociências modernas é aquele associado com a glândula pineal. Essa glândula sempre foi reconhecida como estando associada a agna chakra. Atualmente os neurocientistas dizem as secreções da glândula pineal controlam e moderam o estado de espírito e as experiências da pessoa. Se você tem uma secreção pineal suficiente e estável, terá também um estado de espírito agradável dentro de si.  

 

Tanto a ciência médica quanto as drogas vendidas nas ruas atestam que as substâncias químicas podem criar experiências agradáveis ou desagradáveis dentro de você, que são muito reais para si. A única diferença é a experiência causada com ou sem ajuda externa. Se você entrar em êxtase agora, estará provocando isso a si mesmo sem ajuda externa. Se a experiência for causada através de estímulo externo, ela poderá ser agradável, mas no final poderá danificar o sistema. Além disso, tal experiência não resultará em nenhum tipo de consciência. E experiências inconscientes não têm significado para a evolução, crescimento ou transformação da pessoa. 


 

Um aspecto da fisiologia yóguica que está totalmente ausente nas ciências médicas modernas é algo que eu constantemente mantenho “ligado” dentro de mim, chamado binduBindu significa um pequeno ponto. É um ponto particular da glândula pineal rodeado de certa secreção. Se você toca o bindu, ele libera secreções que fazem seu corpo ficar confortável e sua mente ficar extática. Muitas culturas em todo o mundo reconheceram isso, e existe uma compreensão de que esse ponto deve ser protegido e ativado. 



 

 No hinduísmo, quando um garoto brahmin é iniciado na prática espiritual, raspam o cabelo de sua cabeça e deixam um tufo nesse ponto. Em muitas partes do mundo, as pessoas que têm uma vida espiritualizada querem cobrir esse ponto, e começam a usar uma cobertura, como o quipá dos judeus ou dos bispos católicos. 

 

Se você prestar atenção em seu sistema, notará que ele está sempre lá.  

Quando as pessoas estão realizando certas práticas espirituais, elas ficam completamente dominadas pelo êxtase porque o “copo de néctar” de seu interior inclinou-se um pouco. Elas ainda não aprenderam a bebê-lo em pequenos goles. Se você dá um copo cheio de água para uma criancinha ela vai derramá-la toda enquanto bebeMas se fizerem as práticas necessárias, após algum tempo, poderão beber em pequenos tragos, conscientemente. Desse modo, cada célula do seu corpo e cada momento de sua vida estarão em êxtase.  


Mas o bindu também tem dois lados. Ele também secreta outro hormônio, mas este é venenoso. Se você beber do lado errado do copo, o veneno vai se espalhar pelo sistema e deixar sua vida miserável. Muitas pessoas têm feito isso a si mesmas e ficam deprimidas. Você se sente miserável porque inclinou o lado errado do copo fazendo coisas impróprias na vida.  

Não importa o que você busca na vida – dinheiro, riqueza, poder, Deus ou iluminação. Na essência você está procurando a doçura que existe dentro de si. Ou você a encontra acidentalmente ou conscientemente – esta é uma escolha sua. 


Antes de desfrutar desse néctar que existe em todo cérebro humano, é necessário construir a fundação, a base, para não ficar louco. No yoga, as fases iniciais do sádhana devem ser realizadas a fim de se ganhar estabilidade. Se o êxtase vier antes da estabilidade, você está caminhando para o desastre. Se o êxtase vier depois da estabilidade, então será algo fantástico. Por isso no yoga primeiro se fazem as práticas para ter estabilidade, firmeza e capacidade de suportar o êxtase. 


Nunca deseje algo que ainda não esteja em sua percepção, porque você vai desejar as coisas erradas. Simplesmente faça seu sádhana (práticas). Não fique imaginando coisas erradas e buscando-as. Não se preocupe com o êxtase que virá em estágios posteriores. Apenas faça sua prática diária. Ela produzirá resultados. É por isso que eu usualmente não falo sobre essas coisas, porque não podem ser obtidas através da lógica.  


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11.12.21

AUTOCONHECIMENTO ATRAVÉS DA MAGIA DIVINA - Eliphas Levi

 

A magia, que os antigos chamavam o sanctum regnum, o santo reino, ou o reino de Deus, regnum Dei, só é feita para os reis e sacerdotes; sois sacerdote? Sois rei? O sacerdócio da magia não é um sacerdócio vulgar e a sua realeza nada tem que debater com os príncipes deste mundo. Os reis da ciência são os padres da verdade, e o seu reino fica oculto para a multidão, como os seus sacrifícios e as suas preces. Os reis da ciência são os homens que conhecem a verdade e que a verdade tornou livres, conforme a promessa formal do mais poderoso dos iniciadores (Jesus).
 
O homem que é escravo das suas paixões ou dos preconceitos deste mundo não poderia ser um iniciado; ele nunca se elevará, enquanto não se reformar; não poderia, pois, ser um adepto, porque a palavra adepto significa aquele que se elevou por sua vontade e por suas obras.
 
Há uma verdadeira e uma falsa ciência, uma magia divina e uma magia infernal, isto é, mentirosa e tenebrosa; temos de revelar uma e desvendar outra; temos de distinguir o mago do feiticeiro e o adepto do charlatão.
 
O mago dispõe de uma força que conhece, o feiticeiro procura abusar do que ignora.
O diabo – se é permitido num livro de ciência empregar esta palavra desacreditada e vulgar – o diabo se dá ao mago e o feiticeiro se dá ao diabo.
O mago é o soberano pontífice da natureza, o feiticeiro não passa de um profanador.
O feiticeiro é para o mago o que o supersticioso e o fanático são para o homem verdadeiramente religioso.
 
A magia é a ciência tradicional dos segredos da natureza, que nos vem dos magos. Por meio desta ciência, o adepto se acha investido de uma espécie de onipotência relativa e pode agir de modo que ultrapassa a capacidade comum dos homens.

É assim que vários adeptos célebres, tais como Hermes Trismegisto, Osíris, Orfeu, Apolônio de Thyana, e outros que poderia ser perigoso ou inconveniente mencionar, puderam ser adorados ou invocados depois da sua morte como deuses. É assim que outros, conforme o fluxo e o refluxo da opinião, que faz os caprichos do êxito, tornaram-se agentes do inferno ou aventureiros suspeitos, como o imperador Juliano, Apuleio, o encantador Merlin e o arqui-feiticeiro, como o chamavam no seu tempo, o ilustre e infeliz Cornélio Agrippa.
 
Para chegar ao sanctum regnum, isto é, à ciência e ao poder dos magos, quatro coisas são indispensáveis: uma inteligência esclarecida pelo estudo, uma audácia que nada faz parar, uma vontade que nada quebra e uma discrição que nada pode corromper ou embebedar.

Saber, ousar, querer, calar – eis os quatro verbos do mago, que estão escritos nas quatro formas simbólicas da esfinge. Estes quatro verbos podem combinar-se mutuamente de quatro modos e se explicam quatro vezes uns pelos outros.

Saber sofrer, abster-se e morrer, tais são, pois, os primeiros segredos que nos põem acima da dor, dos desejos sensuais e do temor do nada. O homem que procura e acha uma gloriosa morte tem fé em imortalidade, e a humanidade inteira crê nela com ele e por ele, porque ela lhe eleva altares ou estátuas, em sinal de vida imortal.

Sois chamado a ser o rei do ar, da água, da terra e do fogo; mas, para reinar sobre estes quatro animais do simbolismo, é preciso vencê-los e encadeá-los. Aquele que aspira a ser um sábio e a saber o grande enigma da natureza deve ser o herdeiro e o espoliador da esfinge; deve ter a sua cabeça humana para possuir a palavra, as asas de águia para conquistar as alturas, os flancos de touro para cavar as profundezas, e as garras de leão para preparar lugar para si à direita e à esquerda, adiante e atrás.

Vós, pois, que quereis ser iniciado, sois tão sábio como Fausto? Sois impassível como Jó? Não, não é verdade? Mas vós o podeis ser, se o quiserdes. Vencestes os turbilhões dos pensamentos vagos? Sois sem indecisões e sem caprichos? Aceitais o prazer só quando o quereis, e o quereis só quando o deveis? Não, não é verdade? Não é sempre assim? Mas isso pode ser, se o quiserdes.

A esfinge não tem somente uma cabeça de homem, ela tem também seios de mulher; sabeis vós resistir às atrações da mulher? Não, não é verdade? E dais risada ao responder, e vos vangloriais de vossa fraqueza moral para glorificar em vós a força vital e material. Pode verdadeiramente possuir a voluptuosidade do amor, somente quem venceu o amor da voluptuosidade. Poder usar e abster-se, é poder duas vezes. A mulher vos prende pelos vossos desejos: sede senhor dos vossos desejos e prendereis a mulher.
 
Qual a natureza do princípio ativo? É espalhar. Qual é a natureza do princípio passivo? É reunir e fecundar. Que é o homem? É o iniciador, o que destrói, cultiva e semeia. Que é a mulher? É a formadora, a que reúne, rega e ceifa.

O homem faz a guerra, e a mulher procura a paz; o homem destrói para criar, a mulher edifica para conservar; o homem é a revolução, a mulher é a conciliação; homem é o pai de Caim, a mulher é a mãe de Abel.
 
Que é a sabedoria? É a conciliação e a união dos dois princípios, é a docilidade de Abel dirigindo a energia de Caim, é o homem segundo as doces inspirações da mulher, é a depravação vencida pelo legítimo casamento, é a energia revolucionária abrandada e dominada pelas doçuras da ordem e da paz, é o orgulho submetido ao amor, é a ciência reconhecendo as inspirações da fé.