13.6.25

O DEVOTO DE SUBRAHMANYA - T. Kanakammal


Certo dia, um visitante veio ao ashram de Sri Ramana Maharshi. Desde jovem, ele tinha sido um devoto do Senhor Subrahmanya (*) e tinha sido fiel em seguir todas as práticas recomendadas nas escrituras quanto à adoração dessa divindade.

Esse senhor entrou no salão e dirigiu-se a Bhagavan assim: “Oh Swami, toda minha vida desde a infância, devotei-me ao Senhor Subrahmanya e ainda, após todo esse tempo, não fui abençoado com sua visão.” Bhagavan ficou sentado em silêncio, simplesmente fitando o devoto em sua frente.

Enquanto isso o poeta Muruganar estava sentado ali perto, ouvindo tudo. Normalmente Muruganar nunca falava e nem tomava conhecimento de quem entrava, muito menos de visitantes ocasionais. Mesmo quando outros devotos o desafiavam, incitavam ou tentavam inflamá-lo, ele simplesmente permanecia quieto.


Mas nesse dia foi diferente. Ao ouvir os apelos do homem, Muruganar o interrompeu e com as mãos levantadas, enfaticamente, dirigiu-se em direção a Bhagavan e disse: “Você esperou até hoje para ver o Senhor Subrahmanya. Veja, caro senhor, o dia pelo qual você esperava chegou!”

Então sem a menor hesitação, apontou em direção a Bhagavan, que se reclinava no sofá, e com palavras que pareciam cortar o próprio ar, gritou: “Quem mais você pensa que está aqui na sua frente? Você não pode ver o Senhor sentado bem aqui na sua frente?”

Como que em resposta a um anseio que durou toda a vida daquele devoto, a forma de Bhagavan evidentemente se transformou aos olhos do visitante e brilhou como o Senhor Subrahmanya.

O homem ficou parado, sem palavras, petrificado. Então começou a esfregar seus olhos como que para se assegurar de que o que estava vendo era real e não uma ilusão visual. Finalmente com os olhos arregalados, boquiaberto e maravilhado, abundantes lágrimas começaram a cair por suas faces. Sua voz tremida e entrecortada gritou em meio a todos ali: “Sim, sim!”

Na tarde daquele dia, Muruganar foi visitado por aquele devoto. O homem se aproximou da residência de Muruganar com prostrações e outros gestos de agradecimento pelo papel que Muruganar teve naquela “visão miraculosa” do Senhor.


(*) Nota: Subrahmanya, filho de Shiva e Párvati, também é conhecido na Índia como Murugan, Kartikeya, Kumara, Skanda etc. Sempre jovem, Kartikeya é usualmente pintado com sua arma favorita, a lança, e seu veículo – o pavão. Na mitologia, ele é o chefe dos exércitos de Shiva, enquanto seu irmão Ganesha (ou Ganapáti) é o erudito, o removedor de obstáculos. Ganesha está mais ligado à Mãe Divina, Párvati, enquanto Kartikeya é mais próximo a Shiva.


4.6.25

UM DISCURSO SOBRE O SILÊNCIO (conto indiano)

 

Havia certa vez um grande rei que ouviu falar de um sábio que estava passando pelo seu reino, um sábio famoso por sua compaixão, seu grande amor e humildade. Ele não falava muito. O rei chamou seu conselheiro e disse, "Depressa, vá e encontre o sábio e traga-o aqui, para que possa nos dar uma palestra sobre espiritualidade."

O conselheiro obedeceu. Perguntou onde se achava o sábio e finalmente o encontrou. E disse ao sábio o que lhe pedira o rei. O sábio disse, "Não estou interessado." O conselheiro suplicou ao sábio que fosse ao palácio, disse-lhe que o rei lhe daria ouro, banquetes, belas mulheres. O sábio disse, "Sinto muito, não estou interessado."

Finalmente o conselheiro deixou o sábio e voltou ao rei, relatando o ocorrido. O rei ficou furioso e disse, "Quero que você volte e use de todos os meios para trazer o sábio aqui. Do contrário, cortarei sua cabeça." O conselheiro disse, "Está bem," e partiu.

E procurou o sábio. Quando o encontrou, caiu a seus pés e disse, "Mestre, suplico-lhe que vá e dê uma palestra sobre espiritualidade ao rei, ou ele cortará minha cabeça." O sábio, que era compassivo, disso, "Ok, eu irei. Prepare tudo. Darei uma palestra sobre o silêncio."

O conselheiro ficou muito feliz, retornou ao rei e contou o que aconteceu. O rei ficou muito alegre. Mandou seus servidores colocarem 300 cadeiras no salão real, convidou toda a corte, seus ministros com suas famílias. Centenas de pessoas compareceram.

O sábio apareceu no momento combinado. Sentou-se numa cadeira, virou sua cabeça vagarosamente para a direita, e vagarosamente para a esquerda, levantou-se e foi embora do palácio.

O rei ficou furioso. "Isto é um insulto," ele gritou. "Como pôde fazer isso comigo? Ele me insultou em frente de meus amigos. Por que foi tão desrespeitoso?"

O conselheiro disse, "Senhor, vós não entendestes? Ele disse que viria e daria um discurso sobre o silêncio. Que melhor maneira de dar um discurso sobre o silêncio do que ficar silencioso?"

Esta história nos mostra que no silêncio está o poder, no silêncio está a mais elevada verdade, no silêncio está a consciência pura. Quando falamos muito sobre espiritualidade, filosofia, a essência do ensinamento se perde.