26.6.21

AMOR – Samael A. Weor

 

Deus como Pai é sabedoria. Deus como Mãe é amor. Como Pai, Deus reside no Olho da Sabedoria. O Olho da Sabedoria está situado entre as sobrancelhas. Como amor, Deus é encontrado no templo do coração.

Sabedoria e amor são os dois pilares da grande Loja Branca.

Amar, como é belo amar. Somente as grandes almas podem e sabem como amar. O amor é ternura infinita. O amor é a vida que pulsa em todo átomo e em todo sol.

O amor não pode ser definido porque é a Mãe Divina do mundo; é aquilo que vem a nós quando realmente nos apaixonamos.

O amor é sentido nas profundezas do coração; é uma experiência deliciosa; é um fogo consumidor; é um vinho divino, um deleite para quem o bebe. Um simples lenço perfumado, uma carta, uma flor, provocam êxtase interior nas profundezas da alma.

Ninguém consegue definir o amor; ele tem de ser vivido, tem de ser sentido. Apenas os grandes amantes realmente sabem o que é o amor. O matrimônio perfeito é a união de dois seres que verdadeiramente sabem amar.

Para haver amor, é necessário que o homem e a mulher adorem um ao outro nos sete grandes planos cósmicos. É necessário que exista uma verdadeira comunhão de almas nas três esferas do pensamento, sentimento e vontade.

Quando os dois seres vibram em afinidade em seus pensamentos, sentimentos e vontade, então o matrimônio perfeito se consuma nos sete planos de consciência cósmica.

Há pessoas que estão casadas nos planos físico e etéreo, mas não no plano astral. Outras estão casadas nos planos físico, etéreo e astral, mas não no plano mental. Cada um pensa de modo diferente; a mulher tem uma religião, o homem tem outra; não concordam em seus pensamentos etc.

Existem casamentos afins nos mundos do pensamento e sentimento, mas são absolutamente opostos no mundo da vontade. Esses casamentos estão em constante colisão; as pessoas não são felizes.

Existem casamentos que nem mesmo alcançam o plano astral, daí que nem atração sexual existe. São verdadeiros desastres. Tal casamento está baseado exclusivamente na formalidade matrimonial.



Alguns homens vivem uma existência matrimonial no plano físico com certa companheira, entretanto no plano mental levam uma vida casados com uma esposa diferente. Raramente encontramos um matrimônio perfeito. Para o amor existir, deve haver afinidade de pensamento, sentimento e vontade.

Onde existe cálculo, não existe amor. Infelizmente, na vida moderna, o amor implica em conta bancária, comércio e posses materiais. Nesses lares o amor não existe. Quando o amor deixa o coração, raramente volta.

Os amantes frequentemente confundem desejo com amor, e o pior de tudo é que se casam pensando que estão apaixonados. Assim, quando o ato sexual se consuma e a paixão carnal é satisfeita, o desencanto chega e a terrível realidade permanece.

Os namorados deveriam analisar-se antes do casamento para ver se realmente estão amando. A paixão é confundida com o amor. Amor e desejo são opostos absolutos.

A pessoa que ama de verdade está pronta a dar sua última gota de sangue pelo outro. Você seria capaz de dar sua vida para que seu amado viva? Reflita e medite. Existe uma verdadeira afinidade de pensamento, sentimento e vontade com o ser que você adora? Se essa afinidade não existir, seu casamento, em vez de ser o céu, será um inferno. Não se deixe levar pelo desejo.

O amor começa com um relâmpago de deliciosa simpatia. Concretiza-se com infinita ternura e é sintetizado com suprema adoração.

Contemple os olhos do ser que você ama; perca-se na alegria de seus olhos, mas se quer ser feliz, não se deixe levar pelo desejo.

É urgente saber se seu amado(a) lhe pertence em espírito. O adultério é o cruel resultado da falta de amor. A mulher que verdadeiramente ama preferiria a morte ao adultério. O homem que comete adultério não ama verdadeiramente.

O amor é terrivelmente divino. A abençoada Deusa Mãe do mundo é o que chamamos amor. Com o terrível fogo do amor, podemos nos transformar em deuses para penetrar no anfiteatro da ciência cósmica com plena majestade.

 

18.6.21

UMA HISTÓRIA SOBRE SHIVA - Sadhguru

 

Certa vez, um guiâni (jnani, que busca a verdade através do intelecto) foi a Shiva e disse:

- Aprecio muito seus ensinamentos, são científicos e logicamente corretos, mas muitos de seus devotos estão sempre gritando seu nome: Shiva Shambô! e andando por aí fazendo coisas malucas. Como você permite que essas pessoas fiquem gritando: Shiva Shambô! e pulando por aí? Que tipo de ciência é essa? Você não deveria permitir essas coisas!

Então Shiva disse:

- Você vê este pequeno verme se arrastando? Aproxime-se dele e diga: Shiva Shambô!

O guiâni respondeu:

- Sim, por que não?

E foi ao verme e disse: Shiva Shambô! O verme caiu morto. O guiâni ficou chocado:

- O mantra mata! Para que serve isso? Eu digo o mantra e a pobre criatura morre.



Shiva disse:

- Não se preocupe com isso. Veja aqui uma borboleta. Diga Shiva Shambô! para ela.

O yogue ficou hesitante.

- Não quero matar a borboleta.

- Não se preocupe. Diga Shiva Shambô para a borboleta.

O yogue disse: Shiva Shambô, e a borboleta morreu.

- O que é isso?! O que acontece com este mantra? Ele se parece a uma arma!

Então viram um jovem cervo pastando ao redor e Shiva disse:

- Olhe este cervo e diga: Shiva Shambô!

O yogue respondeu:

- Não, não vou fazer isto!

- Apenas diga pra ver.

O yogue disse Shiva Shambô! e o cervo caiu morto ali mesmo. Nesse momento um casal apareceu com uma criança para pedir a bênção de Shiva.

Shiva olhou para a criança e disse ao yogue:

- Diga Shiva Shambô para esta criança.

O yogue respondeu:

- De jeito nenhum! Você não vai me fazer matar esta criança!

A criança então olhou para o yogue e disse:

- Eu era um verme e você pronunciou o mantra e me tornei uma borboleta. Você pronunciou o mantra novamente e me tornei um cervo. Você pronunciou o mantra e me tornei humano. Por favor, diga de novo. Permita que eu me torne um ser divino!

4.3.21

MINHA EXPERIÊNCIA COM KUNDALINI – Gopi Krishna

 

Certa manhã durante dezembro de 1937, sentei-me de pernas cruzadas num pequeno cômodo de uma casa onde eu morava em Jamnu, Índia. Estava meditando com minha face virada para o leste e o dia estava amanhecendo.

Pela prática de muitos anos, tinha-me acostumado a ficar sentado durante horas sem o menor desconforto. Sentava-me ali respirando devagar e ritmicamente, minha atenção voltada para o topo de minha cabeça, contemplando um lótus imaginário totalmente aberto, irradiando luz.

Sentava-me firme e ereto, meus pensamentos concentrados no lótus cheio de luz, tentando manter minha concentração e trazendo-a de volta quando se afastava em outra direção.

A intensidade da concentração interrompia minha respiração; gradualmente ela diminuía até ficar quase imperceptível. Todo meu ser se concentrava na contemplação do lótus, de tal modo que me esquecia do corpo e de onde estava. Durante estes momentos sentia-me como se estivesse suspenso no ar, sem a sensação do corpo. O único objeto do qual ficava consciente era um lótus de cor brilhante, emitindo raios de luz.

Essa experiência tem acontecido a muitas pessoas que praticam meditação por um tempo suficiente, mas o que aconteceu naquela manhã para mim mudou todo o curso de minha vida e poucos já experimentaram.

Durante aquela concentração, de repente senti uma estranha sensação sob a base de minha espinha, tão extraordinária e agradável que minha atenção foi arrastada para ela. Mas no momento em que minha atenção foi dirigida àquela experiência, a sensação cessou.

Achando que estava imaginando coisas, deixei de pensar naquilo e levei a atenção de volta ao ponto no topo da cabeça. Novamente me concentrei sobre o lótus e a imagem apareceu clara e distinta. Então a sensação da base da espinha reapareceu.

Dessa vez tentei me concentrar na base da espinha e consegui por alguns segundos,  e então a sensação subiu tão intensa pela minha espinha e era tão extraordinária que não se assemelhava a nada que já havia experimentado antes, e novamente se extinguiu.

Eu estava agora convencido que algo incomum havia acontecido, pela qual minha prática diária de concentração era responsável.


 

Gopi Krishna

 

Eu já havia lido relatos de grandes yogues sobre os grandes benefícios que resultam da concentração e sobre os poderes miraculosos que eles adquirem desse modo. Meu coração começou a bater descontroladamente, e ficou difícil novamente fixar minha atenção na meditação.

Após um momento me acalmei e novamente entrei em meditação. Quando estava completamente imerso nela, novamente veio aquela sensação, mas dessa vez, em vez de deixar minha mente se distrair da concentração no ponto onde a tinha fixado, mantive-a onde estava.

A sensação novamente se dirigiu para cima, em crescente intensidade, e me senti flutuando, mas com grande esforço mantive minha concentração fixa no lótus. De repente, com um grande rugido como de uma cachoeira, senti uma corrente de luz líquida entrando em meu cérebro através da espinha.

Totalmente despreparado para a experiência, fiquei sem saber o que fazer, mas retomando rápido meu autocontrole, continuei sentado na mesma posição, mantendo a mente concentrada em seu objeto. A iluminação ficou mais e mais brilhante, o rugido aumentou ainda mais, e experimentei uma sensação de estar saindo do corpo, inteiramente envolvido num halo de luz.

É impossível descrever a experiência corretamente. Senti o ponto de consciência que eu era expandindo-se mais e mais enquanto o corpo parecia se distanciar, até eu ficar inteiramente inconsciente dele. Eu era agora todo consciência, sem forma, sem corpo, sem qualquer sentimento ou sensação vinda dos sentidos, imerso num mar de luz, simultaneamente desperto e consciente em cada ponto dele, expandindo em todas as direções sem qualquer barreira ou obstrução material.

Não era mais eu mesmo, ou para ser mais preciso, não mais me reconhecia como sendo um pequeno ponto de consciência confinado num corpo, mas em vez disso um vasto círculo de consciência no qual o corpo era apenas um ponto, banhado em luz e num estado de exaltação e felicidade impossível de descrever.

Após algum tempo, cuja duração não posso precisar, o círculo começou a se estreitar; senti que estava contraindo, me tornando cada vez menor, até que novamente me senti consciente do corpo e voltei à minha velha condição. Tornei-me consciente dos barulhos da rua, novamente senti meus braços e pernas e mais uma vez me tornei meu estreito eu, em contato com o corpo e seu meio.

Quando abri os olhos e olhei ao redor, me senti um pouco atordoado e confuso, como se tivesse voltado de um país estranho e completamente desconhecido para mim. O sol tinha nascido e já brilhava forte. Tentei levantar minhas mãos mas não consegui. Com esforço levantei e estiquei os braços, tentando restabelecer a circulação livre do sangue. Em seguida tentei retirar minhas pernas da posição de meditação na qual eu estava, mas não pude; estavam pesadas e rígidas. Com a ajuda das mãos, puxei as pernas e as estiquei, em seguida me encostei na parede para ficar mais confortável.

O que tinha me acontecido? Teria sido vítima de uma alucinação? Ou teria experimentado o estado transcendental? Teria tido sucesso onde milhões tinham falhado? Haveria, então, realmente alguma verdade nas declarações dos sábios e ascetas da Índia, feitas durante milhares de anos, de que era possível apreender a Realidade nesta vida, se a pessoa seguisse certas regras de conduta e praticasse a meditação corretamente?

Eu estava estupefato. Dificilmente podia acreditar que tive aquela experiência divina. Tinha experimentado uma expansão de meu ser, de minha consciência, e a transformação que a corrente vital trouxera tinha começado da base da espinha e encontrado seu caminho para o cérebro através da espinha.

Lembrei que tinha lido há muito tempo em livros de yoga sobre um certo mecanismo vital chamado Kundalini, conectado com o final da espinha, que se torna ativo através de certos exercícios, e uma vez desperto leva a limitada consciência humana para as alturas transcendentais, capacitando o indivíduo com incríveis poderes psíquicos e mentais.

Teria sido sortudo o suficiente para encontrar a chave desse maravilhoso mecanismo, sobre o qual as pessoas falavam sem tê-lo visto em ação em si mesmas? Tentei novamente repetir a experiência, mas estava tão fraco e estupefato que não pude concentrar meus pensamentos o suficiente para conseguir a concentração.

Olhei para o sol. Será que em minha condição de extrema concentração eu teria confundido a luz solar com o brilhante halo que me rodeou no estado superconsciente?

Fechei meus olhos novamente, permitindo que os raios solares pousassem sobre minha face. Não, o brilho que percebi vindo do sol era completamente diferente. A luz que eu experimentara foi interior, uma parte integral de uma consciência expandida, uma parte de meu ser.

 

10.11.20

NÃO DEIXE OS TÓXICOS DESTRUÍREM SUA ALEGRIA DE VIVER – Sadhguru

 

Pergunta: Sadhguru, sei que você é contra os tóxicos e coisas assim, mas o estado do Oregon, aqui nos Estados Unidos, acabou de descriminalizar a posse de pequena quantidade de cocaína, heroína, maconha, metanfetamina e cogumelos psicodélicos. As pessoas dizem que essas drogas podem ser usadas para tratar a depressão, ansiedade e certas doenças. Você continua contra os tóxicos se forem usados para uma boa causa como essa?

Sadhguru: Não. Eu nunca disse que sou contra os tóxicos. Sou a favor da intoxicação. Olhe em meus olhos, estou sempre intoxicado. Mas sou contra pequenas quantidades. Acredito que você precisa carregar consigo uma fábrica de tóxicos onde quer que vá. Eu tenho uma fonte inesgotável de tóxicos. Estou oferecendo a você, mas você quer ter apenas pequenas quantidades em seu bolso. Sou contra isso. Não digo que sou contra a intoxicação, porque se você quer manter um nível muito alto de consciência e envolvimento com a vida, sem intoxicação não pode fazer isso. Mas eu pergunto: você quer uma intoxicação que incapacita ou quer uma intoxicação que te torna capaz? Esta é a questão. 

Você acredita em incapacitar a si mesmo ou capacitar a si mesmo? Se você acredita em capacitar a si mesmo, vou te ensinar uma outra maneira de estar intoxicado (Sadhguru ensina shambhavi como prática espiritual). Onde você acha que a fonte inesgotável da felicidade está? Na comida que você come? Na cerveja que você bebe? Ou em alguma outra coisa? A fonte inesgotável da felicidade, alegria e paz só pode vir de dentro. Agora, sobre tornar essas drogas legais, existem pessoas e forças que se beneficiam muito e ganham dinheiro com isso, e elas estão envolvidas nesta legalização. Conheço muitos jovens que só aceitaram se tratar para largar a droga depois que foram ameaçados de irem presos. De outra forma, não aceitariam. Por isso, declarar essas drogas que incapacitam os seres humanos como legais é um crime. 



No presente todos estão vendo a ascensão da China, que está se tornando uma potência econômica. Mas no início do século 20, 70% da população chinesa estava viciada em ópio, heroína, e isso era encorajado por certas forças e nações. Os ingleses lutaram três guerras contra a China para terem o direito de distribuir ópio para os chineses. Uma pobreza extrema veio àquela nação e aquela cultura. Mais tarde foi necessária a revolução comunista, em 1949, bem como a morte de milhões de pessoas para se proibir novamente o ópio na China. Quando um povo mergulha em vícios, perdem todo seu valor. 

Aqui nos Estados Unidos quatro ou cinco gerações trabalharam e deram suas vidas para construir essa nação como é hoje. Agora você quer se incapacitar. Você acha que tem o direito de se incapacitar, usando drogas que vão te intoxicar. E já foi comprovado que as drogas, inclusive o álcool, incapacitam você. Esse é o problema do mundo: pessoas que nada fazem de bom para si mesmas pensam e acreditam que serão bem-vindas em algum lugar após a morte. O mesmo está acontecendo aqui. Uma nação que foi construída através de tantas dores, com essas cinco últimas gerações trabalhando doze, quatorze horas por dia, sem nenhum descanso na semana, foram eles que construíram esta nação. Agora você quer toda uma geração viciada, chapada nas drogas. Esta é a coisa mais terrível que se pode fazer para as gerações que passaram. 

Quer a droga seja legalizada ou não, pelo menos você não deve seguir nessa direção. Veja a depressão: por que você precisa estar deprimido? Há pessoas que acham que estar deprimidas é um direito delas. Muitas pessoas, por sua própria atitude e suas respostas ao mundo ao seu redor, se tornam doentes. Se você comer alimentos frescos e sadios, fizer exercícios físicos, caminhar, correr, seja o que for, fisicamente terá mais bem-estar e não vai estar suscetível a muitas doenças. E se você tiver assim maior bem-estar físico, vai também aumentar seu bem-estar mental. Ninguém tem o direito de estar doente, porque se você adoecer, cuidaremos de você, mas se acha que tem o direito de estar doente... não. Porque será um peso para sua família, para sua nação. 

E isso também vale para as doenças mentais. Se você quer estar mentalmente bem, cada célula em seu corpo deve pulsar com vida. Se suas células estão te empurrando para baixo por causa dos vícios, sua mente ficará deprimida. É o que acontece com os que têm vícios. 

Por isso, pensar que tornar legais as drogas é uma solução, é escrever sua própria queda. Você estará escrevendo a queda de sua cultura, sua nação, sua geração. Na Índia os universitários me perguntaram: “Sadhguru, por que você não influencia o governo para tornar legal a maconha?” Eu lhes disse: “Por que fazem essa pergunta? É porque querem ir chapados para a universidade. Suponham que vocês precisem passar por uma cirurgia importante, e o cirurgião venha chapado. Gostariam disso? Não, porque suas faculdades mentais foram diminuídas.” 

Você acredita que diminuir suas faculdades mentais é ganhar vida? Não, é melhorando suas faculdades que a vida e a felicidade aumentam. Se puder ver melhor, ouvir melhor, tocar melhor, escutar melhor, cheirar melhor, sentir melhor, então a vida estará num nível mais elevado. No mundo atual, se quer ter saúde precisa de drogas, se quer ter paz precisa de drogas, se quer ter alegria precisa de drogas. As drogas chegaram a ter essa importância porque as pessoas estão vivendo mal. Mas eu digo: para ter saúde, paz, alegria, se você usar drogas vai se afundar cada vez mais.

26.10.20

MEU DARSHAN DO MAHARSHI – Bart Walton

  

A palavra sânscrita darshan literalmente significa um vislumbre ou uma visão rápida e se refere a um encontro auspicioso com uma deidade ou um sábio iluminado. O termo também sugere uma bênção ou energia espiritual que é transmitida durante esse encontro

Meu darshan de Ramana Maharshi ocorreu em 1994, durante minha terceira visita à Índia. Como soa estranho ouvir-me contar sobre ter um darshan de um santo que morreu antes que eu tivesse nascido! Ainda assim, para qualquer um que tenha passado um tempo em Ramanashram no sul da Índia, tal declaração é perfeitamente compreensível.

Tendo previamente visitado as regiões norte e oeste da Índia, minha esposa e eu decidimos ir para o sul para explorar a região tâmil. Vários amigos nos aconselharam a visitar Ramanashram. Naquela época, eu sabia pouco sobre  Ramana Maharshi e realmente não acreditava nas histórias sobre o poder espiritual da colina de Arunáchala. Nem via muito valor em visitar o ashram de um santo que tinha morrido 40 anos antes. Mas meus amigos foram  insistentes e decidimos incluir Ramanashram em nosso itinerário.

A caminho do ashram, fiquei seriamente doente e quando chegamos eu estava fraco e tossindo dolorosamente. Assim que entramos em nosso quarto, só pensava em me deitar. Mas por alguma razão decidi ir com minha esposa ao templo do samadhi e ao salão de meditação.

Quando nos sentamos no salão de meditação, encostei-me à parede e fechei os olhos, na esperança de descansar um pouco. Após alguns minutos, percebi uma luz em meu rosto. Abri os olhos, mas o salão estava fracamente iluminado. Novamente fechei os olhos e a sensação reapareceu.

Após isso acontecer várias vezes, deixei meus olhos levemente abertos, esperando perceber o que estava acontecendo. Dessa vez, vi um brilho em minha visão periférica, como se a luz estivesse atrás de mim. Olhei para cima e para a janela atrás de mim, tentando descobrir o que acontecia.

 


Isso continuou por 10 minutos aproximadamente, percebendo essa luz toda vez que relaxava minha atenção. E aparentemente ninguém mais a via. Pensei: “Estou com febre, tendo alucinações.”

Então voltei para eu quarto e caí sobre a cama. Fiquei ali deitado olhando uma grande foto de Ramana que havia na parede. A figura na foto olhava para baixo em minha direção, com sua cabeça levemente inclinada e um sorriso divino no rosto.

Logo a sensação da luz brilhante veio-me novamente. Como estava muito exausto, simplesmente a aceitei e deixei acontecer. Então de repente percebi que a luz vinha de dentro de mim. Fiquei imerso em paz e no forte sentimento de estar recebendo o darshan de Ramana.

Quando abri os olhos novamente, vi a foto de Ramana que olhava para mim. Sem esperar, veio-me a pergunta, “Quando eu morrer, como te encontrarei?” Notei que era uma estranha pergunta, que nunca antes tinha me ocorrido. Ainda assim, por alguma razão, ela surgiu com grande força, como se fosse a única questão na vida.

Então ouvi uma voz perguntar de volta, “Como você me encontrou agora?” Pude perceber que o amor é como um faixo de luz que nos conecta às dimensões espirituais superiores. E essa conexão está sempre disponível, além dos aparentes ciclos de vida e morte.

Durante os dias seguintes, tive incômodas dúvidas sobre essa experiência, pensando talvez que tinha sido apenas uma ilusão causada pela febre. Mas durante minha estadia no ashram, ouvi várias pessoas relatarem experiências similares, algumas até mais dramáticas  que a minha. Desde então, tenho ouvido histórias sobre Ramana aparecendo nos sonhos de pessoas, antes mesmo que elas soubessem quem ele era. Apenas algum tempo mais tarde essas pessoas veem a foto de Ramana e percebem que foi ele que apareceu em seus sonhos.

É um lamento comum entre os buscadores espirituais que, “Nasci tarde demais. Todos os grandes mestres vieram e se foram. Se ao menos eu pudesse ter darshan de Ramana Maharshi.” Mas após essa experiência em  Ramanashram, vejo agora o erro desse modo de pensar. Embora possa parecer fantástico, acredito que nunca é tarde para ter o darshan de Ramana. Ele ainda está muito vivo e ativo nos planos interiores.

 

O ATEU – Suri Nagamma

 

Certa vez um ateu veio a Sri Ramana Maharshi e disse, “Swami, onde está aquele que chamam Deus? Para mim, Ele não existe.”

 

Bhagavan olhou para ele com simpatia e disse, “Tudo bem. Vamos supor que não existe nenhum Deus. Você existe, não?”

 

O ateu: “Sim, eu existo. Como poderia ser diferente? Sim, eu sou.”

 

Bhagavan: “Sim, isto é suficiente. Você disse que ‘você’ existe. Quem exatamente é este ‘você’? Onde está ‘você’? Onde ‘você’ se encontra, afinal? Primeiro faça essas perguntas.”

 

O ateu: “E quanto a Deus?”

 

Bhagavan: “Por que se preocupar com Deus? Se Ele existe ou não existe, você tem certeza de que ‘você’ existe. Descubra a origem do seu eu. Se buscar e encontrar seu eu, verá se a dúvida sobre Deus persiste.”

 

O ateu nada mais tinha a dizer. Às vezes, quando pessoas de diferentes religiões vinham e elogiavam seus próprios líderes religiosos,  Bhagavan costumava dizer-lhes: “Aquilo que É, é apenas Um. Alguns o chamam Shakti, alguns Shiva, alguns Vishnu, alguns Jesus e alguns Allah. As pessoas dão-lhe os nomes que gostam. O que importa se os nomes que dão são diferentes? Aquilo que É, é apenas Um.”