28.2.22

PENSAMENTOS ESPARSOS - Paul Brunton

 São os amigos que têm a coragem de dizer a verdade a nosso respeito.

Não cometas o erro de esconder tuas falhas de ti mesmo. Desmascare teus motivos ocultos.

Quanto menos se quer modificar os vizinhos e mais modificar-se, tanto mais possível de fazer ambas as coisas.

Um bem exagerado gera um novo mal. Uma virtude exagerada gera um novo vício.

Não faças aos outros o que não queres que eles te façam.

A amargura que uma pessoa sofreu pode abrir no coração uma porta ao sofrimento alheio.

A crise moral produz a crise econômica e política.

A prudência aconselha a evitar lugares, pessoas e situações capazes de despertar a natureza inferior (cólera, etc.).

A mais difícil das tarefas é humilhar-se até a realização de sua própria pequenez, ignorância e vaidade.

Humildade não significa fraqueza ou atitude servil na presença de outros, mendigar favores ou um covarde medo do mundo. Tudo isso é desprezível.

Criticar ou crer antes de investigar é um erro.

A paciência é a chave da alegria, mas a pressa é a chave da tristeza.

Um infortúnio é correção e instrução. Descubra o que precisa de correção no caráter e de instrução na mente.

A pessoa deve deixar de depender de outros, deve depender de sua própria e crescente inteligência. Uma criança sempre carregada pela mãe nunca aprende a andar. É preciso que ela tente, tropece e até caia às vezes, antes que seus membros possam ser usados com eficiência.

Os que nos odeiam ou injuriam são nossos instrutores, pois nos fazem reconhecer nossos defeitos.

Como as pessoas poderão conhecer a paz, se sucumbem a sugestões vindas de todos os cantos para aumentar seus desejos? Perderam a capacidade de distinguir entre o supérfluo e o indispensável.

A pseudo-intuição é exagerada, dominadora, apaixonada, e impõe-se a precipitar a ação. A intuição verdadeira é calma, clara e certa.

A lamentação por dificuldades ou aborrecimentos só virá se vos identificardes totalmente com o corpo.

Nossa reação para com o mau destino não é predestinada. Os efeitos das angústias dependerão da maneira como pensamos nelas.

Quem engana outro, engana a si mesmo. Quem é cruel com outros, um dia encontrará outros que serão cruéis com ele, nesta ou noutra existência. Clemência nos voltará como clemência. Também a misericórdia, justiça, honestidade e demais qualidades.

O destino é o acúmulo de pensamentos, desejos e ações instintivas que persistem ao vosso redor e por fim se materializam.

Jubilamos com fatos que mais tarde nos trarão sofrimento e lamentamos fatos que hoje nos coíbem o mal.

Quem busca o perdão para si deve seguir a regra do perdão no trato com os outros. Esta é uma lei espiritual.

Se o estudante cometeu alguma falta no passado, deve reconhecer o pecado, arrepender-se, reparar os danos o mais possível.

Quem nos influencia é nosso passado. Os astros apenas registram o destino.

Se a desgraça nos ameaça, não rezemos para ser salvos, mas sim pedindo força e coragem. Assim atraímos o auxílio de forças invisíveis.

Deixemos de olhar para os que também estão em dificuldades e de apoiar-nos neles, pois tudo que é humano pode falhar-nos.

Os estados mentais e emocionais negativos se refletem na luta física, dificuldades, doença e infortúnio. Deixar-se dominar pela cólera é expor-se a lutas, doenças, acidentes e perda de amigos.

A angústia perturba o estômago, a melancolia perturba o fígado, o ódio envenena o sangue.

Os vereditos da raiva são efêmeros, os da razão sempre duradouros.

O homem relaxado vive cada momento tranquila e concentradamente, de acordo com seu próprio ritmo, sem se importar com o ritmo de uma sociedade frenética e desequilibrada.

O homem enche o corpo de resíduos tóxicos e isto enche-o de apetites doentios e contínuos desejos.

O dever deve ser maior motivação que o desejo.

Manter-se ocupado o tempo todo gera o desgaste dos nervos e a confusão moral.

O misticismo está orlado de tolas superstições, charlatanices, perigos e ilusões.


p.b.

17.2.22

O PODER QUE CONHECE O CAMINHO - Robert Adams

 Quantas vezes você ficou irado hoje? Quantas vezes se sentiu insultado hoje? Quantas

 vezes sentiu medo, ou que algo está errado, ou que você não está no seu lugar certo? Isso

 mostra que você acredita que é um corpo. Enquanto você acreditar que é um corpo, por que

não deixar fluir e parar de se preocupar com seu corpo?

O poder que conhece o caminho vai cuidar de você. Aquilo que faz o sol brilhar, a grama crescer, as maçãs se desenvolverem nas macieiras, os alimentos que nos sustentam. Tudo foi amorosamente providenciado para nós. Tenha fé, acredite no poder que conhece o caminho.

Este é o primeiro passo, ter fé total e confiança total no infinito. Pode chamar isso de Deus, se quiser. Não faz diferença como você o chama. Ele está dentro de você. Está em toda parte. Tudo que você tem a fazer é se entregar. Entregue todas suas dúvidas, suas frustrações, seus medos, tudo que o tem sitiado por tanto tempo.

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Deixe tudo. Não pertence a você. Seja livre disso. Quando for capaz de fazer isso, poderá seguir adiante, e entender que nunca houve um corpo. Ainda assim, você existe, e existirá sempre. O que você é e sempre será? Silêncio. Não há resposta para isso, pois a mente nunca pode compreender o desconhecido, o transcendental, o Eu.

A mente nunca pode conhecer essas coisas. A mente apenas conhece a si mesma como um corpo, um agente. Portanto você tem de transcender a mente, transcender os pensamentos, transcender o mundo, e entrar no silêncio, onde há total bem-aventurança, paz e harmonia.




17.1.22

O YOGA DO CONHECIMENTO - Ramacháraka

 

  • A Mente Universal não é indiferente e imóvel espectador para a sua criação, mas é um Espírito que sente, anela, luta, age, sofre, regozija-se, participando dos sentimentos das Suas manifestações, e não se contentando com observá-los cuidadosamente, Ele vive em nós, conosco, através de nós. Detrás de todo sofrimento no mundo pode encontrar-se um grande amor que sente e sofre. E neste pensamento está o conforto para a alma que duvida, paz para a alma aflita.

  • Tudo é bom e tudo está sob a Lei; nada acontece por acaso.


  • Nunca há uma cessação de atividade por parte da Mente Universal. Quando num universo ou sistema de mundos há Noite Criadora, há uma atividade intensa de Meio Dia em outros. Quando dizemos 'universo', pensamos no universo dos sistemas solares, milhões destes sistemas, que compõem o universo particular de que temos alguns conhecimentos. Nosso universo é apenas um dos sistemas de universos, cujo número vai a milhões, e que estes sistemas formam apenas uma parte de um sistema maior, e este pertence a outro ainda mais elevado, e assim por diante, até o infinito.

  • Na presente época, no grau evolutivo em que atualmente estamos neste planeta, há um grande combate entre as forças da materialidade e da espiritualidade, e todos tomam parte neste combate. Alguns estão de um lado, outros de outro, e até famílias inteiras estão divididas por causa da grande questão da espiritualidade contra a carnalidade. Não há, porém, dúvida quanto ao êxito. O superior há de triunfar sempre sobre o inferior.

  • Cada alma tem, em si, certos elementos de desejo e atração, e atrai a si certas condições e experiências, sendo por sua vez atraída para estas coisas. Esta é a lei da vida, no corpo ou fora dele. E não há injustiça nesta lei; porque dá a cada um aquilo que pede, para satisfazer os desejos que guarda ou, antes, as condições e experiências designadas para queimar os desejos que o retêm e cuja destruição dará possibilidade de um adiantamento futuro. Por exemplo, se alguém tem o desejo de bens materiais, o Carma o atrairá a uma reencarnação em condições de luxo e riqueza, até que estes se lhe tornem repugnantes, e seu coração se encherá do desejo de fugir destas condições e encontrar coisas mais elevadas e satisfatórias.

  • As coisas que agora não vos atraem, não vos tentam, foram por vós experimentadas e vencidas já em alguma vida anterior. Das experiências amargas nos veio o saber e sabedoria que não desejamos perder. Tais experiências, embora não sejam lembradas, não estão perdidas; elas vieram a ser uma parte do material de que é composta nossa mente. Elas existem na forma de sentimentos, caráter, inclinações, simpatias e antipatias, afinidades, atrações, repulsões etc.

  • A lei do Karma vos atrai aquilo que é conforme vosso modo de pensar e também é a causa de atração entre vós e outras pessoas. Muitas vezes se encontram e associam pessoas que estiveram em mútuas relações em vidas anteriores. Amores velhos e ódios antigos elaboram seus resultados em nossas vidas. Estamos vinculados aos que amamos, como igualmente àqueles a quem fizemos algum mal.

  • Vós sois o que sois hoje, devido ao que fostes em vossa vida passada. E em vossa vida futura, sereis o que preparais agora para serdes.

  • O Karma de uma nação é formado do Karma coletivo dos indivíduos que a compõem.

  • Nossos próximos não quererão fazer-nos mais mal do que nós queremos fazer a eles; se ninguém quisesse fazer mal a seu irmão, o Karma não teria causa contra ele.

  • Quando uma raça passou certo número de encarnações sobre um planeta, passa para outro, aprende ali novas lições e passa dali para outro, e assim sucessivamente, até que, por fim, aprende todas as lições possíveis neste universo, indo então para outro universo, e assim continua, passando cada vez mais a universos mais elevados e chegando a alturas de cuja grandeza nem podemos fazer uma idéia: tão grandioso é o destino que aguarda a alma humana.


16.12.21

O YOGA E A GLÂNDULA PINEAL – Sadhguru

 

À medida que os cientistas exploram a natureza da mente humana e encontramos melhores instrumentos para observar a natureza do cérebro humano, uma coisa se torna muito clara para os modernos psicólogos e neurocientistas: há muito mais para se conhecer sobre a mente humana do que já é conhecido.  

 

Assim como existe uma fisiologia médica, existe também toda uma fisiologia yóguica. Um aspecto da fisiologia yóguica que se alinha de algum modo com as neurociências modernas é aquele associado com a glândula pineal. Essa glândula sempre foi reconhecida como estando associada a agna chakra. Atualmente os neurocientistas dizem as secreções da glândula pineal controlam e moderam o estado de espírito e as experiências da pessoa. Se você tem uma secreção pineal suficiente e estável, terá também um estado de espírito agradável dentro de si.  

 

Tanto a ciência médica quanto as drogas vendidas nas ruas atestam que as substâncias químicas podem criar experiências agradáveis ou desagradáveis dentro de você, que são muito reais para si. A única diferença é a experiência causada com ou sem ajuda externa. Se você entrar em êxtase agora, estará provocando isso a si mesmo sem ajuda externa. Se a experiência for causada através de estímulo externo, ela poderá ser agradável, mas no final poderá danificar o sistema. Além disso, tal experiência não resultará em nenhum tipo de consciência. E experiências inconscientes não têm significado para a evolução, crescimento ou transformação da pessoa. 


 

Um aspecto da fisiologia yóguica que está totalmente ausente nas ciências médicas modernas é algo que eu constantemente mantenho “ligado” dentro de mim, chamado binduBindu significa um pequeno ponto. É um ponto particular da glândula pineal rodeado de certa secreção. Se você toca o bindu, ele libera secreções que fazem seu corpo ficar confortável e sua mente ficar extática. Muitas culturas em todo o mundo reconheceram isso, e existe uma compreensão de que esse ponto deve ser protegido e ativado. 



 

 No hinduísmo, quando um garoto brahmin é iniciado na prática espiritual, raspam o cabelo de sua cabeça e deixam um tufo nesse ponto. Em muitas partes do mundo, as pessoas que têm uma vida espiritualizada querem cobrir esse ponto, e começam a usar uma cobertura, como o quipá dos judeus ou dos bispos católicos. 

 

Se você prestar atenção em seu sistema, notará que ele está sempre lá.  

Quando as pessoas estão realizando certas práticas espirituais, elas ficam completamente dominadas pelo êxtase porque o “copo de néctar” de seu interior inclinou-se um pouco. Elas ainda não aprenderam a bebê-lo em pequenos goles. Se você dá um copo cheio de água para uma criancinha ela vai derramá-la toda enquanto bebeMas se fizerem as práticas necessárias, após algum tempo, poderão beber em pequenos tragos, conscientemente. Desse modo, cada célula do seu corpo e cada momento de sua vida estarão em êxtase.  


Mas o bindu também tem dois lados. Ele também secreta outro hormônio, mas este é venenoso. Se você beber do lado errado do copo, o veneno vai se espalhar pelo sistema e deixar sua vida miserável. Muitas pessoas têm feito isso a si mesmas e ficam deprimidas. Você se sente miserável porque inclinou o lado errado do copo fazendo coisas impróprias na vida.  

Não importa o que você busca na vida – dinheiro, riqueza, poder, Deus ou iluminação. Na essência você está procurando a doçura que existe dentro de si. Ou você a encontra acidentalmente ou conscientemente – esta é uma escolha sua. 


Antes de desfrutar desse néctar que existe em todo cérebro humano, é necessário construir a fundação, a base, para não ficar louco. No yoga, as fases iniciais do sádhana devem ser realizadas a fim de se ganhar estabilidade. Se o êxtase vier antes da estabilidade, você está caminhando para o desastre. Se o êxtase vier depois da estabilidade, então será algo fantástico. Por isso no yoga primeiro se fazem as práticas para ter estabilidade, firmeza e capacidade de suportar o êxtase. 


Nunca deseje algo que ainda não esteja em sua percepção, porque você vai desejar as coisas erradas. Simplesmente faça seu sádhana (práticas). Não fique imaginando coisas erradas e buscando-as. Não se preocupe com o êxtase que virá em estágios posteriores. Apenas faça sua prática diária. Ela produzirá resultados. É por isso que eu usualmente não falo sobre essas coisas, porque não podem ser obtidas através da lógica.  


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11.12.21

AUTOCONHECIMENTO ATRAVÉS DA MAGIA DIVINA - Eliphas Levi

 

A magia, que os antigos chamavam o sanctum regnum, o santo reino, ou o reino de Deus, regnum Dei, só é feita para os reis e sacerdotes; sois sacerdote? Sois rei? O sacerdócio da magia não é um sacerdócio vulgar e a sua realeza nada tem que debater com os príncipes deste mundo. Os reis da ciência são os padres da verdade, e o seu reino fica oculto para a multidão, como os seus sacrifícios e as suas preces. Os reis da ciência são os homens que conhecem a verdade e que a verdade tornou livres, conforme a promessa formal do mais poderoso dos iniciadores (Jesus).
 
O homem que é escravo das suas paixões ou dos preconceitos deste mundo não poderia ser um iniciado; ele nunca se elevará, enquanto não se reformar; não poderia, pois, ser um adepto, porque a palavra adepto significa aquele que se elevou por sua vontade e por suas obras.
 
Há uma verdadeira e uma falsa ciência, uma magia divina e uma magia infernal, isto é, mentirosa e tenebrosa; temos de revelar uma e desvendar outra; temos de distinguir o mago do feiticeiro e o adepto do charlatão.
 
O mago dispõe de uma força que conhece, o feiticeiro procura abusar do que ignora.
O diabo – se é permitido num livro de ciência empregar esta palavra desacreditada e vulgar – o diabo se dá ao mago e o feiticeiro se dá ao diabo.
O mago é o soberano pontífice da natureza, o feiticeiro não passa de um profanador.
O feiticeiro é para o mago o que o supersticioso e o fanático são para o homem verdadeiramente religioso.
 
A magia é a ciência tradicional dos segredos da natureza, que nos vem dos magos. Por meio desta ciência, o adepto se acha investido de uma espécie de onipotência relativa e pode agir de modo que ultrapassa a capacidade comum dos homens.

É assim que vários adeptos célebres, tais como Hermes Trismegisto, Osíris, Orfeu, Apolônio de Thyana, e outros que poderia ser perigoso ou inconveniente mencionar, puderam ser adorados ou invocados depois da sua morte como deuses. É assim que outros, conforme o fluxo e o refluxo da opinião, que faz os caprichos do êxito, tornaram-se agentes do inferno ou aventureiros suspeitos, como o imperador Juliano, Apuleio, o encantador Merlin e o arqui-feiticeiro, como o chamavam no seu tempo, o ilustre e infeliz Cornélio Agrippa.
 
Para chegar ao sanctum regnum, isto é, à ciência e ao poder dos magos, quatro coisas são indispensáveis: uma inteligência esclarecida pelo estudo, uma audácia que nada faz parar, uma vontade que nada quebra e uma discrição que nada pode corromper ou embebedar.

Saber, ousar, querer, calar – eis os quatro verbos do mago, que estão escritos nas quatro formas simbólicas da esfinge. Estes quatro verbos podem combinar-se mutuamente de quatro modos e se explicam quatro vezes uns pelos outros.

Saber sofrer, abster-se e morrer, tais são, pois, os primeiros segredos que nos põem acima da dor, dos desejos sensuais e do temor do nada. O homem que procura e acha uma gloriosa morte tem fé em imortalidade, e a humanidade inteira crê nela com ele e por ele, porque ela lhe eleva altares ou estátuas, em sinal de vida imortal.

Sois chamado a ser o rei do ar, da água, da terra e do fogo; mas, para reinar sobre estes quatro animais do simbolismo, é preciso vencê-los e encadeá-los. Aquele que aspira a ser um sábio e a saber o grande enigma da natureza deve ser o herdeiro e o espoliador da esfinge; deve ter a sua cabeça humana para possuir a palavra, as asas de águia para conquistar as alturas, os flancos de touro para cavar as profundezas, e as garras de leão para preparar lugar para si à direita e à esquerda, adiante e atrás.

Vós, pois, que quereis ser iniciado, sois tão sábio como Fausto? Sois impassível como Jó? Não, não é verdade? Mas vós o podeis ser, se o quiserdes. Vencestes os turbilhões dos pensamentos vagos? Sois sem indecisões e sem caprichos? Aceitais o prazer só quando o quereis, e o quereis só quando o deveis? Não, não é verdade? Não é sempre assim? Mas isso pode ser, se o quiserdes.

A esfinge não tem somente uma cabeça de homem, ela tem também seios de mulher; sabeis vós resistir às atrações da mulher? Não, não é verdade? E dais risada ao responder, e vos vangloriais de vossa fraqueza moral para glorificar em vós a força vital e material. Pode verdadeiramente possuir a voluptuosidade do amor, somente quem venceu o amor da voluptuosidade. Poder usar e abster-se, é poder duas vezes. A mulher vos prende pelos vossos desejos: sede senhor dos vossos desejos e prendereis a mulher.
 
Qual a natureza do princípio ativo? É espalhar. Qual é a natureza do princípio passivo? É reunir e fecundar. Que é o homem? É o iniciador, o que destrói, cultiva e semeia. Que é a mulher? É a formadora, a que reúne, rega e ceifa.

O homem faz a guerra, e a mulher procura a paz; o homem destrói para criar, a mulher edifica para conservar; o homem é a revolução, a mulher é a conciliação; homem é o pai de Caim, a mulher é a mãe de Abel.
 
Que é a sabedoria? É a conciliação e a união dos dois princípios, é a docilidade de Abel dirigindo a energia de Caim, é o homem segundo as doces inspirações da mulher, é a depravação vencida pelo legítimo casamento, é a energia revolucionária abrandada e dominada pelas doçuras da ordem e da paz, é o orgulho submetido ao amor, é a ciência reconhecendo as inspirações da fé.