30.10.14

SOHAM: O MAIOR DOS MANTRAS – Swami Omkar


Como é inspiradora e iluminadora a seguinte sloka. É mais adequado chamá-la um mantra sagrado. É na verdade o mantra dos mantras. Termina em silêncio.


Sob a fresca sombra de um baniano, num eremitério sagrado, um jovem mestre – um sábio iluminado – ensinou quatro de seus eruditos e idosos discípulos, todos em Silêncio. O guru tinha apenas dezesseis anos e os discípulos no mínimo oitenta (o guru é Dakshinamurti, aspecto de Shiva que ensina em silêncio, e os discípulos são os quatro Kumaras que governam o planeta Terra: Sanat Kumara, Sanaka, Sanátana e Sanándana). Havia muitas dúvidas. Embora o ensinamento fosse dado em Silêncio, todas as dúvidas foram dispersadas sem a necessidade de palavras. Tal é a glória de uma vida ideal de Supremo Silêncio, a qual é completa e sem ondas (mentais).


O sloka (estrofe) é:
Om purnam-adáh purnam-idám
Purnaat purnam-udachyatê
Purnasyá purnam-adáya
Purnam-eva-avashishyatê
Om shánti shánti shánti


Significado: "Aquilo é Completo (Pleno). Isto é Completo (Pleno). Quando a Plenitude é tirada da Plenitude, apenas Plenitude permanece. Om Paz, Paz, Paz".


Quanto ao mantra da auto-realização (Soham):


"O corpo é o templo de Deus. O indivíduo é o Universo. Destrua a ignorância de que Jiva (a alma individual) é separado de Shiva (a alma universal); adore-o com Soham, a Consciência Universal."


Soham é tanto o Manifestado quando o Imanifestado. Quando tu estás em silêncio, esse é o Estado Imanifestado. Quando tu estás ativo, trabalhando, Soham está no Estado Manifestado. As palavras pouco significam. Tudo se dissolve no Silêncio Sem Ondas (mentais). Soham é tanto a Palavra quanto o Silêncio. A onda que desce para o Oceano de Satchidananda sobe novamente em frente a teus olhos. Inale e exale Paz com cada respiração. Soham. TU ÉS AQUILO. Tat Tvam Asi.


Tu és Soham no passado.
Tu és Soham no presente.
Tu és Soham no futuro.
Tu és Soham eternamente.
Soham dentro. Soham fora.


Tudo que tu tens a fazer é apenas seguir tua própria respiração, Soham, sem cessar, como tailadhara, o óleo passado de um vaso para outro, sem interrupção!


(*) Swami Sivananda ensina que o yoguin deve sentar-se para a meditação, com a espinha ereta, e repetir mentalmente SO quando o ar entra nos pulmões, e HAM quando sai, seguindo naturalmente a respiração sem forçá-la. Este é o som (mantra) naturalmente produzido pelo ar na inspiração (SO) e na expiração (HAM). SO = Ele, HAM = eu, SOHAM = Ele sou eu, ou eu sou Ele.

Nota: o H em HAM soa como RR.


29.10.14

O PRINCIPIO AUTOCRIADO E AUTO-SUSTENTADO – Joel Goldsmith


Há uma história sobre um professor que trabalhava num projeto relacionado ao hidrogênio. Ele se dirigia a um grupo de cientistas e físicos falando sobre uma nova fase do experimento, e começou dizendo que sabia que havia alguns deles que ainda acreditavam em Deus.

E continuou: "Mas devo dizer a vocês, para que entendam este experimento e os outros experimentos mais elevados em fissão nuclear, que devem entender que não existe nenhum Deus. E não apenas devem entender isso, mas também acreditar nisso. Não digo isso de um ponto de vista religioso, mas falo de um ponto de vista do que provei em laboratório. Não existe Deus e vocês devem abandonar essa idéia aqui e agora. Já provei que tudo que existe no mundo é formado de hidrogênio. Tudo que existe é uma forma de hidrogênio, hidrogênio em alguma forma ou de algum modo, hidrogênio e apenas hidrogênio. Nada existe que não seja composto de hidrogênio."

Um dos cientistas olhou para ele e disse, "Mas, professor, de onde vem o hidrogênio?"

"Oh," ele disse, "ele é autocriado e auto-sustentado."

E o cientista comentou, "Pensei que isso fosse Deus."

Ao ouvir isso o professor ficou completamente imóvel e disse, "Você está certo. Qualquer nome que se dê a ele, ele é automanifestado, auto-sustentado e autocriado; é o Infinito." E ele se convenceu.

Deus existe, se por Deus queremos dizer aquilo que criou a Si mesmo, que sustenta a Si mesmo durante a eternidade. E a verdade é que tudo que existe é uma forma de Deus, uma forma de uma Substância autocriada e auto-sustentada, dêem a ela o nome que quiserem.

Se aquele professor pôde entender que existe uma Substância autocriada e auto-sustentada, ele deve ter entendido também que a substância de toda forma deve ser eterna, imortal e governada por aquele Princípio ou Substância autocriador, autocriado e auto-sustentado.

Seguramente seremos capazes de entender o que o professor entendeu, e concordar com ele. Devemos reconhecer que os órgãos e funções do corpo, o alimento que comemos, o ar que respiramos, ou a chuva que cai, ou a neve, ou o vento, é da Substância ou Atividade autocriada e auto-sustentada, a qual ele chamou de hidrogênio, mas que nós chamamos de Deus.

E por causa disso, o mal não existe em qualquer dessas coisas. Isto nos leva à mais elevada lei do misticismo: existe apenas um Poder neste universo, totalmente bom, e nele nada há de mau.

21.10.14

OS ESTÁGIOS PRELIMINARES DA MEDITAÇÃO – CHANDRA SWAMI


Devem ser mencionados alguns perigos contra os quais o ansioso aspirante deve guardar-se. O curso normal da mente é dirigir-se para fora, para o mundo objetivo, mas a meditação é o movimento inverso. Portanto, o iniciante que tenta concentrar sua mente por um longo período, especialmente em ajna chakra, sentirá uma tensão em seu cérebro.

Se o aspirante pratica a concentração além de sua capacidade e faz esforços violentos para fixar sua atenção no meio das sobrancelhas, ele corre o risco de causar dano às células nervosas de seu cérebro. Dor de cabeça aguda e embotamento no cérebro, prolongada sensação de resfriamento no meio das sobrancelhas, excessivo calor ou intensa irritação na testa são sinais de perigo.

Além disso, aqueles que desejam caminhar muito rápido no início do caminho espiritual e praticam além de suas capacidades, geralmente ficam cansados e exauridos em breve, e abandonam as práticas. Para evitar estes perigos o estudante deve começar a praticar a concentração por apenas alguns minutos de cada vez, e então vagarosamente aumentar a duração.

Se o cérebro ficar cansado e houver dor de cabeça durante a prática, interrompa o exercício e deixe a mente relaxar. Entretenha-se com alguma ideia religiosa ou artística. Comece as práticas novamente quando estiver novamente descansado, mental e fisicamente. Essa jornada espiritual não deverá durar um dia, mas sim meses e anos. Quem sabe quantas vidas serão necessárias para alcançar o destino final? Portanto, não seja impaciente. Trabalhe firme e calmamente. A prática firme e regular, sem pressa, é o que se precisa para o sucesso.

EXPERIÊNCIAS NA MEDITAÇÃO

1. No estágio preliminar de interiorização, certos sons que lembram o bater de um tambor, alto ou baixo, o fluir de um rio, o trovão, o zumbido de abelhas etc. serão ouvidos no ouvido direito. Certas cores também aparecerão entre as sobrancelhas. Esses sons e cores vêm e se vão e são constituídos dos cinco elementos.

Ao experimentar isso, alguns praticantes imaginam que fizeram grande avanço. Mas nada há de espiritual nestes sons e cores; são meramente reflexos causados pelo contato da mente com o plano físico sutil. Estes sons e cores podem prejudicar a concentração, se muita atenção lhes for dada.

2. Um pouco mais de interiorização leva a pessoa ao plano astral, onde também várias coisas são vistas e experimentadas. Muitas vozes sussurram nos ouvidos. Às vezes as mensagens são ouvidas claramente, mas apenas algumas são genuínas, enquanto que muitas são enganosas. Novamente o praticante deve ter cuidado. Ele não deve seguir cegamente qualquer mensagem ou voz ou sugestão.

Nesse estágio de contemplação, numerosas visões são vistas. Muitas delas são representações simbólicas de coisas, estados e forças do plano astral, mas algumas representam acontecimentos reais naquele plano. É melhor não se enredar com tais visões e vozes que vêm e vão. A pessoa deve tratá-las com indiferença e tentar estar focado no objetivo. Aspirantes sinceros não permanecem nesse estágio por muito tempo, mas passam por ele rapidamente.

3. (a) Após passar pelo plano astral,  a concentração se torna madura. A pessoa começa a ter experiências elevadas e bem-aventuradas de planos mais elevados. Santos de uma alta ordem, vivos ou mortos, frequentemente aparecem. Eles vêm para ajudar o praticante. Eles devem ser saudados e adorados. Às vezes falam sobre coisas espirituais e guiam o praticante.

(b) Visões de deuses e deusas também aparecem nesse estágio. A divindade ou avatar adorado pelo praticante aparece frequentemente. Até mesmo quando o praticante está de olhos abertos, quando está relaxado em posição sentada ou deitada. Essas experiências produzem grande felicidade e elevam a mente.

(c) Às vezes, eventos que acontecem em lugares distantes e outros que acontecerão no futuro são refletidos na consciência com detalhes. O poder de ler pensamentos também se manifesta. Nesse estágio, o praticante pode, se quiser, desenvolver os poderes de clarividência, clariaudiência e telepatia muito facilmente, mas se assim o fizer interromperá seu progresso espiritual. Por isso o praticante é avisado para não perder tempo em desenvolver estes poderes.

(d) Lampejos de luz de um caráter mais dinâmico ocorrem frequentemente. Uma luz refulgente dourada às vezes aparece ante os olhos, quando a pessoa está sentada quietamente, e todas as coisas desaparecem nela. Isso dura apenas alguns minutos. Tais lampejos indicam que a realização espiritual está chegando.

(e) A pessoa ouve um arrebatador som vindo do Coração espiritual no meio do peito, e isso rapidamente se espalha pelo corpo inteiro como uma corrente elétrica. Essa experiência deixa o praticante inteiramente abstraído do mundo exterior. Após uns quinze minutos este som se centraliza no ajna chakra e se transforma numa deslumbrante luz. Essa experiência é muito abençoada. Algumas palavras aparecem como que escritas por um relâmpago na testa. Elas são às vezes tão claras que a pessoa pode lê-las, palavra por palavra. Essas duas experiências vêm geralmente aos que praticam mantra japa por longos períodos.

4. Quando a consciência se aprofunda, estas visões e lampejos cessam e a pessoa começa a sentir um êxtase espiritual que aumenta regularmente. É um êxtase tão grande que a pessoa se sente irresistivelmente puxado para dentro dele. Nesse estágio todas as tentações mundanas perdem o poder de influenciar o praticante. Ele se sente atraído a lugares solitários, onde pode sentar-se sozinho e gozar da alegria interior.

O praticante agora entra numa nova fase. O sentido de esforço pessoal desaparece, mas a sádhana (práticas) se torna mais vigorosa e rápida. Seu êxtase espiritual se transforma numa profunda paz. Todo o mundo exterior é completamente apagado e a consciência goza de um repouso estático. Este é o nirvana, o samadhi.

Ao descer dessa experiência, o mundo parece ser uma sombra, sem substância – um jogo irreal, vão e inútil das qualidades irreais. Mas essa experiência ainda não é a experiência final. Então a Consciência começa a absorver o “Todo” em si mesma e gradualmente realiza sua unidade essencial com o “Todo”.

Existem ainda duas experiências mais, que não são descritas aqui, antes de se alcançar a experiência perfeita, em que a pessoa se funde no Absoluto.

15.10.14

O CAMINHO POSITIVO E O CAMINHO NEGATIVO – Arthur Osborne


Para que o homem saia do estado decaído em que se encontra, e tome nas mãos sua evolução espiritual, existem dois caminhos: o positivo e o negativo, de acordo com as práticas que ele deve realizar.

O Caminho Negativo está exemplificado nas palavras de Cristo, ao dizer que “quem dá sua vida pelo Cristo a encontrará”, é o caminho da entrega, e também o caminho da vichara (autoinvestigação). É o caminho do cristão medieval, cujo objetivo era extinguir o falso eu.

Dizer que esse caminho é negativo não significa que é fraco ou sem esforços. Ele requer total abnegação do eu falso individual, que perdeu seu direito divino. Quando o usurpador deixa o trono, o verdadeiro herdeiro, o Eu crístico, fica livre para ocupá-lo.

No Caminho Positivo, os métodos são de terapia, de construção da natureza espiritual, mental e física da pessoa, e de obter o estado conhecido como o “homem primordial”. Tais métodos incluem a yoga, o tantra, o hermetismo (ocultismo) e as técnicas praticadas no taoísmo chinês.

Pode-se dizer que no Caminho Negativo, um homem obtém primeiro o Reino dos Céus e as outras coisas lhe são dadas por acréscimo. Isso é obtido através da renúncia às posses. O Caminho Positivo pode ser considerado mais completo, uma vez que as “outras coisas” que são dadas ao homem no Caminho Negativo não incluem necessariamente uma plena saúde física e poderes sobrenaturais. Estas são qualidades desenvolvidas no Caminho Positivo.

Por outro lado, o Caminho Negativo conduz o homem a um estado mental, em que estas coisas não têm nenhum valor para ele, nem ele se importa se as tem ou não. No Caminho Positivo vários poderes considerados sobrenaturais podem ser deliberadamente desenvolvidos, como descreve Patânjali em seus Yoga Sutras. É possível que tais poderes também se manifestem no homem espiritualizado que eliminou o ego, mas esse homem não irá procurá-los, e nem se importar com eles se aparecerem.

De um outro ponto de vista, o Caminho Positivo é menos completo. Embora seja um estado resplendente e glorioso, ainda não é o estado de identidade total com o Eu Universal: ainda é um estado humano, embora num sentido sublime do termo. Isto é, ainda não leva o homem à meta final.

Mencionar as características de cada caminho não quer dizer diminuir seu valor; cada aspirante será atraído por sua própria natureza e destino para o caminho mais adequado a ele. O yoga é provavelmente o mais conhecido e acessível entre os Caminhos Positivos no mundo de hoje. Infelizmente, no entanto, ele é considerado por muitos como apenas uma terapia física. Embora o yoga físico seja benéfico à saúde, a pessoa não deveria se satisfazer apenas com esse aspecto, mas sim buscar seus benefícios espirituais, incluindo na hatha yoga (yoga físico) as práticas também da raja yoga (yoga mental).

No tocante à raja yoga, esta é uma ciência na qual a pessoa não é apenas o experimentador, mas também o laboratório em que a experiência é conduzida. Como em qualquer outra ciência, os materiais devem ser devidamente preparados e o experimento ser devidamente conduzido, de acordo com as instruções de alguém que conhece. Do contrário o experimento pode não ser  efetivo. A pessoa estará lidando com material perigoso e uma explosão poderá destruir o laboratório.

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Nota: Os interessados em Raja Yoga devem contatar a Self Realization Fellowship, de Los Angeles, ou o Centro da SRF em São Paulo, que ensina um caminho baseado nesse ramo do yoga: Rua Professor Carlos de Carvalho, 164, 4º e 9º andares, Itaim Bibi, São Paulo – SP. Telefone: 3079-0323.
www.srfsaopaulo.com.br

a. osborne

EM BUSCA DO YOGA – Swami Sharadananda


As escrituras dizem que yama e niyama (limpeza física e mental, controle do comportamento e do caráter) são a base do edifício do yoga. Decidi começar com ahimsa (não-violência), satya (falar a verdade) e brahmacharya (continência sexual).

Meu amado guru, Sri Swami Sivananda, escreveu em seus livros que sirshâsana e siddhâsana (posturas da hatha yoga) são as melhores para o brahmacharya; e que se alguém pode fazer sirshâsana por três horas, ele desperta sua kundalini shakti, uma vez que seu vírya (sêmen) é convertido em  ojas (força espiritual).

Comecei imediatamente a praticar. Dia e noite eu sonhava apenas em converter vírya em ojas e despertar a kundalini. Minha conversa e minha leitura eram apenas como converter vírya em ojas, como despertar a kundalini, como ser indiferente ao calor e frio, ao bom e mau, à dor e prazer. Eu vivia numa estranha mundo meu, totalmente convencido de que tais práticas poderiam me tornar um yogue e jivanmukta (livre ainda no corpo).

Imaginei que atendo-me meramente ao lado físico, poderiam ser produzidos resultados espirituais. O desejo de controlar os sentidos era tão forte que pratiquei continuamente. Senti que nada havia nos três mundos que pudesse me desviar de minha prática. A mera sugestão de que algo ajudava ou prejudicava o sádhana (prática espiritual) era o bastante para que eu adotasse ou renunciasse àquilo.

Eu não tinha hábitos ruins, mas ao ouvir que eram obstáculos ao sádhana, abandonei o chá preto, o café, açúcar, sal, pimenta, sem hesitar. Digo isto apenas para mostrar como era forte minha determinação. Pratiquei rigorosas austeridades, mas os resultados foram poucos, uma vez que eram de natureza psíquica, e não espiritual.

Nesse estágio, escrevi a meu guru e lhe perguntei por que minha kundalini não tinha despertado, embora eu fizesse três horas de sirshâsana por dia. Meu guru respondeu chamando-me de tolo e me aconselhando a não fazer sirshâsana mais de cinco minutos e a mudar meu sádhana para a introspecção. Fiquei muito desapontado, e me perguntei: se isso era yoga, por que as pessoas escreviam diferentemente em livros a respeito.

Quanto a siddhâsana, eu tinha aprendido que devia praticá-la por seis horas continuamente, mas ela não me concedeu controle mental e nem o poder de suportar calor e frio. Apesar disso, todas essas práticas desenvolveram meu poder da vontade e meu desapego, preparando-me assim para encarar o verdadeiro sádhana espiritual, que é o esforço para eliminar todos os desejos e tornar-me humilde e livre do ego.

Obviamente, o estado livre de ego significa identificar-se com o Eu Universal ou ver todo o universo dentro de si mesmo. Agora eu buscava a verdadeira espiritualidade, não meramente poderes psíquicos. Um sádhaka (praticante) pode avançar espiritualmente apenas se seu desapego e equanimidade mental crescerem e ele se tornar mais humilde. Para isso, todos os desejos devem ser destruídos, até o próprio ego.

Voltei-me para esse tipo de sádhana por meio de vichara (auto-indagação). Permaneci em Gangotri (uma região às margens do rio Ganges) por três anos fazendo sádhana. Além de vichara, eu costumava meditar nas várias virtudes e tentava adquiri-las. Outra disciplina minha era tentar ver Deus em tudo.

Um outro obstáculo era o desejo de comer alimentos saborosos. A fim de controlar esse desejo, decidi nunca comer sozinho; eu preparava comida para outros sadhus (renunciantes) que viviam também por ali e partilhava o alimento com eles.

As escrituras dizem que a coragem é um sinal de ausência de ego, então para testar a mim mesmo fui viver num lugar chamado Chidvasa, que é totalmente desabitado. Chega-se ali por um caminho através das montanhas; a vila mais próxima fica a 30 km de distância, e durante o inverno o local é inacessível devido à neve.

As primeiras semanas foram terríveis. A mente tentava me convencer a partir e todo tipo de ideia e temores se apresentava em minha mente. Mas resisti. No lar você pode ver muitas coisas diferentes se sair de casa, mas ali no inverno não havia nada de novo para ver, apenas a mesma neve deserta. É por isso que, nos tempos antigos, muitos aspirantes espirituais se retiravam a lugares desertos. Chega uma hora em que você não tem mais desejo de ver, nem esperança de que aconteça algo novo; e assim sua atenção é voltada para dentro em busca de algo novo para se ver. E isso acontece também com os sentidos.

A pessoa tem de estar bem preparada e treinada, antes de enfrentar a solidão. Alguém que não pode aguentar a tensão pode muito bem ficar louco ou cometer suicídio. Todas as vâsanas (tendências e inclinações da mente) despertam e se agitam terrivelmente, mas se você não lhes der espaço, elas se aquietam e você sente um amor universal por todos os seres.

Certa tarde, eu estava fora de minha cabana, quando de repente vi uma enorme pantera negra caminhando vagarosamente em minha direção, a uns oito metros de distância. Eu a vi antes que ela me visse. Então encaramos um ao outro durante um minuto, e depois disso a pantera se voltou calmamente e foi embora pelo caminho que veio. Não senti qualquer medo. Na verdade senti um impulso de pegar algum alimento da cabana e oferecer a ela, mas ela já tinha ido embora.

Este foi um ótimo teste para minha coragem. Para quem pode suportar a tensão, a solidão é um treino excelente para ver o que é Deus e o que é o ego, quais desejos escondidos existem em sua mente e como identificar-se com o Eu Universal.

3.10.14

O PROGRESSO ESPIRITUAL (carta de Sri Krishnaprem a um amigo)


Você diz que é difícil continuar. Isto é um bom sinal. Este caminho é o mais difícil do mundo, e enquanto achamos que ele é fácil com certeza não chegaremos muito longe; apenas estaremos rodando confortavelmente numa estrada plana. Podemos ser felizes e estarmos em paz por algum tempo, mas essa felicidade ou paz é ilusória: qualquer coisa poderá perturbá-la, e nada teremos adquirido.

A verdadeira paz é completamente diferente, é algo que tem seu começo no coração de ventos tremendos, ventos que nos fariam em pó. É apenas quando sentimos tensão, quando a respiração fica ofegante, que podemos saber que estamos realmente subindo, avançando. Até então só teremos caminhado rapidamente o caminho já feito numa vida anterior.

Esta vida começa quando a tensão chega – raramente antes. Não se chega à meta, até que a casca de ovo do eu é quebrada. Para que então se lamentar quando a tensão e o cansaço chegam? Com dor nascemos, tanto física como espiritualmente, mas então será a vida interior que procurávamos, e não a felicidade fechada em si mesma da existência dentro do útero.

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Krishnaprem é o nome hindu de Richard Nixon, professor universitário americano que foi para a Índia na década de 1930, em busca de espiritualidade. Tornou-se discípulo de Yashoda Ma, uma devota de Krishna, e alcançou grande realização espiritual.




1.10.14

AS LEIS ESPIRITUAIS DE ATRAÇÃO – P. Yogananda


Quando pais bons se unem sexualmente, eles formam uma luz na base da espinha, a qual resulta das correntes positiva e negativa da espinha e dos órgãos sexuais. Esta luz age como um sinal para o portal através do qual uma alma do mundo astral pode ser levada a ser fisicamente concebida, ao combinar-se espermatozóide e óvulo.

Quando a alma entra, o embrião é formado e gradualmente o corpo fica pronto para nascer. Almas que possuem um karma ruim têm de entrar no corpo de mães malvadas. Quando pais malvados se unem sexualmente, eles formam uma luz escura na base da espinha, assinalando a entrada de uma alma com karma ruim.

Os semelhantes se atraem. Almas com karma ruim nascem em famílias malvadas, almas com karma bom nascem em boas famílias. Famílias malvadas e famílias boas atraem almas com tendências más e boas, de acordo com o magnetismo de suas inclinações interiores. Isto é, famílias más gostam de atrair almas com mau karma. Famílias boas gostam de atrair boas almas.

Do mesmo modo, os malvados preferem as famílias malvadas e as almas boas preferem as boas famílias. A lei cósmica e a energia cósmica são apenas guias para ajudar ambos, o bom e o mau, a chegar a seus destinos respectivos.