30.1.15

HASTAMALAKA, O DISCÍPULO DE SHANKARACHÁRYA


Num dia do século II d.C. uma mulher Brahmin foi ao rio Jamuna para banhar-se. Encontrando um yogue sentado às margens do rio em meditação, ela deixou seu filho de dois anos perto dele, pedindo-lhe que cuidasse da criança até que ela retornasse.

Ao retornar, descobriu para seu desespero que a criança tinha se afogado enquanto o yogue estava absorvido em meditação. A mãe lamentou a morte da criança tão alto, que o yogue voltou à consciência física.

Ao compreender o que tinha acontecido, o yogue ficou com pena da mãe, e a fim de consolá-la abandonou seu corpo físico pelo poder do yoga e entrou no corpo da criança morta. Vendo a criança reviver, a mãe ficou muito feliz e retornou com ela para casa sem se preocupar em descobrir o segredo daquela misteriosa volta à vida.

O menino não cresceu como uma criança normal. Ele era muito distraído para aprender, para brincar ou interagir com seus pais, então pensaram que ele era surdo ou mudo.

Alguns anos mais tarde, Shankarachárya (o maior filósofo monista da Índia) estava passando pela localidade. Os pais levaram o menino ao sábio e pediram que lhe restaurasse a saúde normal por meio de seus divinos poderes.

O sábio através de sua clarividência rapidamente percebeu o que tinha acontecido e dirigiu algumas perguntas ao menino, que as respondeu imediatamente, surpreendendo as pessoas presentes com a sublimidade de sua sabedoria.

Quando os pais souberam a verdade sobre seu filho, deixaram-no com Sri Shânkara. Ele ficou conhecido a partir daquele dia como Hastamalaka e tornou-se um dos quatro maiores discípulos do grande mestre.

2.1.15

UMA EXPERIÊNCIA COM BUDDHA - Krishnamurti

Eu estava sentado num quarto com grande silêncio. A manhã estava quieta, como que sem respiração. As grandes montanhas azuis se erguiam contra um céu frio e claro. Ao redor da casa pássaros amarelos davam boas-vindas ao sol. Eu estava sentado no chão, com as pernas cruzadas, meditando, esquecendo as montanhas azuis iluminadas pelo sol, os pássaros, o imenso silêncio e o sol dourado.

Perdi a sensação do corpo, meus membros estavam amortecidos, relaxados e em paz. Uma grande e profunda alegria encheu meu coração. Minha mente estava na expectativa, concentrada. O mundo material desapareceu e eu estava cheio de força.

Assim como uma brisa oriental que de repente surge e acalma o mundo cansado, ali na minha frente, sentado, de pernas cruzadas, da maneira que o mundo o conhece, em Suas vestimentas amarelas, simples e magnífico, surgiu o Mestre dos Mestres.

Olhando para mim, imóvel se sentava o Poderoso Ser. Eu olhei e curvei minha cabeça, meu corpo se curvou por si mesmo. Aquele olhar mostrava o progresso do mundo, mostrava a imensa distância entre o mundo e o maior de seus mestres. Quão pouco o mundo entendeu, e quanto Ele deu ao mundo! Com quanta alegria Ele se elevou, escapando do ciclo de nascimentos e mortes, de sua roda tirânica.

Ao alcançar a iluminação, Ele deu ao mundo a Verdade, assim como a flor dá seu perfume. À medida que eu olhava os sagrados pés que uma vez pisaram o feliz solo da Índia, meu coração derramou sua devoção, sem limites e insondável, sem barreiras e sem qualquer esforço de minha parte. Perdi-me naquela felicidade.

Minha mente fácil e estranhamente entendeu a Verdade que Ele buscou e obteve.