2.1.15

UMA EXPERIÊNCIA COM BUDDHA - Krishnamurti

Eu estava sentado num quarto com grande silêncio. A manhã estava quieta, como que sem respiração. As grandes montanhas azuis se erguiam contra um céu frio e claro. Ao redor da casa pássaros amarelos davam boas-vindas ao sol. Eu estava sentado no chão, com as pernas cruzadas, meditando, esquecendo as montanhas azuis iluminadas pelo sol, os pássaros, o imenso silêncio e o sol dourado.

Perdi a sensação do corpo, meus membros estavam amortecidos, relaxados e em paz. Uma grande e profunda alegria encheu meu coração. Minha mente estava na expectativa, concentrada. O mundo material desapareceu e eu estava cheio de força.

Assim como uma brisa oriental que de repente surge e acalma o mundo cansado, ali na minha frente, sentado, de pernas cruzadas, da maneira que o mundo o conhece, em Suas vestimentas amarelas, simples e magnífico, surgiu o Mestre dos Mestres.

Olhando para mim, imóvel se sentava o Poderoso Ser. Eu olhei e curvei minha cabeça, meu corpo se curvou por si mesmo. Aquele olhar mostrava o progresso do mundo, mostrava a imensa distância entre o mundo e o maior de seus mestres. Quão pouco o mundo entendeu, e quanto Ele deu ao mundo! Com quanta alegria Ele se elevou, escapando do ciclo de nascimentos e mortes, de sua roda tirânica.

Ao alcançar a iluminação, Ele deu ao mundo a Verdade, assim como a flor dá seu perfume. À medida que eu olhava os sagrados pés que uma vez pisaram o feliz solo da Índia, meu coração derramou sua devoção, sem limites e insondável, sem barreiras e sem qualquer esforço de minha parte. Perdi-me naquela felicidade.

Minha mente fácil e estranhamente entendeu a Verdade que Ele buscou e obteve.


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