4.5.15

O MISTÉRIO DO CORAÇÃO E O OBJETIVO DA VIDA – Paul Brunton


Onde está o Eu Superior? Observe-se a ação espontânea e automática de um homem quando deseja dizer “eu”. Ele irá erguer sua mão e apontar o dedo para o próprio peito, para aquela parte onde está o coração. Examine-se a posição do coração em relação ao resto do corpo: ele se localiza a meio do caminho entre o alto da cabeça e o final do tronco; vale dizer, se traçássemos um círculo em torno dos limites externos do tronco, o centro da circunferência seria o coração.

É sabido que a posição mais importante em qualquer estrutura ou organismo é o centro. É o miolo vital em torno do qual as demais partes são construídas. Homem nenhum pode funcionar como ser vivo neste mundo se não tiver um coração.

A primeira batida do coração significa a vida; sua última batida significa a morte. O meio por ele usado para atuar sobre o corpo é o sangue; fisiologicamente constata-se que o coração é o mais exigido dos órgãos do corpo. Ele pulsa mais de cem mil vezes por dia; conduz de sete a oito toneladas de sangue através das artérias, da cabeça até os calcanhares. Esta posição é análoga à de um rei residindo numa capital e se comunicando, comandando e controlando todo o reino por meio de oficiais. O coração é a capital, os oficiais representam o sangue e o reino é o corpo.

O rei representa o eu real e essencial – o Eu Superior! Se o Eu Superior é de fato a consciência pura, o agente vital anterior a toda atividade mental, então o verdadeiro lugar da consciência humana não é o cérebro, mas o coração! Os pensamentos não poderiam nascer e o raciocínio não poderia perdurar sem a existência da luz da consciência para iluminar a ambos.


Há portanto um movimento sutil e secreto sempre em marcha entre o coração e a cabeça, entre o Eu Superior e o intelecto. Sem o Eu Superior para alimentá-los, o ego e o intelecto pereceriam e desapareceriam. No entanto, o ego pessoal acredita erroneamente ser uma criatura autossuficiente, independente e completa. O coração, fonte da vida, foi desdenhado, a cabeça glorificada, a alma esquecida.

O cérebro não é senão o lugar da consciência refletida, uma reflexão proveniente do verdadeiro centro: o coração. A luz intelectual não passa de luz emprestada, como a luz da lua. A consciência do coração é o sol que fornece sua própria luz ao intelecto.

Devemos, porém, estar atentos ao erro comum de que por consciência do coração entende-se a simples emoção. Nada poderia estar mais longe da verdade.

Se o pensamento do eu (pessoal) reside no cérebro, não está ali totalmente isolado. Existe uma linha de comunicação com o coração, linha através da qual o Eu Superior envia sua vida e sua luz para a alimentação do ego. Este último, por si só, não pode fazer nada, pois depende desse auxílio. O ego surgiu do intemporal Eu Superior e segue sendo seu involuntário pensionista.

Por isso existe ainda um caminho de volta, um vínculo com seu local de nascimento. Se o ego puder ser despertado de sua exteriorização e levado a voltar-se para dentro e para trás, ele se deslocará no sentido do Eu Superior. Encontrado este último, bastará ao ego manter-se em comunicação constante com essa fonte sagrada, beber o néctar com os deuses e ser feliz.

O objetivo de todos os exercícios espirituais (meditação, concentração, pranayamas, oração...) é persuadir a mente pessoal a se afastar do universo material e reconstruir lentamente seu caminho de volta ao coração. Esse é o objetivo apresentado ao homem pela vida – e na realidade não existe nenhum outro! 


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