(Sadhguru diz que todos os sistemas religiosos e filosóficos do mundo derivam e estão contidos nestes 112 caminhos, que foram revelados por Shiva a Párvati há mais de 30 mil anos, e que este texto é a ciência original da autorrealização, enquanto os demais sistemas são tecnologias derivadas dela)
Devi (a Deusa) diz:
Devi (a Deusa) diz:
Ó Shiva, qual é
tua realidade?
O que é este
universo cheio de maravilhas?
O que é a
semente?
Quem põe no
centro a roda universal?
O que é esta
vida além das formas?
Como podemos ir
além do espaço e tempo, nome e forma?
Esclarece minhas
dúvidas!
Shiva responde:
1. Radiante mulher, esta experiência
pode despontar entre duas respirações. Após o ar entrar e antes do ar sair – a
beneficência.
2. Quando a respiração entra, até sair;
e novamente quando a respiração entra – através desses giros, perceba.
3. Ou, sempre que a respiração que entra
e a que sai se fundirem, neste instante toque o centro cheio de energia sem
energia.
4. Ou, quando a respiração sai e para
por si mesma, ou quando entra e para – nesta pausa universal o pequeno eu
desaparece. Isso é difícil apenas para o impuro.
5. Considera tua essência como raios de
luz subindo de chakra em chakra na coluna vertebral, assim desperta a vida em
você.
6. Ou nos espaços entre eles, sente isso
como relâmpago.
7. Devi, imagina as letras sânscritas
nesses focos de consciência cheios de mel, primeiro como letras, depois mais
sutilmente como sons, e então como os mais sutis sentimentos. Então
colocando-os de lado seja livre.
8. Com a atenção entre as sobrancelhas,
deixa a mente existir antes do pensamento. Deixa a forma enchê-la com a
essência da respiração até o topo da cabeça e dali despeje como luz.
9. Ou imagina os círculos de cinco cores
da pena do pavão como seus cinco sentidos num espaço ilimitado. Agora deixa sua
beleza fundir-se dentro. Do mesmo modo, em qualquer ponto do espaço ou de uma
parede, até que o ponto se dissolva. Então teu desejo de outro se realiza.
10. Com os olhos fechados, vê teu ser
interior em detalhe. Vê assim tua verdadeira natureza.
11. Coloca toda tua atenção no nervo,
delicado como um fio de lótus, no centro de tua coluna vertebral. Ali sê
transformada.
12. Fechando as sete aberturas da cabeça
com suas mãos, há um espaço entre teus olhos que inclui tudo.
13.
Tocando as bolas dos olhos levemente, a luz entre eles se abre e se transforma
no coração e ali permeia o cosmo.
14. Banha-te no centro do som, como num
som contínuo de uma cachoeira. Ou colocando os dedos nos ouvidos, ouve o som dos
sons.
15. Entoa um som, como a-u-m,
vagarosamente. Assim como o som entra na sensação, faz o mesmo.
16. No começo e com o gradual
refinamento do som de qualquer letra, desperta.
17. Enquanto ouve instrumentos de corda,
ouça seu som central; assim a onipresença.
18. Entoa um som de modo audível, em
seguida menos e menos audível à medida que o sentimento se aprofunda nesta
harmonia silenciosa.
19. Imagina o espírito simultaneamente
dentro e em volta de ti, até que todo o universo se espiritualize.
20. Gentil Deusa, entra na presença
etérica impregnando o que está acima e abaixo de tua forma.
21. Coloca tua mente em tal excelência
inexpressível acima, abaixo e dentro de teu coração.
22. Considera qualquer área de tua forma
presente como espaço ilimitado.
23. Sente tua substância, ossos, carne,
sangue, saturados com essência cósmica.
24. Supõe que tua forma passiva seja um
espaço vazio com paredes de pele - vazio.
25. Abençoada Deusa, assim como os
sentidos são absorvidos no coração, alcança o chakra do lótus.
26. Desconsiderando a mente, mantém-te
no meio - até.
27. Quando estiver em atividade mundana,
mantém-te atenta entre duas respirações, e assim praticando, em poucos dias
nasça novamente.
28. Concentra-te no fogo que sobe
através de tua forma, vindo dos dedos do pé, até que teu corpo seja queimado
até as cinzas, mas não tu.
29. Medita no mundo ilusório como se
estivesse sendo queimado até as cinzas, e torna-te um ser além de humano.
30. Sente as excelentes qualidades
criativas penetrando teu peito e assumindo delicadas configurações.
31. Com respiração sutil no ajna chakra,
quando esta alcança o coração no momento do sono, tem controle sobre os sonhos
e sobre a própria morte.
32. À medida que, subjetivamente, as
letras se transformam em palavras e as palavras em sentenças, e à medida que,
objetivamente, os círculos se transformam em mundos e mundos em princípios,
descobre finalmente estes convergindo em nosso ser.
33. Graciosa mulher, o universo é uma
concha vazia onde tua mente se diverte infinitamente.
34. Olha uma tigela sem ver os lados ou
o material. Em poucos instantes torna-te consciente.
35. Permanece em algum espaço sem fim,
livre de árvores, colinas, habitações. Daí vem o fim das pressões da mente.
36. Amada, medita no conhecimento e no
não-conhecimento, no existir e no não-existir. Então deixa ambos de lado para
que tu possas ser.
37.
Olha com amor algum objeto. Não olhes para outro objeto. Aqui, no meio deste
objeto – a bênção.
38. Sente o cosmo como a brilhante
presença sempre viva.
39. Com máxima devoção, concentra-te nas
duas junções da respiração e conhece aquele que conhece.
40. Considera a totalidade como teu
próprio corpo de bem-aventurança.
41. Enquanto és acariciada, doce
princesa, entra na carícia como vida eterna.
42. Cerra as portas dos sentidos ao
sentir como que formigas caminhando sobre o corpo. Então.
43. No começo da união sexual, mantém a
atenção sobre o fogo no começo, e assim continuando, evita as brasas no fim.
44. Quando em tal abraço teus sentidos
forem agitados como folhas, penetra esta agitação.
45. Mesmo recordando a união, sem o
abraço, a transformação.
46. Ao ver com alegria um amigo ausente
por longo tempo, penetra esta alegria.
47. Ao comer ou beber, torna-te o gosto
da comida ou da bebida, e sê preenchida.
48. Ó mulher de olhos de lótus, de toque
doce, ao cantar, ver, provar, sê consciente de quem tu és e descobre o sempre-vivente.
49. Onde quer que encontres satisfação,
seja qual for o ato, realiza isto.
50. Ao dormir, quando o sono ainda não
te dominou e a consciência externa desaparece, neste ponto o ser é revelado.
51. No verão, quando tu vires o céu
infinitamente claro, entra nesta claridade.
52. Deita-te como morta. Envolvida pela
ira, permaneça assim. Ou olha fixamente sem mover uma pestana. Ou sugue algo e
torna-te a sucção.
53.
Sem apoios para os pés ou as mãos, senta-te apenas sobre as nádegas. De
repente, a centralização.
54. Numa posição confortável
gradualmente impregne uma área entre as axilas em grande paz.
55. Vê como se fosse pela primeira vez
uma pessoa bela ou um objeto comum.
56. Com a boca levemente aberta, mantém
a mente no meio da língua. Ou à medida que a respiração entra silenciosamente,
sente o som HH (aspirado).
57. Sobre uma cama ou um assento,
deixa-te tornar sem peso, além da mente.
58. Num veículo em movimento, oscilando
ritmicamente, experimenta. Ou num veículo parado, deixa-te balançar em
vagarosos círculos invisíveis.
59.
Simplesmente olhando o céu azul além das nuvens, a serenidade.
60. Shakti, vê todo o espaço como se já
absorvido em tua própria cabeça no esplendor.
61. Despertar, dormir, sonhar, conhecer
a ti mesma como luz.
62. Na chuva durante uma noite escura
entra nesta escuridão como a forma das formas.
63. Quando não houver uma noite chuvosa
e sem lua, fecha os olhos e encontra a escuridão ante ti. Abrindo os olhos, vê
a escuridão. Assim os enganos desaparecem para sempre.
64. Assim como tens o impulso de fazer
algo, para.
65. Concentra-te no som a-u-m sem
nenhum a ou m.
66. Silenciosamente pronuncia uma
palavra terminando em AH. Depois o HH sem esforço,
a espontaneidade.
67. Sente-te como penetrando todas as
direções, longe, perto.
68. Fura uma parte de tua forma cheia de
néctar com um alfinete, e gentilmente entra no furo.
69. Sente: meu pensamento,
pensamento-eu, órgãos internos – eu.
70. Ilusões enganam. Cores limitam.
Mesmo as coisas divisíveis são indivisíveis.
71. Quando algum desejo vier, pensa nele.
Então subitamente, abandona-o.
72. Ante o desejo e ante o conhecimento,
como posso dizer eu sou? Pensa nisso. Dissolve na beleza.
73. Com toda tua consciência já no
começo do desejo, do conhecimento, conhece.
74. Ó Shakti, cada percepção particular
é limitada, desaparecendo em onipotência.
75. Na verdade as formas são unas. Uno é
o ser onipresente e tua própria forma. Realiza cada forma como feita desta
consciência.
76. Em estados mentais de extremo
desejo, fica indiferente.
77. Este assim chamado universo aparece
como um espetáculo ilusório. Para ser feliz olha-o desta maneira.
78. Oh Amada, não coloques a atenção no
prazer ou na dor, mas entre estes.
79. Lança de lado o apego ao corpo, realizando
“Eu estou em toda parte”. Quem está em toda parte é feliz.
80. Objetos e desejos existem em mim
assim como em outros. Aceitando isso, deixa-os ser transformados.
81. A apreciação do objetivo e do
subjetivo é a mesma para o iluminado e para o não iluminado. O primeiro tem uma
grandeza: ele permanece no estado subjetivo, não se perde nas coisas.
82. Sente a consciência de cada pessoa
como tua própria consciência. Assim, deixando de lado a autopreocupação,
torna-te cada ser.
83. Pensando em nada tornarás ilimitado
o ser limitado.
84. Acredita onisciente, onipotente,
onipresente.
85. Assim como ondas vêm com a água e
flamas com o fogo, assim as ondas universais conosco.
86. Perambula por aí até exausta, e
então, caindo no chão, neste cair sê a totalidade.
87. Supõe que tu estás gradualmente
sendo privada de força ou de conhecimento. No instante da privação, transcende.
88. Ouve enquanto o ensinamento místico
final é ensinado: olhos imóveis, sem piscar, imediatamente torna-te
absolutamente livre.
89. Fecha os ouvidos pressionando-os e o
reto contraindo-o, entra no som do som.
90. No fim de um poço profundo, olha
firmemente em suas profundidades até que – a maravilha.
91. Quando tua mente vagar, internamente
ou externamente, neste mesmo lugar - isto.
92. Quando vividamente consciente através
de algum sentido em particular, mantém-te na consciência.
93. No começo de um espirro, durante o
susto, na ansiedade, sobre um abismo, fugindo na batalha, na extrema
curiosidade, no começo da fome, no fim da fome, esteja ininterruptamente
consciente.
94. Deixa a atenção se fixar num lugar
onde tu vês um acontecimento passado, e até mesmo tua forma, tendo perdido suas
características presentes, é transformada.
95. Olha algum objeto, e então
vagarosamente tira dele tua visão, então vagarosamente tira dele teu
pensamento. Então.
96. A devoção liberta.
97. Sente um objeto à tua frente. Sente
a ausência de todos os outros objetos, menos este. Então deixa de lado o
sentimento do objeto e o sentimento da ausência, realiza.
98. A pureza de outros ensinamentos é
uma impureza para nós. Na verdade, não conheças nada como puro ou impuro.
99. Esta consciência existe como cada
ser, e nada mais existe.
100. Sê a mesma e indiferente para um
amigo e para um estranho, na honra e na desonra.
101. Quando um pensamento contra alguém
ou a favor de alguém aparecer, não o coloques sobre a pessoa em questão, mas
permanece centrada.
102. Supõe que tu contemplas algo além
da percepção, além da compreensão, além do não-ser, tu.
103. Entra no espaço, sem apoio, eterno,
calmo.
104. Sempre que tua atenção acende,
neste mesmo ponto, experiência.
105. Entra no som de teu nome, e através
deste som, todos os sons.
106. Eu existo. Isto é meu. Isto é isto.
Ó Amada, mesmo assim conhece ilimitadamente.
107. Esta consciência é o espírito que
guia em cada um. Sê isto.
108. Aqui é uma esfera de mudança,
mudança, mudança. Através da mudança, destrói a mudança.
109. Assim como uma galinha dá
nascimento a seus pintinhos, dá nascimento a conhecimentos particulares,
realizações particulares, na realidade.
110. Desde que, na verdade, cativeiro e
liberdade são relativos, estas palavras são apenas para aqueles assustados com
o universo. Este universo é um reflexo das mentes. Assim como tu vês muitos
sóis na água refletidos de um sol, assim vê o cativeiro e a liberação.
111. Cada coisa é percebida através da
cognição. O eu brilha no espaço através da cognição. Percebe o ser único como
conhecedor e conhecido.
112.
Amada, neste momento deixa a mente, a cognição, a respiração, a forma, serem
incluídos.

Ma gni fi co
ResponderExcluir