Grande parte da Índia foi como o
Nepal no passado, toda a geografia do Nepal foi criada como um corpo vivente.
Assim como existem chakras num corpo humano vivo, do mesmo modo foi feito ali,
muitos reis patrocinaram essas grandes aventuras de transformar todo o reino do
Nepal num corpo espiritual, para que nenhum ser vivo escapasse desse processo
espiritual.
O processo espiritual ali não é
apenas para aqueles que se sentam,
fecham seus olhos e os voltam para cima; ninguém deve escapar a esse
processo, essa é a intenção.
Pode-se dizer que este é o mais alto
nível da compaixão, quando você não quer que nem mesmo uma minhoca permaneça
intocada por essa energia, e isso faz de toda a geografia um processo
espiritual.
A maior parte dessa obra fenomenal
que foi feita no norte da Índia foi destruída porque essa região viu invasões
após invasões, e a primeira coisa que se buscou foi isto, uma vez que quando se
quebra esse processo a mente do povo também se quebra, seu espírito se quebra.
No sul da Índia também ocorreu algo
disso, não por causa de um invasor externo, mas por causa da invasão da
ignorância, que é mais perigosa que qualquer invasor, e o processo se dissipou.
No sul ainda se pode ver algo da
estrutura desse processo espiritual, mas ele não é muito ativo. Algumas coisas
ainda estão vivas, mas a maior parte se foi.
O Nepal é um lugar onde esse processo
é muito mais vivo do que na Índia, simplesmente porque a cultura inteira o
apóia. Ainda hoje 98% da população se dedica a esse processo. Ainda hoje, para
98% da população do Nepal, ir ao templo e buscar mukti (liberação do ciclo de
nascimento e morte) ainda são as coisas mais importantes em sua mente, o que se perdeu na Índia.
Na Índia hoje mukti não é a coisa
mais importante; ir para a América é a coisa mais importante. Desse modo,
quando a psicologia de uma civilização está completamente voltada para a
liberação última, estas coisas podem acontecer, a própria geografia do país
pode ser convertida num corpo espiritual vivo.
Por isso, Kathmandu, que é a morada
de Pashupatinath, onde fica o templo de Pashupatinath, é considerada em certas
tradições o templo do planeta. O templo de Pashupatinath tem milhares de anos
de antiguidade. Seu linga data de um período de pelo menos 8.000 anos atrás.
Portanto, Pashupatinath é considerada
como a testa de Shiva e seu corpo flui, uma parte para o sul, outra para o
oeste. Uma cabeça, dois corpos. Esses dois corpos representam dois sistemas
fundamentais do Tantra. O corpo do sul é a mão direita, o corpo do oeste é a
mão esquerda.
Templo de Pashupatinath, Nepal
Quando digo Tantra, não me refiro à
promiscuidade. Hoje em dia, a palavra Tantra evoca todo tipo de pensamento
erótico nas mentes das pessoas, porque a maior parte da informação que se tem
sobre o Tantra vem da América. Até mesmo na Índia, se você entrar numa
livraria, verá que a maior parte dos livros sobre Tantra são escritos por
autores americanos.
Tantra, na verdade, significa uma técnica
ou tecnologia de ser capaz de desfazer a vida e fazê-la de novo. E qual o
propósito disso? O corpo humano é a máquina mais sofisticada que existe,
representa o maior desafio. Se você puder desmontar seu cérebro e colocá-lo a
funcionar novamente, será como o próprio Criador em muitos aspectos.
Assim, foram criados dois corpos com
uma cabeça. A testa está aqui em
Pashupatinath. Sahasrara, o topo
da cabeça, está em Kalpanath, o que está acima disso está em Muktinath, o que
está além é Kailash.
Kailash, montanha sagrada considerada a morada de Shiva.
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