No passado, talvez seis ou
sete mil anos atrás, toda a Índia estava dedicada ao bem-estar interior do ser
humano. Mas depois as coisas mudaram, e o bem-estar exterior se tornou mais
importante que o bem-estar interior.
Recentemente o Tibete é o
único lugar onde toda a nação é dedicada ao bem-estar interior do ser humano. Nos
últimos 1300 ou 1400 anos, os tibetanos têm mantido esse processo. Pouco a
pouco aprofundaram o processo, transformando todo o país num processo espiritual,
o país todo dedicado à consciência humana, não aos confortos do corpo ou às
fantasias da mente. Apenas consciência humana.
De certa forma foi uma
tremenda experiência. De certa forma, o Tibete tem sido um laboratório
absolutamente fantástico para a consciência humana.
O budismo, como foi ensinado
inicialmente, é muito seco. Não é para as massas, e sim para monges. Assim, no
transcorrer do tempo, alguns seres iluminados realizaram uma ótima mistura das
culturas tântrica e ióguica, que eles entrelaçaram com o modo budista de viver.
É essa mistura que se vê
hoje no budismo tibetano, que é única por causa de seus quatro ou cinco
ingredientes diferentes.
Lhasa, a capital do Tibete,
tem sido conhecida como a cidade proibida, a fim de que ninguém, a não ser os
iniciados, pertencesse à cidade. Ela tem tido através da história um processo
espiritual muito vivo e vibrante, tem sido um antigo local para o processo
espiritual. Eles não queriam que os não iniciados viessem e fizessem conclusões
erradas sobre eles.
Se olho Lhasa a partir da
perspectiva de gigantes como Patânjali ou Agástya, ou o próprio Shiva, alguns
cientistas verdadeiramente grandes fizeram algo ali muito grande, algo tão
grande como a tecnologia espacial ou a tecnologia nuclear, e algumas crianças,
que não se supunha que mexessem em nada ali, pegaram alguns pedaços aqui e ali,
e de certa forma juntaram esses pedaços como se fossem brinquedos. Estavam apenas
tentando fazer alguns brinquedos, e acabaram descobrindo a tecnologia espacial.
É assim que me parece o budismo tibetano. Esta é sua beleza, sua simplicidade. E ao mesmo tempo é sua fragilidade também.

Palácio de Potala, centro do budismo tibetano
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