30.10.24

ANIMAIS: NOSSOS IRMÃOS – Annie Besant

 

Quando o homem mata por prazer, ele rebaixa seu título de homem. É indigno dele ir junto dos seres que vivem felizes nos bosques, carregando uma arma, e levar-lhes o sofrimento, o medo, o terror, o pavor, semeando a destruição por onde passa.

Prostituindo seus poderes do intelecto, para fazer de si mesmo o mais mortífero das criaturas sensíveis, ele emprega a inteligência, que deveria ser um meio de ajudar a educar os seres inferiores, em levar por toda parte novas formas de sofrimento e energia destruidores.

Se um homem vai a um lugar onde se encontrem os animais inferiores, eles fogem diante dele, porque a experiência lhes ensinou os perigos que correm na sua presença. Se ele vai a qualquer lugar da Terra, onde raras vezes os homens pisaram o chão, vê aí animais sem medo algum e nas disposições mais amigáveis.

Em qualquer região civilizada, por toda parte onde há um homem nos campos ou nos bosques, tudo que vive foge ao ruído de seus passos; para estas criaturas ele não é o amigo, mas aquele que traz consigo o alarme e o terror, por isso procuram evitá-lo.

Se alguma vez fordes a um lugar onde se matam animais, um matadouro, notareis o terror que fere os animais, quando sentem o cheiro de sangue. Vereis o sofrimento, o temor, o horror em que eles se debatem, para escapar aos caminhos desviados por onde os arrastam. Segui-os até o matadouro, se tendes para isso coragem; olhai-os quando forem mortos; depois deixai vossa imaginação andar um passo mais, ou se possuirdes o poder de perceber as vibrações astrais, e vereis imagens de medo, de terror, quando a vida é brutalmente arrancada do corpo e a alma do animal entra no mundo astral.

Cada pessoa que come carne atrai uma parte da responsabilidade pela morte dos animais no matadouro. E os horrores não estão apenas nos matadouros, mas ainda os horrores preliminares do transporte, a privação de alimentos, a sede, as longas experiências de terror que esses desgraçados seres têm de sofrer para a satisfação do apetite do homem.


Os sofrimentos que infligimos a esses seres são uma dívida contra a humanidade que diminui e retarda em massa o progresso humano. Aqueles que pisamos retardam nosso próprio adiantamento. O mal que causamos é a lama que se agarra aos nossos pés, que nos impede de elevarmo-nos.

Assim como o abuso do álcool, também a alimentação carnívora degrada o corpo físico do homem. Se pudermos eliminar o sofrimento dos nossos irmãos, os animais, então o sofrimento desaparecerá da Terra. Os gemidos, a angústia, a miséria, dos seres dotados de sensibilidade, serão diminuídos, e então o amor no homem, tornado um com a lei divina, irradiará através do mundo e será o elemento a ajudar a fortalecer e embelezar o homem.

Quem quer que oriente suas energias nesta direção, quem quer que purifique seu pensamento, seu corpo, sua vida, é um colaborador da vida interna do mundo, e o desenvolvimento de seu espírito será a recompensa dada à obra que ele produz, para auxílio do mundo.

 

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