1.10.14

AS LEIS ESPIRITUAIS DE ATRAÇÃO – P. Yogananda


Quando pais bons se unem sexualmente, eles formam uma luz na base da espinha, a qual resulta das correntes positiva e negativa da espinha e dos órgãos sexuais. Esta luz age como um sinal para o portal através do qual uma alma do mundo astral pode ser levada a ser fisicamente concebida, ao combinar-se espermatozóide e óvulo.

Quando a alma entra, o embrião é formado e gradualmente o corpo fica pronto para nascer. Almas que possuem um karma ruim têm de entrar no corpo de mães malvadas. Quando pais malvados se unem sexualmente, eles formam uma luz escura na base da espinha, assinalando a entrada de uma alma com karma ruim.

Os semelhantes se atraem. Almas com karma ruim nascem em famílias malvadas, almas com karma bom nascem em boas famílias. Famílias malvadas e famílias boas atraem almas com tendências más e boas, de acordo com o magnetismo de suas inclinações interiores. Isto é, famílias más gostam de atrair almas com mau karma. Famílias boas gostam de atrair boas almas.

Do mesmo modo, os malvados preferem as famílias malvadas e as almas boas preferem as boas famílias. A lei cósmica e a energia cósmica são apenas guias para ajudar ambos, o bom e o mau, a chegar a seus destinos respectivos.

3.9.14

A HISTÓRIA DE DABHRA, O DEVOTO DE SHIVA


Certa vez em Kailasa (morada de Shiva), Párvati (a Mãe Divina, consorte de Shiva) curiosamente perguntou ao Senhor Paramesvara (outro nome de Shiva) enquanto este descansava com Sua cabeça no colo dela: Senhor! Diga-me, por favor, quem é teu devoto favorito: Nandi, Bhringi ou Chandi.

Pasupáti, o Senhor dos seres, passando os dedos nos cachos de cabelos de Párvati, replicou: Mais que qualquer outro, inclusive você, Dabhra Bhakta é o que mais me agrada. Nem posso abençoá-lo o tanto que ele merece.

Chocada com tal revelação, Uma (outro nome da Mãe Divina) pediu uma explicação. Shiva levantou-se, besuntou Seu corpo com cinzas, prendeu seus cabelos e disse, Siga-me e veja por si mesma.E dirigiu-se para o mundo dos homens.

Enquanto isso, em sua cidade Dabhra se preparava para alimentar os devotos de Shiva, uma vez que era o dia auspicioso da estrela Bharani no mês de Chaitra. Uma vez que nenhum devoto se aproximava, ele saiu para encontrá-los.

Neste momento, Shiva apareceu como um Bhairava (um tipo assustador de devoto de Shiva) em sua casa e gritou, Dabhra está em casa? Posso conseguir alguma comida aqui?”

Chandana, a empregada da família, saiu e replicou reverentemente: Por favor, entre. O dono da casa logo estará aqui.A resposta foi: Nós bhairavas não entramos numa casa quando o dono não se encontra. Vou-me embora.”

Então, Sveta, a esposa de Dabhra Bhakta, correu até a porta e suplicou-lhe que ficasse. Repetindo as mesmas palavras de antes, ele acrescentou: Vou descansar no templo de Ganapáti (Ganesha).

Momentos depois, Dabhra retornou desapontado por não encontrar nenhum devoto para alimentar. Sua esposa narrou a ele o que tinha acontecido em sua ausência e pediu-lhe para buscar o devoto, que brilhava como Shiva, e se encontrava no templo próximo.

Ouvindo estas palavras, que eram como néctar, Dabhra correu ao templo e encontrou o Bhairava sentado em Virásana (uma pose da hatha yoga) sob uma figueira. Seu cotovelo se apoiava num yoga danda, o bastão do yogue. Brahma kapala, o crânio que lhe servia de tigela de esmolar alimentos, estava ao lado de sua mão direita, e esta estava ocupada deslizando sobre as contas sagradas do rosário (repetindo mantras). Seu brilho era semelhante ao do próprio sol.

O grande yogue parecia velho, enrugado e um pouco cansado. Dabhra caiu a seus pés e os segurou com devoção. O Bhairava, com um olhar, perguntou: Quem está aí?Encantado com a pergunta, Dabhra replicou: “Embora eu me considere um escravo dos devotos, as pessoas me chamam de Dabhra Bhakta. Tomo refúgio em vós. Abençoe meu lar com o pó de vossos pés e partilhe a comida que servimos.

O Bhairava replicou, Sua fama já alcançou lugares distantes. Você é um símbolo do ditado ‘A caridade começa em casa’. Hoje é Chaitra Bharani, um dia auspicioso. Que grande sorte é ser servido por um verdadeiro devoto! Entretanto, preciso avisá-lo sobre uma coisa um pouco desagradável. Bem, não quero causar problemas a sua família. É melhor me dirigir a outra casa. E assim dizendo levantou-se para partir.

Quando o Bhairava se levantou, Dabhra segurou rapidamente seus pés, e tentando detê-lo suplicou, “Faça prova de mim, meu senhor! Por sua graça serei capaz de satisfazer suas exigências.” O Senhor o interrompeu dizendo, “Espere, espere, eu não como alimentos como leite, manteira, arroz, verduras etc. Nem mesmo frutas apanhadas da árvore celestial Kalpa me agradam. Agora ouça sobre meus hábitos alimentares. Como apenas uma vez a cada seis meses – e como carne! Por certo isto está além do que você pretende arranjar para mim.”

Dabhra rapidamente replicou, “Temos animais jovens em casa. Diga-me qual deles você quer.” O Bhairava pausou um momento e disse, “Bem, o que eu consumo é carne humana – aquela de um garoto de cinco ou seis anos, filho único de seus pais, sem pecados e perfeito fisicamente. Enquanto a mãe o segura em seu colo, o pai deve cortá-lo em pedaços, e ambos não devem sentir a menor tristeza no coração. Após o pai lavar e limpar a carne, a mãe deve cozinhá-la usando pimenta e outros temperos. Apenas gosto deste tipo de comida. Agora, corra para sua esposa e obtenha dela sua aprovação sincera.”

Dabhra correu para sua casa e, aproximando-se dela, colocou o braço a seu redor e explicou-lhe as regras de conduta do Shaiva Dharma (deveres dos devotos de Shiva para com os yogues desta tradição).

Ela logo lhe disse: “Diga logo o que vai pela sua mente.” Então Dabhra narrou as exigências do Bhairava. Sveta fechou seus olhos contemplando o Senhor (Shiva) e replicou, “Se esta é a vontade do Senhor, vá e traga nosso amado filho cuja vida consagraremos ao próprio Senhor.”

Dabhra foi até a escola do guru (na antiguidade as crianças estudavam com um guru versado nas escrituras), onde o menino Sripáti estava meditando. Com a chegada de seu pai, o guru do menino pediu-lhe que recitasse um hino que dizia: “Apenas Shiva é digno de adoração. Os devotos de Shiva são sempre dignos de ser servidos.”

Imensamente satisfeito com a recitação, o guru o abençoou com vida longa e prosperidade. Dabhra, com a permissão do guru, levou o menino e o entregou a sua mãe. Sveta banhou e perfumou o garoto, secou-o com uma toalha e segurando-o em seu colo, chamou seu marido. Dabhra trouxe consigo uma afiada faca e avisou sua esposa: “Não se deixe dominar pela piedade, para não estragar esta oferenda.”

Ele observou o garoto pela última vez e cortou sua cabeça com um só golpe. A cabeça do menino rolou do colo da mãe. Sem perda de tempo, o sangue foi recolhido num vaso, o tronco foi cortado em pedaços e as partes comestíveis foram cuidadosamente removidas e lavadas.

Dabhra entregou a carne para sua esposa, que a temperou e cozinhou. Como a cabeça não se prestava para cozinhar, foi preservada pela empregada Chandana. Então Sveta informou a seu marido que a comida estava pronta e que ele deveria buscar o Bhairava sem demora.

Dabhra correu novamente ao templo e informou ao Bhairava que estava sentado em meditação no mesmo lugar. Então o Bhairava se levantou majestosamente em sua grandeza que inspirava medo. Tomou sua tigela feita de crânio numa mão e com a outra tocou seu damaru (pequeno tamborete que nos retratos de Shiva simboliza o som criador do Universo – OM), que ecoou terrivelmente pela região.

O Bhairava tinha um cinto feito de crânios que se tocavam uns contra os outros à medida que ele andava. As grossas tranças de seus cabelos estavam amarradas no alto da cabeça e fixadas por pequenos crânios. Sua testa, pintada com as marcas de Shiva, parecia mostrar um feroz terceiro olho, enquanto seus dois olhos espalhavam terror e compaixão ao mesmo tempo. À medida que ele andava apoiado em Dabhra, as grandes presilhas de seus tornozelos tilintavam manifestando o primitivo nada — som e vibração cósmicos.

Quando chegaram à casa, Dabhra fez sentar o velho Bhairava e lavou seus pés numa bacia de ouro e prestou-lhe uma adoração ceremonial. Mais tarde, colocando duas grandes bananas ante o Bhairava, Sveta serviu a carne cozida com arroz e verduras.

O Bhairava examinou os alimentos dos pratos e observou, “Vejo que esqueceram de cozinhar a cabeça.” Enquanto o casal se olhava com ansiedade, a empregada Chandana apareceu ali com uma panela e disse, “Esperando isso, cozinhei a cabeça separadamente.”

Sentindo-se grandemente aliviado, o casal disse ao convidado, “Reverendo Senhor, o que vós pedistes foi servido. Comei até estar satisfeito.” Então o Bhairava replicou, “Não me apresse. Nunca como sem companhia.” Ouvindo isso, Dabhra saiu para procurar um segundo convidado e retornou sem encontrar nenhum. Quando o Bhairava sugeriu que o próprio Dabhra poderia acompanhá-lo, ele replicou, “Prefiro esperar que o convidado coma, para servi-lo.”

Ao ser pressionado novamente, Dabhra sentou-se ao lado do convidado. Quando estavam para começar, o convidado observou, “Normalmente os pais alimentam seus filhos primeiro, e até ficam satisfeitos em sacrificar sua própria comida aos filhos. Agora chame seu filho imediatamente e deixe-o comer conosco.”

Em resposta a estas angustiantes palavras, Dabhra disse, “Ele não se encontra mais aqui, por isso por favor continue antes que a comida esfrie.” Entretanto, o Bhairava ordenou-lhe que chamasse seu filho pelo nome. Dabhra, ainda calmo, pediu a sua esposa que o chamasse. Então, Sveta, controlando sua emoção, saiu e gritou: “Sripáti, meu amado filho. Venha imediatamente.”

Esse chamado operou um milagre! Como que aparecendo do nada, Sripáti chegou cambaleando em direção a sua mãe e jogou-se em seus braços. Ela não podia acreditar no que via. Seria este menino outra pessoa? Ela  o beijou. O garoto cheirava aquelas pimentas com que fora temperado. A mãe parou para pensar no que acontecera, mas decidiu esvaziar sua mente em gratidão ao Senhor cujos caminhos são impenetráveis.

O menino lhe perguntou inocentemente, “Mãe, onde fui depois que estive no seu colo?” A mãe o apertou no coração e replicou, “Nenhum lugar, querido!”

Para descobrir a causa da demora, Dabhra saiu e ficou mudo pelo choque que recebeu ao ver a cena. Ele correu para abraçar também seu filho. Quando entraram na casa, não mais viram o Bhairava ou a comida. Então o Senhor Shiva lhes apareceu, enquanto seres celestiais derramavam pétalas perfumadas, e eram ouvidos sons de seus instrumentos divinos.

A família abençoada louvou o Senhor. O compassivo Senhor Paramesvara (Shiva) os abençoou com a libertação do ciclo de nascimentos e mortes (mukti), bem como abençoou sua servidora Chandana também.




15.8.14

QUANDO A NATUREZA NÃO FUNCIONA BEM – P. Yogananda


Devido aos males acumulados de más ações das pessoas em geral, e suas vibrações destrutivas, as leis celestiais que controlam as forças da natureza são impedidas de funcionar adequadamente, resultando em secas, enchentes etc. Mesmo os Mestres da Sabedoria não podem livrar o povo do sofrimento, porque as pessoas exercitaram seu próprio livre-arbítrio mal dirigido para excluir os poderes divinos.

Se um povo passa fome, isso é resultado dos males acumulados das pessoas, sendo que sua punição foi trazida por elas próprias, porque suas ações erradas e suas vibrações romperam as sutis forças astrais que controlam as condições climáticas que governam o planeta.



Portanto, a natureza desgovernada não é um fatalismo, mas sim as consequências do mau uso que o homem faz de seu livre-arbítrio. 

19.7.14

O MANTRA E A INICIAÇÃO – Swami Vishnudevananda


Iniciação significa literalmente “ignição”, consiste em utilizar o mantra como um meio para iluminar ou acender seu coração...

Tudo está em um estado vibratório. Todas as coisas são como ondas de energia. O seu próprio corpo vibra a uma freqüência de onda específica. Você aprende a afinar-se com essas freqüências de onda a fim de obter uma energia, poder ou força específicas. O mantra é um tipo de freqüência carregada de simbolismos místicos e espirituais. A sua mente poderá eventualmente entrar em ressonância com o mantra. E nesse instante você obtém um estado de consciência cósmica ou meditação. Eis a fórmula secreta.
Cada indivíduo deve possuir um mantra que sirva ao seu temperamento em particular.
 
Na Índia nós sabemos qual mantra é mais apropriado para cada tipo de mente, porque nós conhecemos as deidades. Cada nome possui uma forma e cada forma possui um nome. Nós não podemos utilizar qualquer tipo de palavra como mantra; a forma da palavra utilizada será automaticamente refletida no seu estado mental. 
 
Somente palavras espirituais podem elevá-lo. Essas palavras espirituais são chamadas mantras. O Ser Supremo é Um, e se chama OM. O mais elevado mantra é OM: A-U-M. Todos os outros mantras emanam de OM. Todos os mantras em que possamos pensar, de fato todas as línguas, se encontram ocultas nessa única sílaba cósmica: OM.
O significado desse OM é na verdade muito difícil para uma mente ordinária compreender. Por essa razão, nós raramente iniciamos alguém em OM, embora seja o mais alto mantra. Isso porque as pessoas ainda não possuem um intelecto elevado e sutil para meditar em uma forma abstrata como OM... Mesmo assim, você pode experimentar meditar em Om se você quiser... Não há nenhuma contra-indicação, pois ele é abstrato. Todos os outros mantras são mais concretos, por terem um nome e uma forma especificas.
Seria você um tipo mais Krishna, Rama, Shiva ou Devi? Esses são os tipos básicos de personalidade.

É você um chefe de família ou uma dona de casa, interessado em esposa ou marido, filhos, em uma boa família saudável, em união familiar? Você deseja paz no lar e uma verdadeira relação espiritual com seus familiares, você pensa que as crianças devem respeitar os seus pais... Se esse é o estilo de vida com o qual você é mais identificado, então você possui um tipo de personalidade Rama. Rama é o marido e filho ideal, o Deus que destrói os demônios restabelecendo a lei e a ordem.

Ele é ideal em tudo, perfeito. Ele tem apenas uma única esposa para toda a sua vida, não tendo nunca olhado para nenhuma outra mulher durante esse tempo. Essa atitude atrai responsabilidades familiares. Se você tem este temperamento, medite em Rama. Receba iniciação no Rama Mantra.

Outras pessoas são mais introspectas. Elas devem ir ao monte Kailasa, como o Senhor Shiva, que vive perpetuamente nas altas geleiras dos Himalaias, longe de toda confusão. É nos picos nevados que o Senhor Shiva vive e medita. Qualquer devoto interessado deve se deslocar até ele, pois ele próprio não se interessa em correr atrás de nenhum devoto. Se você possui essa atitude, mesmo sendo chefe de familia ou pessoa de negócios, se o seu temperamento é mais reservado e a vida social não faz muito sentido para você, querendo apenas estar só e em paz, deve então ser iniciado no Mantra de Shiva.
Uma grande maioria das pessoas corresponde ao tipo de Krishna. Krishna tem todas as características para cada ser humano, desde a infância até uma idade avançada. Em uma só vida, ele desempenhou praticamente todos os papéis que se possa imaginar...
Ele foi um Rei, estadista, músico e professor. Qualquer coisa em que você pense, ele tinha a habilidade de mostrá-la em si próprio, em uma vida. Muitas pessoas com esse tipo de temperamento se identificam com os vários papéis desempenhados por Krishna. Assim, nós concedemos o mantra de Krishna se você se encaixa nesse perfil.
Outras pessoas são mais identificadas pela Mãe. Elas sentem mais afinidade com o poder criativo da energia divina. Elas tem mais amor e compaixão, como uma mãe universal, estão mais próximos do coração materno. Deus também se manifesta como mãe, não somente como pai. Deus engloba todos aspectos, inclusive o feminino. Dessa forma, podemos meditar nesse aspecto através do mantra de Durga ou Devi.
Uma vez escolhida a deidade, o mantra e o Guru, não os mude mais durante sua vida. Você não troca de professor, e não troca de deidade. Isso é para toda a sua vida. Se você vai receber iniciação, não tente mudar ou tomar um outro mantra. Isso não é bom para você. Se você não acredita em seu Guru (professor ou mestre espiritual), então não tome mantra daquele Guru. Procure encontrar um professor no qual você tenha fé e confiança. Você necessita ter certos sentimentos em relação ao seu Guru para receber os benefícios da iniciação. Somente assim o Guru poderá acendê-lo.
Não é nenhum tipo de mantra comercial que nós estamos dando a você. Não estamos interessados em tomar dinheiro ou o que seja de você. É um antigo costume de oferecer dakshina ao professor. E esse costume ainda prevalece, pois o professor não possui nenhum tipo de ganho ou capital. Aquilo que lhe oferecem com seus corações, o professor o utiliza para o bem da Humanidade.
Os estudantes podem oferecer qualquer coisa: frutas, flores, dinheiro, aquilo que eles possuírem ou puderem para contribuir ao bem estar do professor ou da sua organização. Isso é permitido.

Mas você não pode vender um mantra sob encomenda e pedir “Eu quero tal e tal coisa pelo mantra...”. Essa demanda não pode ser feita pelo professor. É contra todo crescimento espiritual. Nenhum mantra pode ser vendido nem ser fabricado, assim como não existe nenhum novo mantra. Nós não podemos criar nem dar diferentes mantras a cada indivíduo. Isso não é possível. Ninguém pode fazê-lo e se auto-denominar um Guru espiritual.

É freqüentemente perguntado: “Devemos manter os mantras secretos?”. Você deve mantê-lo secreto no sentido de não expô-lo a todo o mundo de uma forma banal. Porém, se alguém quer saber mais e existe um real propósito por trás da curiosidade, você pode dizer, não há nenhum mal... Esse é o único segredo.
Então, o que você faz depois da iniciação ao mantra? A iniciação sozinha não é suficiente. Ela apenas acende o fogo. E nós estamos utilizando apenas um pequeno palito de fósforo para acender o fogo, não é mesmo? Bem, suponhamos que acabamos de acender o fogo com um fósforo, mas não temos os gravetos, papel e outros materiais para mantê-lo. O que acontece? Ele se apaga... O fósforo e a ignição não possuem mais nenhum valor então. Imediatamente após acender o fogo, você deve adicionar mais e mais lenha para torná-lo cada vez maior e maior... Você faz uma bela fogueira que lhe dará força e energia, não apagando tão facilmente.

Quanto mais vezes você repetir, mais o fogo cresce. Chegará, então, um nível muito elevado onde você está quase meditando a um nível transcendental. Naquele nível, a sua mente automaticamente entra em meditação. No momento em que você começa Om Namah Shivaya, a sua mente vai direto a um estado elevado de meditação. Não existe mais som em nenhuma forma, vocal ou telepática. Somente o som transcendental vibra. A vibração de Om Namah Shivaya, Om Namah Shivaya continua intensamente. O poder daquela energia está agora vibrando a um nível muito alto; aquilo é chamado de meditação.

Como principiante, você inicia o mantra verbalmente. Então, parte para a repetição mental. Essa é mais forte que a verbal. Eventualmente, você entra lá onde o som e o nome se fundem num estado telepático. Então você transcende mesmo esse penetrando em estado de energia invisível no qual você se torna um com a forma na qual você medita. Você e Shiva, você e Krishna, se tornam um e o mesmo. Você se torna o objeto da meditação. Você se torna Krishna ao ver Krishna, ou se torna Shiva.
De acordo com a sua relação e temperamento, você escolhe aquele em que é mais fácil meditar.

Repita o mantra após receber a iniciação. Não o deixe cair. Medite regularmente.




Nota: no Brasil a única instituição séria que dá iniciação em mantra é o Ramakrishna Vedanta Ashrama, situado no Largo Senador Raul Cardoso, 146 e 204, São Paulo, SP. Seu diretor espiritual é Swami Nirmalatmananda, um monge indiano que vive em São Paulo.
Fones: (11) 5572-0428 e 5908-1970 - www.vedanta.org.br


4.7.14

CONHECIMENTO ATRAVÉS DO MAGNETISMO – P. Yogananda


O melhor meio de conhecer uma pessoa é residir com ela na mesma casa. Duas pessoas vivendo no mesmo lugar, mesmo que não conversem entre si, atrairão uma à outra com sua consciência, natureza, vitalidade etc. Cada uma sentirá da outra a emanação silenciosa dos pensamentos, força vital e a qualidade e força de seu magnetismo vital.

Cada ser humano carrega consigo uma evidência silenciosa e reveladora de suas próprias vibrações. A alma espiritualmente sensitiva pode conhecer uma pessoa simplesmente olhando em seus olhos, ou meramente estando em íntimo contato com ela e sentindo suas vibrações. Pessoas preocupadas, calmas, tímidas, corajosas, cruéis, sábias ou divinas podem ser sentidas instantaneamente mesmo por quem tem pouca percepção espiritual.

Pessoas de percepções comuns podem sentir outras apenas quando estas estão dentro de seu alcance magnético. As grandes mentes, entretanto, podem sentir outros à distância, embora a percepção seja mais forte se já estiveram intimamente associados por um tempo.


LAHIRI MAHASAYA E A ATADURA


Todo dia o Yogiraj (rei dos yogues) costumava ir ao Ganges para se banhar, e era sempre acompanhado por seu fiel discípulo Krishnaram. Um dia, quando desciam uma estreita ladeira de Varanasi, de repente o Yogiraj chamou Krishnaram, que caminhava um pouco mais atrás, e disse: “Por favor rasgue um pedaço de roupa para servir como atadura.”
Krishnaram ficou muito confuso e não sabia para que serviria a atadura. De repente uma pedra voou – deslocada de uma carroça que passava, e acertou a perna do Yogiraj causando um corte que sangrava.
O Yogiraj então pediu a atadura e amarrou sua perna. Krishnaram perguntou: “Senhor, se tu sabias que a pedra viria, por que não a evitou?” O Yogiraj explicou que algum karma deve-se permitir acontecer para se cumprir a lei de causa e efeito.
Logo chegaram à casa do Yogiraj. Sua esposa Kashimani perguntou o que tinha acontecido e o Yogiraj lhe contou. Kashimani começou a rir muito e apontou para sua perna. Olhando para baixo, o Yogiraj percebeu que tinha estado tão absorvido interiormente em Bem-Aventurança que colocou a atadura na PERNA ERRADA!

LAHIRI MAHASAYA E O BANCO


Certo dia Lahiri Mahasaya foi ao banco para fazer uma transação qualquer. Naquele momento o banco estava cheio e havia uma longa fila de pessoas esperando para serem atendidas. Por causa da longa fila, Mahasaya foi para um canto da agência e sentou-se esperando. Ao ficar sentado esperando, o Yogiraj (rei dos yogues) gradualmente entrou no estado de samadhi (bem-aventurança interior).
Ele ficou totalmente imóvel no estado sem-respiração do samadhi, sentado ali naquele canto. Chegou a hora do banco fechar e os funcionários observaram o Yogiraj ali, e chamaram o gerente para saber o que fazer. O gerente era um homem muito honrado e foi levado até o local onde o Yogiraj estava sentado em samadhi.
Ele imediatamente entendeu o que estava ocorrendo e sabia quem o Yogiraj era. E gentilmente disse aos empregados: “Não vamos perturbar este grande ser de modo nenhum. Vamos esperar aqui até que sua sagrada meditação termine. Na verdade somos abençoados por podermos estar aqui.”
Após algum tempo o Yogiraj começou a voltar à consciência externa. Ele olhou ao redor timidamente e viu que estava escuro do lado de fora e que o banco havia fechado. Lahiri Mahasaya era um mestre muito humilde e modesto. Quando percebeu a situação, ele curvou sua cabeça e se desculpou com os funcionários do banco por mantê-los ali até aquela hora.
Entretanto o gerente do banco e os empregados se sentiram MUITO ABENÇOADOS e não aceitaram as desculpas do Yogiraj, dizendo: “Sagrado senhor, é uma grande honra para nós estarmos aqui convosco. Por favor não pense em se desculpar.”
Então eles realizaram a transação do Yogiraj com grande carinho embora o banco estivesse oficialmente “fechado”. O Yogiraj então, muito calmamente, com a cabeça curvada, saiu pela porta do banco e voltou a sua casa.