13.9.21

SOBRE OSHO – Sadhguru

 

O caminho de uma pessoa nunca é o mesmo que o caminho das demais. Alguém me perguntou: Sadhguru, Krishnamurti era um mestre de seu intelecto, Osho era um mestre da controvérsia. O que você é?

Eu disse: Sou um mestre do caos, sei como aproveitar o caos. Posso fazer uma situação caótica culminar em algo fantástico.

De modo que cada mestre tem seu próprio caminho. E tudo isso se combina muito bem na cultura hindu. Exceto a população indiana educada à moda ocidental, se você for à Índia rural ou a uma Kumbha Mela (festival religioso hindu), que é um evento clássico no planeta, diferente de qualquer outro, verá que todo tipo de caminho espiritual, tanto os estranhos como os ligados à sabedoria, estão ali em perfeita convivência. Nada contradiz nada. Tudo ali é absolutamente diferente dos demais, mas nada contradiz nada, tudo convive perfeitamente bem.

 Khumba Mela


Isso não é algo que uma mente lógica e correta, particularmente a mente ocidental, possa compreender. Como todas essas pessoas convivem em harmonia? Isso ocorre porque não existe certo e errado. A questão é simplesmente essa: se funcionou para você ou não. Se funcionou e provocou seu crescimento para um estado mental mais elevado, não importa se para mim esse caminho espiritual é correto ou não, se ele está de acordo comigo ou não. Se isso não me é bom, existe sempre para mim outro caminho.

Portanto isso é uma consequência fantástica de muitas gerações de seres iluminados. Nenhum deles se deixa atrapalhar pelo que disse o que veio antes, cada um explorou seu próprio caminho, expandiu seu próprio caminho e nunca entrou em conflito com os ensinamentos dos mestres que o antecederam.

Portanto esta é a natureza da exploração. Nada tem a ver com o certo ou o errado, só tem a ver com fazer acontecer e dar certo. Será que a flor branca é a mais bela, ou será a flor vermelha a mais bela? Tais questões não surgem na busca espiritual. Essas dúvidas surgiram em culturas mergulhadas na moralidade. Ali algo tem de ser bom ou ruim. Nesse estado mental em que as coisas têm de ser corretas ou erradas, não há como acontecer um processo espiritual, uma busca espiritual, porque essencialmente o processo espiritual significa inclusão de tudo.

Se você não pode aceitar tudo do jeito que é, se você tem que aceitar alguns e rejeitar outros, não haverá nenhum processo espiritual. Você apenas terá moralidade, não espiritualidade.

8.9.21

AS LEIS DO PENSAMENTO - Swami Sivananda

 Um santo que tenha paz, equilíbrio, harmonia e ondas espirituais difunde pelo mundo pensamentos de paz e harmonia. Esses pensamentos viajam e entram nas mentes das pessoas e nelas produzem sentimentos iguais de harmonia e paz. Por outro lado, a mente repleta de inveja e ódio prejudica o mundo com seus pensamentos, embora possa exteriormente estar prestando um serviço.

Você está cercado por um oceano de pensamentos. Está absorvendo alguns e rejeitando outros no mundo do pensamento.

Pensamentos de luxúria, ódio, inveja e egoísmo produzem, na mente, imagens destorcidas, pervertem o intelecto, causam perda de memória e confusão mental.

Não acumule no cérebro pensamentos inúteis. Esqueça tudo que não lhe for útil. Só então você poderá encher sua mente de pensamentos divinos.

Todo pensamento é transmitido às células do corpo, que são enormemente afetadas por eles. Se na mente existir confusão, depressão e outros pensamentos negativos, estes serão transmitidos através dos nervos a cada célula do corpo. Estas enfraquecem, tornam-se ineficientes. No entanto, o pensamento construtivo transforma, renova e edifica.



Todo pensamento possui peso, forma, tamanho, estrutura, cor, qualidade e poder. Um yogue, com seu olho espiritual, pode ver claramente todos estes pensamentos.

Amigo e inimigo, virtude e vício existem apenas na mente. Cada indivíduo cria um mundo de bem e de mal, de prazer e de dor unicamente com sua própria imaginação. Não existe nada de bom ou de agradável neste mundo. Sua imaginação é que os torna assim.

Um desejo estimula um pensamento; o pensamento incorpora-se numa ação. A ação constitui a trama do destino. Cobiçar as posses alheias, ainda que não se transforme em trapaças ativas no presente, nos fará um ladrão numa vida futura. O ódio e a vingança, ainda que alimentados em segredo, são as sementes das quais surgirá o assassino.

Não se entregue ao fatalismo. Este produzirá inércia e preguiça. Reconheça os poderes do pensamento. Opere. Pensando direito você poderá criar para si próprio um grande destino. Pelo poder do pensamento, você faz o seu destino.

Cada pensamento marca um sulco no rosto. Um pensamento divino ilumina o rosto. Maus pensamentos permanentes aumentam a profundidade das impressões sombrias.

Os pensamentos de preocupação e medo são forças terríveis. Envenenam a fonte da vida e destroem a harmonia, a vitalidade e o vigor. Enquanto que os pensamentos opostos de bom humor, alegria e coragem curam, acalmam, aumentam a eficiência. Esteja sempre de bom humor.

Ataques violentos de mau humor produzem sérios danos nas células do cérebro. Esgotam sua energia e vitalidade, provocam velhice prematura e encurtam a vida.

Pense em alguém como sendo um bom amigo e a coisa começa a se tornar realidade. Pense nele como um inimigo e a mente também apura o pensamento a ponto de o transformar em fato. Quem conhece o funcionamento da mente e a controla na prática, é realmente feliz.

A grande lei 'os semelhantes exercem mútua atração' também opera no mundo do pensamento. Pessoas que pensam de maneira semelhante procuram umas às outras. A mente possui poder de atração.

Você atrai, continuamente, para si, pensamentos, influências e condições que mais se aproximam de seus próprios pensamentos e direções. Esta lei opera o tempo todo, quer estejamos conscientes ou não.

Está inteiramente em suas mãos a possibilidade de determinar que espécie de pensamento quer alimentar e consequentemente o tipo de influência que vai atrair para si.

Um pensamento bom em você produz pensamentos bons naqueles com quem convive. Um pensamento de rancor gera vibrações semelhantes nos que estão à volta.

Mantenha um homem bom e honesto na companhia de um ladrão. Ele começará a roubar. O pensamento é muito contagioso.

Mantenha jovem seu coração. Não pense que está velho. Aos 60 pense 'tenho 16 anos'. Você se torna aquilo que pensa. Esta é uma lei psicológica.

Pense 'sou forte' e ficará forte. Pense 'sou fraco' e será fraco. O pensamento é a única coisa que amolda e estrutura um homem.

Se você pensar corretamente, falará e agirá corretamente. As palavras e os atos são uma continuação do pensamento.

Pense bem de todos. Faça sempre boas ações. Sirva, ame, dê. Faça os outros felizes. Viva para servir os outros. Então colherá felicidade. Se ferir os outros, colherá dor; circunstâncias e meios desfavoráveis aparecerão para você.

Um mau caráter pode se transformar em um bom através de bons pensamentos, circunstâncias desfavoráveis podem se transformar em favoráveis pelas boas ações.

Tenha cuidado com os pensamentos. Tudo que sua mente enviar, volta para você. Cada pensamento é um bumerangue. Se odeia alguém, o ódio lhe será devolvido. Se ama os outros, o amor lhe será restituído.

Um mau pensamento é triplamente maligno. Primeiro, prejudica o pensador fazendo mal à sua mente. Segundo, prejudica a pessoa visada. Terceiro, prejudica toda a humanidade por viciar a atmosfera mental. 

A mente cheia de maus pensamentos age como um polo magnético que atrai pensamentos semelhantes de outros e assim intensifica o mal em si mesma.



18.7.21

A PRÁTICA DO YOGA E O CAMINHO DA EVOLUÇÃO - Geoffrey Hodson


 A prática do yoga implica numa aceleração forçada da evolução e no despertar dos poderes

 adormecidos. Porém existem alguns perigos reais neste processo, por isto um Instrutor é

 necessário. Portanto, a ideia do Mestre e do discípulo é sempre incluída nos ensinamentos 

mais elevados do yoga. Existe um ditado: "Quando o discípulo está pronto, o Mestre

aparece", pois todas as aspirações dos praticantes esforçados e determinados do yoga são

observadas.


Não estamos sós, mas estamos sendo observados, cada um de nós, especialmente quando

começamos a despertar espiritualmente. Isso o Mestre vê. O discípulo sabe que a disciplina

ética e espiritual deve ser implementada, pois todo o futuro depende disso. Ele sabe que o

 guru vem de uma linhagem contínua de instrutores do passado longínquo e, como regra,

 ninguém pode assumir o status de guru sem as devidas qualificações. Esse encontro não

 precisa ocorrer necessariamente no plano físico, pois o discípulo e o instrutor podem estar

 separados e bem distantes, mas eles estão intimamente sintonizados.


Por que o caminho do discipulado é tão difícil? Porque existem obstáculos no caminho devido

à nossa natureza, nossas vidas, nossos hábitos, educação e condição evolutiva, e tudo isto

tem que ser enfrentado e superado. Às vezes ocorre uma doença no corpo, que pode ser tão

séria a ponto de não podermos meditar. Também pode ocorrer um certo tipo de preguiça ou

fadiga da mente: a pessoa simplesmente não consegue fazer o esforço. Se a pessoa estiver

neste estado, entoar corretamente um mantra sagrado como o Gáyatri com a reta intenção

interior ou compreensão, poderá abrir os canais parcialmente obstruídos e acelerar a

atividade mental.



Outro obstáculo terrível é a dúvida; começamos a imaginar se existe alguma verdade em

toda esta história. Muitas pessoas são afligidas por isto e desistem de tentar por muitos anos,

ou mesmo por toda aquela vida. No entanto elas foram tocadas, e numa vida futura o toque 

será renovado e a oportunidade virá mais uma vez e então continuarão; a evolução levando-

as um pouco mais alto na escala de desenvolvimento.


Quais os outros obstáculos no caminho? O descuido ou a preguiça tanto do corpo quanto da 

mente, o apego aos objetos dos sentidos e as percepções errôneas, sendo enganados pela 

aparência das coisas. Outro obstáculo muito sério é o fracasso em alcançar um sucesso

perceptível. Mais uma vez os instrutores dizem: continuem. Não pode haver nenhum fracasso

real, e mesmo se os frutos não são registrados no cérebro em consciência de vigília, existe

sempre um resultado. Existe sempre progresso cada vez que uma pessoa medita 

sinceramente e vive sinceramente de acordo com um ideal, quer a pessoa esteja consciente

desse progresso ou não.



Podem ocorrer quedas temporárias, pode haver ilusões dos sentidos, da sensualidade ou 

outras atrações, até mesmo do sucesso material, financeiro e social. Estes podem, por um

determinado momento, fechar seus olhos espirituais deixando-a perdida numa espécie de

nevoeiro a perambular no erro por algo que parece ser maravilhoso, mas que na realidade

a está levando para longe do caminho espiritual.


Existem outras dificuldades muito naturais que todos temos que enfrentar: tristeza, por 

exemplo. A tristeza é comum a toda a humanidade, e podemos nos afundar tão

profundamente na angústia, que o coração partido causa prostração da mente e do corpo,

arruinando toda a esperança e mesmo a vida. A tristeza e o sofrimento são muito difíceis de

aguentar, mas estes são os momentos mais apropriados para que voltemos interiormente

nossos pensamentos para o bem eterno, desta forma acumulando energia para aguentar

a dor e o sofrimento com nova coragem e continuar com a vida interior.


Mesmo se falharmos em alguma vida, ou vacilarmos, ou duvidarmos e não continuarmos, 

ainda assim as portas do Santuário permanecerão sempre abertas, e mais tarde, nesta vida

ou na próxima, o caminho irá abrir-se outra vez e o Instrutor estará lá, aguardando de braços

abertos. Realmente não estamos sós, e às vezes parece que o Mestre está até mais perto

de nós em nossa escuridão e em nosso fracasso.



Pode ser que alguns de nós não sejamos estudantes novos do yoga, ou novos aspirantes à 

vida espiritual mais elevada. Neste caso, o caminho parece natural e fácil, e é seguido com

crescente sucesso, vida após vida. Para aqueles que acham o caminho espiritual como algo

novo, podem precisar de mais tempo para responder. Porém não devemos nos sentir 

desencorajados se isto acontecer, ou se para nós a meta da espiritualidade parecer

excessivamente elevada e demasiadamente difícil de alcançar, especialmente no início. 

Devemos continuar a praticar nosso yoga, dia a dia, não importa como nos sentimos, 

seguindo o ensinamento prescrito e procurando genuinamente viver de acordo com os

ideais da vida espiritual no mundo, em qualquer situação que nos encontremos. E então,

se perseverarmos, certamente vamos descobrir que a realização do Eu interior será 

alcançada.


26.6.21

AMOR – Samael A. Weor

 

Deus como Pai é sabedoria. Deus como Mãe é amor. Como Pai, Deus reside no Olho da Sabedoria. O Olho da Sabedoria está situado entre as sobrancelhas. Como amor, Deus é encontrado no templo do coração.

Sabedoria e amor são os dois pilares da grande Loja Branca.

Amar, como é belo amar. Somente as grandes almas podem e sabem como amar. O amor é ternura infinita. O amor é a vida que pulsa em todo átomo e em todo sol.

O amor não pode ser definido porque é a Mãe Divina do mundo; é aquilo que vem a nós quando realmente nos apaixonamos.

O amor é sentido nas profundezas do coração; é uma experiência deliciosa; é um fogo consumidor; é um vinho divino, um deleite para quem o bebe. Um simples lenço perfumado, uma carta, uma flor, provocam êxtase interior nas profundezas da alma.

Ninguém consegue definir o amor; ele tem de ser vivido, tem de ser sentido. Apenas os grandes amantes realmente sabem o que é o amor. O matrimônio perfeito é a união de dois seres que verdadeiramente sabem amar.

Para haver amor, é necessário que o homem e a mulher adorem um ao outro nos sete grandes planos cósmicos. É necessário que exista uma verdadeira comunhão de almas nas três esferas do pensamento, sentimento e vontade.

Quando os dois seres vibram em afinidade em seus pensamentos, sentimentos e vontade, então o matrimônio perfeito se consuma nos sete planos de consciência cósmica.

Há pessoas que estão casadas nos planos físico e etéreo, mas não no plano astral. Outras estão casadas nos planos físico, etéreo e astral, mas não no plano mental. Cada um pensa de modo diferente; a mulher tem uma religião, o homem tem outra; não concordam em seus pensamentos etc.

Existem casamentos afins nos mundos do pensamento e sentimento, mas são absolutamente opostos no mundo da vontade. Esses casamentos estão em constante colisão; as pessoas não são felizes.

Existem casamentos que nem mesmo alcançam o plano astral, daí que nem atração sexual existe. São verdadeiros desastres. Tal casamento está baseado exclusivamente na formalidade matrimonial.



Alguns homens vivem uma existência matrimonial no plano físico com certa companheira, entretanto no plano mental levam uma vida casados com uma esposa diferente. Raramente encontramos um matrimônio perfeito. Para o amor existir, deve haver afinidade de pensamento, sentimento e vontade.

Onde existe cálculo, não existe amor. Infelizmente, na vida moderna, o amor implica em conta bancária, comércio e posses materiais. Nesses lares o amor não existe. Quando o amor deixa o coração, raramente volta.

Os amantes frequentemente confundem desejo com amor, e o pior de tudo é que se casam pensando que estão apaixonados. Assim, quando o ato sexual se consuma e a paixão carnal é satisfeita, o desencanto chega e a terrível realidade permanece.

Os namorados deveriam analisar-se antes do casamento para ver se realmente estão amando. A paixão é confundida com o amor. Amor e desejo são opostos absolutos.

A pessoa que ama de verdade está pronta a dar sua última gota de sangue pelo outro. Você seria capaz de dar sua vida para que seu amado viva? Reflita e medite. Existe uma verdadeira afinidade de pensamento, sentimento e vontade com o ser que você adora? Se essa afinidade não existir, seu casamento, em vez de ser o céu, será um inferno. Não se deixe levar pelo desejo.

O amor começa com um relâmpago de deliciosa simpatia. Concretiza-se com infinita ternura e é sintetizado com suprema adoração.

Contemple os olhos do ser que você ama; perca-se na alegria de seus olhos, mas se quer ser feliz, não se deixe levar pelo desejo.

É urgente saber se seu amado(a) lhe pertence em espírito. O adultério é o cruel resultado da falta de amor. A mulher que verdadeiramente ama preferiria a morte ao adultério. O homem que comete adultério não ama verdadeiramente.

O amor é terrivelmente divino. A abençoada Deusa Mãe do mundo é o que chamamos amor. Com o terrível fogo do amor, podemos nos transformar em deuses para penetrar no anfiteatro da ciência cósmica com plena majestade.

 

18.6.21

UMA HISTÓRIA SOBRE SHIVA - Sadhguru

 

Certa vez, um guiâni (jnani, que busca a verdade através do intelecto) foi a Shiva e disse:

- Aprecio muito seus ensinamentos, são científicos e logicamente corretos, mas muitos de seus devotos estão sempre gritando seu nome: Shiva Shambô! e andando por aí fazendo coisas malucas. Como você permite que essas pessoas fiquem gritando: Shiva Shambô! e pulando por aí? Que tipo de ciência é essa? Você não deveria permitir essas coisas!

Então Shiva disse:

- Você vê este pequeno verme se arrastando? Aproxime-se dele e diga: Shiva Shambô!

O guiâni respondeu:

- Sim, por que não?

E foi ao verme e disse: Shiva Shambô! O verme caiu morto. O guiâni ficou chocado:

- O mantra mata! Para que serve isso? Eu digo o mantra e a pobre criatura morre.



Shiva disse:

- Não se preocupe com isso. Veja aqui uma borboleta. Diga Shiva Shambô! para ela.

O yogue ficou hesitante.

- Não quero matar a borboleta.

- Não se preocupe. Diga Shiva Shambô para a borboleta.

O yogue disse: Shiva Shambô, e a borboleta morreu.

- O que é isso?! O que acontece com este mantra? Ele se parece a uma arma!

Então viram um jovem cervo pastando ao redor e Shiva disse:

- Olhe este cervo e diga: Shiva Shambô!

O yogue respondeu:

- Não, não vou fazer isto!

- Apenas diga pra ver.

O yogue disse Shiva Shambô! e o cervo caiu morto ali mesmo. Nesse momento um casal apareceu com uma criança para pedir a bênção de Shiva.

Shiva olhou para a criança e disse ao yogue:

- Diga Shiva Shambô para esta criança.

O yogue respondeu:

- De jeito nenhum! Você não vai me fazer matar esta criança!

A criança então olhou para o yogue e disse:

- Eu era um verme e você pronunciou o mantra e me tornei uma borboleta. Você pronunciou o mantra novamente e me tornei um cervo. Você pronunciou o mantra e me tornei humano. Por favor, diga de novo. Permita que eu me torne um ser divino!

4.3.21

MINHA EXPERIÊNCIA COM KUNDALINI – Gopi Krishna

 

Certa manhã durante dezembro de 1937, sentei-me de pernas cruzadas num pequeno cômodo de uma casa onde eu morava em Jamnu, Índia. Estava meditando com minha face virada para o leste e o dia estava amanhecendo.

Pela prática de muitos anos, tinha-me acostumado a ficar sentado durante horas sem o menor desconforto. Sentava-me ali respirando devagar e ritmicamente, minha atenção voltada para o topo de minha cabeça, contemplando um lótus imaginário totalmente aberto, irradiando luz.

Sentava-me firme e ereto, meus pensamentos concentrados no lótus cheio de luz, tentando manter minha concentração e trazendo-a de volta quando se afastava em outra direção.

A intensidade da concentração interrompia minha respiração; gradualmente ela diminuía até ficar quase imperceptível. Todo meu ser se concentrava na contemplação do lótus, de tal modo que me esquecia do corpo e de onde estava. Durante estes momentos sentia-me como se estivesse suspenso no ar, sem a sensação do corpo. O único objeto do qual ficava consciente era um lótus de cor brilhante, emitindo raios de luz.

Essa experiência tem acontecido a muitas pessoas que praticam meditação por um tempo suficiente, mas o que aconteceu naquela manhã para mim mudou todo o curso de minha vida e poucos já experimentaram.

Durante aquela concentração, de repente senti uma estranha sensação sob a base de minha espinha, tão extraordinária e agradável que minha atenção foi arrastada para ela. Mas no momento em que minha atenção foi dirigida àquela experiência, a sensação cessou.

Achando que estava imaginando coisas, deixei de pensar naquilo e levei a atenção de volta ao ponto no topo da cabeça. Novamente me concentrei sobre o lótus e a imagem apareceu clara e distinta. Então a sensação da base da espinha reapareceu.

Dessa vez tentei me concentrar na base da espinha e consegui por alguns segundos,  e então a sensação subiu tão intensa pela minha espinha e era tão extraordinária que não se assemelhava a nada que já havia experimentado antes, e novamente se extinguiu.

Eu estava agora convencido que algo incomum havia acontecido, pela qual minha prática diária de concentração era responsável.


 

Gopi Krishna

 

Eu já havia lido relatos de grandes yogues sobre os grandes benefícios que resultam da concentração e sobre os poderes miraculosos que eles adquirem desse modo. Meu coração começou a bater descontroladamente, e ficou difícil novamente fixar minha atenção na meditação.

Após um momento me acalmei e novamente entrei em meditação. Quando estava completamente imerso nela, novamente veio aquela sensação, mas dessa vez, em vez de deixar minha mente se distrair da concentração no ponto onde a tinha fixado, mantive-a onde estava.

A sensação novamente se dirigiu para cima, em crescente intensidade, e me senti flutuando, mas com grande esforço mantive minha concentração fixa no lótus. De repente, com um grande rugido como de uma cachoeira, senti uma corrente de luz líquida entrando em meu cérebro através da espinha.

Totalmente despreparado para a experiência, fiquei sem saber o que fazer, mas retomando rápido meu autocontrole, continuei sentado na mesma posição, mantendo a mente concentrada em seu objeto. A iluminação ficou mais e mais brilhante, o rugido aumentou ainda mais, e experimentei uma sensação de estar saindo do corpo, inteiramente envolvido num halo de luz.

É impossível descrever a experiência corretamente. Senti o ponto de consciência que eu era expandindo-se mais e mais enquanto o corpo parecia se distanciar, até eu ficar inteiramente inconsciente dele. Eu era agora todo consciência, sem forma, sem corpo, sem qualquer sentimento ou sensação vinda dos sentidos, imerso num mar de luz, simultaneamente desperto e consciente em cada ponto dele, expandindo em todas as direções sem qualquer barreira ou obstrução material.

Não era mais eu mesmo, ou para ser mais preciso, não mais me reconhecia como sendo um pequeno ponto de consciência confinado num corpo, mas em vez disso um vasto círculo de consciência no qual o corpo era apenas um ponto, banhado em luz e num estado de exaltação e felicidade impossível de descrever.

Após algum tempo, cuja duração não posso precisar, o círculo começou a se estreitar; senti que estava contraindo, me tornando cada vez menor, até que novamente me senti consciente do corpo e voltei à minha velha condição. Tornei-me consciente dos barulhos da rua, novamente senti meus braços e pernas e mais uma vez me tornei meu estreito eu, em contato com o corpo e seu meio.

Quando abri os olhos e olhei ao redor, me senti um pouco atordoado e confuso, como se tivesse voltado de um país estranho e completamente desconhecido para mim. O sol tinha nascido e já brilhava forte. Tentei levantar minhas mãos mas não consegui. Com esforço levantei e estiquei os braços, tentando restabelecer a circulação livre do sangue. Em seguida tentei retirar minhas pernas da posição de meditação na qual eu estava, mas não pude; estavam pesadas e rígidas. Com a ajuda das mãos, puxei as pernas e as estiquei, em seguida me encostei na parede para ficar mais confortável.

O que tinha me acontecido? Teria sido vítima de uma alucinação? Ou teria experimentado o estado transcendental? Teria tido sucesso onde milhões tinham falhado? Haveria, então, realmente alguma verdade nas declarações dos sábios e ascetas da Índia, feitas durante milhares de anos, de que era possível apreender a Realidade nesta vida, se a pessoa seguisse certas regras de conduta e praticasse a meditação corretamente?

Eu estava estupefato. Dificilmente podia acreditar que tive aquela experiência divina. Tinha experimentado uma expansão de meu ser, de minha consciência, e a transformação que a corrente vital trouxera tinha começado da base da espinha e encontrado seu caminho para o cérebro através da espinha.

Lembrei que tinha lido há muito tempo em livros de yoga sobre um certo mecanismo vital chamado Kundalini, conectado com o final da espinha, que se torna ativo através de certos exercícios, e uma vez desperto leva a limitada consciência humana para as alturas transcendentais, capacitando o indivíduo com incríveis poderes psíquicos e mentais.

Teria sido sortudo o suficiente para encontrar a chave desse maravilhoso mecanismo, sobre o qual as pessoas falavam sem tê-lo visto em ação em si mesmas? Tentei novamente repetir a experiência, mas estava tão fraco e estupefato que não pude concentrar meus pensamentos o suficiente para conseguir a concentração.

Olhei para o sol. Será que em minha condição de extrema concentração eu teria confundido a luz solar com o brilhante halo que me rodeou no estado superconsciente?

Fechei meus olhos novamente, permitindo que os raios solares pousassem sobre minha face. Não, o brilho que percebi vindo do sol era completamente diferente. A luz que eu experimentara foi interior, uma parte integral de uma consciência expandida, uma parte de meu ser.

 

10.11.20

NÃO DEIXE OS TÓXICOS DESTRUÍREM SUA ALEGRIA DE VIVER – Sadhguru

 

Pergunta: Sadhguru, sei que você é contra os tóxicos e coisas assim, mas o estado do Oregon, aqui nos Estados Unidos, acabou de descriminalizar a posse de pequena quantidade de cocaína, heroína, maconha, metanfetamina e cogumelos psicodélicos. As pessoas dizem que essas drogas podem ser usadas para tratar a depressão, ansiedade e certas doenças. Você continua contra os tóxicos se forem usados para uma boa causa como essa?

Sadhguru: Não. Eu nunca disse que sou contra os tóxicos. Sou a favor da intoxicação. Olhe em meus olhos, estou sempre intoxicado. Mas sou contra pequenas quantidades. Acredito que você precisa carregar consigo uma fábrica de tóxicos onde quer que vá. Eu tenho uma fonte inesgotável de tóxicos. Estou oferecendo a você, mas você quer ter apenas pequenas quantidades em seu bolso. Sou contra isso. Não digo que sou contra a intoxicação, porque se você quer manter um nível muito alto de consciência e envolvimento com a vida, sem intoxicação não pode fazer isso. Mas eu pergunto: você quer uma intoxicação que incapacita ou quer uma intoxicação que te torna capaz? Esta é a questão. 

Você acredita em incapacitar a si mesmo ou capacitar a si mesmo? Se você acredita em capacitar a si mesmo, vou te ensinar uma outra maneira de estar intoxicado (Sadhguru ensina shambhavi como prática espiritual). Onde você acha que a fonte inesgotável da felicidade está? Na comida que você come? Na cerveja que você bebe? Ou em alguma outra coisa? A fonte inesgotável da felicidade, alegria e paz só pode vir de dentro. Agora, sobre tornar essas drogas legais, existem pessoas e forças que se beneficiam muito e ganham dinheiro com isso, e elas estão envolvidas nesta legalização. Conheço muitos jovens que só aceitaram se tratar para largar a droga depois que foram ameaçados de irem presos. De outra forma, não aceitariam. Por isso, declarar essas drogas que incapacitam os seres humanos como legais é um crime. 



No presente todos estão vendo a ascensão da China, que está se tornando uma potência econômica. Mas no início do século 20, 70% da população chinesa estava viciada em ópio, heroína, e isso era encorajado por certas forças e nações. Os ingleses lutaram três guerras contra a China para terem o direito de distribuir ópio para os chineses. Uma pobreza extrema veio àquela nação e aquela cultura. Mais tarde foi necessária a revolução comunista, em 1949, bem como a morte de milhões de pessoas para se proibir novamente o ópio na China. Quando um povo mergulha em vícios, perdem todo seu valor. 

Aqui nos Estados Unidos quatro ou cinco gerações trabalharam e deram suas vidas para construir essa nação como é hoje. Agora você quer se incapacitar. Você acha que tem o direito de se incapacitar, usando drogas que vão te intoxicar. E já foi comprovado que as drogas, inclusive o álcool, incapacitam você. Esse é o problema do mundo: pessoas que nada fazem de bom para si mesmas pensam e acreditam que serão bem-vindas em algum lugar após a morte. O mesmo está acontecendo aqui. Uma nação que foi construída através de tantas dores, com essas cinco últimas gerações trabalhando doze, quatorze horas por dia, sem nenhum descanso na semana, foram eles que construíram esta nação. Agora você quer toda uma geração viciada, chapada nas drogas. Esta é a coisa mais terrível que se pode fazer para as gerações que passaram. 

Quer a droga seja legalizada ou não, pelo menos você não deve seguir nessa direção. Veja a depressão: por que você precisa estar deprimido? Há pessoas que acham que estar deprimidas é um direito delas. Muitas pessoas, por sua própria atitude e suas respostas ao mundo ao seu redor, se tornam doentes. Se você comer alimentos frescos e sadios, fizer exercícios físicos, caminhar, correr, seja o que for, fisicamente terá mais bem-estar e não vai estar suscetível a muitas doenças. E se você tiver assim maior bem-estar físico, vai também aumentar seu bem-estar mental. Ninguém tem o direito de estar doente, porque se você adoecer, cuidaremos de você, mas se acha que tem o direito de estar doente... não. Porque será um peso para sua família, para sua nação. 

E isso também vale para as doenças mentais. Se você quer estar mentalmente bem, cada célula em seu corpo deve pulsar com vida. Se suas células estão te empurrando para baixo por causa dos vícios, sua mente ficará deprimida. É o que acontece com os que têm vícios. 

Por isso, pensar que tornar legais as drogas é uma solução, é escrever sua própria queda. Você estará escrevendo a queda de sua cultura, sua nação, sua geração. Na Índia os universitários me perguntaram: “Sadhguru, por que você não influencia o governo para tornar legal a maconha?” Eu lhes disse: “Por que fazem essa pergunta? É porque querem ir chapados para a universidade. Suponham que vocês precisem passar por uma cirurgia importante, e o cirurgião venha chapado. Gostariam disso? Não, porque suas faculdades mentais foram diminuídas.” 

Você acredita que diminuir suas faculdades mentais é ganhar vida? Não, é melhorando suas faculdades que a vida e a felicidade aumentam. Se puder ver melhor, ouvir melhor, tocar melhor, escutar melhor, cheirar melhor, sentir melhor, então a vida estará num nível mais elevado. No mundo atual, se quer ter saúde precisa de drogas, se quer ter paz precisa de drogas, se quer ter alegria precisa de drogas. As drogas chegaram a ter essa importância porque as pessoas estão vivendo mal. Mas eu digo: para ter saúde, paz, alegria, se você usar drogas vai se afundar cada vez mais.