20.2.25

OS PERIGOS DA ÁRVORE DO CONHECIMENTO - Elisabeth Haich

 Eis os perigos da Árvore do Conhecimento do bem e do mal! A pessoa que adquiriu conhecimento sem o paralelo desenvolvimento da força moral, que ainda não ampliou a esfera de seu Ser para abraçar a comunidade e, deste modo, ainda não converteu seu egoísmo em amor, corre o risco inerente de usar inversamente a energia superior, dirigida para baixo, anormalmente, para grande prejuízo da humanidade.

Somente pessoas meramente “conhecedoras”, que não têm mantido harmonia no desenvolvimento dos chakras superiores e inferiores, poriam as elevadas manifestações do Ser, tais como literatura, teatro, cinema, arte, música, a serviço da energia mais baixa, a serviço da demagogia inescrupulosa, da sensualidade, do erotismo, concupiscência, sexualidade obscena e pornografia.

Os animais não podem pecar sexualmente. Quando são excitados pela força sadia da natureza, usam-na naturalmente; procriam a descendência e também usufruem dos prazeres da sexualidade sadia. O homem, no entanto, usa a razão para descobrir todas as espécies de métodos de excitação dos órgãos sensoriais, mesmo contrários a sua vontade, do titilá-los simplesmente para gozar, até a luxúria perversa.




Os órgãos sadios se enfraquecem e degeneram, porque têm de continuar proporcionando prazer além de sua força normal.

Naturalmente os habitantes do submundo exploram as fraquezas humanas pelas mais sórdidas espécies de negócios, tais como antros de drogas e outros estabelecimentos sórdidos do submundo.

Aqueles que, por motivos de infelicidade ou dependência ao prazer (que também é radicado em infelicidade), dirigem a energia vital para os órgãos sexuais, os quais solicitam gratificação sempre renovada como resultado da titilação constante, têm cada vez menos energia para as funções dos órgãos superiores que servem à espiritualidade.

O resultado é a debilitação da força de vontade, constante sensação de apreensão, astenia física e mental, resistência diminuída, inatividade e incapacidade para a vida. Assim o homem tem confiscada sua aptidão espiritual superior, declina na sensibilidade e se extingue.

4.12.24

GRANDES INTELIGÊNCIAS OU GRANDES CORAÇÕES? - Chico Xavier


A superioridade da inteligência, num grande número dos habitantes deste planeta, indica que ele não é um mundo primitivo, destinado à encarnação de Espíritos primitivos, apenas saídos das mãos do Criador.

Nós somos uma comunidade muito grande de Espíritos misturados uns com os outros. As maiores cabeças nem sempre são aquelas capazes de nos guiar para o bem. Temos inteligências interessadas no conflito mundial, na formação de aparelhos e engenhos de destruição, que não são criados pelos grandes corações nem pelas almas grandes na bondade e no amor pelos semelhantes.

São geralmente criados por homens e mulheres que se isolam da comunidade para estudar o melhor meio de destruir. Esses companheiros são grandes pela inteligência, mas pelo sentimento ainda são muito pequenos. Não compreendem a dor do próximo, não compreendem os irmãos em penúria.

Se formos falar na doação disso ou daquilo em favor dos sofredores, no nosso País ou em outros, se formos conversar com esse gênios a respeito de uma renovação — eles nos julgam crianças... Se não riem no nosso rosto, é porque ainda têm certa educação.

Temos que suportar as grandes inteligências; o termo é mesmo suportar. São eles que nos levam à guerra. O chamado míssil não foi formado pelo coração de mãe, de pai. São as grandes inteligências que o desenvolveram.

Se nos perguntarem se queremos a paz ou a guerra, respondemos imediatamente que queremos a paz, a alegria, não queremos atacar ninguém, queremos viver pela Vontade de Deus, não queremos os tóxicos. Cada um ponha o seu discernimento em ação e vamos observar que essa grandes inteligências não cresceram num mundo simples como o nosso, vieram de outros mundos, mas são carecedoras de amparo espiritual.


Muitos voltam para os lugares de penúria (depois da desencarnação) por não saberem aproveitar o intelecto de nível superior... Renascem depois com as doenças congênitas, com as mutilações que procedem do berço, para ver se essas inteligências acordam para o bem.

Esses Espíritos que chegam de mundos adiantados pela inteligência, chegam até nós como grandes flagelos... Se uma dessas inteligências chegar, por exemplo, à cidade de Uberaba, a administração a louvará, haverá discursos... Mas vamos perguntar — que bem essas pessoas estão fazendo? Muitos estarão fazendo alguma coisa, é verdade; muitos auxiliam as instituições, mas na maioria das vezes essas criaturas que nos merecem muito respeito e consideração, estão 'acompanhadas', querem saber qual o melhor meio de destruir...

Não é gente de grande inteligência que vem à Terra para nos auxiliar — eles servem ao mal, são grandes cérebros... Auxiliam, mas provocam milhares de mortos... Temos grandes generais, cientistas, professores, inclusive mulheres...

A mulher é uma filha privilegiada por Deus, pelos dotes de inteligência e sensibilidade, mas a bomba atômica teve como colaboradora uma das maiores mulheres de grande inteligência. Em Hiroshima 70.000 pessoas foram mortas em 10 minutos com a bomba atômica em 1945! Nós queremos a vida simples. Podemos observar que a coletividade humana nesta hora do mundo está sendo basicamente tocada no coração.

A inteligência quis um grande metrô em São Paulo — ele está pronto; no Rio — ele está pronto... Mas as provações mais dolorosas que nos visitam agora são provações que nos atingem o cerne da alma. É a desintegração de núcleos preciosos, como a família.

Vemos programas de televisão que são grandes realizações da inteligência, mas às vezes observamos a intenção sutil do autor para a desintegração do lar, para a viciação dos mais jovens, dos corações que querem a vida simples.

Não é preciso sermos santos, mas queremos viver uma vida de paz uns com os outros. E temos que procurar isto com os grandes corações. O computador é um prodígio da inteligência, mas quem vai se lembrar de pedir a ele um pedaço de pão, um auxílio a um robô?

Não é nessa linha que vamos atingir os fins de Jesus — é no estudo, no amor, no respeito, na preservação da família. Temos que ter muito cuidado ao entregar um filho ou uma filha a determinado instituto. Não sabemos que tipo de criatura voltará para a nossa casa.

Outros vão para o Exterior, voltam deturpados com os vícios, toxicômanos, com idéias de superioridade, paranóicos, quase loucos, quando não estão loucos.

Neste planeta, estamos todos misturados. Tem muita gente de alta inteligência, mas que não quer construir a nossa felicidade. Jesus é o verdadeiro arquiteto da nossa felicidade, se fizermos o que Ele nos ensinou... Aquele que mais servir terá mais mérito. Servidor é o que limpa o chão, que vai ajudar uma criança desencaminhada, uma mãe desditosa. Essa pessoa que ama o serviço, que não reclama, é que será considerada maior. Sejamos úteis em qualquer lugar.

As grandes inteligências promovem greves; o grande coração não nos ensina a violência... O nosso coração se regozija quando evitamos a queda de alguém, retirando do asfalto uma simples casca de banana. A grande inteligência acha que isso deve ser feito pelo gari. Ora, por que não podemos fazer?!

A alta inteligência quer reverência, homenagens, e depois entra para a sala de experiências para saber a melhor maneira de destruir, com exceção daqueles que entram nos laboratórios para estudar a melhor maneira de produzir uma vacina — essas sim são altas inteligências.

Mas talvez dois terços dessas grandes inteligências nos guiam para o mal. Vamos esperar que a Misericórdia Divina tenha compaixão de nós, esperar que essas altas inteligências descubram um caminho de reconciliação, já não dizemos de paz. Precisamos discernir para não estarmos criando para nós e para aqueles que nos amam verdadeiros labirintos de perturbação mental. Quem cai pelo coração, sofre tanto que se redime. Quem cai pela inteligência  não se sente caído (e sua redenção, portanto, é mais difícil).

30.10.24

ANIMAIS: NOSSOS IRMÃOS – Annie Besant

 

Quando o homem mata por prazer, ele rebaixa seu título de homem. É indigno dele ir junto dos seres que vivem felizes nos bosques, carregando uma arma, e levar-lhes o sofrimento, o medo, o terror, o pavor, semeando a destruição por onde passa.

Prostituindo seus poderes do intelecto, para fazer de si mesmo o mais mortífero das criaturas sensíveis, ele emprega a inteligência, que deveria ser um meio de ajudar a educar os seres inferiores, em levar por toda parte novas formas de sofrimento e energia destruidores.

Se um homem vai a um lugar onde se encontrem os animais inferiores, eles fogem diante dele, porque a experiência lhes ensinou os perigos que correm na sua presença. Se ele vai a qualquer lugar da Terra, onde raras vezes os homens pisaram o chão, vê aí animais sem medo algum e nas disposições mais amigáveis.

Em qualquer região civilizada, por toda parte onde há um homem nos campos ou nos bosques, tudo que vive foge ao ruído de seus passos; para estas criaturas ele não é o amigo, mas aquele que traz consigo o alarme e o terror, por isso procuram evitá-lo.

Se alguma vez fordes a um lugar onde se matam animais, um matadouro, notareis o terror que fere os animais, quando sentem o cheiro de sangue. Vereis o sofrimento, o temor, o horror em que eles se debatem, para escapar aos caminhos desviados por onde os arrastam. Segui-os até o matadouro, se tendes para isso coragem; olhai-os quando forem mortos; depois deixai vossa imaginação andar um passo mais, ou se possuirdes o poder de perceber as vibrações astrais, e vereis imagens de medo, de terror, quando a vida é brutalmente arrancada do corpo e a alma do animal entra no mundo astral.

Cada pessoa que come carne atrai uma parte da responsabilidade pela morte dos animais no matadouro. E os horrores não estão apenas nos matadouros, mas ainda os horrores preliminares do transporte, a privação de alimentos, a sede, as longas experiências de terror que esses desgraçados seres têm de sofrer para a satisfação do apetite do homem.


Os sofrimentos que infligimos a esses seres são uma dívida contra a humanidade que diminui e retarda em massa o progresso humano. Aqueles que pisamos retardam nosso próprio adiantamento. O mal que causamos é a lama que se agarra aos nossos pés, que nos impede de elevarmo-nos.

Assim como o abuso do álcool, também a alimentação carnívora degrada o corpo físico do homem. Se pudermos eliminar o sofrimento dos nossos irmãos, os animais, então o sofrimento desaparecerá da Terra. Os gemidos, a angústia, a miséria, dos seres dotados de sensibilidade, serão diminuídos, e então o amor no homem, tornado um com a lei divina, irradiará através do mundo e será o elemento a ajudar a fortalecer e embelezar o homem.

Quem quer que oriente suas energias nesta direção, quem quer que purifique seu pensamento, seu corpo, sua vida, é um colaborador da vida interna do mundo, e o desenvolvimento de seu espírito será a recompensa dada à obra que ele produz, para auxílio do mundo.

 

8.10.24

YOGA E EVOLUÇÃO - Swami Sivananda


Um Yoga-Bhrashta (uma pessoa que caiu de suas práticas yóguicas), que fez um sádhana rigoroso em seu nascimento anterior, mas foi incapaz de alcançar a auto-realização por algum motivo ou outro, alcança a auto-realização neste nascimento com a rapidez de um relâmpago.

Ele é um adepto nato. Não faz práticas espirituais. Não tem guru. Ele teve sua iniciação em seu nascimento prévio. Ashtavakra e Rishi Vamadeva, os dois Yoga-Bhrashtas dos tempos antigos, alcançaram autoconhecimento enquanto estavam no útero de suas mães.

Jnanadeva de Alandi (um lugar perto de Puna, India), autor de Jnanesvari-Gita, era um adepto nato. Ele exibiu vários poderes do yoga já em sua infância. Mas tais exemplos são raros. A grande maioria das pessoas deve fazer intenso sádhana antes de conseguir a auto-realização.

Os objetos que os homens mundanos consideram preciosos não têm valor para um yogue. Este mundo com seus vários prazeres, suas dores, suas alegrias, seus sofrimentos, seus rios, montanhas, céu, sol, lua e estrelas; com seus nobres e mendigos, existe apenas a fim de que os fragmentos do Ser único, corporificados em tantas formas, possam reaver sua perdida Consciência Divina.

Não existe matéria inanimada. Há vida em tudo. A vida está escondida numa pedra. A matéria vibra com a vida. Sorria com as flores e a grama verde. Brinque com as borboletas e as cobras. Cumprimente os arbustos, samambaias e árvores. Converse com o arco-íris, com o vento, com as estrelas e o sol. Fale com os riachos e as ondas turbulentas do mar. Seja amigo de seus vizinhos, de cães, gatos, vacas, seres humanos, árvores, de toda a natureza. Então você terá uma vida ampla, perfeita, rica, plena. Então terá sucesso no yoga.

Esse estado deve ser sentido e experimentado por você, desenvolvendo a Divindade interior. Esta impressionante evolução da pedra à Divindade segue por milhões de anos, por eons de tempo. Mas no ser humano esta evolução acontece mais rapidamente, com toda a força de seu passado por trás.

Essas forças que se manifestam na evolução são cumulativas em seu poder. Habitando a pedra, no mundo mineral, elas crescem e manifestam um pouco mais de poder, e realizam sua evolução no mundo mineral.

Então se tornam muito fortes para o mineral e pressionam dentro do mundo vegetal. Ali elas desenvolvem mais de sua divindade, até se tornarem muito poderosas para o vegetal, e se tornam animais.

Expandindo interiormente e ganhando experiências no animal, novamente extravasam os limites do animal e aparecem como humanos. No ser humano, elas crescem e acumulam uma força sempre crescente, e exercem maior pressão, e do humano elas forçam para o sobre-humano.

Este último processo de evolução é chamado Yoga. Portanto o yoga não é algo novo, como se imagina. 
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29.8.24

ALGO MAIS - Paul Brunton


 Há no homem algo mais do que revelam as impressões comuns. Que é esse “algo mais” no homem, que o faz defender esplêndidos ideais e conceber nobres pensamentos? Que presença espiritual dentro de seu coração o instiga a afastar-se da existência banal, puramente terrena, e travar uma luta constante entre o anjo e a fera que habitam em seu corpo?

Quando dizem a nós, homens deste século, que Deus não é apenas uma simples palavra sobre a qual se argumente e discuta, mas um ESTADO DE CONSCIÊNCIA que podemos realizar agora, no corpo, levantamos os olhos, surpresos.

Quando se nos asseguram que temos o Divino dentro de nós e que a Divindade é nosso verdadeiro Ser, sorrimos, indulgentes mas desdenhosos, tomando ares de superioridade.

No entanto, isso não é nem teoria, nem sentimentos: é uma certeza inegável, evidente e absoluta para aqueles que se adiantaram um pouco no caminho da percepção espiritual.
Diante da serena Esfinge, símbolo do verdadeiro ensinamento espiritual, o ocidental arregala os olhos, perplexo. Ele pode construir navios de dimensões descomunais, inventar mais surpreendentes máquinas, transformar nossos lares em mil maravilhas, dotando-os de aparelhos que facilitam e alegram a existência; entretanto é incapaz de fazer uma coisa tão simples: compreender o significado da vida.


Com requinte de detalhes e de provas, demonstramos essa triste linhagem que temos com o símio, porém somos incapazes de nos lembrar de nosso parentesco com o anjo.

Por que não podemos nos aproximar do Cristo, ser semelhantes a Buddha ou conquistar a sabedoria de Platão? É evidente que o podemos! Mas se não cremos nisso apaixonadamente, correremos o risco de permanecer no estado semelhante ao dos animais.

Temo-nos esquecido de nosso Eu espiritual, que entretanto nunca nos esquece em sua eterna vigília. O gênero humano tem a idade que desafia a imaginação; inúmeros seres, homens, mulheres e crianças que surgiram no decorrer dos eons em nosso planeta, depois de haverem desempenhado seu papel, desapareceram sumindo-se no sono eterno.

Os maiores cérebros, intelectos mais brilhantes de nosso tempo, pesquisam afanosamente, em documentos deixados pelas raças de outrora, vestígios de civilizações desaparecidas e segredos de um passado fértil em cataclismos.

Se seguirmos os videntes pelos eons agora penetrando nas mais sombrias regiões da antiguidade pré-histórica, atingiremos um período em que o homem eliminava inteiramente seu corpo de carne e habitava uma forma eletromagnética, um corpo radiante de éter.

Recuando ainda mais, notaremos uma mudança produzir-se em sua natureza interna, em que as paixões, emoções pessoais, sentimentos, desejos, medo, repulsa, ódio, cobiça, luxúria e inveja desapareceram totalmente. Mas em sua consciência ainda atuavam pensamentos, que levantavam ondas na superfície de sua mente e se ligavam à sua vida pessoal.

E assim o fazemos recuar a uma época em que predominam os pensamentos serenos e desaparece a necessidade de pensar numa sequência lógica para adquirir compreensão. Não apenas ele não tinha necessidade da faculdade raciocinadora, mas esta se lhe tornara até um obstáculo. O homem havia alcançado a condição nua do puro Espírito.

Talvez tudo isso seja mais fácil de compreender se dissermos que a raça humana, no decorrer de sua tão extensa história, superpôs um segundo “eu” à natureza individual com que todos os homens principiaram sua peregrinação.

Esse segundo “eu”, geralmente chamado pessoa, veio à existência através da união do Espírito e matéria, através da mistura de partículas da consciência do Eu real, sempre consciente, com as partículas de matéria inconsciente, extraídas do corpo.

Este segundo e último “eu” é aquele que todos conhecemos, o eu pessoal; mas o primeiro e real Eu, que existia antes que o pensar e o sentir aparecessem dentro do ser humano, é aquele que poucos conhecem, que é sutil e não tão evidente, porque nos torna a todos partícipes da natureza da Divindade. Ele vive sobre nossas cabeças, é um ser angelical de inimaginável grandeza e misteriosa sublimidade, e por isso o chamo Super-Eu.

Esta doutrina do verdadeiro “eu” no homem foi admiravelmente definida por um dos antigos videntes da Índia: “Invisível, mas vendo; não ouvido, mas ouvindo; não percebido, mas percebendo; desconhecido, mas conhecendo... Esse é teu Eu, o governante interno, o imortal”.

O materialista jamais se cansa de nos repetir quão tolo é o visionário que tenta agarrar as nuvens, e o Super-Eu sentado no coração do zombeteiro sorri tolerantemente de toda sua tagarelice lógica.

Nas profundezas mais íntimas de nosso Ser é que vivemos a vida real, e não na máscara superficial da personalidade que mostramos. É mais importante o ser vivente do que sua casa de pedra e cal.

O céu nos rodeia não apenas nos inocentes dias da infância, mas em cada instante de nossa vida, ainda que não o notemos. Alguns estão tão perto dessa verdade, que inconscientemente esperam pelo momento milagroso em que lhes será plenamente revelada; basta falar-lhes com o tom apropriado, logo a esperança ilumina suas almas. Essa esperança é a Voz silenciosa do Super-Eu.

Devemos pois procurar humildemente esse Super-Eu através de todos nossos movimentos íntimos, remontando tão longe quanto possível. Somente então veremos que o corpo e o intelecto são apenas os instrumentos que nos possibilitam a percepção de algo maior – testemunha silenciosa, fonte da paz indizível, sabedoria absoluta e vida eterna – o Super-Eu do homem.




O DEVER DO HOMEM - Ramacharaka

 

  • Não faça o mal a ninguém e dê a cada um o que lhe pertence.

  • Prossiga seu caminho na vida, séria e serenamente. A precipitação não é sinônimo de rapidez. A excitação e a energia são duas coisas diferentes. O ruído e a força não são idênticos. O homem tranquilo, sério, perseverante, atingirá o seu fim muito mais rapidamente do que o que possui as qualidades contrárias.

  • Não rastejeis como um verme; não vos humilheis prostrando-vos no pó, tomando o céu por testemunha de que sois um miserável pecador. Levantai-vos e dizei: Faço parte do princípio eterno da Vida. Nada pode me prejudicar, porque sou uma parte da Eternidade.

  • Não enganeis vosso semelhante, nem tampouco vos deixeis enganar por ele. Não provoqueis rixa, mas não vos deixeis espancar por ninguém. Se alguém vos bater numa face, não apresenteis a outra, mas batei-lhe também e fortemente. Entretanto nada de feri-lo com o coração cheio de ódio, e perdoai-lhe se ele implorar perdão.

  • Correi o mundo com a graça de Deus no coração e nas mãos um bom chicote. Nunca useis o chicote como arma ofensiva, mas conservai-o para o caso de ser preciso. Se estais vestido da 'armadura do justo' e se o mundo vê que tendes respeito por vós próprio e que não fazeis asneira, o mundo vos tratará com deferência.


8.7.24

SENTE-SE QUIETO - Tai Sheridan


Sentar-se quieto é a prática Zen mais importante. É uma aula de como viver uma vida sábia e gentil. Sente-se em qualquer lugar e fique quieto: sobre um sofá, uma cama, um banco, dentro de casa, fora de casa, encostando-se a uma árvore, às margens de um lago ou do oceano, num jardim, num avião, na cadeira de seu escritório, no chão, em seu carro. E também sobre almofadas de meditação.

Sente-se a qualquer momento: de manhã, à noite, por um minuto ou por três anos. Fique com a roupa que já está vestido. Afrouxe seu cinto para que a barriga possa se mover com sua respiração. Sente-se o mais relaxado possível. Relaxe seus músculos enquanto estiver sentado.

Sente-se com as costas em linha reta, mas sem rigidez. Mantenha sua cabeça alta. Respeite suas condições de saúde. Fique na postura que puder ficar. Toda postura é boa. Faça o que conseguir fazer.

Mantenha seus olhos levemente abertos sem fixar-se em ponto nenhum. Se você fechá-los, poderá ficar sonolento. Se abri-los demais ficará ocupado.

Respire naturalmente pelo nariz. Desfrute a respiração. Sinta sua respiração. Observe sua respiração. Torne-se sua respiração. Seja como um gato ronronando. Siga sua respiração como ondas do oceano que vêm e vão. Quando se distrair, volte à experiência de estar vivo, que é sua respiração.

É isso. Nenhuma crença. Nenhum planejamento. Nenhum dogma. Você não tem de ser budista. Pode ser de qualquer fé, religião, raça, nacionalidade, gênero, status social ou capacidade.

Apenas sente-se quieto, conecte-se com sua respiração e preste atenção no que acontece. Você aprenderá coisas. Faça isso quando quiser. Você decide o quanto tempo de prática é suficiente para você. Se fizer diariamente, penetrará em seu interior.

Por favor, desfrute o sentar-se quieto. A única maneira de aprender a sentar-se quieto é fazê-lo.

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