28.6.13

GORAKNATH, o poderoso yogue

PRABHULINGA, o fundador da seita Lingayat, viajava pelo país para ajudar as pessoas de mente espiritual. Ele encontrou o famoso Yogi Gorakhnath em Gokarnam (um lugar de peregrinação na costa oeste da Índia). O yogi lhe deu boas-vindas, mas estava orgulhosamente consciente de seus próprios poderes extraordinários sobre os elementos. 

Ele considerou seu convidado mais ou menos seu igual, expressou prazer em encontrá-lo, e após saudá-lo perguntou quem ele era. Prabhulinga replicou que apenas aquele que destruiu seu ego e tem auto-realização poderia saber quem ele era, e perguntou o que poderia dizer a uma não-entidade, uma pessoa, que se apegava a seu corpo perecível.

Gorakhnath, que identificava seu corpo como se fosse ele próprio, replicou: “Apenas aquele que ganhou a imortalidade do corpo, pela graça de Shiva e o consumo de gulikas (ervas medicinais), jamais morrerá. Portanto quem não ganhou tal imortalidade morre.”

Prabhulinga observou que o conhecimento consiste em realizar o Eu e não em imortalizar o corpo, e seguiu explicando que o corpo não pode ser o verdadeiro Eu. Entretanto, Gorakhnath não podia ser convencido e não cedia uma polegada em suas opiniões; ele orgulhosamente desafiou Prabhulinga a tentar cortar seu corpo, entregando-lhe uma grande, brilhante e afiada espada.

Quando a espada atingiu o corpo de Gorakhnath, nenhum ferimento lhe fez, ao contrário, entortou. Prabhulinga fingiu surpresa, e pediu a Gorakhnath que tentasse cortar seu corpo.

Inicialmente Gorakhnath hesitou em fazê-lo dizendo que Prabhulinga morreria. Mas quando Prabhulinga insistiu, ele tomou a espada e tentou cortar seu corpo. Mas para a surpresa de Gorakhnath, a espada passou facilmente pelo corpo de Prabhulinga sem afetá-lo nem um pouco. Foi como se a espada tivesse passado através do espaço vazio!

Então Gorakhnath, o Siddha, prontamente reconheceu a superioridade de Prabhulinga, o Jnani. Assim seu orgulho cedeu, e ele rogou a Prabhulinga que lhe ensinasse a verdade.

Prabhulinga então expôs Brahma vidya (conhecimento supremo) a Gorakhnath desse modo: “Gorakhnath, não pense que seu corpo seja seu Eu. Procure o morador interior e você se libertará da doença do nascimento e morte. Em seu coração está o morador interior, chamado Deus e Eu Sou Aquele (Aham Brahmasmi).”
  
Goraknath

O VALOR DA CONCENTRAÇÃO NO YOGA - Swami Abhedananda

Para o desenvolvimento espiritual, um dos melhores temas em que podemos meditar é a unidade do Atman, ou espírito individual, com Brahman, ou espírito universal. 

Para os que desejam alcançar rapidamente a meta mais elevada de todas as religiões, serão de grande ajuda ideias como estas: “Sou o Espírito além do corpo e dos sentidos, além da mente”; ou “Sou um com o Espírito universal”; ou “Eu e meu Pai somos um”. Primeiro repita oralmente uma dessas ideias, em seguida em forma mental. Concentre sua mente em seu verdadeiro significado e medite nele. 

Deixe que a própria corrente de seu pensamento flua sem distração e sem interrupção, pois só desta forma farás uma meditação real. Se qualquer outro pensamento, ideia ou perturbação exterior te distraia, volta a dirigir sua atenção com firmeza no ideal escolhido. Se um mau pensamento surgir em sua mente, vença-o com um pensamento bom. Combata a inveja e o ciúme com o sentimento da amizade; vença o ódio com o amor e ao desejo de vingança com a prática do perdão.

 Deste modo vencerás todos os pensamentos daninhos com ideias contrárias. Se praticas meditação de forma regular por meia hora todos os dias, notará depois de um mês que sua mente se pacificou e toda sua natureza se transformou.
 


O OBJETIVO DO YOGUI - Swami Abhedananda

A maior realização do homem é compreender os mistérios de seu próprio ser – conhecer-se a si mesmo. Um verdadeiro yogui, portanto, não concentra sua mente na busca do prazer como fazem as pessoas mundanas. Nem sequer gasta sua energia mental em tentar evitar as coisas que parecem desagradáveis por um curto tempo. 

Não desvia seus poderes mentais fixando a atenção nas enfermidades de outras pessoas (para curá-las), nem os usa para lograr ganhos egoístas em prejuízo do próximo, como fazem os trustes e monopólios do mundo civilizado; tampouco pratica magia negra. O verdadeiro yogui nunca concentra sua mente nos fantasmas da riqueza e das vãs ambições terrenas. Segundo o yogui, este tipo de concentração mal-dirigida esgota aquela energia que deve ser acumulada em considerável quantidade antes que possam obter-se os mais altos resultados da concentração na vida espiritual. 

Todos estes objetivos mundanos não são senão obstáculos no caminho do desenvolvimento espiritual. Pouca gente neste mundo é capaz de compreender por que essas coisas obstruem o caminho do desenvolvimento espiritual. Mas um verdadeiro yogui é aquele que pode discernir o verdadeiro do falso, o real do irreal, o espírito da matéria. O verdadeiro yogui não deseja malgastar sua energia em ganhar coisas transitórias. Ele quer realizar o mais elevado ideal da vida; por isso centra seus pensamentos na Suprema Verdade ou absoluta realidade do universo; e o resultado dessa concentração é o Samadhi, ou o mais elevado estado supra-consciente e tranqüilo da mente, e só nele é possível ter a comunhão divina ou realizar a união com Deus no plano espiritual.


 
Abhedananda