O
Conde de St. Germain apareceu em Leipzig (Alemanha) em 1777 como o
Príncipe Racogzy, da Transilvânia. A última menção histórica ao
Conte de Saint Germain data de 1822, em tal caso estava embarcando
para a India.
Ele nunca foi acusado de fraude, embora fossem feitos muitos esforços
para estragar sua reputação. Suas habilidades e realizações eram
as maravilhas daquele tempo. Pessoa célebre, transitava pelos altos
círculos da sociedade, sendo um artista talentoso, músico, químico
competente e um dedicado estudioso das disciplinas iogues e
tântricas, que ele dominava, as quais, segundo a crença, aprendera
durante sua viagem à Índia na companhia de lorde Clive. Quando na
companhia de eruditos, provou ser letrado em quase todos os ramos da
erudição.
Foi
chamado "o homem que não morre", e é certo que o
interesse por sua pessoa ainda está bem vivo. Saint-Germain foi um
iniciado da Tradição dos Mistérios e deve ser incluído entre
aqueles que os rosacruzes chamaram de servos do Generalíssimo do
Mundo e fiéis secretários da Natureza.
Quanto
à aparência pessoal, o conde de Saint-Germain é descrito como
tendo altura mediana, corpo bem proporcionado e traços regulares e
agradáveis. Ele era moreno e seu cabelo escuro, embora
freqüentemente empoado. Vestia-se com simplicidade, usualmente de
preto, mas suas roupas tinham bom corte e eram da melhor qualidade.
Seus olhos possuíam um grande fascínio e aqueles que se fixavam
neles eram profundamente influenciados. Segundo madame de Pompadour,
ele afirmava possuir o segredo da juventude eterna e, em certa
ocasião, afirmou ter conhecido Cleópatra pessoalmente e, em outra,
ter conversado intimamente com a rainha de Sabá!
O
conde de Saint-Germain era reconhecido como um estudioso e lingüista
eminente da época. Sua habilidade lingüística beirava o
sobrenatural. Ele falava alemão, inglês, italiano, português,
espanhol, francês com sotaque piemontês, grego, latim, sânscrito,
árabe e chinês com tal fluência que em cada país que visitava era
aceito como nativo.
"Erudito", escreve um autor, "falando
cada língua civilizada admiravelmente, um grande músico, um
excelente químico, ele desempenhava o papel de prodígio à
perfeição." Até os seus detratores mais impiedosos admitiam
que o conde possuía conhecimentos quase inacreditáveis em cada área
do saber.
O
conde era ambidestro a tal ponto que conseguia escrever o mesmo
artigo com as duas mãos simultaneamente. Quando as duas folhas de
papel eram depois sobrepostas e colocadas contra a luz, a escrita de
uma folha cobria exatamente a da outra. Conseguia recitar páginas
impressas após uma única leitura. Para provar que os dois
hemisférios de seu cérebro podiam trabalhar independentemente,
escrevia uma carta de amor com a mão direita e um conjunto de versos
místicos com a esquerda, ambos ao mesmo tempo. Ele também cantava
maravilhosamente.
Por
meio de algo semelhante à telepatia, era capaz de sentir quando sua
presença era necessária em alguma cidade ou estado distante e foi
até registrado que ele tinha o hábito desconcertante de aparecer em
seus alojamentos e nos de seus amigos sem recorrer ao uso
convencional da porta.
Ele
foi, por alguma circunstância curiosa, o patrono das estradas de
ferro e dos navios a vapor. Franz Graeffer, em seu Recolections of
Vienna, relata o seguinte incidente na vida do conde:
"Saint-Germain
foi, gradualmente, adquirindo um ar solene. Durante alguns segundos,
ficou rígido como uma estátua; seus olhos, que sempre eram
expressivos além das palavras, tornaram-se opacos e sem cor. De
repente, porém, seu ser inteiro se reanimou. Esboçou um gesto com a
mão, como que em sinal de despedida, depois disse: 'Estou partindo.
Não me visiteis. Ireis ver-me uma vez mais. Amanhã à noite
partirei. Precisam de mim em Constantinopla, depois na Inglaterra,
para preparar ali duas invenções que tereis no próximo século -
trens e navios a vapor."
Como
historiador, o conde possuía um conhecimento preciso de todos os
fatos dos dois mil anos anteriores e, em suas lembranças, descrevia
nos mínimos detalhes os fatos dos séculos precedentes nos quais
desempenhara papéis importantes. Ele falava de cenas da corte de
Francisco I como se as tivesse visto, descrevendo exatamente a
aparência do rei, imitando sua voz, suas maneiras e sua linguagem -
sugerindo o tempo todo ter sido testemunha ocular. No mesmo estilo,
entretinha sua audiência com histórias agradáveis sobre Luis XIV,
e os presenteava com descrições vívidas de lugares e pessoas.
A
maioria dos biógrafos de Saint-Germain menciona seus hábitos
peculiares com relação à alimentação. Era a dieta, declarava
ele, combinada com seu maravilhoso elixir, que constituía o
verdadeiro segredo da longevidade e, embora convidado aos mais
suntuosos banquetes, recusava-se terminantemente a comer qualquer
alimento que não fosse especialmente preparado para ele e de acordo
com suas receitas. Sua alimentação consistia na maior parte em
aveia, sêmola e carne branca de frango.
Sabe-se que em raras
ocasiões bebeu um pouco de vinho e sempre tomava elaboradas
precauções contra a possibilidade de contrair resfriado.
Freqüentemente convidado para jantar, dedicava o tempo, durante o
qual deveria estar comendo, a entreter os outros convidados com
histórias de magia e feitiçaria, aventuras fantásticas em lugares
remotos e episódios íntimos da vida dos poderosos.
Numa
dessas histórias sobre vampiros, Saint-Germain mencionou de forma
despretensiosa que possuía a vara, ou o bastão, com o qual Moisés
fizera brotar água das pedras, acrescentando que havia sido
presenteado na Babilônia, durante o reinado de Ciro, o Grande.
Numa
ocasião, ao relatar uma história sobre suas experiências num tempo
remoto, falhou-lhe a lembrança clara de um detalhe que considerava
relevante. Virou-se para seu pajem e perguntou: "Será que me
enganei, Roger?" O bom homem respondeu no mesmo instante: "O
senhor conde esquece que eu estou com ele há apenas quinhentos anos.
Portanto, não poderia ter estado presente nessa ocasião. Deve ter
sido o meu predecessor."
Suas
habilidades de químico eram tão profundas que conseguia remover
defeitos de diamantes e esmeraldas, façanha essa que, de fato,
realizou a pedido de Luís XV em 1757. Pedras de valor
comparativamente pequeno eram transformadas em pedras preciosas de
primeira água depois de permanecer com ele por um curto período de
tempo.
Foi
na corte de Versalhes que o conde de Saint-Germain encontrou-se
frente a frente com a condessa de Gergy, já em idade avançada. Ao
ver o célebre mago, a velha senhora recuou espantada e ocorreu entre
os dois a seguinte conversa, bem autenticada por documentação.
-
Há cinqüenta anos - disse a condessa - eu era embaixatriz em Veneza
e me lembro ter-vos visto lá com a mesma aparência de agora, talvez
um pouco mais maduro, pois rejuvenescestes desde então.
Com
uma profunda mesura, o conde respondeu com dignidade:
-
Sempre me considerei feliz por ser capaz de me fazer agradável para
as senhoras.
Se
Luís XV tivesse se beneficiado da sabedoria e dos avisos proféticos
do misterioso conde, o Reino do Terror poderia ter sido evitado.
Saint-Germain sempre foi o protetor, jamais o protegido. Luís havia
encontrado o diplomata sem mácula.
As
viagens do conde de Saint-Germain cobriam um período longo, de
muitos anos, e uma grande variedade de países. Ele era conhecido e
respeitado da Pérsia à França, e de Calcutá a Roma. Frederico o
Grande, Voltaire, madame de Pompadour, Rousseau, Chatham e Walpole,
todos que o conheceram pessoalmente, rivalizavam entre si na
curiosidade sobre suas origens.
Durante as muitas décadas nas quais
ele esteve diante do mundo, ninguém conseguiu descobrir por que
apareceu como agente jacobita em Londres, conspirador em Petersburgo,
alquimista e conhecedor de quadros em Paris, ou general russo em
Nápoles.
De vez em quando a cortina que oculta suas ações é
afastada e nos é permitido vê-lo tocando violino na sala de música
em Versalhes, trocando idéias com Horace Walpole em Londres, sentado
na biblioteca de Frederico o Grande em Berlin, ou conduzindo reuniões
de iluministas nas cavernas ao longo do Reno.
Nada
se sabe a respeito da fonte do conhecimento oculto do conde de
Saint-Germain. Com toda a certeza, ele não só demonstrava possuir
uma vasta sabedoria, mas também deu muitos exemplos corroborando
suas reivindicações. Quando lhe perguntaram uma vez sobre ele
mesmo, respondeu que seu pai era a Doutrina Secreta e sua mãe, os
Mistérios. Saint-Germain tinha total domínio dos princípios do
esoterismo oriental. Praticava o sistema oriental de meditação e
concentração, tendo sido visto, em várias ocasiões, sentado com
os pés cruzados e mãos unidas na posição de um Buda hindu.
Possuía um retiro no coração do Himalaia para onde se retirava,
periodicamente, do mundo. Em certa ocasião, declarou que
permaneceria na Índia por oitenta e cinco anos e depois retornaria à
cena de seus trabalhos na Europa.
Em
diversas ocasiões, admitiu que obedecia as ordens de um poder mais
alto e maior que ele mesmo. O que não disse era que este poder
superior era a Escola de Mistérios que o enviara para o mundo a fim
de realizar uma missão específica. O conde de Saint-Germain e sir
Francis Bacon são os dois maiores emissários enviados ao mundo pela
Irmandade Secreta nos últimos mil anos.
Os
princípios disseminados pelo conde de Saint-Germain eram sem dúvida
de origem rosacruz e permeados pelas doutrinas dos gnósticos. O
conde foi o espírito impulsor do movimento rosacruz durante o século
XVIII - possivelmente, o verdadeiro chefe dessa ordem -
e suspeita-se que foi o grande poder por trás da Revolução
Francesa. Existe razão também para acreditar que o famoso romance
de lorde Bulwer-Lytton, Zanoni,
seja
na verdade o relato da vida e das atividades de Saint-Germain.
O Conde de St. Germain, segundo Max Heindel foi uma das últimas
encarnações de Christian Rosenkreutz, fundador da Ordem Rosacruz.
saint germain