28.12.13

O CULTO DA COISA - Paul Brunton


Cada decênio dos últimos cem anos, na atual humanidade, tem visto mais orgulho, porém menos reverência, mais informação porém menos sabedoria, e mais franqueza porém menos bondade que o decênio precedente.

A perda dessas qualidades deve ser chorada. Pagamos muito caro a substituição do culto de Deus pelo culto da Coisa. Porque possuímos o automóvel, o avião e a bomba atômica, pretendemos saber mais do que nossos antepassados.

Sabemos, de fato, mas só a respeito de coisas. Na realidade sabemos menos acerca de nós mesmos, acerca dos propósitos ocultos da vida, acerca do mundo da realidade interna. Fazemos tão pouco do que realmente importa, e tanto do que é relativamente trivial!

A amplitude do conhecimento entre os antigos filósofos era limitada, mas não o era a profundidade do pensamento. Dessa maneira foi possível aos místicos realizar o milagre de chegar, com um número menor de fatos à sua disposição, a conclusões supremas mais verdadeiras a respeito do universo do que nós, os modernos, assim como a um conhecimento mais exato do ser essencial do homem.

A ciência saiu a campo a pôs-se a investigar o universo em todas as direções, exceto uma – o próprio cientista! Tamanhas são a pressão e a tensão de nossa pretensa vida civilizada, que se torna cada vez mais difícil aos homens encontrar um pouco de tempo para examinar o próprio eu, e ainda mais para sondá-lo.

 

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