Cada
decênio dos últimos cem anos, na atual humanidade, tem visto mais
orgulho, porém menos reverência, mais informação porém menos
sabedoria, e mais franqueza porém menos bondade que o decênio
precedente.
A
perda dessas qualidades deve ser chorada. Pagamos muito caro a
substituição do culto de Deus pelo culto da Coisa. Porque possuímos
o automóvel, o avião e a bomba atômica, pretendemos saber mais do
que nossos antepassados.
Sabemos,
de fato, mas só a respeito de coisas. Na realidade sabemos menos
acerca de nós mesmos, acerca dos propósitos ocultos da vida, acerca
do mundo da realidade interna. Fazemos tão pouco do que realmente
importa, e tanto do que é relativamente trivial!
A
amplitude do conhecimento entre os antigos filósofos era limitada,
mas não o era a profundidade do pensamento. Dessa maneira foi
possível aos místicos realizar o milagre de chegar, com um número
menor de fatos à sua disposição, a conclusões supremas mais
verdadeiras a respeito do universo do que nós, os modernos, assim
como a um conhecimento mais exato do ser essencial do homem.
A
ciência saiu a campo a pôs-se a investigar o universo em todas as
direções, exceto uma – o próprio cientista! Tamanhas são a
pressão e a tensão de nossa pretensa vida civilizada, que se torna
cada vez mais difícil aos homens encontrar um pouco de tempo para
examinar o próprio eu, e ainda mais para sondá-lo.

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