Os
homens freqüentam igrejas católicas, templos protestantes,
sinagogas judaicas, mesquitas muçulmanas, pagodes chineses,
santuários hindus, centros espíritas, "tatwas"
esotéricos, lojas teosóficas, fraternidades Rosa-Cruz ou terreiros
de Umbanda, buscando o conhecimento e o conforto espiritual para suas
almas enfraquecidas.
Mas
o seu aperfeiçoamento não se processa exclusivamente pela adoração
a ídolos, meditações esotéricas, interpretações iniciáticas,
reuniões doutrinárias ou cerimoniais fatigantes. Em tais momentos,
os fiéis, crentes, adeptos, discípulos ou simpatizantes, só
aprendem as regras e composturas que terão de comprovar diariamente
no mundo profano.
Os
templos religiosos, as lojas teosóficas, confrarias iniciáticas,
instituições espíritas ou tendas de Umbanda, guardam certa
semelhança com as agências de informações, que fornecem o
programa das atividades espirituais recomendadas pelo Alto e conforme
a preferência de determinado grupo humano. Mas as práticas à "luz
do dia" graduam os discípulos de modo imprevisto porque se
exercem sob a espontaneidade da própria vida dos seres em comum.
Aqui,
o discípulo é experimentado na virtude da paciência pela demora
dos balconistas em servirem-no nas lojas de compras, ou pela reação
colérica do cobrador de ônibus; ali, prova-se na tolerância pela
descortesia do egoísta que fura a "fila" de espera, ou
pela intransigência do fiscal de impostos ou de trânsito; acolá,
pela renúncia e perdão depois de explorado pelo vendedor, insultado
pelo motorista irascível ou prejudicado no roubo da empregada!
Assim,
no decorrer de nossa atividade humana, somos defrontados com as mais
graves argüições no exame da paciência, bondade, tolerância,
humildade, renúncia ou generosidade! É tão simples como a própria
vida, pois no seio da agitação neurótica e competição
desesperada para a sobrevivência humana, o homem moderno decora os
programas salvacionistas elaborados no interior dos templos
religiosos ou instituições espiritualistas, para depois
comprová-los nas atividades da vida cotidiana.
