Passam
os séculos!
E
os acontecimentos da vida humana vibram com as carruagens de
esplendores, os gemidos dos vencidos e dos escravos, na esteira dos
guerreiros, entre o delírio das multidões entusiastas e
inconstantes!
Passam
os séculos!
Outra
vez, a fúria e a insanidade afogueiam a alma impetuosa e rude dos
conquistadores. E então, novamente, cavalos velozes, montados por
homens loucos, de faces duras e queimadas pelo sol, estouram em doida
disparada pelos desertos, lanças em riste e bandeiras rubras como
sangue, agitadas no ar e os mantos soltos ao vento como águias
esvoaçando em busca da presa. Os gritos selvagens e de triunfo
sonorizam a mortífera cavalgada, enquanto caem os corpos dos
vencidos pagando o tributo de resistirem à morte!
Passam
os séculos!
Mas,
agora, os "homens loucos", aí estão eles, deitados nas
enxergas da miséria, nas soleiras das igrejas, nos desvãos das
pontes e nos bancos das praças públicas. São corpos que palpitam,
semivivos, faces imbecilizadas, olhos apagados, membros atrofiados,
figuras hidrocéfalas, caricaturas humanas cujo impulso de vida
estagnou, ficou paralisado no limiar da consciência do ser! São uma
espécie de moribundos, filhos da demência que, outrora, em louca
tropelia, semearam a morte e ultrapassaram os direitos da vida!

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