29.4.15

AUTOINDAGAÇÃO E MISTICISMO - Paul Brunton


Um homem pode, através de uma intensa devoção a Deus ou a um de seus mensageiros encarnados, elevar-se pela força de sua emoção purificada àquela mesma experiência divina em que ele também é capaz de sentir sua personalidade, fundindo-se no ser mais amplo da Alma.

No entanto, nesta era de racionalismo, perguntação e ceticismo, há grande número de pessoas que não se sentem atraídas para tal caminho. Nenhum personagem religioso desperta sua reverência mais profunda, ainda que lhes mereça um respeito sincero.

Não haverá uma forma pela qual essas pessoas cheias de dúvidas poderão praticar a meditação e conquistar a misteriosa Verdade e Paz por ela oferecidas? Tal forma decerto existe. Os ocidentais possuem mente analítica; já analisamos tudo aquilo que é composto de substâncias químicas; já é hora de nos analisarmos. O caminho que se adapta a essa tendência do homem moderno deve basear-se no uso da razão.

Tal método é o Caminho da Auto-Indagação (Vichara). Através dele aliam-se o racionalismo da análise e o poder da meditação. É um caminho sempre aberto que conduz ao centro do homem, e por essa razão qualquer um pode trilhá-lo. A auto-indagação pode ser praticada por qualquer um, em qualquer lugar e a qualquer momento.

Quase todas as outras práticas ostentam algum rótulo confessional, exigem autodisciplinas proibitivas, requerem uma fé profunda da parte daqueles que as adotam ou precisam de vidas inteiras de esforços desmedidos e de uma energia prodigiosa.

A arte da auto-indagação, porém, é simples, direta, primordialmente intelectual e totalmente liberta de quaisquer ligações com qualquer religião ou culto. É verdade que existem outros caminhos, atalhos, mas não são recomendados ao estudante que não conta com orientação; tais caminhos só podem ser revelados por um mestre competente a uns poucos discípulos cujo merecimento e fidelidade já tenham sido submetidos à prova do tempo. A graça desse mestre deve ser conquistada através de uma devoção intensa antes que se possa falar em iniciação.

Aqueles que quiserem poderão, portanto, adotar o caminho da auto-indagação, que em razão de sua base intelectual e em razão de ser despido de partidarismo é o único que venho expondo ao público.

O indivíduo que praticar esse método libertará sua mente da inquietude, dar-lhe-á paz, treiná-la-á a olhar para dentro de si mesma e aguçará seu poder de concentração. Armado com essas qualidades, estará apto a entrar num caminho mais elevado, o caminho da Realidade Absoluta. Ou no mínimo passará por uma grande renovação de alma e sua vida entrará a florescer como nunca. 



MÉTODOS ANTIGOS E MODERNOS DE AUTOCONHECIMENTO – Paul Brunton


Os reclusos iogues da Índia, os suaves sábios da China, os poderosos sacerdotes do Egito, os arrebatados sufis da Pérsia (hoje Irã), os desaparecidos druidas da Bretanha e os principais sacerdotes incas, entre outros, eram donos de conhecimentos psicológicos; eles conheciam certo método de autoconhecimento e o punham em prática. Isto lhes proporcionava espantosas transformações espirituais. Seus débeis descendentes de hoje desdenham, quase todos, desse método de autoconhecimento e apenas em pequeno número o praticam.

Nós ocidentais encontraremos a salvação quando reaprendermos esse método (vichara) – hoje quase perdido na escuridão dos tempos – e o adaptarmos à nossa ambiência, o reformularmos em termos modernos e retomarmos sua prática habitual.

Requeremos um modo de apresentação das mesmas verdades mais moderno e prático que o adotado desde tempos imemoriais pelos iogues barbados das margens do Ganges e pelos venerandos rishis das grutas do Himalaia.

A mais preeminente das antigas tradições é a indiana, porque ainda vive quando outras estão mortas, e porque a Índia foi o berço dos mais profundos pensamentos da humanidade, na mesma forma em que o Egito foi o pai da magia mais maravilhosa e a Grécia o nascedouro dos mais elevados esforços criativos no campo da estética.

Entre os maiores iogues da Índia figura Patânjali, responsável pelo primeiro volume didático de ioga de que se tem notícia. O ioga, em essência, nada mais é que a introversão da mente do homem no sentido de seu divino interior, que era exposto verbalmente apenas a uns poucos discípulos escolhidos.

Já os gregos ensinavam em público o autoconhecimento. Por exemplo, Sócrates praticava métodos de meditação claramente preconizados por Patânjali. Certa vez ele caminhava em companhia de Aristodemo rumo a um banquete, e deixou-se ficar para trás, completamente absorto, fixando a mente em si mesmo, e Aristodemo chegou ao destino sem ele. Um escravo foi mandado à procura do sábio, mas voltou informando que Sócrates permanecia aprofundado em seu próprio Eu à porta de uma casa e não fazia caso quando o chamavam. “Deixe-o em paz, disse Aristodemo, é sua maneira de isolar-se de quando em quando”.


17.4.15

OS MANTRAS E SUA AÇÃO NOS CHAKRAS - Ramatis


Mantras são letras e sílabas de articulação harmoniosa. Quando pronunciados num ritmo ou sonoridade peculiar e sob forte concentração mental, despertam no organismo físico do homem uma energia incomum, que lhe proporciona certo desprendimento ou euforia espiritual.

Os mantras aceleram, harmonizam e ampliam as funções dos chakras, produzindo transformações equivalentes à sua natureza elevada.

Não se constroem mantras sob a frialdade científica nem por caprichos esotéricos de simples ajustes de vocábulos, pois não despertariam efeitos espirituais superiores na alma humana.

A Igreja Católica possui seus mantras (como a Ave Maria e o Pai Nosso), os quais, quando recitados religiosamente e dinamizados pela música sacra, acomodam a alma, reajustam energias espirituais, dispersam emoções desagradáveis e associam sentimentos sublimes nos crentes, ensejando purificações emotivas e mentais.(*)

O vocábulo AUM (pronuncia-se OM) é um mantra poderoso em qualquer latitude geográfica; é a representação universal da idéia de Deus, do Absoluto. Os monges dos Himalaias, criaturas condicionadas a uma vivência sublime, frugais e vegetarianos, cuja glândula pineal funciona ativamente na comunicação sadia com o mundo espiritual, quando recitam o mantra AUM alcançam tal clímax vibratório, que se sentem imersos no plano celestial.

O que dá força ao mantra, além de sua significação superior ou consagração sublime, é a vontade, a ternura, a vibração pessoal e o amor de quem o recita em fusão com a vibração individual do próprio Espírito Cósmico.

O mantra pode ser uma palavra, um verso, um aforismo ou uma fórmula, variando seu culto conforme as diversas fraternidades iniciáticas, doutrinas espiritualistas e credos religiosos.

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(*) Nota: existe na Igreja Ortodoxa um poderoso mantra, largamente usado para atingir a meditação e consciência superior, que é o seguinte: “Senhor Jesus Cristo, tende piedade de mim”, que é constantemente repetido pelos monges.


15.4.15

TIPOS DE ALMAS QUE SE REENCARNAM – Jinarajadasa


Segundo a Teosofia, podemos classificar o conjunto de almas que vivem neste planeta, a grosso modo, em cinco tipos diferentes:

1º tipo: ADEPTOS – não necessitam mais reencarnar, são mestres da sabedoria. Todas as experiências que a civilização pode dar, eles já as alcançaram. No entanto, muitos Adeptos reencarnam na Terra a fim de ensinar e guiar a humanidade.

2º tipo: ALMAS NO “CAMINHO” – reencarnam-se imediatamente sob a direção de um mestre, do qual são discípulas. Renunciam ao período de vida no mundo celeste a que têm direito a fim de apressar sua evolução (estão no caminho que levam à realização divina).

3º tipo: ALMAS CIVILIZADAS – são de dois tipos: a) o primeiro tipo passa 1200 anos no mundo celeste, colhendo as sementes do bem que plantaram quando encarnadas, para depois reencarnar-se, b) o segundo tipo passa 700 anos no mundo celeste.

4º tipo: ALMAS SIMPLES – são almas ainda jovens, sem a experiência das almas mais antigas; não alcançam o mundo celeste; passam o período pós-morte nos planos astrais medianos, onde podem refinar suas emoções e evoluir espiritualmente. Já ultrapassaram o período selvagem, mas ainda são pouco inteligentes. Reencarnam-se uma vez ou mais a cada século, uma vez que o intervalo entre as reencarnações é de apenas alguns anos.

5º tipo: ALMAS NÃO DESENVOLVIDAS – são os indivíduos atrasados e criminosos natos, incapazes de dominar a rude natureza do desejo e desprovidos de capacidades mentais. Passam o período pós-morte nos planos astrais inferiores e cheios de sofrimento. Reencarnam-se igualmente uma vez ou mais a cada século.

Estes dois últimos tipos compreendem nove décimos da humanidade.