29.4.15

MÉTODOS ANTIGOS E MODERNOS DE AUTOCONHECIMENTO – Paul Brunton


Os reclusos iogues da Índia, os suaves sábios da China, os poderosos sacerdotes do Egito, os arrebatados sufis da Pérsia (hoje Irã), os desaparecidos druidas da Bretanha e os principais sacerdotes incas, entre outros, eram donos de conhecimentos psicológicos; eles conheciam certo método de autoconhecimento e o punham em prática. Isto lhes proporcionava espantosas transformações espirituais. Seus débeis descendentes de hoje desdenham, quase todos, desse método de autoconhecimento e apenas em pequeno número o praticam.

Nós ocidentais encontraremos a salvação quando reaprendermos esse método (vichara) – hoje quase perdido na escuridão dos tempos – e o adaptarmos à nossa ambiência, o reformularmos em termos modernos e retomarmos sua prática habitual.

Requeremos um modo de apresentação das mesmas verdades mais moderno e prático que o adotado desde tempos imemoriais pelos iogues barbados das margens do Ganges e pelos venerandos rishis das grutas do Himalaia.

A mais preeminente das antigas tradições é a indiana, porque ainda vive quando outras estão mortas, e porque a Índia foi o berço dos mais profundos pensamentos da humanidade, na mesma forma em que o Egito foi o pai da magia mais maravilhosa e a Grécia o nascedouro dos mais elevados esforços criativos no campo da estética.

Entre os maiores iogues da Índia figura Patânjali, responsável pelo primeiro volume didático de ioga de que se tem notícia. O ioga, em essência, nada mais é que a introversão da mente do homem no sentido de seu divino interior, que era exposto verbalmente apenas a uns poucos discípulos escolhidos.

Já os gregos ensinavam em público o autoconhecimento. Por exemplo, Sócrates praticava métodos de meditação claramente preconizados por Patânjali. Certa vez ele caminhava em companhia de Aristodemo rumo a um banquete, e deixou-se ficar para trás, completamente absorto, fixando a mente em si mesmo, e Aristodemo chegou ao destino sem ele. Um escravo foi mandado à procura do sábio, mas voltou informando que Sócrates permanecia aprofundado em seu próprio Eu à porta de uma casa e não fazia caso quando o chamavam. “Deixe-o em paz, disse Aristodemo, é sua maneira de isolar-se de quando em quando”.


Nenhum comentário:

Postar um comentário