Os
reclusos iogues da Índia, os suaves sábios da China, os poderosos
sacerdotes do Egito, os arrebatados sufis da Pérsia (hoje Irã), os
desaparecidos druidas da Bretanha e os principais sacerdotes incas,
entre outros, eram donos de conhecimentos psicológicos; eles
conheciam certo método de autoconhecimento e o punham em prática.
Isto lhes proporcionava espantosas transformações espirituais. Seus
débeis descendentes de hoje desdenham, quase todos, desse método de
autoconhecimento e apenas em pequeno número o praticam.
Nós
ocidentais encontraremos a salvação quando reaprendermos esse
método (vichara) – hoje quase perdido na escuridão dos tempos –
e o adaptarmos à nossa ambiência, o reformularmos em termos
modernos e retomarmos sua prática habitual.
Requeremos
um modo de apresentação das mesmas verdades mais moderno e prático
que o adotado desde tempos imemoriais pelos iogues barbados das
margens do Ganges e pelos venerandos rishis das grutas do Himalaia.
A mais
preeminente das antigas tradições é a indiana, porque ainda vive
quando outras estão mortas, e porque a Índia foi o berço dos mais
profundos pensamentos da humanidade, na mesma forma em que o Egito
foi o pai da magia mais maravilhosa e a Grécia o nascedouro dos mais
elevados esforços criativos no campo da estética.
Entre os
maiores iogues da Índia figura Patânjali, responsável pelo
primeiro volume didático de ioga de que se tem notícia. O ioga, em
essência, nada mais é que a introversão da mente do homem no
sentido de seu divino interior, que era exposto verbalmente apenas a
uns poucos discípulos escolhidos.
Já os
gregos ensinavam em público o autoconhecimento. Por exemplo,
Sócrates praticava métodos de meditação claramente preconizados
por Patânjali. Certa vez ele caminhava em companhia de Aristodemo
rumo a um banquete, e deixou-se ficar para trás, completamente
absorto, fixando a mente em si mesmo, e Aristodemo chegou ao destino
sem ele. Um escravo foi mandado à procura do sábio, mas voltou
informando que Sócrates permanecia aprofundado em seu próprio Eu à
porta de uma casa e não fazia caso quando o chamavam. “Deixe-o em
paz, disse Aristodemo, é sua maneira de isolar-se de quando em
quando”.
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