16.12.15

OS FALSOS MESTRES E O EU SUPERIOR – Paul Brunton


Tanto no Ocidente como no Oriente, muita insensatez perniciosa, eivada de charlatanice, envenenada pelo comercialismo e de fútil superstição, está sendo passada por misticismo e ocultismo.
 
Quem se atira ao misticismo e ocultismo sem um preparo anterior para adquirir os rudimentos de qualificações metafísicas e morais, expõe-se a possíveis erros e decepções.
 
Temos muitos exemplos das estranhas formas tomadas pelo misticismo mal interpretado ou cinicamente explorado. Cada uma mais que as outras promete ao homem o que são absolutamente incapazes de lhe fornecer, e às vezes, pior ainda, podem constituir um grave perigo psíquico.
 
O estudante deverá estar em guarda contra os supostos mestres ou pretensos  “novos messias” que, atribuindo-se poderes sobrenaturais, o desviarão do bom caminho. É preferível viajar só que em semelhante companhia.
 
Os impulsos do Eu Superior o levarão mais seguramente a sua meta. As transformações evolucionárias sobrevindas na vida mental e as transformações kármicas da vida exterior diminuíram muito a necessidade, tão grande outrora, de um instrutor humano. Além disso, é uma tarefa gigantesca encontrar um sábio autêntico neste mundo, embora muitos existam que se reputam como tais.
 
O Eu Superior é o verdadeiro instrutor no coração dos aspirantes, seu verdadeiro iniciador. É ele que dispensa a graça implorada pelo ego. Todos os esforços no ioga devem banhar-se numa quente devoção para com a realidade interior, porque sem um amor verdadeiro ninguém pode unir-se a ela.
 
O sucesso final depende, não dos esforços conscientes feitos nesse sentido, mas da reação misteriosa a esses esforços. Os esforços têm seu valor, pois sem eles não haveria reação. Significa que o superconsciente se põe a atuar independente nele num certo estágio, quando o estudante se achará como que tomado pela mão e conduzido ao profundo silêncio que aguarda o limiar do Eu Superior.
 
É além desse limite que obterá a resposta à pergunta – Quem sou eu?

  Paul Brunton

11.12.15

A MEDITAÇÃO NO SOL – Paul Brunton


Esse é um exercício espiritual particularmente útil aos novatos, pois faz descer sobre eles a graça do Eu Superior. É uma humilde invocação, uma saudação respeitosa a esta potência suprema que se manifestou em forma de sistema solar. É o reconhecimento da unidade fundamental do homem com a Natureza, de seu indiscutível parentesco com o cosmo. É uma comunhão com a Natureza, em seu ponto mais glorioso: o Sol.
 
Este exercício pode ser realizado durante o nascer ou o por do Sol. O ocidental ignora o que perde não consagrando alguns minutos cada dia a observar a calma bênção da madrugada ou a maravilhosa paz do ocaso. São as ocasiões de que dispõe para se aproveitar das operações secretas da Natureza, e então certas forças místicas podem ajudá-lo a comungar com Ela.
 
Esses dois períodos são pontos neutros entre atividade e descanso. A Natureza marca aí um tempo de suspensão e dá livre jogo a forças transcendentais. Os instantes favoráveis são: a) pela manhã, 15 minutos antes do nascer do Sol até 15 minutos depois; b) ao anoitecer, também 15 minutos antes do por do Sol até 15 minutos depois.
 
É preciso repetir esse exercício todos os dias durante pelo menos um ano, para tirar todo o proveito possível. Os detalhes são os seguintes: devemos sentar num lugar solitário onde possamos ver o Sol, dentro ou fora de casa, e ficar de face para o leste pela manhã, e de face para o oeste à tarde. Mesmo com nuvens, o exercício pode ser feito do mesmo modo.
 
A pessoa deve estar relaxada, e não cruzar as pernas nem juntar as mãos, uma vez que é necessário que o circuito magnético não esteja fechado, a fim de permanecer receptivo às forças supra-pessoais. A postura do yoga, em que os membros ficam ligados, é usada para ajudar as forças interiores do praticante.

 
Então o estudante começará a fixar seu olhar sobre o Sol levante ou poente, ou sobre o céu colorido. Todos os outros pensamentos devem ser banidos. Os raios de luz devem entrar no corpo pelos olhos, pois esta é a maneira de dar eficácia ao exercício.
 
Os raios absorvidos deste modo possuem o poder latente de curar os males físicos, restituir as forças exauridas, pacificar os corações perturbados, purificar os maus humores sentimentais. O estudante participa, assim, da pausa que existe na Natureza e dentro de si mesmo.
 
Por último, o estudante deve imaginar-se um ser puramente mental, desencarnado, uma consciência sem forma, dissociada do corpo físico, e se esforçar por identificar-se com a vida de todos os seres, plantas, animais e homens.
 
Esse exercício leva o estudante a reconhecer que o Sol, fonte de luz, supremo símbolo visível da Mente Universal, é o centro do coração de Deus neste sistema solar, assim como o coração de seu corpo físico é o centro do Eu Superior em seu minúsculo sistema pessoal.


10.12.15

A AÇÃO DO EU SUPERIOR – Paul Brunton


O karma sombrio do pecado e da dor com que nos vestimos na maioria, é muito pesado para que o levemos a sós. Infelizmente, somos criaturas fracas, de humor cambiante, fáceis de desencorajar. Somos incapazes de apagar nossas dúvidas intelectuais, de sobrepujar nossas tentações morais ou de resolver dificuldades práticas.
 
Temos, pois, necessidade de apoio até o dia em que nos sentirmos bastante fortes para nos levantarmos e conduzirmos nosso fardo. É preciso que alguma coisa maior que nosso eu ordinário intervenha a nosso favor, no complexo jogo da vida.
 
Aqueles dentre nós que começaram a se inquietar na busca do Eu Superior e desejam, ardentemente, alargar sua experiência, têm mais ensejos de melancolia. Muitos dentre nós não são bastante fortes para se disciplinar; a herança kármica pesa-lhes como uma grande pedra nas costas, e lhes abafa o anseio de melhorar o caráter.
 
Por isso, há lugar na vida, ao lado de nossos esforços, para um esforço divino no sentido do favor, da graça. Se a obra de obter a capacidade de penetração espiritual deve ser iniciada pelo homem, ele não poderá sozinho conduzi-la a bom termo. Acontece que um dia, em desespero de causa, lançará um apelo de auxílio ao seu Eu Superior. E esta ajuda se manifestará sob a forma de graça, se a merecer.
 
O que é a graça? É uma descida do Eu Superior na zona da consciência. É a visita de uma potência tão inesperada e imprevisível, quanto feliz e fecunda. É mão invisível que se estende até nós para nos guiar no meio das trevas em que titubeamos. É a voz do Eu Superior falando de repente através do silêncio cósmico que nos rodeia.
 
É uma vontade cósmica e não um piedoso desejo ou pensamento amável, que pode produzir verdadeiros milagres, de acordo com leis desconhecidas. Sua potência é tal que pode conferir a capacidade de penetração até a realidade última, tão facilmente como dar vida ao moribundo.
 
Por existir em cada homem o Eu Superior, a graça existe em estado potencial. Quando nele desperta, dá-lhe imediatamente a consciência de mudança enorme no sentido em que opera; trata-se de mutação mora, física, sentimental ou material. Esta potência é tal que pode frequentemente destruir seu equilíbrio no domínio sentimental ou intelectual.
 
O Eu Superior não está muito longe; ele está no coração. A afirmação de que Deus reside no coração do homem não é somente de caráter poético, mas de caráter científico. E portanto, o nascimento da graça é primeiro sentido no coração, não na cabeça, porque o coração é o mais íntimo habitat no corpo humano.
 
A graça se manifesta de dois modos: primeiramente, por um sentimento que faz considerar a vida exterior como insuficiente por si mesma; em segundo lugar, por um desejo ardente da realidade interior. O nascimento começa por uma chamada da atenção sobre o peito. A força interior age por uma força centrípeta que desvia a atenção do exterior e da ambiência física.
 
Se o paciente obedece a essa solicitação e a concentra cada vez mais, no sentido interior, achará sua recompensa. Começa a sentir que existe nele alguma coisa oculta de que deve, conscientemente, tomar posse. Essa etapa pode se estender por vários anos.
 
Mesmo no coração do pecador mais endurecido subsiste um núcleo que permanece imaculado; a alma não cessa, silenciosamente, de mostrar o caminho do bem e da sabedoria. A graça também se destina àqueles que um mundo hipócrita despreza e que uma sociedade rígida demais rejeita. A seu toque místico, a lembrança dos pecados já passados se apaga, as angústias dos sofrimento do presente se adoçam, os piores rancores se apaziguam e os tormentos causados pela decepção dos desejos se dissolvem no ar. O fraco recupera forças, o aflito é consolado.
 
A graça incita o homem a praticar a virtude, a apreciar a verdadeira beleza. É um buraco na fechadura pelo qual o homem pode lançar um golpe de vista sobre a realidade. É o eu central que o homem tem de descobrir se quiser saber o que é e o que Deus é, verdadeiramente. É também o guia interior de que falam certos místicos.
 
Cada ser finito é inconsciente e imperceptivelmente atraído para o ser infinito que é o Eu Supremo, como a mosca para a luz. Não existe felicidade, paz verdadeira, satisfação duradoura enquanto esta meta não for alcançada.
 
Embora o Eu Superior seja silencioso e imóvel, é sua presença que torna possíveis todas as atividades e movimentos do homem. Em sentido mais amplo, não é somente o Observador oculto, mas é também, por participar da Mente Universal, o senhor interior da pessoa.
 
É ele que observa o karma da encarnação seguinte porque conhece todas as possibilidades kármicas do passado; é o agente secreto que as transpõe no tempo e no espaço para seu progresso último. Em certos momentos da vida pessoal, pode intervir repentina e dramaticamente, fazendo surgir acontecimentos imprevistos ou inspirando irresistivelmente uma certa decisão. E como resultado, o homem se acha guiado ou protegido milagrosamente.
 
Na verdade, o Eu Superior é a consciência mais alta de cada ser humano, é seu verdadeiro anjo da guarda, que do alto vela por ele. Intervém, às vezes, na vida pessoal, em caso de comportamento moral pernicioso para si e para os outros, dando aviso claro e nítido. E se não ouvirmos suas inspirações, o Eu Superior falará outra vez com voz mais firme – a do sofrimento kármico.
 
Temos sempre o direito de esperar do Eu Superior socorro para nossas dificuldades, até mesmo ajuda milagrosa, se estivermos no bom caminho que ele nos indica. Contrariamente, se não tomarmos em consideração, veremos cedo a manhã cinzenta levantar-se em nossos dias, cobrindo a rósea cor dos nossos sonhos.
 
Podemos perguntar: por que o Eu Superior não manifesta mais abertamente seu poder? Por que não intervém com mais clareza na vida da consciência? É porque, sabendo-se imortal e conhecendo a natureza efêmera da pessoa, pode permitir-se esperar com maravilhosa paciência que cresça, amadureça e desapareça a força (do egoísmo) da pessoa.
 
Precisamos mudar de atitude e erguer os olhos com amor para o Eu Superior. Devemos nos prender a ele mais que a qualquer outra coisa. Este poder que dirige a vida universal pode igualmente dirigir nossa vida, se o deixamos que pense, sinta e aja através de nós; devemos dizer: “Que tua vontade seja feita!”
 
Somente a humildade ante este Eu Superior pode abrir as barreiras que trancam o acesso aos “subterrâneos do rei, na pirâmide em que reside”. Todo grito sincero que lançamos, no curso de uma crise, no vazio aparente, é ouvido pelo Eu Superior sempre presente. Não esqueçamos de ser sinceros, isto é, que o anseio corresponda aos atos do homem, tanto quanto seus pensamentos; que seja uma aspiração permanente e não simplesmente um desejo momentâneo.
 
Quem invoca a potência suprema não deve fazê-lo em vão, embora a resposta possa tomar uma forma inesperada que nem sempre é de seu gosto, e vá às vezes além de suas esperanças, agindo sempre em benefício verdadeiro e não somente na aparência. Perde-se, às vezes, muito tempo em reclamar favores imerecidos. A sabedoria prática e a sinceridade moral consistem em acolher no coração esta verdade: arrepende-te e serás remido.
 
Não podemos dizer que é um erro orar para fins materiais, o que é justo às vezes. A oração dirigida a um ser sobrenatural com o fim particular de libertar o pedinte das aflições que mereceu, não pode ter outro resultado senão a consolação psicológica que traz. Essa oração não modificará a penalidade kármica.
 
A oração, porém, que se combina com um esforço de arrependimento para corrigir os defeitos que deram nascimento à aflição e que completa uma tentativa real a reparar o mal eventualmente causado a outrem, pode não ser vã. O arrependimento e a reparação são os fatores capitais para tornar uma oração eficaz. Representam uma força que pode afetar o karma pessoal.

8.12.15

SOBRE AS ENFERMIDADES – Paul Brunton


Qual a sorte dos que são condenados a ser fustigados cedo ou tarde por doenças resultantes de organismos físicos defeituosos que lhes deram origem? Se, apesar de nossos esforços, nosso corpo não pode libertar-se de suas enfermidades, se nossa vida física é paralisada, podemos procurar socorro na fé religiosa, na experiência mística ou na meditação metafísica que alargam nossos horizontes e diminuem nossa concentração sobre nós mesmos.
 
Nossa triste experiência não é inteiramente vã e sem valor. Diz um texto tibetano: “Sabei que o sofrimento, sendo o meio de ensinar ao homem a necessidade da vida interior, é um mestre espiritual.”
 
Aqueles que sofreram profundamente e cujas esperanças morreram, ouvem uma mensagem espiritual mais cedo que os outros, embora estes últimos sejam mais inteligentes ou intelectualizados. Não revisamos nossa escala de valores senão quando os sentidos perderam sua supremacia sobre nós.
 
Todo mal aparente não é um mal real. Quem não conheceu alguém que se afastou de seguir um caminho graças a uma doença? A mesma prova que enfraquece a virtude de um homem fortalece a de outro.
 
Toda experiência tende a educar a inteligência e disciplinar as emoções. Em conseqüência disso, se o sofrimento leva o homem à vida abençoada que o eleva, mesmo que só fosse por essa razão e nesses limites, estaria plenamente justificado.
 
O que aconteceria se o sistema nervoso não nos avisasse, por exemplo, que a mão está exposta ao fogo? Essa mão seria destruída e perdida para sempre. Desse modo o sofrimento físico protege a vida física. O que acontece quando protege a vida moral? Em nosso estágio evolucionário, a dor moral ocupa um lugar mais útil que o prazer.
 
Platão declarou que seria uma infelicidade o homem escapar ao castigo merecido. Esse castigo pode fazer-lhe reconhecer um erro, dar-lhe uma atitude moral mais segura, purificar seu caráter. É igualmente a dor que pode, da melhor maneira, vencer a crueldade, o orgulho, os apetites depravados do homem. Aqui, apenas palavras são impotentes contra esses males.
 
O sofrimento kármico é uma conseqüência de atos anteriores. O tempo educa o homem e desenvolve nele a faculdade de perceber o que é justo. Se a pessoa não encontrar a causa em sua personalidade do momento, deve procurá-la nas personalidades anteriores.
 
Nosso livre arbítrio do passado é a fonte de nossa sorte atual, assim como o livre arbítrio do presente será a fonte de nossa sorte futura. Por isso, não há lugar para o fatalismo, nem tampouco para uma autoconfiança exagerada.
 
Quando uma força kármica tomou um certo impulso, não é mais possível contê-la, embora seu efeito possa ser alterado (isto é, diminuído através de práticas espirituais, como karma yoga ou outras práticas espirituais).
 
No entanto, um pensamento que não alcança um certo grau de força e desenvolvimento não produz conseqüências kármicas. Vê-se, assim, a importância de afogar as ideias más logo no começo.


1.12.15

DIFERENÇAS ENTRE OS MANTRAS SOHAM E HAMSA – A. Verdegraal


Japa é a repetição de um mantra. Ajapa japa é a repetição de um mantra mentalmente, ou apenas observando o som da respiração. Ajapa japa usa mantras levemente diferentes em diferentes tradições. Estes incluem So Ham, So Hum, Hum Sa, Hung Sa, Ham Sa e Hong Sau.

Na Kriya Yoga Tântrica, são usados os mantras So Ham ou So Hum (isto é, So com a inalação e Ham com a exalação), em vez de suas variantes contrárias, que expressam Hum com a inalação e Sa com a exalação. As pessoas que conhecem os ensinamentos de Paramahansa Yogananda podem ter praticado a meditação Hong Sau (pronuncia-se Hóng Só).

So Ham pertence ao reino da Deusa, ao reino da Unidade Cósmica. Este mantra invoca a energia Shakti que reside no chakra Muladhara. Se você praticar o Ajapa Japa usando So Ham com concentração, começará a sentir uma vibração em sua região genital. Nós puxamos esta energia para cima através da concentração.

O que Hong Sau significa? Eu sou Ele. O que So Ham significa? Eu sou Ela. So Ham o leva para o plano astral feminino e emocional. Paramahansa Yogananda ensinou Hong Sau porque ele era um monge celibatário ensinando numa sociedade cristã. Ele também percebeu que a guerra se aproximava e que a América precisaria exercer um agressivo papel de liderança.

Hong Sau mantém a vibração apenas no chakra coronário (Sahasrara). So Ham vai despertar suavemente a energia cósmica que dorme no chakra raiz (Muladhara). Com So Ham Kriya despertamos a energia Shakti e a fazemos circular por todos os chakras, criando equilíbrio.

Esta é a época em que muitos de nós devem abraçar o poder Shakti (energia feminina) com integridade e equilíbrio para ajudarmos as Mudanças da Terra que estão por vir. As mulheres, principalmente, estão incorporando as energias da Deusa. Os homens também devem experimentar o êxtase d’Ela. Juntos poderemos conhecer nosso ser integral e verdadeiramente nos tornarmos os protetores deste planeta.

KRIYA YOGA E OS TRÊS PORTAIS – A. Verdegraal


Existem na espinha três portais que impedem o fluxo ascendente da energia sexual. Estes portais não são de natureza física; mas sim portais psíquicos. Eles estão fechados na maior parte das pessoas. A Kriya Yoga procura abrir estes portais a fim de haver um livre fluxo de energia através de todo o corpo psíquico.

Pode haver eventos ou circunstâncias na vida de uma pessoa, quando estes portais se abrem e a pessoa tem profundas experiências emocionais e espirituais. Entretanto, eles se fecharão novamente. A Kriya Yoga busca abrir estes portais permanentemente. Quando isso acontece, os diferentes aspectos da personalidade relacionados aos diferentes chakras podem ser unificados e equilibrados.

Compreender as dinâmicas destes portais pode fornecer um profundo entendimento de nosso comportamento na interação humana.

O primeiro portal está sobre o segundo chakra, sobre o sacrum. Quando este está fechado, nossa energia sexual trabalha dentro da concha pélvica. Isso é muito típico nos homens, embora as mulheres experimentem esse fechamento em intervalos regulares no período anterior à ovulação.

A maioria dos homens ficam sexualmente despertos bem rapidamente. A energia sexual então necessita de ser liberada. Essa necessidade causa uma mudança de comportamento no homem, o qual pode parecer que se torna mais amoroso e agressivo nesse período.

À medida que sua excitação aumenta, a pressão pode inclusive causar dor física. A razão dessa pressão é porque o primeiro portal está bem fechado. Para a maioria dos homens, este parecer ser o único meio para que a pressão seja liberada através da ejaculação, com ou sem uma parceira.

Outros homens procurarão ocupar-se em atividades físicas para “queimar” essa energia excedente. Outros podem valer-se de métodos tais como “banhos frios” para acalmar os desejos sexuais. Outros podem ocupar-se em atividades mentais para vencer não apenas a pressão sexual, mas também a vergonha e a culpa imposta culturalmente por estarem sentindo esses desejos.

Nenhum desses métodos abrirá esse primeiro portal. Em primeiro lugar, é importante entender que o desejo é um fenômeno natural sem implicações morais, vergonha ou culpa. Em segundo lugar, a energia sexual é a própria força da vida que pode ser usada para construir nossos corpos espirituais superiores. Terceiro, a meta do yoga é usar essa energia sexual bruta, até mesmo cultivá-la, assim como um fazendeiro cultiva o campo, para obter mais alimento para seu crescimento espiritual.

Através da prática da Kriya Yoga, estes portais são abertos pouco a pouco. Os canais de energia controlados por estes portais começam a fluir suavemente. Quando o primeiro portal se abre, a energia sexual tem outro caminho ao qual se dirigir. Ao invés da energia ser ejaculada através do órgão sexual masculino, ela pode subir para ser refinada nos chakras Manipura e Anáhata (do umbigo e coração).

A pressão então é aliviada e a excitação é transformada em sentimentos de expansão do coração, comumente chamados de “amor”. Nas mulheres, em geral, este primeiro portal está mais aberto. Quando elas são despertadas sexualmente, sua energia sexual se move para cima muito rapidamente. Elas sentem aquela expansão em seu coração.

  O órgão sexual feminino é o “segundo coração” de uma mulher, porque sua estimulação rapidamente acende a paixão do coração. E isso acontece porque a energia sexual se move no coração delas com pouca resistência, ou poucos obstáculos. Desse modo, é “fácil” para uma mulher “apaixonar-se”, enquanto o homem pode permanecer distante e frio, buscando apenas alívio temporário da pressão sexual em sua genitália.
 
Sob diferentes circunstâncias, mesmo um homem pode “apaixonar-se”, isto é, mesmo o coração masculino pode abrir-se. Quando isso acontece, ele se torna mais emocionalmente sensível e vulnerável. Infelizmente, isso é apenas temporário, pois o primeiro portal seguramente vai se fechar de novo e os sentimentos de “amor” vão enfraquecer, para serem logo substituídos pela necessidade primária de desejo e gratificação sexual.

Este portal é o grande mecanismo que cria a dicotomia entre homens e mulheres. Esses dois estados, a “excitação” nos homens e a “afetividade” nas mulheres, não são diferentes em sua natureza essencial. Ambos, homens e mulheres, têm um excesso de energia num único chakra. “Apaixonar-se” é um estado emocional que ocorre quando a energia sexual atinge o segundo portal, que está fechado, e volta para o centro do coração. “Excitação” é o estado que ocorre quando a energia sexual não pode passar pelo primeiro portal.

A Kriya Yoga busca um intercâmbio de energia através de todo o sistema psíquico, abrindo todos os chakras e portais. Ambos, homens e mulheres, devem abrir o segundo portal. Este portal está situado sobre o chakra do coração (Anáhata). Quando ele está fechado, a energia que se acumula no chakra do coração causa uma pressão similar àquela da região pélvica. Quando este portal se abre, esta energia pode fluir para cima e ser ainda mais refinada.

O terceiro portal está sobre o chakra da garganta (Vishuddha). Quando um homem “se apaixona”, o primeiro portal se abre levando a uma expansão de seu coração. O segundo portal pode abrir-se levando a uma expansão da voz. Ele pode tornar-se poeta dizendo as coisas certas que a mulher quer ouvir, dizendo palavras que tocarão o coração dela ainda mais profundamente, despertando nela a paixão emocional.

Isto seguramente seria um sinal para a mulher de que ele está se abrindo energeticamente, tornando-se integral. Ainda assim, aqueles portais de fato se fecharão e todo o romance e a poesia se perderão e serão esquecidos. As realidades mundanas da vida têm a tendência de nos fechar frequentemente.

A Kriya Yoga é a chave para abrir estes portais. É necessário dedicação e perseverança na prática. Ainda assim, os benefícios compensam, e muito, as frustrações e agravamentos do desequilíbrio emocional no dia-a-dia.

Abrir os portais não tornará o homem menos homem, ou a mulher menos mulher; pelo contrário, fará com que ambos sejam mais humanos. Este é o estado de equilíbrio. Equilíbrio não significa que eliminaremos as emoções negativas; emoções negativas existem em cada um dos chakras e o yoga as abraça todas como alimento espiritual.

Equilíbrio significa que temos as técnicas para equilibrar nossos estados emocionais à vontade, transformando um estado emocional em outro; por exemplo, refinando e transformando a energia sexual (1º e 2º chakras) em auto-estima (3º chakra), auto-estima em compaixão (4º chakra), compaixão em eloqüência (5º chakra), eloqüência em sabedoria (6º chakra).