8.12.15

SOBRE AS ENFERMIDADES – Paul Brunton


Qual a sorte dos que são condenados a ser fustigados cedo ou tarde por doenças resultantes de organismos físicos defeituosos que lhes deram origem? Se, apesar de nossos esforços, nosso corpo não pode libertar-se de suas enfermidades, se nossa vida física é paralisada, podemos procurar socorro na fé religiosa, na experiência mística ou na meditação metafísica que alargam nossos horizontes e diminuem nossa concentração sobre nós mesmos.
 
Nossa triste experiência não é inteiramente vã e sem valor. Diz um texto tibetano: “Sabei que o sofrimento, sendo o meio de ensinar ao homem a necessidade da vida interior, é um mestre espiritual.”
 
Aqueles que sofreram profundamente e cujas esperanças morreram, ouvem uma mensagem espiritual mais cedo que os outros, embora estes últimos sejam mais inteligentes ou intelectualizados. Não revisamos nossa escala de valores senão quando os sentidos perderam sua supremacia sobre nós.
 
Todo mal aparente não é um mal real. Quem não conheceu alguém que se afastou de seguir um caminho graças a uma doença? A mesma prova que enfraquece a virtude de um homem fortalece a de outro.
 
Toda experiência tende a educar a inteligência e disciplinar as emoções. Em conseqüência disso, se o sofrimento leva o homem à vida abençoada que o eleva, mesmo que só fosse por essa razão e nesses limites, estaria plenamente justificado.
 
O que aconteceria se o sistema nervoso não nos avisasse, por exemplo, que a mão está exposta ao fogo? Essa mão seria destruída e perdida para sempre. Desse modo o sofrimento físico protege a vida física. O que acontece quando protege a vida moral? Em nosso estágio evolucionário, a dor moral ocupa um lugar mais útil que o prazer.
 
Platão declarou que seria uma infelicidade o homem escapar ao castigo merecido. Esse castigo pode fazer-lhe reconhecer um erro, dar-lhe uma atitude moral mais segura, purificar seu caráter. É igualmente a dor que pode, da melhor maneira, vencer a crueldade, o orgulho, os apetites depravados do homem. Aqui, apenas palavras são impotentes contra esses males.
 
O sofrimento kármico é uma conseqüência de atos anteriores. O tempo educa o homem e desenvolve nele a faculdade de perceber o que é justo. Se a pessoa não encontrar a causa em sua personalidade do momento, deve procurá-la nas personalidades anteriores.
 
Nosso livre arbítrio do passado é a fonte de nossa sorte atual, assim como o livre arbítrio do presente será a fonte de nossa sorte futura. Por isso, não há lugar para o fatalismo, nem tampouco para uma autoconfiança exagerada.
 
Quando uma força kármica tomou um certo impulso, não é mais possível contê-la, embora seu efeito possa ser alterado (isto é, diminuído através de práticas espirituais, como karma yoga ou outras práticas espirituais).
 
No entanto, um pensamento que não alcança um certo grau de força e desenvolvimento não produz conseqüências kármicas. Vê-se, assim, a importância de afogar as ideias más logo no começo.


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