21.9.18

O BUDDHA INTERIOR – G. de Purucker



Um Buddha é aquele que escalou os graus da evolução humana, um por um, e assim atingiu o estado búdico, que significa glória intelectual e espiritual. Ele é um "Desperto," que manifesta a divindade que está no coração de seu próprio ser.
Os Buddhas são as flores mais nobres da raça humana. São seres que se elevaram acima da humanidade, atingindo a divindade, e isto foi feito libertando a luz que estava aprisionada no interior, a luz da divindade interior, brilhando na alma humana.
Cada ser humano é um Buddha que ainda não se expressou. Agora neste momento, dentro e acima de você, está seu Eu Superior, e à medida que os milênios passam e você conquista o eu inferior a fim de se tornar o Eu Maior, você se aproxima mais e mais do Buddha adormecido dentro de você.
Mas na verdade não é o Buddha interior que está adormecido, é você que está dormindo na matéria, tendo sonhos maus trazidos por suas paixões, suas visões falsas, seu egoísmo, produzindo pesados véus de personalidade ao redor do Buddha interior.
Aqui está o segredo: o Buddha dentro de você o está observando. Seu Buddha interior tem um olho sobre você, misticamente falando. A mão d’Ele está estendida com compaixão em direção a você, digamos assim, mas você deve estender a sua para tocá-lo através de sua própria vontade e aspiração.
Considere o que é um ser humano: alguém que tem um deus em seu coração, com um Buddha que envolve  esse deus, uma alma espiritual que envolve esse Buddha, uma alma humana que envolve essa alma espiritual, uma alma animal que envolve essa alma humana e um corpo que envolve a alma animal.
Quando o ser humano aprendeu tudo que a Terra pode ensiná-lo, ele se torna divino e não mais retorna à terra pela reencarnação – exceto aqueles cujos corações estão tão cheios da sagrada chama da Compaixão, que permanecem próximos desse planeta a fim de ajudar seus irmãos mais jovens e menos evoluídos.
Essas exceções são os Buddhas de Compaixão.
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Existem, por outro lado, seres muito grandes, santos e puros, cujo conhecimento é vasto e profundo, mas que quando atingem o estado de Buddha, em vez de sentir o chamado do Amor para voltar e ajudar, passam adiante e entram na Luz Divina, no estado de indizível bem-aventurança que é o Nirvana, e deixam a humanidade para trás.
Esses são os Buddhas Pratyekas. Embora exaltados, não se encontram no mesmo nível da sublimidade dos Buddhas de Compaixão.
O Buddha sabe que não pode avançar para a glória espiritual a menos que viva a vida espiritual, a menos que cultive sua natureza espiritual, mas quando o faz apenas para receber recompensas espirituais, vida espiritual só para si, ele é um Buddha Pratyeka.
Por outro lado, aquele que pertence à ordem dos Buddhas de Compaixão, embora tenha em vista os mesmos objetivos, treina seu espírito para se tornar completamente indiferente a suas próprias vantagens. Este último tem a fazer um trabalho enorme, e logicamente a recompensa também corresponde.
O Buddha de Compaixão, com a expansão de seu ser, torna-se um com o Universo espiritual, enquanto que o Buddha Pratyeka torna-se um com uma linha particular de evolução no Universo.
O Buddha de Compaixão, tendo ganhado tudo, ganhado o direito à paz e felicidade cósmicas, renuncia a isso para poder voltar e ajudar a humanidade. O Buddha Pratyeka passa adiante e entra na bem-aventurança indizível do Nirvana, e ali permanece por milhões de eras; e quando o Buddha Pratyeka emergir do Nirvana para retomar sua evolução em direção à expansão de seu ser, ele se encontrará na retaguarda do Buddha de Compaixão, que estará mais avançado no caminho do Infinito.
O ser humano, em sua longa evolução, pode tomar, desses dois caminhos, aquele que preferir.

* Nota: a palavra Buddha interior pode ser substituída por Cristo interior ou Krishna interior. 

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