28.5.19

A SENSIBILIDADE PSÍQUICA – Paul Brunton


Não se deve dar muita importância ao aparecimento e desaparecimento de visões e espíritos na busca espiritual. Temos que SER e não ver. Mesmo as visões psíquicas, elas são tão objetivas, de um posto de vista superior, quanto as coisas materiais.

À medida que um estudante avança no caminho, ele chega a uma condição altamente sensível ao lidar com o mundo exterior, e isso às vezes se torna doloroso. Esse tipo de problema não pode ser eliminado, pois um aumento de sensibilidade é o resultado natural do desenvolvimento mental e emocional. Entretanto, a reação às dificuldades pode ser controlada. Isso é feito desviando a atenção imediatamente para outra coisa, de preferência para o pensamento no Eu Superior, ou alguma atividade puramente física. Quando estiver na presença de alguém que o afeta ou perturba, o estudante pode fortalecer sua autoproteção magnética não olhando na direção dessa pessoa e fechando as palmas das mãos com os polegares entre os dedos.
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A massa de influências áuricas, mentais e emocionais que fica ao redor do estudante frequentemente não combina com sua sensibilidade. Não é algo necessariamente mau, mas discordante, desconfortável, um polo oposto, e ele pode precisar defender-se. Os métodos variam, e podem ser psíquicos e físicos: imaginar um muro mental, realizar rituais religiosos de purificação, queimar incenso, tomar banhos de ervas, evitar multidões.

Quando duas pessoas estão próximas, o espaço que há entre elas fica preenchido com suas auras, com as vibrações de suas extensões eletromagnéticas de seus corpos físicos, e com as atmosferas mental-emocionais que as rodeiam. Nesse espaço está refletido seu ser interior, suas atrações e repulsões pessoais.

Através do plexo solar e dos sistemas nervosos simpático e cerebroespinal, recebemos dos outros as influências que os rodeiam e irradiamos a eles as influências que nos rodeiam. A atmosfera mental das outras pessoas nos afeta e o resultado desse impacto deve nos dizer algo sobre elas. Se não nos sentimos em harmonia com elas, se estamos desconfortáveis com sua presença, se ficamos deprimidos, estressados ou perturbados ao estar com elas, devemos nos proteger evitando tais pessoas e não nos expondo ao seu contato. Mas se somos forçados a encontra-las por exigências das circunstâncias, é necessário construir uma fortaleza mental dentro de nós mesmos concentrando-nos diária e repetidamente no autoaperfeiçoamento através do pensamento correto.

É desagradável ser forçado a sentar-se próximo à aura de outra pessoa que não esteja em harmonia conosco. De qualquer modo, a aura feminina é menos desagradável que uma masculina, porque o teor magnético é mais harmonioso e menos perturbador, o ego menos agressivo e mais passivo.
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A sensibilidade psíquica pode tornar a proximidade de certas pessoas quase intolerável e deve-se buscar resistir. As ajudas nessa questão são: a) fazer uma inalação profunda, segurá-la por alguns instantes e concentrar a mente na força interior e positividade; b) manter a espinha ereta, as mãos fechadas e os pés firmemente plantados no chão.

Quanto mais desenvolvido é um homem, em inteligência, caráter e consciência espiritual, maior é o campo áurico ao seu redor.

Sentar-se num veículo público ou num café e ser observado por outros é desconfortável para a pessoa sensível. Ela sabe por experiência própria que o olhar carrega consigo as características mentais de quem olha, projeta seu pensamento e sentimento naquele momento.

O homem psiquicamente sensível notará em muitas ocasiões que, à medida que outra pessoa fica-lhe próxima, ele cada vez mais fica consciente da aura alheia até que finalmente essa aura interpenetra totalmente a sua.

É melhor não apertar as mãos de todos com quem se encontra, porque assim a pessoa adquire algo das condições mentais do outro, ainda que brevemente. Há nas mãos de uma pessoa um depósito de energia proveniente de sua aura. Ordinariamente, o apertar de mãos é para a pessoa sensível uma sensação desagradável, pois poucas pessoas alcançaram uma medida suficiente de pureza para causar uma sensação benéfica em vez de um efeito deprimente.
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A pessoa que progride no caminho espiritual deve ser muito cuidadosa com seus contatos pessoais, pois se torna cada vez mais sensível à aura e pensamentos alheios. Ela deve, por exemplo, evitar de associar-se com pessoas que sejam um fracasso, pois isso não apenas afetará sua atitude, como também tenderá a adquirir algo do mau karma e tendências mentais erradas do outro.

Frequentemente tenho visto uma irradiação de uma luz branca azulada ao redor da cabeça de alguém cintilar por alguns segundos e sumir em seguida. Sempre que isso acontece sei que tal pessoa foi marcada para a busca interior, e sei também que um vislumbre da meta foi, ou será, recebido.





21.5.19

A PRÁTICA DO JAPA – Swami Vishnudevananda



Os mantras não podem ser inventados ou fabricados por alguém, embora atualmente algumas pessoas sejam dessa opinião. Eles sempre existiram num estado latente como energias sonoras. Assim como a gravidade foi descoberta mas não inventada por Newton, os mantras foram revelados aos antigos videntes.

 Embora seja costume o guru receber ofertas voluntárias de frutas, flores ou dinheiro no momento da iniciação, vender um mantra é contrário a todas as regras espirituais.

Uma vez escolhidos, nem o mantra, ou a deidade, ou o guru, devem ser mudados. Existem muitos caminhos para se subir a montanha. Perseverar em apenas um caminho é o que levará o aspirante ao topo com maior rapidez do que se ele desperdiçar suas energias explorando os demais caminhos.

Todo mantra verdadeiro preenche seis condições: 1) ele foi originalmente revelado a um sábio, que obteve a iluminação com ele e o transmitiu a outros, 2) ele tem uma deidade que o governa, 3) ele tem uma métrica específica, 4) ele possui um bija (semente) que o investe de um poder especial que é a essência do mantra, como OM por exemplo, 5) ele tem um poder dinâmico divino, 6) ele esconde em si a consciência pura.

Há diferentes mantras devido ao fato de os temperamentos serem diferentes e ao fato de as pessoas serem atraídas a manifestações particulares do Divino. Algumas pessoas se sentem atraídas pelo silêncio, outras pela atividade; algumas gostam de contemplar a natureza, outras gostam de abstrações intelectuais.

A harmonia entre o aspirante e a deidade escolhida é essencial. Na hora da iniciação pelo guru, a deidade é escolhida. Pessoas austeras e que amam a solidão geralmente sentem-se atraídas por Shiva.

O chefe de família para o qual a família, a responsabilidade, a ordem e os ideais são importantes sente-se atraído por Rama. Krishna atrai pessoas do tipo devocional e ativo, pessoas que se preocupam com o bem-estar dos outros.Aqueles que sentem reverência pelo aspecto da Mãe Divina como a energia universal devem adorar Durga.

Se a pessoa não consegue descobrir sua própria inclinação natural, o guru escolherá a deidade de acordo com sua intuição. Uma vez que a deidade e o mantra apropriado foram escolhidos e o aspirante tenha recebido a iniciação, ele vai trabalhar com o mantra até alcançar a iluminação, nesta ou em futuras existências.



Mantras de outras deidades podem ser usados de modo suplementar, como quando se pretende adquirir qualidades particulares. A repetição de Om Saraswatiai Namahá concede sabedoria, inteligência e criatividade. Om Sri Mahá Lakshmyai Namahá confere riqueza e prosperidade. O mantra de Ganesha, Om Sri Ganapatáye Namahá, remove obstáculos em qualquer empreendimento. O Mahá Mrityunjaya mantra previne acidentes, doenças incuráveis e calamidades, e concede longevidade e imortalidade.

O Gáyatri mantra purifica a mente, destrói a dor, o pecado e a ignorância; traz liberação e concede saúde, beleza, força, vitalidade, poder, inteligência e aura magnética.

Repetir um mantra 125.000 vezes assegura ao devoto as bênçãos de sua divindade. Bija mantras (como Haum, Krim etc.) e certos mantras místicos (como o mantra Sri Vidya) não devem repetidos por pessoas que não têm um bom conhecimento do sânscrito. Quando esses mantras são entoados de maneira errada, podem causar dano ao sistema psíquico do aspirante.

INICIAÇÃO EM MANTRA – Swami Vishnudevananda



Se possível, antes de começar a repetir um mantra, busque um guru e receba iniciação desse mantra. A iniciação é uma faísca que desperta a energia espiritual que reside em cada coração humano. Uma vez aceso, o fogo é mantido através da repetição do mantra.

Apenas aqueles que são puros podem dar iniciação a outros. Por isso é importante encontrar um guru qualificado. Para que ele possa implantar com sucesso o mantra no coração do discípulo, o guru deve ter quebrado o poder do mantra em si mesmo. Quebrar o poder do mantra significa que a pessoa meditou e obteve a experiência mística da Divindade através dele, apoderando-se de seu poder.

Na hora da iniciação, o guru desperta o poder do mantra em sua consciência e o transmite ao discípulo. Se o discípulo for receptivo, receberá a radiante massa de energia em seu coração e ficará fortalecido espiritualmente.
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Deve haver afinidade psíquica entre professor e estudante; o caminho espiritual é um envolvimento para toda uma vida. O guru continua a guiar e purificar o aspirante, a preparar e fortalece-lo para a realização.

Os vendedores de mantras inventados devem ser cuidadosamente evitados; são oportunistas prontos a espoliar os instintos espirituais daqueles que buscam com sinceridade a Verdade.

Se não for possível encontrar um guru, escolha um mantra que pareça apropriado. Repita-o mentalmente com fé e devoção todos os dias. Isto tem um efeito purificador e a realização eventualmente será alcançada.

Os diversos mantras, embora igualmente eficientes, vibram em ondas de comprimentos diferentes. Na hora da iniciação, é selecionado um mantra pelo guru ou pelo próprio iniciado, de acordo com o tipo mental deste.

As vibrações do mantra e as vibrações mentais do discípulo devem ser compatíveis. A mente também deve ser receptiva à deidade em cuja forma ela vai meditar. O processo de sintonizar corpo e mente ao mantra através da repetição do mantra e meditação é prolongado. Quando a sintonia finalmente é conseguida, tem início a meditação.
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 Vishnudevananda e seu mestre Swami Sivananda

No estado de meditação, o fluxo das ondas de pensamento interior, que foi canalizado pela repetição do mantra, torna-se muito intensificado. A concentração da mente envia um fluxo de força para o topo da cabeça, e a resposta vem numa fina chuva de magnetismo que banha o corpo num fluxo descendente de suave eletricidade.

Desse modo, o poder da meditação e japa (repetição) leva à Vibração Divina. A pessoa experimenta o Silêncio eterno que inclui em si todos os sons.