21.5.19

A PRÁTICA DO JAPA – Swami Vishnudevananda



Os mantras não podem ser inventados ou fabricados por alguém, embora atualmente algumas pessoas sejam dessa opinião. Eles sempre existiram num estado latente como energias sonoras. Assim como a gravidade foi descoberta mas não inventada por Newton, os mantras foram revelados aos antigos videntes.

 Embora seja costume o guru receber ofertas voluntárias de frutas, flores ou dinheiro no momento da iniciação, vender um mantra é contrário a todas as regras espirituais.

Uma vez escolhidos, nem o mantra, ou a deidade, ou o guru, devem ser mudados. Existem muitos caminhos para se subir a montanha. Perseverar em apenas um caminho é o que levará o aspirante ao topo com maior rapidez do que se ele desperdiçar suas energias explorando os demais caminhos.

Todo mantra verdadeiro preenche seis condições: 1) ele foi originalmente revelado a um sábio, que obteve a iluminação com ele e o transmitiu a outros, 2) ele tem uma deidade que o governa, 3) ele tem uma métrica específica, 4) ele possui um bija (semente) que o investe de um poder especial que é a essência do mantra, como OM por exemplo, 5) ele tem um poder dinâmico divino, 6) ele esconde em si a consciência pura.

Há diferentes mantras devido ao fato de os temperamentos serem diferentes e ao fato de as pessoas serem atraídas a manifestações particulares do Divino. Algumas pessoas se sentem atraídas pelo silêncio, outras pela atividade; algumas gostam de contemplar a natureza, outras gostam de abstrações intelectuais.

A harmonia entre o aspirante e a deidade escolhida é essencial. Na hora da iniciação pelo guru, a deidade é escolhida. Pessoas austeras e que amam a solidão geralmente sentem-se atraídas por Shiva.

O chefe de família para o qual a família, a responsabilidade, a ordem e os ideais são importantes sente-se atraído por Rama. Krishna atrai pessoas do tipo devocional e ativo, pessoas que se preocupam com o bem-estar dos outros.Aqueles que sentem reverência pelo aspecto da Mãe Divina como a energia universal devem adorar Durga.

Se a pessoa não consegue descobrir sua própria inclinação natural, o guru escolherá a deidade de acordo com sua intuição. Uma vez que a deidade e o mantra apropriado foram escolhidos e o aspirante tenha recebido a iniciação, ele vai trabalhar com o mantra até alcançar a iluminação, nesta ou em futuras existências.



Mantras de outras deidades podem ser usados de modo suplementar, como quando se pretende adquirir qualidades particulares. A repetição de Om Saraswatiai Namahá concede sabedoria, inteligência e criatividade. Om Sri Mahá Lakshmyai Namahá confere riqueza e prosperidade. O mantra de Ganesha, Om Sri Ganapatáye Namahá, remove obstáculos em qualquer empreendimento. O Mahá Mrityunjaya mantra previne acidentes, doenças incuráveis e calamidades, e concede longevidade e imortalidade.

O Gáyatri mantra purifica a mente, destrói a dor, o pecado e a ignorância; traz liberação e concede saúde, beleza, força, vitalidade, poder, inteligência e aura magnética.

Repetir um mantra 125.000 vezes assegura ao devoto as bênçãos de sua divindade. Bija mantras (como Haum, Krim etc.) e certos mantras místicos (como o mantra Sri Vidya) não devem repetidos por pessoas que não têm um bom conhecimento do sânscrito. Quando esses mantras são entoados de maneira errada, podem causar dano ao sistema psíquico do aspirante.

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