(...)
aqueles que constroem os tétricos frigoríficos e os matadouros de equipo avançado não se livrarão de retornar à
Terra, para cumprir em si mesmos o resgate das torpezas e das perturbações
infligidas ao ciclo evolutivo dos animais.
Muitas
reencarnações serão ainda precisas para que a vossa humanidade
se livre deste deslize psíquico (comer carne), que sempre há de exigir a terapia
das úlceras, cirroses hepáticas, nefrites, artritismo, enfartes, diabetes,
tênias, amebas ou uremias!
Quantas
vezes, enquanto o cabrito doméstico lambe as mãos do seu senhor, a quem se
afinizara inocentemente, recebe o infeliz animal
a facada traiçoeira nas entranhas, apenas porque é véspera do Natal de Jesus! A
vaca se lamenta e lambe o local onde matam o seu bezerro; o cordeiro chora na
ocasião de morrer!
Só
não matais o rato, o cão, o cavalo ou o papagaio, para as vossas
mesas festivas, porque a carne desses seres não se acomoda ao vosso paladar
afidalgado; em conseqüência, não é a ventura do animal o que vos importa, mas
apenas a ingestão prazenteira que ele vos pode oferecer nas mesas lúgubres.
O
excesso de alimentação carnívora estigmatiza muitos com o “fácies suínico” ou o “estigma bovino”,
que lhes dá um ar pesadão e letárgico, caracterizando fisionomias que lembram
vagamente o temperamento dos animais devorados. É a excessiva carga astral que
lhes interpenetra o perispírito e transforma a configuração humana, fazendo
transparecer os contornos do tipo animal inferior.
A
alma verdadeiramente evangelizada é plena de ternura, compassividade
e amor; o espírito essencialmente angélico não se regozija
em lamber os dedos impregnados da gordura do irmão inferior,
nem se excita na volúpia digestiva do lombo de porco recheado
ou da costela assada, com rodelas de limão por cima. É
profundamente vergonhoso para o vosso mundo que o boi generoso,
cuja vida é inteiramente sacrificada para o bem da humanidade
e o prazer glutônico e carnívoro do homem, seja mais inteligente
que ele em sua alimentação, que é exclusivamente vegetariana!
Os
corações integralmente bondosos e piedosos não só evitam matar o animal ou ave,
como ainda não têm coragem para devorar-lhes as entranhas sob os temperos de
cebola, sal e pimenta... Aquele que mata o animal e o devora pode ser menos culpado,
porque assume em público a responsabilidade do seu ato. No entanto, o que não
mata, por piedade ou receio de remorso, mas devora gostosamente a carne do
animal ou da ave, trucidados por outros, age manhosamente perante Deus e a sua
própria consciência. A piedade à distância não identifica o caráter bondoso,
pois muita gente foge aflita, quando o cutelo fere o infeliz animal, mas
retorna satisfeita logo que a panela pára de ferver e as vísceras se apresentam
apetitosas.
Aqueles
que fogem na hora cruel do massacre do irmão bem demonstram
compreender a perversidade do ato e o reconhecem como injusto e bárbaro.
Confirmam, portanto, ter conhecimento da iniqüidade de se matar o animal
indefeso e inocente. E óbvio que, se depois o devoram cozido ou assado, ainda
maior se lhes torna a culpa, porque o mesmo ato que condenam, com a ausência
deliberada, fica justificado pessoal e plenamente na hora famélica
da ingestão dos restos mortais do animal.
Outros
há que ainda não se compenetraram do papel ridículo que representam recitando,
compungidos, versículos evangélicos em festividades fraternas do espiritismo,
ao mesmo tempo que o confrade serviçal assa o cadáver do irmão inferior, para o cemitério
do ventre!
Matar
o animal ou a ave indefesa, que precisa do carinho e da proteção
humana, constitui, realmente, grave dano de ordem espiritual!
É
um preconceito acreditar que a carne nutre a carne. O regime da
carne e do sangue é, pelo contrário, nocivo à beleza das formas, ao viço da
tez, à frescura da pele, ao aveludado e brilho dos cabelos. Os comedores de
carne são mais acessíveis que os vegetarianos às influências epidêmicas e
contagiosas; os miasmas mórbidos e os vírus encontram um terreno
maravilhosamente preparado para o seu desenvolvimento nos corpos saturados de
humores e de substâncias mal elaboradas, nocivas ou já meio fermentadas e em
decomposição.
A
pretexto de buscar recursos protéicos, exterminamos frangos e carneiros,
leitões e cabritos incontáveis. Sugamos os tecidos musculares, roemos os ossos.
Não contentes em matar os pobres
seres que nos pedem roteiros de progresso e valores educativos,
para melhor atenderem à obra do Pai, dilatamos os requintes
da exploração milenária e infligimos a muitos deles determinadas
moléstias para que nos sirvam ao paladar, com mais eficiência.
O suíno comum é localizado por nós em regime de ceva, e
o pobre animal, muita vez à custa de resíduos, deve criar para o nosso
uso certas reservas de gordura, até que se prostre, de todo, ao peso de banhas
doentias e abundantes. Colocamos gansos nas engordadeiras
que lhes hipertrofiam o fígado, de modo a obtermos pastas
substanciosas destinadas a quitutes que ficaram famosos. Em nada nos dói o
quadro das vacas mães, em direção ao matadouro, para que as nossas panelas
transpirem agradavelmente.
Os
seres inferiores e necessitados do planeta não nos encaram como
superiores generosos e inteligentes, mas como verdugos cruéis. Confiam na
tempestade furiosa que perturba as forças da natureza, mas fogem, desesperados,
à aproximação do homem de qualquer condição, excetuando-se os animais
domésticos que, por confiarem em nossas palavras e atitudes, aceitam o cutelo
no matadouro, quase sempre com lágrimas de aflição, incapazes de discernir, com
o raciocínio embrionário, onde começa a nossa perversidade e onde termina a
nossa compreensão.
Sob
o uso de muita proteína ou da ingestão indiscriminada de carne,
eleva-se a pressão arterial e, com o tempo, podem surgir a
arteriosclerose, o mal de Bright, assim como reduzir-se o calibre das
coronárias, com graves perturbações cardíacas e não raro fatais.
O próprio canceroso, quando ingere muita carne, demonstra maior
virulência de seu mal. Alguns nutrólogos modernos, e atenciosos
pesquisadores, não vacilam em afirmar que, devido ao grande
consumo de carne por parte da humanidade, ainda grassam enfermidades
como apendicite, asma, congestão do fígado, gota, hemorroidas,
prisão de ventre, úlceras e excrescências no corpo, enquanto
reconhecem que a alimentação à base de frutas e vegetais contribui
admiravelmente para recuperar os elementos que favorecem o curso e a
flora no tubo intestinal.
Sob
o excesso de alimentação imprudente, que produz a toxicose daninha,
os rins e o fígado fatigam-se e congestionam-se para atender
ao serviço de filtros vivos do corpo; o pâncreas esgota-se pela hiperprodução
de fermentos e as ilhotas de Langerhans atrofiam-se, reduzindo o seu
fornecimento de insulina e culminando na diabete insolúvel. As vísceras animais
vertem ainda outras toxinas nocivas, que perturbam o movimento peristáltico do
intestino, aumentam a viscosidade sanguínea, concorrendo para a apoplexia,
enquanto o ácido úrico dissemina-se pelo sangue, causando o artritismo.
Não
vos deve ser desconhecido que os povos orientais, alimentados só com arroz,
frutas, legumes e feijão de soja, não padecem de arteriosclerose, angina do
peito, enfarte do miocárdio ou hemorragias cerebrais.
No
caso da alimentação vegetariana, em que se recomendam as frutas oleaginosas
para compensar a falta das proteínas da carne, tais como nozes, avelãs,
amendoim, pinhão, azeitonas, coco, etc., deve-se evitar a má combinação
alimentícia, deixando de acrescentar-se o mel, a rapadura, a marmelada ou as
frutas doces, como a uva, o figo, a ameixa, a tâmara ou a pêra, que então
formam reações desagradáveis entre si. No entanto, essas frutas oleaginosas
podem ser ingeridas sem causar prejuízos digestivos,
quando
combinadas com os legumes secos, cereais, hortaliças, frutas ácidas como o
limão, os morangos, a laranja, o pêssego, o abacaxi, a cereja, e também com os
alimentos feitos na gordura da manteiga, gergelim, margarina, azeite de soja,
de oliva ou de amendoim.
O
leite, que é tão comum nos lares, nunca deveria ser ingerido
com açúcar, mel, doces ou geleias açucaradas de frutas, nem combinado
com substâncias gordurosas como o azeite, óleo de gergelim,
de soja, de algodão, de amendoim, ou com verduras ou frutas
secas; no entanto, pode ser usado a contento do aparelho digestivo
menos sadio quando misturado com frutas doces e frescas, que
já citamos anteriormente. O pão de trigo, outro alimento imprescindível
à cozinha do pobre ou do rico, não se combina favoravelmente
com a maioria dos cereais, legumes, hortaliças secas, nem
com maçã, castanha, batata ou banana, mas serve otimamente com
as frutas doces, como uva, ameixa, tâmara, pêra, etc., com frutas frescas
e mesmo secas, e ainda com o leite, ovo, nata, queijo, manteiga,
margarina, verduras e hortaliças frescas, assim como com algumas
frutas oleaginosas, o azeite, o amendoim, a avelã e o coco.
A soja é um dos mais completos alimentos, cuja fartura de proteínas
vegetais compensa admiravelmente o abandono da alimentação
carnívora. Conforme estudos e conclusões da vossa ciência,
um quilo de feijão soja equivale, mais ou menos, a dois quilos de
carne, ou então a sessenta ovos, ou ainda a doze litros de leite. Há muito
tempo é um dos alimentos mais conhecidos no Japão e na China,
e muitíssimo preferido nas zonas mais pobres de leite, ovos, queijos,
carnes ou peixes. Contém ainda boa quantidade de gorduras, apesar
de ser uma planta leguminosa; e devido à sua reduzida quantidade
de hidratos de carbono, pode servir de alimento para os diabéticos.
Embora com menor dose de vitaminas, sendo insuficiente para
a necessidade diária do homem, é uma das melhores fontes de calorias,
e só perde em quantidade para o amendoim e o queijo gordo, levando
grande vantagem sobre a carne pois, enquanto um quilo de carne
de vaca apresenta de 1.800 a 1.900 calorias, o feijão soja alcança até
3.500 calorias!
Devido à pouca quantidade de hidrato de carbono, a
farinha de soja não se presta para uso isolado, tal como acontece com
o trigo, mas pode ser usada em combinação com o leite, azeite, queijo
ou mistura com outros produtos ou alimentos, e os grãos selecionados
também proporcionam ótimas saladas. O azeite de soja é, realmente, uma
boa fonte de compensação para aqueles que se devotam à alimentação
vegetariana.
Não
aconselhamos a ninguém, no Ocidente, que repudie o leite,
ovos, manteiga, queijo ou quaisquer produtos derivados do animal
e que não dependem do seu sacrifício, morte ou dor; pois só quando
isso acontece é que estareis em conflito com as leis da sobrevivência
do irmão menor.

Ramatis