17.5.13

A NÃO-REAÇÃO III - Robert Adams



Digamos que você tem um amigo e está sempre discutindo com ele. Seu amigo tem um temperamento forte. E normalmente quando seu amigo fica violento, você também fica, e então vocês têm uma grande discussão e perdem a paciência um com o outro. Vocês se separam e ninguém venceu a discussão.

Então quando seu amigo volta em outro dia, e começa a discutir violentamente, desta vez você não responde. Você olha para ele, que está se identificando com o eu, e você não responde. O que você acha que vai acontecer? Seu amigo vai se desgastar, e percebendo que você não responde, sua ira ficará mais e mais fraca.

Na próxima vez que vocês se virem, ele pensará duas vezes antes de ficar irado e discutir, pois sabe que você não vai responder. Você se tornou a testemunha. Uma de duas coisas acontecerá: seu amigo vendo que você não discute mais vai parar de discutir com você e sair, e você não o verá mais, pois ele encontrará outra pessoa com quem discutir, ou ele se desculpará e se tornará seu verdadeiro amigo, mudando seu comportamento. E você fará o mesmo consigo mesmo.


A NÃO-REAÇÃO II - Robert Adams



Não há acasos. Tudo é do jeito que deve ser. Não há enganos. Você está no lugar certo passando por aquelas experiências que são necessárias para você. Não há nada errado. Quando você começar a considerar isto, verá que o universo não o pune, não existe um Deus que o pune, o mundo não está contra você. Certas coisas acontecem em sua vida porque são necessárias para seu presente desenvolvimento espiritual. O que parece ser mau é na verdade uma bênção disfarçada. O que parece ser bom pode ser um obstáculo para você. É por isso que você nunca deve julgar-se.

Tenha fé nos poderes que são. À medida que tiver fé suficiente, você será feliz apenas sendo você mesmo. Enquanto achar que tudo está ruim em sua vida, você perpetua esta situação. E se torna muito difícil praticar a auto-indagação. O segredo é deixar o mundo lhe trazer seja o que for, e você não reagir a nada. Não tenha opinião a favor ou contra. Esqueça o que você lê nos jornais, o que assiste na tv. Não leve o mundo muito a sério. E acima de tudo não leve sua vida muito a sério também. Não existe nada que queira feri-lo.

Os pensamentos se tornam coisas. Elas não têm realidade por si mesmas, mas através de seu pensamento você lhes dá vida, e então começa a sentir a pressão da forma de vida que você criou.

Você nunca sabe quanto tempo seu corpo tem de vida. Ele pode cair amanhã, na próxima semana, no próximo ano. E se você não realizar a verdade sobre si mesmo, continuará a reencarnar continuamente. Pense quantas vezes hoje você se desapontou com algo, ou se aborreceu, ou se irou, e você crê que tem o direito de estar assim. Foi por causa disto ou daquilo, ou por causa de alguém, por causa de algo. Mas você esquece que tudo é seu amigo. O reino mineral, o reino vegetal, o reino animal, o reino humano, tudo é seu amigo. Especialmente os assim chamados seus inimigos, porque eles estão ensinando você a não reagir.



A NÃO-REAÇÃO I - Robert Adams



O que tiver que acontecer acontecerá. Seu trabalho é não reagir. Seu trabalho é entender que tudo é predestinado. Você está no lugar certo, onde deve estar. Se há algo de que você não gosta, é errado tentar mudá-lo. É certo entrar dentro de si mesmo e ver a verdade dentro de si. E então as mudanças apropriadas virão por si mesmas. Não mude ninguém. Não mude nada. Não reaja a ninguém, não reaja a nada. Não viva no passado e não se preocupe com o futuro. Permaneça no eterno agora, onde tudo está bem.

Quantos anos mais você tem em seu corpo? Para que correr atrás de coisas que mudam e desaparecem? Esqueça sobre tentar ganhar na loteria. Esqueça sobre quem te feriu. Esqueça sobre seus pecados de omissão e comissão. Deixe tudo ir-se. Seja você mesmo. Não reaja ao mundo. Não reaja nem mesmo a seu próprio corpo. Não reaja nem mesmo a seus próprios pensamentos. Aprenda a ser a testemunha. Aprenda a estar quieto.


A PACIÊNCIA NA AUTO-REALIZAÇÃO - Robert Adams



Não tente mudar as outras pessoas. Não tente mudar suas circunstâncias. Se você se livra de uma circunstância, uma outra da mesma natureza aparecerá mais tarde. Você não pode livrar de si mesmo, até mudar a si mesmo. Você tem que trabalhar em si mesmo o tempo todo e acima de tudo tem de ter paciência. 

Paciência é a chave, especialmente quando você está praticando este caminho (vichara). Você tem de ter muita paciência. Não pergunte quando. Viva cada momento à medida que vem, em beleza e alegria. Um dia você despertará e ficará surpreso e vai rir histericamente, mas a paciência é a chave.



YOGA OU VEDANTA - Robert Adams


Muitas pessoas me telefonam fazendo todo tipo de perguntas. Uma pergunta que as pessoas sempre fazem é, "O que posso fazer para resolver meus problemas? Você pode me dar uma afirmação, um mantra, uma meditação, um exercício de respiração, algo que eu possa usar?"

Estas coisas têm seu lugar, mas não despertarão sua verdadeira natureza. Em todas as escrituras superiores está escrito que a senda da Advaita Vedanta ou Jnana Marga é apenas para as almas maduras. O que isto significa? É para aqueles que numa vida anterior já praticaram sádhanas, exercícios de respiração, técnicas de yoga, meditação etc, e agora eles estão preparados para despertar com Jnana.

E as escrituras budistas declaram que aqueles que querem praticar yogas, ou pranayamas, são os simples e ignorantes. O que estas escrituras querem dizer? Elas não pretendem insultar você, mas estão se referindo àqueles que estão apegados ao mundo, que acreditam que o mundo é real, que sentem sua realidade. 
 

4.5.13

UM OCIDENTAL EM VARANASI (antiga Benares) - Robert Adams



Quanto estive em Varanasi, a cidade mais sagrada da India, fui ver um Jnani (seguidor do Jnana Yoga) do qual ninguém ouvira falar, chamado Swami Brahma Danda. Ele tinha três discípulos que estavam com ele durante 50 anos. O swami tinha por volta de 90 anos. E fui convidado a sentar a seu lado. Acho que fui o primeiro ocidental a ter essa permissão.

Então sentei-me com ele por alguns dias, e ele ficava em silêncio. No terceiro dia que eu estava com ele, ele disse a seus discípulos que seu corpo tinha dores, estava com artrose, mas que ele tinha um trabalho a fazer, que ainda não tinha terminado seu trabalho neste plano material. E que iria deixar seu corpo no dia seguinte, às 3 horas, e ocupar o corpo de uma pessoa mais jovem. Disse ainda que alguém escorregaria na rua, na hora da chuva, e quebraria a cabeça, e que ele tomaria aquele corpo.

Então esperamos até o dia seguinte para ver o que aconteceria, queríamos ver se ele poderia fazer o que dissera. Então por volta das 3 horas do dia seguinte, ele se encontrava sentado na postura de lótus, e de repente o corpo ficou rígido e ele morreu. O corpo ficou vazio como uma concha, não havia pulso, nada. E tentamos reanimá-lo durante algum tempo, mas nada.

Então ouvimos um barulho do lado de fora e saímos; vimos que um jovem de Varanasi tinha escorregado na rua molhada e batido sua cabeça. Havia algumas pessoas reunidas em volta e havia também um médico ali. Ele foi considerado morto. De repente, ele se levantou e correu para a floresta. E ninguém mais ouviu falar dele.

BUDDHA E A PROSTITUTA - Robert Adams


Um dia Buddha e seus devotos seguiam por uma floresta e chegaram numa cidade. As notícias correram naquela cidade de que Buddha estava chegando. E havia uma bonita casa onde vivia uma cortesã, uma prostituta de alta classe. Ela ouviu falar nas maravilhas de Buddha, e como ele era belo, e disse a si mesma, 'Preciso ter este homem.' Então ela mandou suas atendentes onde estava o acampamento de Buddha, e estas lhe suplicaram que fosse ver sua senhora.

Os devotos de Buddha tentaram mandá-las embora, mas Buddha disse, 'Não, eu irei.' E os devotos lhe disseram que ele estava louco. Como ele poderia ir com elas? Ele disse, 'Eu voltarei, esperem aqui.'

Ele foi até a mansão e viu a linda cortesã. E ela olhou para ele e pensou, 'Eu não estava errada.' E disse a Buddha, 'Fique comigo, te darei riquezas que você nunca sonhou, e te darei um amor que você nunca conheceu igual.'

E o Buddha sorriu e disse, 'Agora não'. E ela lhe suplicou e disse, 'Te darei meu corpo e você terá um amor que nunca experimentou; te darei meu lar. Fique comigo e te farei o homem mais feliz que já existiu.'


E o Buddha disse, 'Não, agora não.' Ela continuou insistindo por algum tempo, e finalmente ficou cansada das recusas, e Buddha disse, 'Obrigado”, e partiu. Ele voltou a seus devotos, não disse nada e deixaram a cidade.

Trinta anos se passaram. Buddha estava passando pela cidade novamente com seus devotos. De repente ele se lembrou de algo e disse a seus devotos, 'Fiquem aqui e esperem por mim. Tenho que ver minha amada.'

Então ele voltou à casa da cortesã, que agora estava em ruínas, e a procurou. Ele viu pessoas rindo nas ruas, e lá estava ela, uma mendiga com lepra. As pessoas a evitavam e cuspiam nela. E Buddha aproximou-se e disse, 'Minha amada, voltei para ti. Agora eu te quero tanto quanto tu me quiseste.' E ele a beijou na testa e ela ficou curada. Ela tornou-se sua discípula e passou o resto de sua vida com Buddha.