13.3.20

TESTES E TENTAÇÕES DO ASPIRANTE – Paul Brunton



O buscador tem tentações e experiências especiais, diferentes das experiências comuns que acompanham as atividades humanas. Armadilhas elaboradas são colocadas em seu caminho, feitas de uma combinação de suas próprias fraquezas com pessoas ou eventos relacionados a elas. O buscador deve estar cauteloso para não cair na complacência, deve estar preparado para provas e tentações em variadas maneiras.

Nas camadas mais profundas de seu subconsciente existem tendências e lembranças más à espreita, que pertencem ao passado distante e que ainda não foram totalmente dissolvidas pelo renascimento espiritual.São essas tendências que sobem às camadas superficiais da mente e nos desafiam em momentos cruciais quando buscamos iniciação no Eu Superior, ou quando buscamos a aceitação de um Mestre.

Essas tendências foram chamadas pelos rosacruzes de “o morador do umbral”. Ninguém pode entrar em contato com seu Eu Superior ou estar em relação com um Mestre, a menos que desenvolva em si mesmo calma e força para vencer essas tendências, cujo caráter é marcado por extrema sensualidade, extrema astúcia ou extrema brutalidade, ou até mesmo uma combinação de duas ou três destas.

Existem ali crus remanescentes da violência selvagem que herdamos de reencarnações pré-humanas. Um emissário humano do elemento adverso da Natureza automaticamente aparecerá em momentos críticos e, consciente ou inconscientemente, procurará de modo hipnótico ou passivo desviar o buscador de seu caminho.

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O buscador, cedo ou tarde, descobrirá que essas forças se colocaram contra ele em sua jornada interior. Seu caminho será obstaculizado por circunstâncias externas que o enredarão em lutas desesperadas ou duras opressões e escravizações, ou por ataques físicos que terão como objetivo destruir sua busca e suas aspirações superiores.

Pessoas que convivem com o buscador podem ser usadas por essas forças para causar-lhe problemas, despertar-lhe ódio e incompreensão; amigos podem tornar-se traiçoeiros inimigos. Críticos públicos aparecerão procurando anular todo bem que ele realiza pela humanidade, ou impedir sua continuação.

O objetivo de tudo isso é evitar que se aproxime do Eu Superior, tornar a quietude mental impossível ou manter seu coração e mente voltado às coisas terrenas. Ele precisa sofrer tudo isso. No entanto, o poder e a duração desses acontecimentos podem ser diminuídos.

O caminho é obstruído não apenas pelas quedas que surgem de seus erros humanos, mas também por seres maus em forma humana que buscam destruir a fé através de falsidades e enfraquecer a confiança na orientação do Eu Superior através de desvios e armadilhas.

O místico que avança em seu caminho tem de sofrer tentações em certos pontos – tentações não diferentes daquela sofrida por Jesus para que se rendesse às glórias do mundo, ou daquela de Buddha para que se rendesse aos prazeres sensuais. A tentação pode vir através de astutos incitamentos de seus inimigos ou através de inocentes lisonjas de seus amigos. Ele deve precaver-se especialmente contra aqueles cuja fé excessiva o exaltam como sendo um ser especial. Deve estar em guarda contra as atrações do poder ou da sensualidade.

H.P. Blavatsky disse certa vez a um amigo: "Você força sua entrada na presença de um Mestre e toma as consequências das imensas forças que agem à volta dele. Se você tiver alguma fraqueza de caráter, os seguidores do Lado Escuro a utilizarão dirigindo as forças geradas para esse ponto, podendo causar sua ruína. Passe a fronteira que cerca o reino oculto, e novas forças, terríveis forças serão encontradas. Então, se você não for forte, pode tornar-se um fracasso durante esta vida. Este é o perigo. Esta é uma das razões por que os Mestres não aparecem e nem agem diretamente com frequência, mas sempre agem por graus intermediários."

Como também disse o grande yogue e filósofo Sri Aurobindo, que aqueles que estão trabalhando pela sobrevivência da Verdade num mundo onde reina a falsidade tornam-se alvo de poderosas forças da ira e falsidade. Quem quer que traga uma profunda mensagem espiritual para a humanidade, tem de sofrer a oposição do mal.

No entanto essas forças hostis ajudam ao mestre e seus discípulos. Elas testam a intuição e a agudeza dos discípulos. Se estes passarem por todos os testes, o mestre pode aceitá-los e começar neles o verdadeiro trabalho interior.

As coisas que dificultam o progresso espiritual do buscador são variadas, e embora possam desanimá-lo e desencorajá-lo, possam trazer impaciência e rebeldia, ele não precisa perder a esperança. As dificuldades existem, mas não devem nos tornar covardes.
Tempos de rápido progresso são geralmente seguidos de tempos de progresso lento ou ausente. O sucesso se alterna com o fracasso. O buscador deve seguir confiando que os obstáculos não duram para sempre, que as flutuações no caminho são inevitáveis e que suas próprias possibilidades divinas são a melhor garantia de se atingir o objetivo final. As provas do caminho são inevitáveis. Ele deve suportar as tribulações com a firme convicção de que um mundo mais brilhante o aguarda; a esperança e a fé o levarão a esse mundo.http://www.paulbrunton.org/notebooks-db/images/pixel_trans.gif


A PRÁTICA DE SOHAM YOGA – Swami Nirmalananda



1) Sente-se com a espinha ereta, confortável e relaxado, com suas mãos sobre seus joelhos ou coxas ou descansando, uma sobre a outra, em seu colo.

2) Volte seus olhos levemente para baixo e feche-os gentilmente. Durante a meditação deixe seus olhos se moverem para cima ou para baixo espontaneamente, mas comece com eles voltados levemente para baixo sem nenhum esforço.

3) Esteja consciente de sua respiração naturalmente, sem forçá-la, fluindo para dentro e para fora. Sua boca deve estar fechada para que toda a respiração seja feita pelo nariz. Mas embora a boca esteja fechada, os músculos da mandíbula devem estar relaxados para que os dentes superiores e inferiores não se toquem. Respire naturalmente, espontaneamente.

4) Então de modo muito quieto e gentil comece a entoar mentalmente Soham com sua respiração: entoe Soooooo na inalação e Haaammm na exalação. Ajuste as entoações à respiração, e não a respiração às entoações. Se a respiração for curta, então a entoação deve ser curta. Se a respiração for longa, a entoação deve ser longa. Não importa se as inalações e exalações não tiverem o mesmo comprimento. A respiração correta é a natural.

5) Durante toda a meditação continue entoando Soham e ouvindo o som mental.

6) Não se concentre em nenhum ponto particular do corpo, tal como o terceiro olho etc.

7) Soham nunca cessa. Nunca. Mesmo quando não se está meditando, esse som continua a ser produzido com a respiração.

8) A respiração, durante a meditação, pode se tornar sutil e refinada, e aquietar-se. Às vezes ela não é percebida como um movimento dos pulmões, mas como energia prânica sutil que causa a respiração física. Sua respiração pode se tornar tão leve que você parece não estar respirando em absoluto.

9) Pensamentos, impressões, lembranças, sensações interiores e coisas assim podem também aparecer durante a meditação. Esteja calmamente consciente de todas essas coisas de modo desapegado, mas mantenha sua atenção centrada nas entoações de Soham.Não são experiências que estamos buscando, mas os efeitos da meditação.

10) Se você se sentir inquieto, distraído, confuso, ansioso ou tenso, inspire e expire profundamente sentindo que está liberando todas as tensões, e continue a meditação.

Soham é o mantra da consciência nirvânica. É como uma semente que se coloca no solo, joga água e o sol faz o resto. Ao entoar So Ham com a respiração, estamos conectando nossa consciência à mente superconsciente.

Os dois yogues supremos da história da Índia, Matsyendranath e Gorakhnath, fizeram três afirmações muito importantes para o yogue, pois apresentam a essência de Soham Sádhana:

1) A inalação entra com o som sutil de So, e a exalação sai com o som sutil de Ham.
2) Não há conhecimento igual a esse, nem houve no passado, nem haverá no futuro.
3) Não há mantra igual a esse, nem houve no passado, nem haverá no futuro.

A natureza fundamental do Ser Supremo e do ser individual em cada um de nós é Soham. Soham Sádhana nos leva à consciência do eu individual e do Eu Supremo. Quando o yogue souber: “Eu sou Soham,” a Grande Obra estará completa.

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8.3.20

UMA PRÁTICA DE MEDITAÇÃO ZEN – Tai Sheridan




Sente-se em quietude.
Esta é a mais importante prática Zen.
É a sala de aula para viver uma vida sábia e gentil.
Sente-se em qualquer lugar e esteja quieto: sobre um colchão, uma cama, um banco, dentro, fora, encostado a uma árvore, ao lado de um lago, perto do oceano, num jardim, num avião, em sua cadeira de trabalho, sobre o solo, em seu carro.
Sente-se a qualquer hora: manhã, noite, um minuto, três anos.
Use a roupa com a qual já está vestido. Afrouxe sua cintura para que seu abdômen possa se mover com sua respiração.
Sente-se tão relaxado quanto for possível. Relaxe seus músculos ao começar e durante a meditação.
Sente-se com sua espinha ereta, mas não rígida. Mantenha alta sua cabeça alta.
Respeite suas condições de saúde. Apenas tome uma postura que puder. Todas as posturas são boas. Faça o que puder fazer.
Mantenha seus olhos levemente abertos e sem foco. Fechá-los vai deixar você sonolento. Deixá-los abertos vai manter você consciente.
Respire naturalmente através do nariz. Desfrute da respiração. Sinta sua respiração. Observe sua respiração. Torne-se sua respiração.
Esteja como um gato ronronando. Siga sua respiração como ondas do oceano entrando e saindo.
Quando se distrair, volte à mais simples e básica experiência de estar vivo, sua respiração.
É isso. Sem crença. Sem programa. Sem dogma. Você não precisa ser budista. Pode ser de qualquer fé, religião, raça, nacionalidade, gênero, estado civil ou capacidade.
Apenas sente-se quieto, conectado com sua respiração, e preste atenção no que acontece. Você vai aprender coisas.
Faça isso quando quiser. Você decide o quanto é suficiente para você. Se o fizer diariamente, isso entrará em seus ossos.
Por favor desfrute do sentar-se quieto!
A única maneira de aprender a sentar-se quieto é praticando.




13.12.19

PARA QUE SERVE O YOGA – A Mãe, do Sri Aurobindo Ashram


Pergunta: Para que serve o yoga?
Para que você quer o yoga? Para ter poder? Para ter paz e calma? Para servir a humanidade? Nenhum desses motivos é suficiente para mostrar que você está pronto para o Caminho. A pergunta que você tem de responder é esta: Você quer o yoga para o bem do Divino? É o Divino o fato supremo de sua vida, de tal modo que é impossível viver sem ele? Você sente que sua razão de ser é o Divino e que não há sentido em sua existência sem ele? Se for assim, então pode-se dizer que você tem um chamado para o Caminho.

Esta é a primeira coisa necessária – aspiração pelo Divino. A coisa seguinte que você deve fazer é cuidar dessa aspiração, mantê-la sempre alerta e desperta e viva. E para isso requer-se concentração – concentração no Divino com o objetivo de uma absoluta consagração a sua Vontade e Propósito.

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Concentre-se no coração. Entre nele, cada vez mais profundo, o mais que puder. Junte todos os fios de sua consciência que estão espalhados e mergulhe. Ali queima um fogo, na profunda quietude do coração. É a divindade em você – seu verdadeiro ser. Ouça sua voz, siga o que ela diz.

Existem outros centros de concentração, por exemplo, um sobre a cabeça e outro entre as sobrancelhas. Cada um tem sua propria eficácia e lhe dá um resultado particular. Mas o ser central está no coração e do coração provêm todos os movimentos e todo o dinamismo, a urgência da transformação e poder de realização.     

Pergunta: O que fazer para se preparar para o Yoga?  

Seja consciente, em primeiro lugar. Somos conscientes de apenas uma porção insignificante de nosso ser; somos inconscientes da maior parte. É a inconsciência que mantém nossa velha natureza e evita a mudança e a transformação nela. É através da inconsciência que forças não divinas entram em nós e nos fazem seus escravos. Você deve estar consciente de si mesmo, deve estar desperto para sua natureza e seus movimentos, deve saber por que e como faz as coisas, ou as sente ou pensa nelas. Você deve entender seus impulsos e motivos, as forças escondidas e aparentes que o movem.

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Estando consciente, pode ver as forças que o puxam para baixo ou as que o ajudam. E quando souber o certo e o errado, o verdadeiro e o falso, o divino e o não divino, deverá agir de acordo com esse conhecimento, isto é, rejeitar um e aceitar o outro. A dualidade se apresentará a cada passo e a cada passo você terá que fazer sua escolha. Terá que ser paciente, persistente e vigilante; deverá sempre recusar-se a dar qualquer oportunidade para o não divino contra o divino.

Pergunta: Quais são os perigos do Yoga?

Tudo depende do espírito com que você o aborda. O Yoga se torna perigoso se você quiser praticá-lo com um objetivo egoísta, para servir a uma finalidade pessoal. Não é perigoso se você abordá-lo com um sentido de ser sagrado, sempre lembrando que o objetivo é encontrar o Divino.

Perigos e dificuldades vêm quando as pessoas praticam o Yoga, não pelo Divino, mas porque querem adquirir poder e sob o disfarce do Divino buscam satisfazer alguma ambição. Se você não puder se libertar da ambição, não toque a coisa. Ela é fogo que queima.

Existem dois caminhos de Yoga, um de disciplina e o outro de entrega. O caminho da disciplina é árduo. Aqui você confia apenas em si mesmo, prossegue com sua própria força. Você sobe e conquista de acordo com a medida de sua força. Há sempre o perigo de queda. E uma vez caído, fica em pedaços no abismo e dificilmente consegue recuperar-se.

O outro caminho, o da entrega, é seguro e certo. É aqui que os ocidentais encontram sua dificuldade. Eles foram ensinados a temer e evitar tudo que ameaça sua independência pessoal. Beberam com o leite de suas mães o sentido da individualidade. E entrega significa abandonar tudo isso.

Em outras palavras, você pode seguir, como diz Ramakrishna, o caminho do macaquinho ou o caminho do gatinho. O macaquinho se segura em sua mãe para ser levado, e deve segurar firme, do contrário cairá. Por outro lado, o gatinho não segura sua mãe, mas é segurado por ela e não tem medo ou responsabilidade; ele nada tem a fazer senão deixar a mãe leva-lo e chorar:  ma ma.

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Se você tomar o caminho da entrega de maneira total e sincera, não há mais perigo ou dificuldade séria. A questão é ser sincero. Se você não for sincero, não comece o Yoga. Se você lida com assuntos humanos, pode recorrer à fraude; mas ao lidar com o Divino, não há qualquer possibilidade de fraude. Você pode seguir com segurança no Caminho quando for cândido e totalmente sincero e quando seu único objetivo é realizar o Divino e ser movido pelo Divino.

Existe um outro perigo; está na conexão com os impulsos sexuais. O Yoga em seu processo de purificação vai expor à luz e jogar para cima todos os impulsos e desejos escondidos em você. E você deve aprender a não esconder as coisas nem deixá-las de lado, tem de encará-las e conquistá-las.

Entretanto, o primeiro efeito do Yoga é retirar o controle mental, de modo que os desejos latentes são de repente liberados, sobem e invadem o ser. Enquanto esse controle mental não for substituído pelo controle Divino, há um período de transição no qual sua sinceridade e entrega serão testadas.

A força de tais impulsos, como os do sexo, está no fato de as pessoas se preocuparem demais com eles; elas protestam e procuram controlá-los à força, os prendem no interior e sentam-se sobre eles. Mas quanto mais você pensa em algo e diz, “Não quero, não quero”, mais você se liga a isso. O que você deve fazer é manter a coisa longe de si, dissociar-se dela, permanecer indiferente e sem preocupar-se com ela.

Os impulsos e desejos que sobem pela pressão do Yoga devem ser encarados com um espírito de desapego e serenidade, como algo estranho a si mesmo ou pertencendo ao mundo exterior. Devem ser oferecidos ao Divino, para que o Divino possa tomá-los e transmutá-los.
    
Se alguma vez você se abriu ao Divino, se o poder do Divino alguma vez desceu em você, e mesmo assim você tenta manter as velhas forças, prepara problemas, dificuldades e perigos para si. Deve estar vigilante e cuidar para que não use o Divino como um disfarce para a satisfação de seus desejos.

Existem muitos Mestres auto-designados que não fazem outra coisa. E quando você sai do caminho correto e tem um pouco de conhecimento e não muito poder, é agarrado por seres ou entidades de um certo tipo, torna-se um instrumento cego nas mãos desses seres e é devorado por eles no fim.

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Onde houver fingimento, há perigo; você não pode enganar a Deus. Você vem a Deus dizendo, “Quero união contigo” e em seu coração pensa “Quero poderes e prazeres”? Cuidado! Está se dirigindo direto para a beira do precipício. Mas é tão fácil evitar toda catástrofe. Torne-se como uma criança, entregue-se à Mãe Divina, deixe-A carregá-lo, e não há mais perigo para você.

Isso não significa que você não tem de enfrentar outros tipos de dificuldades ou que não tem de lutar e conquistar outros obstáculos. A entrega não assegura um progresso contínuo e suave. A razão é que seu ser ainda não é integral, nem sua entrega é absoluta e completa. Apenas uma parte sua se entrega; e hoje é uma parte e no dia seguinte é outra.

Todo o propósito do Yoga é juntar todas as partes divergentes e transformá-las numa unidade. Até então você não pode esperar estar sem dificuldades, tais como a dúvida, a depressão ou a hesitação.

O mundo todo está cheio de veneno. Você o ingere a cada respiração. Se trocar algumas palavras com uma pessoa indesejável ou mesmo se ela meramente passar por você, pode ser contagiado. É o suficiente se você ficar perto de um lugar onde existe uma praga para ser infectado com seu veneno. Você pode perder em poucos minutos o que levou meses para ganhar.

Enquanto você pertencer à humanidade e levar uma vida comum, não importa muito se se mistura às outras pessoas; mas se quer a vida divina, terá de ser muito cuidadoso com sua companhia e seu meio ambiente.

PENSAMENTOS SÃO ENTIDADES VIVAS - A Mãe



As antigas tradições, como a caldéia ou hindu, já ensinavam que os pensamentos são formações: através de seu pensamento um ser humano tem o poder de criar entidades vivas, reais e ativas.

E não se deve pensar que isso só pode ser feito através de alguma prática diferente ou perigosa conhecida como magia. Nada disso. Qualquer pensamento que seja forte e persistente, qualquer desejo que seja muito intenso – o que é também uma forma de pensamento – determina uma formação cuja duração e poder de ação dependerão da força e intensidade do pensamento ou desejo que lhe deu nascimento. 


Unindo nossos pensamentos em torno de uma ideia pura e elevada, criamos uma atmosfera mental luminosa e forte.

Pensar em alguém é estar perto dessa pessoa. Onde quer que duas pessoas estejam, mesmo se separadas por milhares de quilômetros, se pensam uma na outra, estarão  juntas de modo muito real. Portanto, a separação não existe, é uma aparência ilusória. Estamos sempre perto da pessoa que amamos e em quem pensamos. Experimente esta comunhão mental e verá que não há razão para tristeza.   

A cada manhã, quando se levantar, saúde os salvadores da humanidade que sempre têm vindo, e continuarão a vir até o fim dos tempos, como guias e instrutores, como servidores humildes e maravilhosos de seus irmãos, a fim de ajudá-los a alcançar a perfeição. Assim, quando acordar, concentre neles seu pensamento de confiança e gratidão e logo experimentará os efeitos benéficos desta concentração. Você sentirá a presença deles respondendo a seu chamado,  ficará cheio de sua luz e amor.

A INFLUÊNCIA DOS PENSAMENTOS - A Mãe, do Sri Aurobindo Ashram

Se você refletir sobre o incalculável número de pensamentos emitidos a cada dia no mundo, verá surgindo perante sua imaginação uma cena terrível, agitada e complexa na qual todas essas formações se entrecruzam e colidem, batalham entre si, sucumbem e triunfam num movimento vibratório que é tão rápido que dificilmente podemos imaginá-lo.

Agora você pode perceber como pode ser a atmosfera mental de uma cidade como Paris, onde milhões de indivíduos estão pensando – e que pensamentos! Você pode imaginar essa fervilhante e instável massa, esse emaranhamento inextricável. Apesar de todas as tendências, vontades e opiniões contraditórias, um tipo de unidade existe entre estas vibrações, pois todas elas, com poucas exceções, expressam desejo, desejo em todas as suas formas, todos os seus aspectos, em todos os planos.

Todos os pensamentos de pessoas de mente mundana, cujo único objetivo é o gozo e diversão do corpo, expressam desejo. Todos os pensamentos de criadores intelectuais ou artistas sedentos por fama, consideração e honra, expressam desejo.

Todos os pensamentos de milhares de empregados e trabalhadores, de todos os oprimidos, os desafortunados, que lutam por alguma melhora em sua existência, expressam desejo.

Todos, ricos e pobres, poderosos e fracos, privilegiados e oprimidos, intelectuais e obtusos, todos querem riqueza, sempre mais riqueza para satisfazer todos os seus desejos.

Se em algum lugar ocasionalmente brilha um pensamento puro e desinteressado, da vontade de fazer o bem, de uma busca sincera pela verdade, ele é rapidamente engolido por essa inundação que rola como um mar de lodo.

No futuro os pensamentos luminosos iluminarão a noite desse planeta, mas no momento estamos vivendo nessa escuridão, pois tanto no domínio físico quanto no mental, nos encontramos num estado de contínuas trocas com o meio ambiente. Isso é para mostrar a você como somos contaminados a cada dia, a cada minuto.



Existem duas vitórias possíveis para serem alcançadas, uma coletiva e outra individual. A primeiro é, digamos, positiva e ativa, e a segunda negativa e passiva. Para se ganhar a vitória positiva é necessário declarar uma guerra aberta de ideia contra ideia, para que os pensamentos que são desinteressados, elevados e nobres batalhem contra aqueles que são egoístas, básicos e vulgares.

Essa é uma luta corpo a corpo, uma batalha de cada minuto que demanda considerável poder e clareza mentais. Para lutar contra pensamentos é necessário, em primeiro lugar, recebê-los, admiti-los dentro de si mesmo, deliberadamente permitir-se ser contaminado, absorver a doença contida neles para melhor destruir o germe mortífero ao curar a si mesmo.

É uma verdadeira guerra na qual a pessoa corre o perigo de perder seu equilíbrio mental a cada minuto – e uma guerra exige guerreiros. Não recomendo essa prática a ninguém. Ela pertence por direito aos iniciados que se prepararam para ela durante longa e rigorosa disciplina, e assim devemos deixar essa luta para eles.

De nossa parte, devemos nos contentar em nos purificar para estarmos livres de toda infecção. Devemos aspirar a uma vitória individual, e se vencermos descobriremos que fizemos mais pela coletividade do que suspeitamos no início. Acendamos dentro de nós mesmos o fogo das antigas vestais, o fogo que simboliza a inteligência divina, que é nosso dever manifestar. É um trabalho que não pode ser conseguido num dia, num mês ou num ano, é um trabalho que exige perseverança.

6.10.19

O MISTÉRIO DE SAHASRARA – Sri Aurobindo



O sétimo chakra (Sahasrara) é às vezes confundido com o cérebro, mas isto é um erro – o cérebro é apenas um canal de comunicação situado entre o chakra de mil pétalas (Sahasrara) e o chakra da testa (Ajña).

Sahasrara é às vezes chamado de o chakra do vazio (shúnya), ou porque não está no corpo, mas num aparente vazio, ou porque ao elevar-se acima da cabeça a pessoa entra no silêncio do ser espiritual.

Sahasrara é o chakra que se situa acima da cabeça. É o sétimo centro e o mais elevado. Os que consideram apenas os centros que estão dentro do corpo contam seis chakras, excluindo o Sahasrara.

Os chakras se abrem sob a pressão do sádhana (práticas espirituais) e sua atividade em pessoas comuns é muito pequena, pois nelas é a consciência exterior que está ativa.

A abertura no alto da cabeça é o Brahmarandhra, através do qual existe a comunicação entre a consciência superior e a inferior do corpo. É uma passagem, não um chakra. O chakra é o Sahasrara de mil pétalas, que se situa sobre aquela parte da cabeça (o Brahmarandhra).

O cérebro é apenas um centro de consciência física. Quando a pessoa cessa de estar presa ao corpo, então o cérebro se torna apenas um canal transmissor, passivo e silencioso.

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