15.10.20

DUAS TÉCNICAS SIMPLES DE MEDITAÇÃO PARA CURAR O CORPO E A MENTE - Svastha Ayurveda

 

Enquanto você atravessa a vida buscando uma saúde melhor e bem-estar, é fácil ficar apenas focado em seu corpo físico. Embora não haja dúvida de que seu bem-estar físico é essencial para ter qualidade de vida, deve se lembrar também que seu estado mental tem um impacto direto na saúde física. 99% de todas as desordens físicas têm uma origem mental. Sabendo disto, pode-se dizer que é preciso curar a mente e as emoções para ter saúde perfeita.  

Assim, a meditação é sem dúvida um dos meios mais poderosos para equilibrar e fortalecer sua mente, emoções e sistema nervoso. Ela acaba com as emoções e sentimentos estagnados e reprimidos, dando-lhe a capacidade de processá-los, curá-los.

Mesmo que você seja iniciante em meditação ou sinta que não é bom ou boa nisso, isso não importa. Todos têm a capacidade de meditar, ainda que apenas durante alguns minutos por dia. Se sua mente é inquieta e parece não conseguir descansar, então medite na força que há atrás de seus pensamentos. Este será o primeiro passo para aprender a como vagarosamente trazer a mente a um estado de paz.  Isso talvez não aconteça em pouco tempo, mas com a prática constante e intenção correta, você começará a ver grandes mudanças não apenas durante a meditação, mas em cada momento de sua vida diária.

Além de acalmar a mente caótica, a meditação tem o potencial de trazer benefícios para a saúde. Está provado que ela estimula a memória, o intelecto, o foco e a concentração, como também melhora a circulação de sangue no cérebro. Ela limpa as toxinas mentais e traz claridade, sabedoria e consciência. Cura traumas passados e melhora seus relacionamentos na vida diária.

Benefícios da meditação na saúde

§  Melhora a clareza mental, o intelecto, a memória, a concentração e a sabedoria

§  Torn seus pensamentos, emoções e sentimentos mais conscientes

§  Arranca as emoções reprimidas

§  Reduz o estresse

§  Permite que você vagarosamente se cure de traumas psicológicos do passado

§  Equilibra suas emoções

§  Acalma a mente (com paciência e a prática)

§  Acalma e fortalece seu sistema nervoso

§  Reduz a ansiedade, a preocupação e o medo

§  Acalma e aprofunda a respiração

§  Estimula o prana (força vital) no sistema

§  Ajuda no tratamento da insônia

§  Promove sono profundo quando praticada antes de deitar-se




Qual é a melhor hora para praticar a meditação?

A melhor hora é a qualquer momento de folga que você tiver. Se puder praticar de manhã, antes ou próximo ao nascer do sol, ou ao meio-dia antes da refeição, ou antes de deitar-se à noite, será ótimo.

Por quanto tempo deve ser a prática?

O tempo de duração de sua prática vai depender de quanto tempo você tem disponível durante o dia. Mesmo 5 ou 10 minutos de meditação de manhã vai lhe proporcionar uma certa paz e claridade mental para atravessar o dia. Melhor ainda se puder meditar 2 ou 3 vezes por dia, em sessões de 10 minutos cada.

Qual é o melhor lugar para meditar?

Embora se possa meditar em qualquer lugar (como lavando pratos ou caminhando), é recomendável selecionar um único lugar que irá aos poucos ficar carregado das vibrações geradas na meditação e lhe proporcionará sentir mais calma durante a prática. Deve ser um local quieto e reservado, onde você pode colocar imagens sagradas, queimar incenso ou alguma outra coisa que ajude a trazer um sentimento de felicidade, paz e amor.

Algumas outras dicas…

§  Meditação não deve ser praticada de estômago cheio

§  Realizar um pranayama leve, sem exagero, antes da meditação pode auxiliar sua prática

§  A meditação pode ser realizada sentado com as pernas cruzadas, numa cadeira confortável, ou em qualquer postura em que você possa ficar com a coluna ereta de modo confortável por algum tempo; use travesseiros, colchão etc. se necessário.

§  A meditação praticada antes de dormir pode ser feita deitado em “shavasana” se preferir (inclusive na cama!)

 



Meditação com o mantra So Ham

Esta técnica de meditação é simples e ainda assim profunda. A respiração naturalmente cria o som “so” durante a inalação e “ham” durante a exalação. Além disso, em sânscrito So Ham significa “Eu sou Aquilo”.


1.    Sentado numa posição confortável, ou deitado, feche os olhos e realize várias respirações profundas, com inalações e exalações longas. Faça isso durante um minuto, acalmando sua energia.

2.    Agora comece a cantar internamente So ao inalar e Ham ao exalar. O mantra deve acompanhar a respiração, sem força-la: ao inalar “soooooooo…”, e ao exalar “hammmmmm…”.   

3.    Enquanto pratica, esteja consciente de que também está repetindo: “Eu sou Aquilo, Aquilo sou eu”.

4.    A tendência da mente é se desviar. Isso é natural, mas não desista. Esteja consciente do desvio e simplesmente volte à sua respiração e ao som So Ham que ela gera. 

5.    Continue assim por 10 minutos, aumentando esse tempo à medida que se sente mais confortável com essa meditação.

  

Meditação de observar a mente

A meditação de observar a mente é uma poderosa técnica que traz muitos benefícios em tempos de estresse, problemas de relacionamento etc. É uma técnica simples mas profunda que nos faz capazes de lidar com os pensamentos, sentimentos e emoções.

nota importante: como se trata de uma técnica sutil, ela pode causar algum desconforto emocional no começo. Mas isso é parte do processo de cura e de dissipação das emoções.

 

1.    Sentado numa posição confortável (ou deitado se for à noite), feche os olhos e tome várias respirações profundas, com longas inalações e exalações. Faça isso durante um minuto, acalmando sua energia.    

2.    Em seguida, preste atenção nos pensamentos que estão naturalmente surgindo. Fique consciente deles. 

3.    Tente evitar rotulá-los como “bons” ou “maus”. Apenas esteja com eles neste estado consciente. Aprecie-os. Se eles não parecem adequados nessa hora de meditação, reconheça que você pode se dedicar a eles em outro momento do dia e mande-os embora.   

4.    Lembre-se que não é um processo de controle de pensamentos, mas sim uma maneira natural de permitir que seus pensamentos, emoções e sentimentos venham à superfície, sejam processados e eventualmente sejam liberados para que possam ir embora. 

5.    Mantenha essa meditação por pelo menos 10 minutos, aumentando o tempo à medida que se sentir mais confortável com ela.   

6.    Talvez você note que os mesmos pensamentos voltam à superfície, à medida que você se aprofunda nesta prática. Este é um bom sinal, sinal de que você está processando algo que precisa de sua atenção e amor. Com o tempo notará que esses pensamentos e emoções recorrentes começam a ficar cada vez menos frequentes à medida que vão sendo curados e se tornam livres.

 

16.9.20

O MANTRA MÁGICO DO ALIMENTO – Sri Sri Ravi Shankar

“Annadata Sukhi Bhava” significa “Aqueles que me fornecem esse alimento, que eles sejam felizes’.

Quando você diz isso, está desejando prosperidade para três pessoas. Uma é o agricultor; a outra é o comerciante que compra do produtor e vende o produto, e a terceira é a pessoa que cozinha o alimento e o serve a você.

Primeiro, desejamos a felicidade do agricultor. Quando os agricultores estão felizes, então a pessoa que come o alimento também será feliz. Mas se os agricultores estão infelizes, se estão vertendo lágrimas e nos provendo o alimento, então quando comemos aquele alimento ficamos doentes. Por isso, devemos desejar aos agricultores boa saúde e felicidade.

Em seguida devemos desejar a felicidade do comerciante. Se ele faz seu negócio corretamente, sem ser ganancioso e sem esconder os alimentos, então não haverá escassez de alimento no país.

Em seguida devemos desejar a felicidade da pessoa que cozinha o alimento e o serve para nós. Não deve haver lágrimas nos olhos da pessoa que está cozinhando o alimento. Do contrário ele não vai fazer bem a você.

Portanto, quando você diz “Annadata Sukhi Bhava” todo dia, você está orando pela pessoa que cozinha o alimento, pelo comerciante que cobra um preço justo e pelo agricultor que o produz. Se essas três pessoas forem felizes, então a sociedade será feliz.

Devemos repetir esse mantra todo dia, antes e após nossas refeições. Abençoe-os antes e após comer seu alimento.


A ESPERA DE BUDDHA – Sri Sri Ravi Shankar

 

Certa vez, Gautama Buddha visitou uma cidade. Toda a cidade se reuniu e ficou esperando para ouvi-lo, mas Buddha continuava esperando. Ele olhava para trás em direção à estrada, esperando que chegasse uma garotinha de 13 anos. Ele a havia encontrado na estrada onde passou e ela lhe havia dito, “Espere por mim. Vou levar esta comida para meu pai na plantação, mas logo estarei de volta. Não esqueça, espere por mim!”

Finalmente, os mais velhos da cidade disseram para Gautama Buddha – “Por quem você está esperando? Todo mundo que é importante está presente, pode começar seu discurso.” Buddha respondeu – “Mas a pessoa por quem eu vim de tão longe ainda não está presente e tenho que esperar.”

Finalmente a garota chega e exclama – “Estou um pouco atrasada, mas você manteve sua promessa! Eu sabia que você manteria sua promessa porque estou esperando por você desde que despertei neste mundo. Acho que tinha quatro anos de idade quando ouvi seu nome pela primeira vez. Seu nome foi o suficiente para tocar um sino em meu coração. E desde então, por dez longos anos, tenho esperado!!!”

Buddha respondeu – “Você não esperou em vão. Você é a pessoa que me atraiu a esta vila.”

No final do discurso, aquela garotinha foi a única pessoa que foi a Buddha e disse:  “Dê-me a iniciação. Já esperei bastante e quero estar com você.” Buddha replicou “Você tem que estar comigo, porque sua cidade é muito distante! Não posso ficar indo e vindo. A estrada é longa e estou ficando velho!”

Em toda aquela vila ninguém mais veio a ele para ser iniciado em meditação, a não ser aquela garotinha.

À noite, quando se preparavam para dormir, Ananda, o principal discípulo de Buddha, perguntou “Mestre, antes de dormir, quero fazer uma pergunta. Você sente uma certa atração para certos lugares... como um puxão magnético?”

Buddha replicou, “Você está certo, Ananda. É assim que decido minhas jornadas. Quando sinto que alguém está sedento... tão sedento que sem mim não há outro caminho para ele, tenho que me dirigir para aquele local.”

O mestre vai de encontro ao discípulo e o discípulo também vai de encontro ao mestre. Mais cedo ou mais tarde estão destinados a se encontrar. O encontro não é do corpo, nem da mente. O encontro é da própria alma! É como quando você aproxima duas lâmpadas, que permanecem separadas mas sua luz se torna uma só.

DEIXE ESTAR – Sri Sri Ravi Shankar

 

Não odeie ninguém. Não odeie nem mesmo o pior inimigo; faça -lhe o bem. Se não puder fazer-lhe o bem, não se preocupe. Ao menos em seu coração você não odeia ninguém. Não odeie nenhum ser vivo, não apenas pessoas. O que cria obstáculo para você é seu ódio. Porque aquele que você odeia, você vive com ele, come com ele, você o tem sempre no pensamento.

A pessoa que você odeia ocupa o assento mais alto, o assento médio e qualquer outro assento que restar. Ela ocupa todo seu tempo, sua vida, seus pensamentos, suas emoções, sua mente, tudo. Por isso, se não for pelo bem dessa pessoa, ao menos pelo seu próprio bem é melhor não odiar ninguém.

Existem pessoas que são detestáveis, que você não consegue suportar. Sim, existem. Mas se você as odiar, estará destruindo sua mente, estará destruindo seu precioso cérebro e causando dor ao seu delicado coração.

Agora, como se livrar do ódio? Amizade e compaixão. Pessoas que estão acima de você, seja amigável com elas. Do contrário sentirá inveja. Pessoas que estão abaixo de você, que são incorrigíveis, causadoras de problemas, tenha compaixão por elas. Se não tiver compaixão por elas, ficará irado e aborrecido. E as pessoas que estão no seu nível, perdoe-as.

Sempre que se sentir perturbado, seja com o que for, pergunte-se: “Será que deixei de lado, ou estou me ligando ao problema?” Isso determina seu estado mental, determina sua paz ou a falta dela. Deixando de lado, deixando estar, você consegue paz.



20.8.20

O DINÂMICO DESPERTAR DA ALMA – Geoffrey Hodson

 

O dinâmico drama do despertar da alma forma um estudo de interesse arrebatador quando visto do interior. Veja como do nascimento até a morte o brilho da luz geralmente aumenta, marcando o progresso da vida que desabrocha. Como é corajosa em sua marcha avante, como enfrenta resolutamente as provações da Senda; veja que ora ela esmorece, seus olhos tornam-se sombrios; uma sombra cai sobre ela, envolvendo-a em melancolia.

Desaparece agora o brilhante esplendor, escondido profundamente dentro da escuridão da noite. Uma luz resplandecente brilha ao seu redor quando, com olhos voltados para as estrelas, a alma continua adiante no caminho da retidão e da verdade, em busca de sua meta.

Quando finalmente bem do fundo da alma surge uma resposta ao grande apelo, ela é envolta num brilhante esplendor que traz para si a bênção dos santos e a ajuda dos Deuses elevados. Caso venha a vacilar, a luz diminui; caso venha a cair, a escuridão desce; a bênção e a ajuda não podem penetrar aquelas trevas, que devem ser dispersas do interior.

Mesmo em meio às trevas, os vibrantes e pulsantes poderes da alma continuam se expandindo com um crescimento mais rápido desde o momento em que o voto interno é feito. Nenhuma escuridão, por mais profunda que seja, é inteiramente suficiente para enclausurar aquela vida crescente.

Com isso, depois de um breve período de conduta redentora sem esforço aqui em baixo, mais uma vez a cabeça levanta-se lentamente. Nasce uma forte aversão a toda preguiça; o manto de escuridão é descartado, a luz da virtude e do esforço brilha intensamente no ar elevado. De cada queda um poder adicional é ganho; depois de cada escuridão nasce uma nova luz.


Tenha coragem, ó alma humana que se esforça. O prêmio é certo; a Senda não é sem fim, pois Deus dentro de você vai lhe levar até a sua meta. Empenhe-se, portanto, com toda sua força. Vise manter sempre uma constante equanimidade, uma crescente velocidade e uma firmeza tal em seus passos no Caminho que vacilações e quedas não venham mais ocorrer. Mire alto, cada vez mais alto; vise ser um Deus. Em virtude de sua herança divina, entre naquele esplêndido mundo da razão pura, a terra onde todo o conhecimento da multiplicidade é ganho na cognição do Um. Lembre-se que a qualidade das inspirações que você recebe depende tanto de você mesmo quanto da consciência inspiradora.

Quanto mais você se expande e mais puro se torna, maior será a medida da verdade que você vai receber. Deixe que isso se torne um incentivo adicional, não só para que você mesmo possa trilhar mais rapidamente o Caminho, mas para que você possa se tornar um canal mais apropriado para a verdade divina vinda aos homens, de acordo com seu dom particular de receptividade.

Mantenha sua mente sempre em compasso de concerto, pensando constantemente sobre os assuntos mais nobres e elevados em seus momentos de lazer. Afaste deliberadamente a mente de todos os assuntos de uma natureza sensual e carnal; caso você se defronte com eles na literatura ou leitura geral, pule-os deliberadamente e recuse a dar a eles entrada em sua mente. Pense com mais frequência sobre os tópicos mais nobres e sublimes e treine sua mente a responder à espiritualidade e a conquistar a tendência humana de pensar demasiadamente sobre as coisas da terra.

UMA VISITA A TIRUVANNAMALAI – Geoffrey Hodson, teosofista

 

Fui visitar, ao sul da Índia, Tiruvannamalai um templo sagrado muito antigo no sopé da famosa montanha de Arunachala, tornada conhecida no ocidente por Paul Brunton, em seu livro A Índia Secreta, onde ele fala sobre ela e sobre seus contatos com Shri Ramana Maharishi, a respeito de quem eu falarei um pouco.

A montanha é tida como uma das cadeias de montanhas mais velhas da Índia, e tem sido considerada como uma montanha muito sagrada há bastante tempo. A palavra “Arunachala” significa “visão de luz” ou “farol de luz”, e é considerada como sendo um centro de poder do Terceiro Aspecto da Trimurti, que simplesmente quer dizer “três poderes”, e é a palavra indiana ou sânscrita para “Trindade”.

Aos pés do monte existe um templo muito antigo, sendo uma das entradas, ou gopurams, muito mais velha do que o resto. Do outro lado da montanha ainda se encontra o ashram de Shri Ramana Maharishi, cuja história é muito esclarecedora... Ele costumava ensinar numa grande sala onde ficava deitado num divã com as pessoas no chão rodeando-o por todos os lados. De todas as partes do mundo pessoas como Brunton vinham procurá-lo para se sentar a seus pés e fazer perguntas a ele, ouvindo suas alocuções sábias sobre a vida espiritual.


Sri Ramana Maharshi: aprendendo a alcançar a iluminação  Ramana Maharshi

Ouvi muitos que o conheceram testemunhar sobre uma peculiaridade do sábio. Você não precisava fazer suas perguntas, mas meramente sentar-se com ele e a resposta apropriada, mais cedo ou mais tarde, iria aparecer em sua mente sem nenhuma pergunta ou resposta verbal. Ele era profundamente venerado por um grande número de pessoas, e veio a ser chamado de “Maharishi”, que significa “grande Rishi”.

Foi-me concedido o privilégio de ir ao quarto em que Shri Ramana Maharishi vivia. O pequeno quarto era considerado como particularmente santificado, e eu sentei-me ali onde todas suas coisas estavam: sua bengala, umas poucas tigelas e um incensário para pujas. Tudo parecia ter sido mantido como estava quando o corpo foi retirado do quarto. Achei então que deveria aproveitar a oportunidade para ver se sua influência ainda estava ali, como senti que estava, e iria fazer uma pergunta mentalmente.

Então, meditei por algum tempo até que senti definitivamente em contato com ele em mundos mais elevados. Mantive em minha mente o pedido para que ele enunciasse um princípio sobre o desenvolvimento espiritual. Depois de algum tempo as seguintes palavras se formaram, sem esforço, em minha mente: “Voluntariamente aprisionado em seu interior, como luz, encontra-se um poder onipotente. Liberte-o. Deixe que a luz brilhe.”

Essas palavras podem não parecer grande coisa para algumas pessoas, mas elas produziram um efeito muito profundo e esclarecedor em mim. Usei-as como uma sentença introdutória para meu pequeno livro sobre meditação, Um Ioga da Luz, que foi escrito pouco depois daquela experiência.

Arunachala - David Godman  Arunachala

Enquanto eu estava sendo levado de um lado para outro em Arunachala, depois de ter visitado o ashram do Maharishi, dirigi-me aos meus amigos indianos, um dos quais era um advogado vivendo em Tiruvannamalai, e perguntei se aquela montanha não abrigava outros homens santos. Ele respondeu que ela abrigava até mesmo maiores do que o Maharishi. Quando perguntei ansiosamente onde eles ficavam, ele me disse que eles não se revelavam, mas era sabido que eles viviam nas alturas da montanha. Alguns pastores e aldeões de vez em quando os avistavam, e mesmo levavam comida para eles. Insisti, então, por informação se havia algum que poderia estar disponível para uma entrevista. Meus amigos se entreolharam por alguns instantes e responderam que havia um, chamado Shiva, que eles estavam certos que iria me receber. Decidimos partir imediatamente.

Contornando a montanha, saímos da estrada principal e tomamos um caminho estreito entre as árvores, mais perto da montanha de Arunachala. Finalmente, chegamos a uma linda clareira na floresta, onde havia um tanque, um reservatório calçado com pedras ou concreto. Ao descermos de nosso carro, um de nossos amigos exclamou que lá estava Shiva, à direita, e eu vi um homem quase nu que se levantou quando nos aproximamos. Ele era idoso, ereto, em bom estado de saúde, sua pele parecia brilhar com vitalidade. Ele era esbelto, com cabelos brancos longos bem penteados até seus ombros, com um bigode longo e uma barba, também branca. Mas seus olhos estavam acesos com humor e afeição, e quero enfatizar a luz interior da qual falei, na verdade, mais do que isso. Toda a postura do homem demonstrava que ele havia conquistado todas as fraquezas humanas e tinha seu autodomínio, era um rei dos reis. Até sua forma de andar mostrava a mais perfeita liberdade de qualquer fraqueza, limitação, ou medo de qualquer coisa.

Ele nos recebeu perto de sua choupana com um telhado de palha aberto nos lados. Sentamo-nos no piso de concreto e ele num assento de concreto curvado. Ele havia feito a choupana e o revestimento do tanque com suas próprias mãos. Sorriu para nós e meus amigos me apresentaram e perguntaram se eu podia conversar com ele. Ele sorriu de forma radiante, consentindo. Com isso começamos a falar sobre assuntos espirituais, ioga, filosofia e as coisas sobre as quais adoro discutir.

Ele mostrou-se muito amigável e quando eu voltei em outra ocasião, ele pareceu mostrar uma empatia calorosa por mim. Finalmente eu me aventurei com a pergunta mais importante para mim. Se uma pessoa tinha aprendido a meditar e podia manter sua consciência por um tempo razoável num senso de unidade com o Supremo Espírito, a essência do universo, o Atma, qual era o próximo passo? Como perder a consciência do corpo, como ele e outros eram capazes de fazer, e tornar-se absorvido no Paramatma?

Ele riu em voz alta para mim e disse que não podia me dizer aquilo. Eu tinha que aprender aquilo; era preciso que isso me fosse mostrado e não meramente dito. Obviamente, ele estava falando por meio de intérpretes, pois só falava a língua local, tâmil. De repente, olhou para mim e perguntou-me quanto tempo eu poderia dedicar a ele. Pensei por um momento e conclui que eu poderia viajar as cento e cinquenta milhas de Madras de carro, para passar um fim de semana, se alguns amigos estivessem disponíveis para dirigir de ida e de volta.

Respondi, então, que poderia vir somente por vinte e quatro horas. Ele disse que não era tempo suficiente, mas para vir mesmo assim. Para resumir, eu vim. Um discípulo seu, fluente em inglês, estava com ele na visita seguinte, um homem que tinha sido um servidor público e que tinha tido anseios  semelhantes. Ele tinha abandonado aquela vida para tornar-se um asceta. Era um homem bonito. Chamava-se Asangha Maya (que não é preso por maya). Tornamo-nos amigos muito próximos naquelas vinte e quatro horas.

O Shiva, como ele era chamado, admitiu-me em seu próprio santuário, que era simplesmente essa cabana de concreto na qual ele dormia. Ali ele deu-me algumas instruções. Elas não eram a respeito de entrar em samadhi, devo admitir, caso contrário eu não as entendi. Mas, era um certo conhecimento e combinação de ações, que não tenho autorização para descrever, para mergulhar em meditação mais profunda e para despertar a kundalini. Como eu já havia realizado parte daquilo, o efeito em mim foi muito forte. A kundalini quase que disparou para cima e todo meu corpo ficou eletrificado por ela na presença dele. O discípulo sentou-se ao meu lado e, quando nossas mãos ou braços tocavam exclamava que eu estava eletrificado, pois ele sentia o poder elétrico ardejando de meu corpo.

Bem, Shiva foi para a cama para dormir em sua cabana, enquanto Asangha Maya e eu passamos a noite fora. Eu tinha trazido uma cama com mosquiteiro. Ele deitou-se no assento de concreto, tendo adquirido a capacidade para dormir em qualquer lugar, ele disse. Mas, nós não dormimos. Eu continuei a praticar sob sua orientação o procedimento que me tinha sido mostrado, até que eu me senti razoavelmente seguro dele, apesar de não ser nada difícil.

Fiquei fazendo perguntas a ele e conversamos sobre a vida espiritual até de madrugada naquela noite quente de verão da Índia. Foi uma experiência maravilhosa e inesquecível, tudo ocorrendo dentro da aura de Shiva, que senti ser um grande ser. Desenvolvi grande afeição por ele e ele por mim, como podia ser visto na sua expressão. Ele escreveu para mim, por meio de um intérprete, e eu para ele. Quando meus amigos vão visitá-lo, ele pergunta por mim. Seus outros seguidores em diferentes partes do mundo também tiveram esses privilégios. Mantenho contatos espirituais-mentais com ele quase todo o tempo. Ele era uma pessoa que realmente havia realizado as coisas sobre as quais lemos, e era maravilhoso estar em sua grandiosa presença.

Magnum Opus Arcanum: Biografia Geoffrey Hodson  G. Hodson

Em outra ocasião, tendo ouvido falar que outro homem santo estava visitando Conjeeveram, mandei um pedido por meio de um teósofo local, para saber se ele poderia receber os estudantes da Escola de Sabedoria. A pessoa em questão era nada menos do que o atual Shri Shankaracharya, o chefe espiritual e administrativo de todo o centro monástico, ou mutt como é chamado, do antigo templo do centro de Conjeeveram. O cargo tem sido mantido numa linhagem sem interrupção desde os dias do próprio Shri Shankaracharya, cerca de vinte e três ou vinte e quatro séculos atrás, de acordo com Subba Row, um dos primeiros teósofos e ocultistas ligados à nossa Sociedade. O Senhor Shri Shankaracharya é considerado ocultamente como uma encarnação voluntária de um dos Senhores da Chama.

Nosso pedido de audiência foi concedido. Chegamos num domingo de manhã e no seu devido tempo fomos conduzidos à sua presença. Ele escolheu um jardim fechado, cerca de uma milha fora da cidade de Conjeeveram. Era um lugar sagrado, porque por muitos anos um santo havia vivido e morrido ali. Entramos pelo portão do jardim. Inicialmente, ninguém parecia estar lá, até que, num lado, na outra ponta do jardim, vimos uma figura sentada numa esteira, debaixo de uma árvore. Ele estava vestido com um manto amarelo e com uma grinalda de folhas ao redor de sua cabeça. À sua frente tinham sido colocadas esteiras japonesas para as quais fomos levados. Os europeus o saudaram da forma usual e os indianos se prostraram diante dele.

Sentamos-nos e, como líder, expressei nossa gratidão a ele por nos conceder essa audiência, dirigindo-me a ele como “Sua Santidade”, que é o seu título entre seu povo, e disse a ele quem éramos. Ele falava muito bem o inglês, mas um intérprete ajudava, e ele começou a fazer perguntas a todos os estudantes em sequência. O interessante é que essas perguntas eram a respeito de suas Lojas e de quantos membros, o que faziam e o que ensinavam...

Todos nós testemunhamos depois, que nos sentimos banhados numa atmosfera de paz na presença dessa figura delicada. Ao olhar para ele você não iria imaginar que ele ocupava uma das mais elevadas posições eclesiásticas na Índia, tão humilde que era. Perto do final da entrevista perguntei a ele se não poderia dar uma mensagem para nós levarmos de volta para o mundo. Ele tinha o hábito peculiar de fechar os olhos e ficar em silêncio por algum tempo depois de cada pergunta, claramente permitindo que sua consciência retornasse para onde ela parecia viver normalmente, num mundo mais elevado.

Aquilo era muito marcante com ele, assim me pareceu. As pálpebras estavam semicerradas a maior parte do tempo até que sua atenção fosse detida. Então, os olhos ficavam abertos e cheios de vida. Ele disse, “Fixem sua mente em Deus. Mantenham-na ali o tempo todo e, sempre que ela tender a deixar o pensamento de Deus, traga-a de volta instantaneamente, até que se torne um hábito manter sempre uma parte de sua mente contemplando a Deus.”

Ele também falou sobre verdades universais que outros santos haviam enfatizado. Por exemplo, que você não pode fazer nada na vida espiritual até possuir pureza de coração. Shiva disse a mesma coisa várias vezes. Pureza de coração é da maior importância, no sentido de que não deve haver absolutamente nenhum pensamento de ganho pessoal ou recompensa de qualquer realização espiritual que possa ser alcançada.

Finalmente, esse sucessor do cargo do grande Shri Shankaracharya original levantou sua mão direita e disse, “Esta é a bênção.” E com certeza, alguns dos membros da Escola, na manhã seguinte, quando fizemos uma revisão de tudo o que aconteceu, testemunharam que naquele momento sentiram a descida de uma bênção.

Ao nos retirarmos daquela experiência inesquecível, um dos atendentes veio a mim, antes de deixarmos o jardim, e disse que Sua Santidade falaria comigo em particular, por alguns minutos, se eu desejasse. Senti-me altamente honrado, obviamente, e voltei, sabendo que isso se devia ao fato de eu ser o Diretor de Estudos da Escola de Sabedoria. Ele perguntou se havia algumas perguntas que eu, pessoalmente, gostaria de fazer. Ele me deixou inteiramente à vontade, sem me sentir em momento algum encabulado, mas gostaria de ter me preparado melhor para essa oportunidade. A pessoa sentia que não tinha nenhuma pergunta em sua presença. Um dos resultados dos estudos teosóficos é que a nossa mente não fica cheia de perguntas.

Perguntei então se o Rishi Agastya ainda estava na Índia, guardando-a, em cumprimento de Seu Cargo, e se podia ser contatado pelas pessoas e visto. Ele ficou em silêncio, e então perguntou se eu queria dizer em corpo físico. Eu respondi que aquela era a crença. Ele se retraiu outra vez por algum tempo antes de responder. Então disse que o Rishi Agastya ainda estava em Seu corpo físico, mas que não estava aqui; que Ele vivia nos Himalaias. Então ele outra vez estendeu sua mão e disse, “Esta é a bênção.” Mais uma vez agradeci a ele de parte de todos nós e me retirei.

Perguntaram-me se eu olhei a sua aura. Eu não fiz isso. Não me permiti tentar olhar para ele em nenhuma forma de método de pesquisa, porque senti que seria inapropriado e talvez uma impertinência. Somente fiquei ciente que a figura delicada estava rodeada de uma grande luz e que ele era uma pessoa muito avançada...

4.7.20

COMO ENCONTRAR UM MESTRE – Leoline L. Wright



Uma das mais frequentes perguntas do buscador é: "Como posso encontrar um Mestre? Como reconhecer um se chegar a vê-Lo?" É correto para quem vive a vida de modo a cumprir as condições que eles estabelecem para o discipulado aspirar e esperar um relacionamento pessoal com um Mestre.

Naturalmente ansiamos encontrar nosso mestre espiritual e devotar nossa vida ao serviço da humanidade. No entanto devemos saber que é necessário primeiro ganhar o direito de estar sob a atenção especial de um deles. Não é apenas uma questão de ter direito, mas de desenvolvimento individual.

Se qualquer de nós passar por um Mestre na rua, há poucas chances de que o reconheçamos, a menos que ele escolha revelar sua presença. A razão para isso reside em nossa espiritualidade não desenvolvida. É raro encontrar alguém que saiba detectar a presença de um Mahatma.

"Mas," você pode replicar, "se o Mahatma está tão adiantado em relação a nós, por que seu corpo também não é diferente do nosso?" Ele é diferente, com certeza. Mas de que modo é diferente? Simplesmente na qualidade dos átomos e moléculas e células que o constroem. O material de nossos corpos, saturados como estão com venenos, e muitas vezes com germes de doenças, ou perturbados por instabilidade nervosa e emocional, não poderia ser usado por um ser puro e exaltado como um Mahatma.

Koot Hoomi - Wikidata  Mahatma Kuthumi

Há muito tempo ele transmutou e refinou seus átomos físicos, de modo que seu corpo é feito apenas dos mais puros e excelentes materiais. A essência e a vibração de seus átomos e moléculas são de um tipo inconcebivelmente mais elevado que as nossas. Ele não poderia viver e respirar num corpo como o nosso, assim como um pássaro não poderia viver sob a água.

Essa diferença de essência e vibração torna extremamente difícil que nós possamos sentir sua presença física. O mesmo se dá com sua essência psicológica – seus pensamentos e sentimentos. Estes são totalmente diferentes dos nossos, e essa diferença é tão invisível para nossa percepção, como o raio ultravioleta é invisível para nossa visão.

Onde vivem os mahatmas? A loja dos mahatmas está situada em regiões inacessíveis para a massa da humanidade. Ali eles podem viver numa atmosfera, física e espiritual, que torna possível seu trabalho. Além disso, ali podem trabalhar pela humanidade sem ser interrompidos. Eles têm o poder de neutralizar ataques de intolerância, oposição e interrupção, mas não querem desperdiçar suas energias desta maneira.

Master Morya  Mahatma Morya

Se uma pessoa não consegue descobrir atrás da personalidade de um homem ou mulher a presença de um verdadeiro instrutor espiritual, como poderá reconhecer um Mahatma?
Mas felizmente os Mahatmas podem nos ver, uma vez que possuem clarividência espiritual e psíquica que os capacita a cuidar do mundo todo. Todo ato nosso de genuíno autocontrole e preocupação com o bem dos outros nos traz mais perto do reconhecimento e ajuda dos Mestres.