4.7.20

COMO ENCONTRAR UM MESTRE – Leoline L. Wright



Uma das mais frequentes perguntas do buscador é: "Como posso encontrar um Mestre? Como reconhecer um se chegar a vê-Lo?" É correto para quem vive a vida de modo a cumprir as condições que eles estabelecem para o discipulado aspirar e esperar um relacionamento pessoal com um Mestre.

Naturalmente ansiamos encontrar nosso mestre espiritual e devotar nossa vida ao serviço da humanidade. No entanto devemos saber que é necessário primeiro ganhar o direito de estar sob a atenção especial de um deles. Não é apenas uma questão de ter direito, mas de desenvolvimento individual.

Se qualquer de nós passar por um Mestre na rua, há poucas chances de que o reconheçamos, a menos que ele escolha revelar sua presença. A razão para isso reside em nossa espiritualidade não desenvolvida. É raro encontrar alguém que saiba detectar a presença de um Mahatma.

"Mas," você pode replicar, "se o Mahatma está tão adiantado em relação a nós, por que seu corpo também não é diferente do nosso?" Ele é diferente, com certeza. Mas de que modo é diferente? Simplesmente na qualidade dos átomos e moléculas e células que o constroem. O material de nossos corpos, saturados como estão com venenos, e muitas vezes com germes de doenças, ou perturbados por instabilidade nervosa e emocional, não poderia ser usado por um ser puro e exaltado como um Mahatma.

Koot Hoomi - Wikidata  Mahatma Kuthumi

Há muito tempo ele transmutou e refinou seus átomos físicos, de modo que seu corpo é feito apenas dos mais puros e excelentes materiais. A essência e a vibração de seus átomos e moléculas são de um tipo inconcebivelmente mais elevado que as nossas. Ele não poderia viver e respirar num corpo como o nosso, assim como um pássaro não poderia viver sob a água.

Essa diferença de essência e vibração torna extremamente difícil que nós possamos sentir sua presença física. O mesmo se dá com sua essência psicológica – seus pensamentos e sentimentos. Estes são totalmente diferentes dos nossos, e essa diferença é tão invisível para nossa percepção, como o raio ultravioleta é invisível para nossa visão.

Onde vivem os mahatmas? A loja dos mahatmas está situada em regiões inacessíveis para a massa da humanidade. Ali eles podem viver numa atmosfera, física e espiritual, que torna possível seu trabalho. Além disso, ali podem trabalhar pela humanidade sem ser interrompidos. Eles têm o poder de neutralizar ataques de intolerância, oposição e interrupção, mas não querem desperdiçar suas energias desta maneira.

Master Morya  Mahatma Morya

Se uma pessoa não consegue descobrir atrás da personalidade de um homem ou mulher a presença de um verdadeiro instrutor espiritual, como poderá reconhecer um Mahatma?
Mas felizmente os Mahatmas podem nos ver, uma vez que possuem clarividência espiritual e psíquica que os capacita a cuidar do mundo todo. Todo ato nosso de genuíno autocontrole e preocupação com o bem dos outros nos traz mais perto do reconhecimento e ajuda dos Mestres.


27.6.20

O DESPERTAR DE KUNDALINI – Sadhguru



O que é Kundalini? Quando falo, isso é Kundalini. Vocês estão alertas e escutando, isso é Kundalini. Uma flor desabrocha, isso é Kundalini. Um cachorro late, isso é Kundalini. Em outras palavras, a força vital que é o fundamento da vida chamamos de Kundalini.

O corpo humano é um pedaço de vida. Esse pedaço de vida é construído em camadas de energia. Uma dimensão dessa energia surge imediatamente após o nascimento, porque é necessária para a sobrevivência. As outras dimensões da energia não se tornam atuantes, a menos que você as coloque em ação. Elas permanecem adormecidas.

A energia adormecida é muito maior que a energia que está sendo usada. Para fins de sobrevivência, para viver uma vida física e intelectual completa, você precisa ativar apenas 21 dos 114 chakras que possui. Com 21 chakras funcionando, sua vida será um sucesso. Os demais chakras não são necessários se sua intenção é apenas viver bem.

Se você ativa Kundalini, outras dimensões da vida se abrirão. Mas a coisa é: você está preparado para essas dimensões? Não é saber se isso é bom ou ruim. A questão é: você está preparado? Porque mesmo que as melhores coisas da vida venham a você, se não estiver preparado não serão algo bom.

Se você está preparado para essa energia, o que fazer para ativá-la? Existem muitas maneiras de fazer isso, mas Kundalini Yoga é a forma mais perigosa de yoga, porque também é a mais potente. Aquilo que é mais potente também é mais perigoso para se lidar.

Uma das maneiras de produzir eletricidade é através de reatores nucleares. É a maneira mais eficiente, mas também a mais perigosa. Se algo der errado, as coisas ficam muito preocupantes, não há como consertar.

O mesmo acontece com Kundalini Yoga. É o yoga mais potente e mais perigoso. Sem o preparo necessário e sem um guia experiente, para guiar e observar constantemente, ninguém deve tentar esse yoga.

O problema é que alguns livros têm sido escritos sobre isso e todo mundo quer praticar o yoga mais elevado. Ninguém quer começar pelo A, todos querem começar o alfabeto pelo Z. Aquilo que pode ser uma força que transforma a vida pode se transformar numa força que destrói a vida, simplesmente pela falta do necessário comprometimento, dedicação, foco e compreensão.

Se a Kundalini desperta, as dimensões de sua vida mudarão tão rapidamente, que você deverá fazer os ajustes necessários também rapidamente. Do contrário as coisas se complicarão. Na tradição do yoga, há um tipo de yoga que ensinamos às pessoas que vivem em família, e há um tipo de yoga que ensinamos aos renunciantes. O yoga para ascetas demanda disciplina e foco, o que a vida comum e mundana não permite. Se você faz esse tipo de yoga, sua vida exterior se desmorona instantaneamente.

Por isso, você deve fazer o tipo de yoga que melhore sua vida, familiar e financeira. Só um pequeno grupo de pessoas pode se dedicar ao yoga dos renunciantes, porque esse yoga desmantela todas as estruturas sociais das pessoas, por isso não é bom para todos.

Para praticar Kundalini Yoga, você dever ter o tipo certo de ambiente. Você não pode ter vida social e praticar Kundalini Yoga, do contrário com dois dias de prática verá que é um estranho em seu próprio lar. Porque esse yoga muda tudo em você.

Podemos despertar Kundalini? Sim, podemos. Uma maneira de fazer isso é criar uma atmosfera para que vagarosamente a Kundalini desperte. A outra maneira é provoca-la de tal modo que desperte rapidamente. Se ela despertar rapidamente, então tudo mudará dramaticamente. Se despertar devagar, durante um longo período de tempo, as mudanças acontecerão devagar, você será capaz de lidar com essas mudanças durante esse período. Mas se despertar muito rápido, você não será capaz de lidar com as mudanças. Vai lhe parecer que as coisas estão desmoronando.

Existem 112 maneiras de despertar a Kundalini, para que vá de Muladhara até Ajna chakra. Dos 114 chakras, existem os sete principais. Desses, seis estão no corpo e um fora do corpo físico. Você pode empregar um dos 112 métodos para lidar com os seis chakras, mas o sétimo não pode ser trabalhado por você. Você pode chegar a Ajna, mas de Ajna a Sahasrara não existe um caminho. Você tem de pular dentro de um abismo. E se vai pular dentro de um abismo, deve ser louco ou ter enorme confiança num guia. Ele lhe dirá: “Pule” e você pula porque confia que esse pulo será bom para si. Você vai pular num abismo sem fundo.

Portanto, para fazer a jornada de Muladhara a Ajna, existem 112 caminhos. Mas de Ajna a Sahasrara não existe caminho. É apenas um salto, que pode acontecer na confiança, na devoção ou na loucura. A escolha é sua.

Sadhguru On Why Human Is Not A Resource

24.5.20

PREPARAR O CORPO PARA AS GRANDES ENERGIAS – Sadhguru



Pergunta: Tendo sido uma devota de alguns maravilhosos mestres que já deixaram o corpo, algumas experiências espirituais me ocorreram e um certo fogo interior aconteceu. Vim agora para aprender alguma prática espiritual para estabilizar  o mundo interior. Parece-me que algo aconteceu energeticamente, algo muito diferente que não sei o que é, e estou tentando encontrar alguém como você que saiba e possa me aconselhar.

Sadhguru: Existem algumas pessoas que tiveram experiências por diferentes meios, ou por estar em contato com certa pessoa, ou por ter ido a certos lugares, por estar exposta a certas situações, ou simplesmente de modo acidental em situações de suas vidas.

O ser humano vive num mundo físico, e a tendência é que ele se torne materializado como uma rocha, mas ele não está contente, ele quer sutilizar sua existência. Essa é a luta que o ser humano enfrenta. Portanto o processo espiritual significa elevar-se do plano material ao sutil.

Essa elevação ao plano sutil pode acontecer dentro de você, quer você tenha entrado em contato com alguém ou algo, ou quer você tenha construído conscientemente dentro de si mesma esse estado, ou simplesmente devido a alguma situação de intensa luta ou perigo. Quando há um perigo ou intensa luta na vida da pessoa, uma certa intensidade pode ocorrer dentro dela. E então de repente, aquilo que era materializado se torna sutil. Às vezes estar perto da morte pode provocar isso.

Muitos anos atrás eu estava em Bangalore e fui a um mercado de hortaliças e legumes, e ali fiquei andando e conversando com as pessoas. E então vi um homem que vendia hortaliças, e ele tinha muita luz. Olhei para ele e pensei: “Não posso acreditar que um homem como esse esteja vendendo hortaliças”.

Então nossos olhos se encontraram e comecei a gargalhar. Ele também riu. Fui até ele e lhe perguntei: “Como você veio parar aqui? Por que legumes?” Ele me convidou para sentar e ficamos conversando, e ele disse: “Eu era apenas um vendedor de legumes e certo dia fiquei doente.” Ele dirigiu-se a um hospital público, que é como uma preparação para o inferno (risos), e ali ficou, pensando a cada dia que a morte chegaria.


Ficou quatro meses acamado no hospital, e nessa luta contra a morte ele encontrou a auto-realização. E agora ele se sentava ali como um Buddha vendendo legumes. E então ele disse: “Cada cliente que vem a mim, eu o abençoo com uma longa doença”. (risos) Eu disse: “Que bênção!” Porque para ele a doença tinha sido uma grande bênção! A doença o levou a uma dimensão da vida completamente diferente.

Assim, a auto-realização pode acontecer de muitas maneiras diferentes. Mas para a maioria das pessoas que têm uma experiência espiritual, através de um contato ou outra coisa, elas são incapazes de permanecerem naquele nível. Elas se elevam e depois despencam.

Para a pessoa que nunca entrou num nível superior de existência, a vida comum não tem qualquer problema. Mas quando a pessoa esteve ali e volta à vida comum, ela se sente muito mal. Se você não conhece nada melhor, está tudo bem, mas se você conhece algo melhor, quando volta para o mundo material se sente terrível. Muitas pessoas ficam desorientadas mentalmente, com depressão, porque de algum modo elas tiveram uma grande experiência espiritual, mas não conseguiram manter-se nela. E isso se torna sua maldição.

Nada de errado lhes aconteceu, foi apenas que viram um nível diferente de vida e depois caíram. Isso é muito doloroso. Por isso é sempre melhor não pular dentro dessas grandes experiências. É melhor construir uma escada e subir vagarosamente para que não haja uma queda.

Assim, se você cria uma estrutura adequada através da prática espiritual adequada, se todo dia você continua praticando, aos poucos essa prática construirá a escada para você. Desse modo não haverá queda, porque você subiu uma escada, e não apenas pulou de algum lugar para lá.

Por isso, a prática, Shambhavi Mahamudra, (ensinada por Sadhguru) vai criar essa situação dentro de você. Não importa o que aconteceu a você no passado, isso te foi bom em algum momento. Mas o sistema não estava pronto para aquele tipo de energia. Sem preparar seu corpo, se você entra em contato com altos níveis de energia, algo pode facilmente se quebrar dentro de você.

Assim, sempre é melhor que o sistema esteja preparado antes que as grandes energias venham às pessoas. O objetivo do yoga é esse: preparar o corpo para que, quando as grandes energias venham, você saiba lidar com elas.









18.5.20

PRANAYAMA SEM RETENÇÃO – Swami Sivananda



Sente-se com a espinha ereta. Feche a narina direita e inale vagarosa e confortavelmente pela narina esquerda. Em seguida, feche a narina esquerda e exale pela direita. Agora inale pela direita e exale pela esquerda, vagarosa e confortavelmente. Não há retenção nesse pranayama. Repita o processo 12 vezes.
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Nota: se a prática desse pranayama por 12 vezes esquentar demais a respiração ou causar dor de cabeça, pode-se praticar apenas 8 ou 5 vezes ao dia com muitos benefícios para o corpo e a mente. Diante de qualquer desconforto, interrompa-se a prática por um ou mais dias, até refrescar novamente os nervos. Esse pranayama ajuda a controlar o desejo sexual e conservar ojas shakti. É contraindicado para pessoas que não pretendem levar uma vida relativamente controlada sexualmente, assim como é qualquer outro pranayama. Pranayamas também são contraindicados para pessoas que possuem vícios ou sofrem dos nervos; primeiro é necessário tratar-se adequadamente.



13.5.20

PRÁTICA PRELIMINAR À KRIYA YOGA – Sri M


              
Pergunta: Você tem alguma prática que as pessoas possam fazer e incluir em sua rotina de meditação?

Sri M: A Kriya Yoga que ensino vem da mesma tradição que a ensinada por Paramahansa Yogananda. Entretanto existem certas práticas que não são ensinadas a todos igualmente. Isso depende do instrutor e do estudante. Quando você está em contato com o estudante, pode sentir que algo deve ser acrescentado ou ser tirado da prática. Mas a teoria básica da Kriya Yoga, isto é, que as energias do corpo têm de ser concentradas e sua consciência tem de viajar pelo Shushumna nadi, desde Muladhara até Sahasrara, juntamente com o prana, isto é um ensinamento comum nos ensinos de Yogananda e nos meus. A técnica para realizar isso pode ser um pouco diferente aqui e ali, dependendo da pessoa que a recebe.




Pergunta: Envolve pranayama e mantras?

Sri M: Sim, envolve pranayama e o cantar de bijaksharas (mantras sementes) em cada chakra, mas existem muitas práticas similares ensinadas por outros instrutores.

Pergunta: Se alguém mora distante e não pode receber iniciação, o que você recomendaria?

Sri M: Eu diria que deve começar com uma prática que pode ser dada a todos, porque não causa nenhum dano. Esta técnica, meu guru, Sri Maheshwarnath, me deu permissão para ensinar a primeira parte, que chamamos de técnica de Hamsa.

Basicamente é assim: primeiro você repete o mantra de Mahavatar Babaji, guru supremo de minha linhagem. Com a mão sobre o coração, visualizamos ali, no Anahata chakra, um lótus branco e sobre o lótus as marcas, duas pegadas, dos pés de Mahavatar Babaji. Daí começamos a repetir o mantra “Om Hrim Shri Gurubhyô Namahá” mentalmente, durante cinco a dez minutos.

Se isso for feito, você estará estabelecendo uma ligação com Mahavatar Babaji, e estabelecendo essa ligação a Kriya Yoga virá a você em algum momento.

ORIGINAL KRIYA YOGA: MAHAVATAR BABAJI AND LAHIRI MAHASAYA Mahavatar Babaji

Após fazer o guru mantra, então fazemos a técnica de Hamsa: sente-se quieto numa postura confortável e com a espinha e cabeça eretas, e observe sua respiração, sem controla-la, passivamente, enquanto o ar entra e sai.

Quando inalar, cante Ham mentalmente, e quando exalar cante Só. Continue fazendo isso durante algum tempo, dez a quinze minutos. Apenas fazendo isso, sem esperar que nada aconteça. Depois fique quieto, como testemunha apenas, por alguns minutos. Ao sair da meditação, curve-se dizendo “obrigado”.

Essa é uma prática simples, que qualquer um pode fazer.
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Nota: o mantra Hrim deve ser pronunciado “rririm”, unindo-se os lábios no final para ressaltar a letra m. O mantra Ham deve ser pronunciado “rram”, também unindo-se os lábios no final.

30.4.20

TANTRA NADA TEM A VER COM SEXO – Sadhguru



Tantra significa extrema disciplina. Não é promiscuidade desenfreada. É aprender a usar seu corpo e sua mente assim como usa algum outro instrumento externo. Esta foi a tremenda dádiva trazida por Agastya Muni, ele estabeleceu um processo tântrico baseado cem por cento no corpo, nada vindo do exterior.

A palavra Tantra significa técnica ou tecnologia. Mas porque o Tantra que todos conhecem foi escrito por autores ocidentais, as pessoas têm uma ideia errada do Tantra. Do mesmo modo que você aprende a usar um computador, também aprende a usar seu corpo e sua mente.

Os livros tântricos se referem ao corpo, e para a sociedade moderna, se você diz corpo, as pessoas pensam nos órgãos sexuais e nada além disso. Elas se esquecem do cérebro.

O Tantra indica como aprender a usar o corpo, que é um mecanismo fantástico. Se você não sabe como usá-lo, o que fará neste mundo? Você não causará impacto em coisa alguma. Portanto, isso é Tantra. Tantra significa essa capacidade.



Não existe guru sem Tantra, sem tecnologia. Um guru sem Tantra apenas pode ser um santo que posa abençoando as pessoas. Esse tipo de santo não é para as pessoas que buscam a iluminação. É apenas para as pessoas que buscam pequenas melhorias em suas vidas, como uma roupa nova ou um carro novo. Mas se você quer crescimento espiritual, quer conhecer sua natureza interior, o guru precisa ter a capacidade de proporcionar isso.

Existem duas dimensões no Tantra. Numa você usa materiais externos, é uma dimensão ritualística. Na outra, o Tantra ióguico, você usa apenas seu corpo físico e o sistema de energia do corpo. Não precisa de mais nada. Essas duas dimensões têm sido classificadas como Caminho da Mão Esquerda e Caminho da Mão Direita.

O Caminho da Mão Esquerda usa materiais externos e o Caminho da Mão Direita apenas usa o corpo, que é o Tantra ióguico, que foi a dádiva que Agastya ofereceu à humanidade.

  

24.3.20

SOBRE KRISHNAMURTI – Sadhguru



Jiddu Krishnamurti nasceu numa vila chamada Madanapale. Eu estive na casa onde ele nasceu e viveu. Um belo lugar. A casa é mantida hoje como um monumento dedicado a ele. No fim do século 19 e começo do século 20, a teosofia espalhou-se por todo o mundo. Esse movimento foi iniciado por Madame Blavatsky, que era uma mulher muito culta e mística.

Nessa época muitos britânicos e outros europeus, buscadores do misticismo, viajavam à Índia para explorar a vida mística, entre eles estava Max Muller, Paul Brunton e outros. Naquela época era uma aventura, você tinha que viajar a cavalo, tinha que pedir informações a pessoas, encontrar o guru adequado etc.

Madame Blavatsky foi ao Tibete, depois veio à Índia e finalmente estabeleceu a sede mundial da teosofia no Sul do país, em Adyar, e ali o sonho dos teósofos era produzir o ser perfeito. Os teósofos na Índia conseguiram organizar a mais fantástica biblioteca do mundo, onde juntaram todo tipo de livro sobre o ocultismo.

Ver a imagem de origem  Krishnamurti

Teósofos como Annie Besant e Leadbeater possuíam um brilhante intelecto, sem dúvida, no entanto não tinham realização interior. Então começaram a procurar um corpo apropriado que seria usado pelo Instrutor do Mundo (Maitreya), e puseram Krishnamurti num treinamento severo para prepara-lo, inclusive com técnicas de meditação, e ele se tornou um fantástico ser humano.

Quando Krishnamurti tinha 27 ou 28 anos, a Sociedade Teosófica decidiu anunciar ao mundo que nele se manifestaria o Instrutor Mundial, que o instrutor perfeito tinha chegado. As pessoas ficaram muito interessadas em Krishnamurti.

Krishnamurti então lhes disse: “Eu não sou o Instrutor do Mundo.” E com isso toda a Sociedade Teosófica desmoronou. Ele teve a coragem, o bom-senso e a sabedoria de dizer: “Eu não sou”. A grande maioria das pessoas diria: “Sou a reencarnação de Buddha, Jesus” e tudo o mais. Mas ele teve o bom-senso de dizer: “Não sou isso que estão tentando me tornar”.

Em seguida abandonou o movimento teosófico e começou a dar palestras, era um brilhante orador. Quando falava, encantava as pessoas. Falava de um modo completamente mágico.
Quando eu tinha 18 anos, alguém me convidou para assistir a algumas de suas palestras em vídeo. Era um grupo de estudos. As pessoas diziam: “Você tem que ler Krishnamurti”. Nos círculos intelectuais da Índia, se você não lesse Krishnamurti, Kirkegaard e Dostoievsky, era considerado uma pessoa sem cérebro. Era a moda.

Às segundas-feiras passavam vídeos de Krishnamurti, liam seus livros. Alguns amigos me convidaram e eu fui. Quando o vi, percebi imediatamente sua integridade, que era notável. Não li seus livros, apenas assisti aos vídeos. Na verdade eu não tinha tempo de ler as palavras de ninguém. A vida me chamava o tempo todo. Por isso não tinha tempo de ouvir meus pais, meus professores ou Krishnamurti. Então deixei o círculo de estudos e segui minha vida.

Frequentei esse grupo durante cinco segundas-feiras, durante uma hora e meia cada. Depois do vídeo, começavam a discutir seus ensinamentos, e tudo acabava numa grande confusão, porque ninguém entendia o que ele dizia. Ele se recusava a usar qualquer método, qualquer exemplo, qualquer parábola ou história, nada. Apenas análise, dissecação. Isto é chamado Jnana Marga, o caminho do intelecto.

Dos sete bilhões de pessoas desse planeta, se você encontrar dez mil pessoas que têm esse tipo de intelecto cortante e analítico, que pode seguir analisando cada coisa... eu creio que você não vai encontrar dez mil pessoas assim. Talvez você encontre mil pessoas, e essas mil talvez não estejam interessadas no processo espiritual, talvez estejam interessadas em usar seu intelecto em coisas materiais.

Ao redor de Krishnamurti todos podiam sentir que aquele homem era especial, mas ninguém entendia o que ele falava, porque ele se recusava a fazer o papel de guru, ele se recusava a iniciar alguém, se recusava a usar qualquer tipo de método, qualquer tipo de processo.

Ele disse: “De qualquer maneira a iluminação acontecerá”. É verdade. Ela acontecerá, mas talvez após um milhão de vidas. Então, se você tiver pressa, deve ter aquele tipo de intelecto, que é raro. Ou então deve usar seus outros instrumentos, que são o corpo, a energia, as emoções, todas essas coisas. Krishnamurti podia com seu intelecto chegar àquelas verdades, mas ninguém mais podia.

Ele era um fantástico ser humano. Enquanto estava nesse mundo, podia-se sentir a fragrância. Quando se foi, só ficaram os livros, porque não havia um processo vivo.

Um amigo meu disse sobre Krishnamurti: “Quando entrei na sala onde estava dando uma palestra, senti que adentrei um muro de amor. Esse sentimento bateu em minha face”.

As pessoas nunca associam Krishnamurti ao amor. Ele não era um homem que demonstrava seus sentimentos. Era rígido, sério, definitivamente não parecia amoroso, mas era amoroso, absolutamente compassivo. Suas palavras eram como facas: analisavam, dissecavam.

O próprio Krishnamurti não queria que as pessoas se apoiassem nele. Dizia que se se apoiassem ficariam presas. Se houvesse no mundo um milhão de mentes puramente racionais, esse método seria fabuloso para se seguir. Mas nesse mundo as pessoas ainda não estão preparadas para isso. É um belo processo espiritual, mas...

Krishnamurti era como uma flor. Sua fragrância foi sentida enquanto estava neste mundo. Suas palavras são boas se você quiser usa-las como um tipo de exercício intelectual. Se puder entender algo, elas são uteis, brilhantes.