5.2.13

SAVITRI E YAMA, O DEUS DA MORTE


Havia um rei chamado Ashvapati. O rei tinha uma filha, que era tão boa e bela que era chamada Savitri, que é o nome de uma oração sagrada dos Hindus. Quando Savitri cresceu, seu pai lhe disse para escolher um marido. As princesas indianas eram muito independentes e escolhiam seus próprios pretendentes. Savitri concordou e viajou a regiões distantes, montada numa carruagem de ouro, com seus guardas e cortesãos a quem seu pai a confiou, parando em diferentes cortes, e vendo diferentes príncipes, mas nenhum deles pôde ganhar o coração de Savitri.

Finalmente chegaram a um sagrado eremitério numa floresta, onde não se permitia a matança de animais. Ali os animais não temiam os homens, e até os peixes vinham e pegavam comida das mãos. Por milhares de anos ninguém havia matado nada ali. Os sábios ali iam para viver entre os gamos e os pássaros. Quando um homem se cansava da vida, ele ia à floresta, e na companhia dos sábios, falando de religião e praticando meditação, ele passava o que restava de sua vida.

Aconteceu que havia um rei, Dyumatsena, que foi derrotado por seus inimigos e privado de seu reino, quando já era velho e tinha perdido a visão. Este pobre, cego e velho rei, com sua rainha e seu filho, refugiou-se na floresta e passava sua vida em rígidas austeridades. O nome do rapaz era Satyavan.

E aconteceu que após visitar todas as diferentes cortes, Savitri finalmente chegou a esse eremitério, ou lugar sagrado. Nem mesmo o maior dos reis poderia passar pelos eremitérios, ou ashramas como eram chamados, sem prestar homenagens aos sábios. Assim Savitri chegou a este eremitério e viu ali Satyavan, e seu coração foi conquistado. Quando Savitri retornou a casa de seu pai, ele lhe perguntou, `Savitri, querida filha, você viu alguém com quem gostaria de casar-se?'

Então, corando, disse Savitri, `Sim, pai.' `Qual é o nome do príncipe?' `Ele não é um príncipe, mas o filho do rei Dyumatsena que perdeu seu reino – um príncipe que vive uma vida monástica, a vida na floresta, colhendo raízes e ervas, ajudando e alimentando seus velhos pais, que vivem numa cabana.'

Ao ouvir isto, o pai consultou o sábio Nárada, que estava presente ali, e este declarou que a escolha feita era um mau presságio. O rei então lhe pediu para explicar por que. E Narada disse, `Dentro de doze meses o jovem morrerá.' Então o rei disse, `Savitri, este jovem vai morrer em doze meses, e você será viúva: pense nisso! Desista de sua escolha, minha filha, você não deve casar-se com um noivo assim fadado.' `Não se preocupe, pai; não me peça para casar-me com outra pessoa e sacrificar a castidade, pois eu amo e aceitei em minha mente apenas aquele bom e bravo Satyavan como meu marido. Uma dama escolhe apenas uma vez, e ela nunca se desvia de sua verdade.'
Quando o rei viu que Savitri estava decidida em sua mente e coração, ele concordou. Então Savitri casou-se com Satyavan, e saiu do palácio de seu pai para ir para a floresta, para viver com seu marido e ajudar os pais dele.
Embora Savitri soubesse a data em que Satyavan iria morrer, ela manteve isso em segredo. Diariamente ela ia às profundezas da floresta, colher frutas e flores, juntar lenha, e então voltava à cabana, e cozinhava a refeição e ajudava os velhos. Assim suas vidas seguiam até que o dia fatal se aproximou, e faltavam apenas três dias. Ela fez um voto de passar três noites em jejum e austeridades, e manteve suas duras vigílias. Savitri passou noites em dor e sem dormir, com fervorosas preces e lágrimas secretas, até que a temida manhã raiou. Naquele dia Savitri não podia suportar ficar separada de seu marido, nem mesmo por um momento. Ela pediu permissão de seus sogros para acompanhar o marido, quando ele foi juntar as ervas e lenha usuais. De repente, ele reclamou a sua esposa que se sentia desmaiando, `Minha cabeça está tonta e meus sentidos titubeiam, cara Savitri. Deixe-me descansar ao seu lado por um instante.'

Tremendo ela replicou, `Venha, coloque sua cabeça no meu colo, meu querido senhor.' E ele colocou sua cabeça no colo da esposa e pouco depois expirou. Ali ficou ela sentada, derramando lágrimas, na solitária floresta, até que os emissários da Morte se aproximaram para levar a alma de Satyavan. Mas eles não podiam se aproximar do local onde Savitri se sentava com o corpo de seu marido morto, a cabeça dele descansando em seu colo. Havia uma zona de fogo ao redor dela, e nenhum dos emissários da Morte podia entrar. Eles todos fugiram dali e retornaram ao rei Yama, o Deus da Morte, e lhe disseram que não puderam conseguir a alma daquele homem. Então foi Yama, o Juiz dos mortos. Ele julga se um homem, ao morrer, deve ser punido ou recompensado. Evidentemente ele pôde adentrar aquele círculo mágico, porque era um deus. Quando chegou a Savitri, ele disse, `Filha, deixe este corpo morto, pois a morte é o destino dos mortais.'
Então Savitri se afastou, e Yama levou a alma. Antes que ele fosse longe, ouviu passos sobre as folhas secas. Ele voltou-se. `Savitri, filha, por que você me segue? Este é o destino dos mortais.' `Não estou vos seguindo, Pai,' replicou Savitri, `mas este é também o destino da mulher, ela segue onde seu amor a leva, e a Lei Eterna não separa o homem amado e a fiel esposa.'
Então disse o Deus da Morte, 'Peça qualquer graça, exceto a vida de seu marido.' `Se quiserdes conceder uma graça, ó Senhor da Morte, peço que meu sogro possa ser curado de sua cegueira e seja feliz.' `Que seu piedoso desejo seja concedido, filha.' E então Yama viajou com a alma de Satyavan.
Novamente os passos foram ouvidos. Ele olhou em volta. `Savitri, minha filha, você ainda me segue?' `Sim, meu Pai; não posso evitar; tento voltar, mas a mente segue meu marido e o corpo vai atrás. A alma já se foi, e naquela alma também está a minha; e quando se leva a alma, o corpo segue, não é assim?' `Estou satisfeito com suas palavras, boa Savitri. Peça outra graça de mim, mas não deve ser a vida de seu marido.' `Que meu sogro recupere seu reino e riqueza perdidos, Pai, se quiserdes me conceder outra graça.' `Amável filha,' Yama respondeu, `esta graça agora concedo; mas volte para casa, pois um mortal vivente não pode ir com Yama.'
E então Yama seguiu seu caminho. Mas Savitri, meiga e fiel, ainda seguia seu marido morto. Yama novamente se voltou. `Nobre Savitri, não prossiga nessa angústia sem esperança.' `Não posso deixar de seguir onde vós levais meu amado.' `Então suponha, Savitri, que seu marido é um pecador e tem que ir para o inferno. Neste caso Savitri vai com aquele que ela ama?' `Fico contente em seguir onde ele vai, seja vida ou morte, céu ou inferno,' disse a amante esposa.
'Abençoadas são suas palavras, minha criança, estou satisfeito com você, peça outra graça, mas o morto não pode voltar à vida.' `Já que me permitis, então que a linhagem imperial de meu sogro não seja destruída; que seu reino seja deixado aos filhos de Satyavati.' Então o Deus da Morte sorriu. `Minha filha, vós obtereis vosso desejo agora: aqui está a alma de vosso marido, ele viverá novamente. Ele viverá para ser pai e vossos filhos reinarão no devido tempo. Volte para casa. O amor conquistou a Morte! Nunca uma mulher amou como vós, e vós sois a prova de que mesmo eu, o Deus da Morte, sou impotente contra o poder do verdadeiro amor!' 

 

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